{"id":50042689,"date":"2021-05-04T17:35:27","date_gmt":"2021-05-04T16:35:27","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=42689"},"modified":"2022-12-01T16:42:13","modified_gmt":"2022-12-01T16:42:13","slug":"42644-cinturao-da-soja-na-amazonia-alimentara-demanda-internacional-por-commodities-brasileiras","status":"publish","type":"photo_story","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/42644-cinturao-da-soja-na-amazonia-alimentara-demanda-internacional-por-commodities-brasileiras\/","title":{"rendered":"&#8216;Cintur\u00e3o da Soja&#8217; na Amaz\u00f4nia alimenta demanda por commodities"},"content":{"rendered":"\n<p>Sozinho em um canteiro de obras nas calmas estradas de terra de Humait\u00e1, munic\u00edpio de 56.000 pessoas no sul do estado do Amazonas, um jovem pedreiro olha para o nada. O sil\u00eancio s\u00f3 \u00e9 quebrado pelos sons da vida selvagem local.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em breve, quando a terra vermelha for pavimentada com concreto, essas estradas v\u00e3o ouvir outro tipo de barulho: o de in\u00fameros caminh\u00f5es carregando soja \u2014 a grande maioria plantada e cultivada em outros estados \u2014 em dire\u00e7\u00e3o ao porto de gr\u00e3os de alta tecnologia rec\u00e9m-constru\u00eddo na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esse ser\u00e1 um marco do nosso progresso&#8221;, disse Luiz Schmidt, diretor da associa\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio local. &#8220;Ser\u00e1 uma regi\u00e3o diferente depois\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201cCintur\u00e3o da Soja\u201d vai integrar Humait\u00e1, uma cidade que tem sido assolada pelo desmatamento ilegal, ao <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/en\/infrastructure\/38363-amazon-river-ports-brazil-to-china-commodities-routes\/\">corredor log\u00edstico fluvial <\/a>da Amaz\u00f4nia, que j\u00e1 movimenta um quinto das exporta\u00e7\u00f5es de soja do Brasil. Do novo porto, segundo especialistas locais, as cargas ser\u00e3o enviadas pelos rios Madeira e Amazonas antes de seguirem para o exterior, principalmente para a China e Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte da soja que vai passar por Humait\u00e1 vir\u00e1 de Rond\u00f4nia, um estado que, historicamente, tem sido associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de carne e madeira \u2014 assim como ao desmatamento ilegal, inc\u00eandios e conflitos fundi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas dados do IBGE mostram que nos \u00faltimos dez anos, Rond\u00f4nia \u2014 que faz fronteira com o Mato Grosso, cora\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria da soja no Brasil \u2014 quase triplicou a \u00e1rea utilizada para plantar soja. Produtores locais esperam que a produ\u00e7\u00e3o de 2021 atinja <a href=\"http:\/\/www.rondonia.ro.gov.br\/produtores-de-rondonia-iniciam-plantio-de-soja-da-safra-2021-expectativa-e-alcancar-producao-de-420-mil-hectares\/\">420 mil hectares<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda \u00e9 uma quantidade \u00ednfima em compara\u00e7\u00e3o com o super produtor de soja Mato Grosso, que plantou 9,2 milh\u00f5es de hectares em 2019, mas a produ\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia j\u00e1 supera a dos vizinhos Amazonas e Acre, o que aponta para o avan\u00e7o da fronteira da soja.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-map-embed block--map-embed\"><div class=\"block--map-embed__column\"><div class=\"block--map-embed__embed aspect-ratio--16-9\"><iframe src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/ohmtA\/1\/\"><\/iframe><\/div><div class=\"block--map-embed__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--map-embed__caption\"><\/div><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Em 2020, de acordo com os dados de exporta\u00e7\u00e3o do ComexStat do Brasil, seis pa\u00edses&nbsp;\u2014&nbsp;Holanda, Espanha, Turquia, M\u00e9xico, Inglaterra e China&nbsp;\u2014&nbsp;responderam por 80% das exporta\u00e7\u00f5es de soja de Rond\u00f4nia. Hoje, dois ter\u00e7os dos munic\u00edpios de Rond\u00f4nia est\u00e3o produzindo soja.