{"id":50051107,"date":"2022-02-11T18:58:27","date_gmt":"2022-02-11T18:58:27","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=51107"},"modified":"2023-01-08T21:35:49","modified_gmt":"2023-01-08T21:35:49","slug":"51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina","status":"publish","type":"photo_story","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/","title":{"rendered":"Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">&#8220;\u00c9 o que tem&#8221;, diz Maria Barrios, encolhendo os ombros. As quatro palavras s\u00e3o cada vez mais ouvidas no galp\u00e3o da cooperativa Fisherton &#8211; PuebloEsther, estrategicamente localizada em frente ao rio Paran\u00e1, na Baixada de Balbi, numa \u00e1rea a cerca de 30 minutos de carro de Ros\u00e1rio, na Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto conversa, Maria \u2014 que tamb\u00e9m lidera a cooperativa \u2014 olha para os cinco peixes que ela tirou do rio depois de um longo dia de trabalho. Um a um, ela os coloca em uma t\u00e1bua, mede-os com as m\u00e3os e mergulha a faca na barriga branca e macia de um deles. Em quest\u00e3o de minutos, ela limpa a magra captura do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros tempos, Maria teria voltado com sua canoa cheia de peixes. Mas, nos \u00faltimos dois anos, o infort\u00fanio atingiu esta pequena vila de pescadores como uma praga. Em meados de 2019, antes do in\u00edcio da pandemia de Covid-19, o rio Paran\u00e1 sofreu com uma intensa estiagem, levando-o, em 2021, ao seu mais baixo n\u00edvel <a href=\"https:\/\/www.baenegocios.com\/agroindustria\/El-Parana-sigue-en-su-nivel-mas-bajo-en-70-anos-y-no-esperan-mejoras-en-los-proximos-tres-meses-20210723-0139.html\">em mais de 70 anos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/pt-br\/infraestrutura-pt-br\/43520-baixo-nivel-do-rio-parana-pressiona-producao-de-soja-na-argentina\/\">redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do rio<\/a>, um dos de maior fluxo das Am\u00e9ricas, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 abrupta como prolongada. Entre as causas determinantes para a queda hist\u00f3rica est\u00e1 a falta de chuvas nas bacias brasileiras dos rios Paran\u00e1, Uruguai e Igua\u00e7u.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-did-you-know alignleft block--did-you-know\"><p class=\"block--did-you-know__title\">Um projeto colaborativo<\/p><div class=\"block--did-you-know__content\"><p>Esta reportagem faz parte do Territorios y Resistencias, um projeto colaborativo realizado entre outubro e dezembro de 2021 pela Chicas Poderosas da Argentina. O coletivo recebe apoio da Embaixada dos Estados Unidos na Argentina.<\/p><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>A estiagem ocorre em um cen\u00e1rio de instabilidade como resultado do aquecimento global, al\u00e9m de profundas mudan\u00e7as no uso do solo devido \u00e0 expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola ao longo de toda a bacia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s analisar as medi\u00e7\u00f5es das vaz\u00f5es m\u00e9dias do rio Paran\u00e1 de 1905 a 2021, pesquisadores da Universidade Nacional de Ros\u00e1rio&nbsp;<a href=\"https:\/\/jornadasctei.unr.edu.ar\/2021\/10\/05\/analisis-de-series-temporales-de-caudales-del-rio-parana-crecientes-y-bajantes-en-el-periodo-1905-2021\/\">conclu\u00edram<\/a>&nbsp;que \u201ca queda observada nos anos 2020 e 2021 pode estar fortemente relacionada precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual bem abaixo dp normal no per\u00edodo anterior&#8221;. Os autores Pedro Basile, Gerardo Riccardi e