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-map-embed block--map-embed\"><div class=\"block--map-embed__column\"><div class=\"block--map-embed__embed aspect-ratio--16-9\"><iframe src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/Rtyhe\/1\/\"><\/iframe><\/div><div class=\"block--map-embed__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--map-embed__caption\"><\/div><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>A Morat\u00f3ria da Soja, um acordo cada vez mais impopular entre muitos produtores rurais, mas defendida por ambientalistas por acreditarem que ela tem protegido a floresta amaz\u00f4nica, bloqueia a compra de soja por parte de empresas multinacionais quando a&nbsp;<em>commodity<\/em>&nbsp;se origina de terras desmatadas ap\u00f3s 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa, na pr\u00e1tica, que os produtores apenas plantam em terras que j\u00e1 foram abertas&nbsp;\u2014&nbsp;para pastagens de gado, por exemplo&nbsp;\u2014&nbsp;antes do prazo de 2008, em vez de desmatar novas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/abiove.org.br\/content\/uploads\/2020\/04\/Relat%C3%B3rio_Morat%C3%B3ria_Soja_2018-19_pt.pdf\">\u00faltimo relat\u00f3rio da morat\u00f3ria<\/a>, menos de 2% da \u00e1rea total de soja para o ano agr\u00edcola de 2018-19 na Amaz\u00f4nia correspondeu a \u201cn\u00e3o conforme\u201d [\u00e1rea em desacordo com a Morat\u00f3ria]. Mas de acordo com Cristiane Mazzetti, uma ativista florestal do Greenpeace, \u00e9 comum que as lavouras de soja nos estados amaz\u00f4nicos sejam plantadas em biomas n\u00e3o cobertos pela morat\u00f3ria, como o Cerrado. Para Mazzetti, falta transpar\u00eancia sobre as propriedades de plantio de soja em Rond\u00f4nia, o que dificulta&nbsp; a presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Humaita\u0301-soy-town-day-2.png\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Humaita\u0301-soy-town-day-2.png\" data-sizes=\"457px\" alt=\"Humaita\u0301 soy town day\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Movimento na rua principal da cidade de Humait\u00e1 (Imagem: Avener Prado)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Humaita\u0301-soy-town-day-2.png\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"234 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"305\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"457\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p>No geral, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de \u00d3leos Vegetais, a quantidade de&nbsp;<a href=\"https:\/\/revistagloborural.globo.com\/Noticias\/Agricultura\/Soja\/noticia\/2020\/12\/area-em-desacordo-com-moratoria-da-soja-cresceu-23-na-safra-20192020.html\">soja cultivada em \u00e1reas \u201cn\u00e3o conformes\u201d cresceu 23%&nbsp;<\/a>na safra 2019-2020. Em termos percentuais, a \u00e1rea de soja \u201cn\u00e3o conforme\u201d de Rond\u00f4nia foi a que mais cresceu, com 4.500 hectares para a temporada&nbsp;\u2014&nbsp;um aumento de 54% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior, mas pouco mais de 1% da produ\u00e7\u00e3o total do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a expans\u00e3o da soja, uma das&nbsp;<em>commodities<\/em>&nbsp;mais lucrativas do Brasil, tende a deslocar tamb\u00e9m fazendas de gado de baixa produtividade, conforme analisa Ricardo Gilson da Costa Silva, ge\u00f3grafo da Universidade Federal de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>\u201cA soja \u00e9 uma mercadoria ligada ao mercado externo que exige quantidades crescentes de terra\u201d, disse ele. Isso, por sua vez, empurra os mercados de madeira ilegal, cria\u00e7\u00e3o de gado e especula\u00e7\u00e3o de terras para \u00e1reas rurais mais distantes, aumentando a press\u00e3o sobre as reservas ind\u00edgenas e \u00e1reas protegidas, acrescenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um processo que ele chama de \u201crondoniza\u00e7\u00e3o\u201d: desenvolvimento desregulado, desmatamento, crescimento das cidades e eventual deslocamento de pequenas propriedades em favor dos grandes produtores.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p>Recentemente, a Assembleia Legislativa de Rond\u00f4nia aprovou um projeto de lei que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2021\/04\/as-vesperas-da-cupula-do-clima-rondonia-faz-reducao-recorde-de-areas-protegidas.shtml\">reduz drasticamente o tamanho de duas unidades de conserva\u00e7\u00e3o florestal<\/a>&nbsp;\u2014&nbsp;em um total de 200 mil hectares&nbsp;\u2014&nbsp;que haviam sido ilegalmente invadidas por grandes criadores de gado. Cr\u00edticos classificam o projeto de lei como \u201cgrilagem legalizada\u201d. O projeto de lei espera ser sancionado pelo governador de Rond\u00f4nia, coronel Marcos Rocha, um firme aliado do presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Humaita\u0301-soy-town-night.png\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Humaita\u0301-soy-town-night.png\" data-sizes=\"458px\" alt=\"Humait\u00e1 soy town night\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Rua principal da cidade de Humait\u00e1 \u00e0 noite (Imagem: Avener Prado)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Humaita\u0301-soy-town-night.png\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"230 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"306\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"458\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-polo-agroindustrial-do-futuro\">Polo Agroindustrial do futuro<\/h2>\n\n\n\n<p>Humait\u00e1 fica no entroncamento de duas das rodovias mais importantes da Amaz\u00f4nia&nbsp;\u2014&nbsp;a BR-319 e a BR-230, conhecida como Transamaz\u00f4nica&nbsp;\u2014&nbsp;e fica \u00e0s margens do rio Madeira, a segunda hidrovia mais importante para o transporte de gr\u00e3os e outras mercadorias da regi\u00e3o, atr\u00e1s somente do rio Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/BR-319.png\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/BR-319.png\" data-sizes=\"941px\" alt=\"Highway BR-319\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Trecho pavimentado da BR-319, 30 km antes de chegar em Humait\u00e1-AM vindo de Porto Velho-RO. (Imagem: Avener Prado)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/BR-319.png\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"726 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"628\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"941\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio tamb\u00e9m \u00e9 rodeado por \u00e1reas florestais protegidas, incluindo reservas ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o destinadas a deter o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Ferryboat.png\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Ferryboat.png\" data-sizes=\"941px\" alt=\"Ferryboat on the Madeira river\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Homem na balsa de Humait\u00e1, que cruza o rio Madeira e d\u00e1 acesso \u00e0 Rodovia Transamaz\u00f4nica (BR-230). (Imagem: Avener Prado)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Ferryboat.png\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"816 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"628\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"941\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Constru\u00eddo pelo governo estadual a um custo de R$ 46,5 milh\u00f5es e com conclus\u00e3o prevista para dezembro de 2021, o \u201cCintur\u00e3o da Soja\u201d \u00e9 um sistema de anel vi\u00e1rio que permitir\u00e1 que caminh\u00f5es que transportam soja contornem o centro da cidade, possibilitando um transporte mais r\u00e1pido dos gr\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas locais dizem que a vantagem \u00e9 clara: uma balsa carregando soja, gr\u00e3os ou outras mercadorias de um dos portos fluviais de Porto Velho, capital de Rond\u00f4nia, leva em m\u00e9dia 36 horas para chegar a Humait\u00e1 devido a um gargalo no rio. Al\u00e9m disso, dizem, durante a esta\u00e7\u00e3o seca, quando o rio \u00e9 mais raso, as balsas s\u00f3 podem operar com metade da carga e os acidentes s\u00e3o comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como avaliam os especialistas, um caminhoneiro pode fazer a mesma viagem por estrada em apenas tr\u00eas horas para descarregar os gr\u00e3os, que dali descem pelo rio Madeira at\u00e9 os portos de Itacoatiara e Santar\u00e9m. De l\u00e1, os gr\u00e3os s\u00e3o&nbsp;enviados para o exterior pelo Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/infoamazonia.org\/embed\/?map_id=108721\" width=\"100%\" height=\"600\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><br \/><\/iframe>\n\n\n\n<p>Propriet\u00e1rios de terras e l\u00edderes empresariais locais est\u00e3o otimistas. O grupo acredita que o \u201cCintur\u00e3o da Soja\u201d vai viabilizar as exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas locais e elevar os pre\u00e7os da terra. E com o fluxo de caminhoneiros, dizem, a cidade precisar\u00e1 de mais hot\u00e9is, postos de gasolina, farm\u00e1cias e supermercados, gerando centenas de empregos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHumait\u00e1 ser\u00e1 um grande centro de neg\u00f3cios do estado do Amazonas\u201d, diz Luiz Schmidt, diretor da associa\u00e7\u00e3o comercial local. Schmidt possui dez mil hectares de terra na regi\u00e3o, onde cria gado e cultiva diferentes lavouras. Schmidt plantou soja no passado. Agora, com a promessa de o porto gerar bons retornos devido aos baixos custos log\u00edsticos, ele espera come\u00e7ar de novo.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade de Humait\u00e1 come\u00e7ou com o plantio de pequenas quantidades de soja no final dos anos 1990. Mas com a queda dos pre\u00e7os internacionais e aumento dos custos ap\u00f3s 2006, a produ\u00e7\u00e3o local despencou. A produ\u00e7\u00e3o voltou a crescer em 2017, com a Fazenda Santa Rita, localizada no km 15 da&nbsp;BR-319, sendo a pioneira. O local \u00e9 respons\u00e1vel pela maior lavoura de soja do estado, com&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.idam.am.gov.br\/idam-apoia-levantamento-de-safra-realizado-pela-conab\/\">250 hectares<\/a>&nbsp;plantados em 2019, segundo a m\u00eddia local.<\/p>\n\n\n\n<p>Valdenor Cardoso, presidente do Instituto de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio e Florestal Sustent\u00e1vel do Estado do Amazonas, diz que hoje o munic\u00edpio tem 2700 hectares de soja plantada, praticamente respondendo por toda a soja registrada no estado do Amazonas. Ele espera um aumento de 50-100% nos pr\u00f3ximos anos em \u00e1reas j\u00e1 abertas e prontas para plantar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/soy-plantation-Humaita\u0301.png\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/soy-plantation-Humaita\u0301.png\" data-sizes=\"941px\" alt=\"soy plantation near Humait\u00e1\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Planta\u00e7\u00e3o de soja em Humait\u00e1, AM (Imagem: Avener Prado)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/soy-plantation-Humaita\u0301.png\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"888 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"628\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"941\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Para Cardoso, a temperatura da regi\u00e3o combinada com seus ricos \u201ccampos naturais\u201d \u2014 uma&nbsp;\u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o&nbsp;natural&nbsp;entre campos e floresta em Humait\u00e1 conhecida como \u201cCampos de Humait\u00e1\u201d \u2014&nbsp;a torna \u00f3tima para o cultivo de lavouras,&nbsp;entre elas a soja,&nbsp;sem a necessidade de desmatar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o \u201cCintur\u00e3o da Soja\u201d e outros projetos de infraestrutura, Cardoso v\u00ea em Humait\u00e1 um potencial \u201cineg\u00e1vel\u201d. Como resultado, \u201ctanto as m\u00e9dias como as grandes empresas do agroneg\u00f3cio est\u00e3o se instalando por l\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHumait\u00e1 est\u00e1 destinada a ser um grande p\u00f3lo agroindustrial\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com um aumento de 100% na produ\u00e7\u00e3o de soja, Humait\u00e1 dificilmente alcan\u00e7aria a marca de cinco mil hectares necess\u00e1ria para entrar na lista de munic\u00edpios monitorados pela Morat\u00f3ria da Soja. E nem seus \u201ccampos naturais\u201d s\u00e3o um bioma monitorado sob o acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristiane Mazzetti, ativista do Greenpeace, alerta que o alto volume de agrot\u00f3xicos necess\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o de soja pode danificar os solos locais a ponto de exigirem volumes crescentes de produtos qu\u00edmicos para garantir o cultivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQualquer que seja a convers\u00e3o de um ambiente natural \u00e9 problem\u00e1tica porque estamos vivendo uma crise clim\u00e1tica\u201d, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A capital da soja do \u2018Cone Sul\u2019 de Rond\u00f4nia<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1995, a regi\u00e3o do \u201cCone Sul\u201d de Rond\u00f4nia foi palco de um dos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/noticias\/acervo\/massacres-no-campo\/112-rondonia\/3952-corumbiara-1995\">mais not\u00f3rios massacres rurais do Brasil<\/a>. Uma mil\u00edcia rural de pistoleiros e policiais militares atacou um grupo de de centenas de pequenos agricultores que ocupavam uma propriedade rural no munic\u00edpio de Corumbiara. Pelo menos dez pessoas foram mortas, incluindo dois policiais e uma crian\u00e7a de nove anos, enquanto outros teriam desaparecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o \u201cCone Sul\u201d, que faz fronteira com Mato Grosso&nbsp;\u2014&nbsp;o maior produtor de soja do Brasil&nbsp;\u2014&nbsp;\u00e9 respons\u00e1vel pela grande maioria da produ\u00e7\u00e3o de soja de Rond\u00f4nia. A cidade de Vilhena \u00e9 a maior produtora de soja, com 42 mil hectares plantados em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Vilhena \u00e9 tamb\u00e9m a base do Grupo Masutti, que opera o porto de gr\u00e3os em Humait\u00e1 e \u00e9 tido como o maior benefici\u00e1rio do Cintur\u00e3o da Soja, uma vez que a via p\u00fablica se conecta ao porto de carga do grupo, em frente ao rio Madeira. O grupo mudou-se do estado do Paran\u00e1, anteriormente o maior produtor de soja do sul do Brasil, para o Mato Grosso e depois para Rond\u00f4nia. Masutti n\u00e3o respondeu aos pedidos de entrevista do InfoAmazonia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Massutti-grain-silo.png\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Massutti-grain-silo.png\" data-sizes=\"941px\" alt=\"Massutti grain silo\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Silo de gr\u00e3os no porto privado do grupo Masutti, a ETC (Esta\u00e7\u00e3o de Transbordo de Cargas) Ciagram Masutti, no distrito industrial de Humait\u00e1 (imagem: Avener Prado)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/05\/Massutti-grain-silo.png\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"847 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"628\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"941\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com sua&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/company\/masutti\">p\u00e1gina no LinkedIn<\/a>, o grupo possui mais de 100 mil hectares de terras em Rond\u00f4nia e Mato Grosso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Juca Masutti \u00e9 presidente da filial de Rond\u00f4nia da Aprosoja, a Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho, e foi citado na m\u00eddia local como&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.folhadosulonline.com.br\/noticias\/detalhe\/2018\/maior-produtor-soja-do-estado-vilhenense-entrar-na-disputa-pelo-governo-rondonia\">candidato a governador do estado&nbsp;<\/a>nas elei\u00e7\u00f5es de 2018. Ao inv\u00e9s disso, ele decidiu apoiar o candidato de Jair Bolsonaro, Coronel Marcos Rocha.<\/p>\n\n\n\n<p>Vilhena est\u00e1 entre as principais cidades do estado em termos de&nbsp;<a href=\"https:\/\/cidades.ibge.gov.br\/brasil\/ro\/vilhena\/panorama\">IDH e PIB&nbsp;<\/a>per capita. Al\u00e9m de Masutti, outros gigantes do agroneg\u00f3cio brasileiro, incluindo Amaggi, operam por l\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para Adilson Alves, que vive no assentamento de reforma agr\u00e1ria \u00c1guas Claras,&nbsp; em Vilhena, com outras 150 fam\u00edlias de pequenos agricultores, a soja trouxe pouco progresso. Hoje, ele reclama que o assentamento \u00e9 sufocado pela produ\u00e7\u00e3o de soja no entorno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos uma fazenda de soja bem ao nosso lado\u2026 isso aumentou o valor da terra, mas tamb\u00e9m dificultou a nossa produ\u00e7\u00e3o por causa dos agrot\u00f3xicos\u201d, disse. \u201cE com o aumento dos pre\u00e7os da terra, algumas pessoas venderam suas terras ilegalmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da relativa prosperidade, a reputa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o quanto \u00e0 viol\u00eancia dos conflitos fundi\u00e1rios continua. Desde 2015, de acordo com a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, que fiscaliza a viol\u00eancia no campo no Brasil, pelo menos oito trabalhadores rurais foram mortos em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/noticias\/acervo\/massacres-no-campo\/112-rondonia\">dois massacres na regi\u00e3o<\/a>&nbsp;motivados por conflitos de terra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo sul de Rond\u00f4nia, isso tem um nome, \u00e9 a \u2018matogrossiza\u00e7\u00e3o\u2019: a instala\u00e7\u00e3o de monoculturas e a expuls\u00e3o de pequenos produtores\u201d, disse o ge\u00f3grafo Ricardo Gilson da Costa Silva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Press\u00e3o em Humait\u00e1<\/h2>\n\n\n\n<p>Atualmente, dezenas de garimpos ilegais operam no rio Madeira, onde passam grandes balsas carregando soja e outras mercadorias.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, foi inaugurado um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.acritica.com\/opinions\/frigorifico-amazonas-e-inaugurado-em-humaita\">matadouro em Humait\u00e1&nbsp;<\/a>no ano passado, com capacidade de abate de at\u00e9 360 cabe\u00e7as de gado por dia.&nbsp;Humait\u00e1 tem cerca de 23 mil cabe\u00e7as de gado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um relat\u00f3rio de 2020,&nbsp;<a href=\"https:\/\/realidade.infoamazonia.org\/\">Realidade<\/a>, distrito de Humait\u00e1 a cerca de cem quil\u00f4metros do centro da cidade, foi inclu\u00eddo em uma lista compilada pela For\u00e7a-Tarefa Amaz\u00f4nia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal de dez regi\u00f5es&nbsp;<em>hotspots<\/em>&nbsp;que foram respons\u00e1veis por cerca de&nbsp;60%&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/am\/sala-de-imprensa\/docs\/acp-principal-hotpots-desmatamento-amazonia\">do desmatamento&nbsp;<\/a>em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>O desmatamento aumentou na regi\u00e3o devido aos planos de&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2020\/11\/05\/repavimentacao-da-br-319-pode-aumentar-quatro-vezes-o-desmatamento-no-amazonas\/\">repavimenta\u00e7\u00e3o do trecho intermedi\u00e1rio da rodovia BR-319<\/a>, que ligaria Porto Velho a Manaus.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-319 tem um impacto extremamente relevante sobre o desmatamento no sul do estado do Amazonas hoje\u201d, disse Ana Carolina Bragan\u00e7a, coordenadora da for\u00e7a-tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJunto da infraestrutura, devem ser implantadas medidas protetivas contra o desmatamento, como a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o, contrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios para essas unidades e projetos de desenvolvimento sustent\u00e1vel para a regi\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ricardo Gilson da Costa Silva, o aumento do pre\u00e7o da terra em Rond\u00f4nia&nbsp;\u2014&nbsp;impulsionado em parte pela produ\u00e7\u00e3o de soja&nbsp;\u2014&nbsp;fez com que pequenos produtores vendessem e buscassem novas terras, e o distrito de Realidade em Humait\u00e1 \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o atraente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuem n\u00e3o consegue terra em Porto Velho vai para Realidade\u201d, disse. \u201cEles v\u00e3o plantar algumas culturas para seu pr\u00f3prio sustento, mas o carro-chefe \u00e9 o gado, e o carro-chefe com o gado \u00e9 o desmatamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Esta reportagem foi feita em parceria com o&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/2021\/05\/04\/cinturao-da-soja-na-amazonia-alimenta-demanda-por-commodities-brasileiras\/\">InfoAmazonia<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Humait\u00e1,  projeto de infraestrutura promete crescimento e progresso. 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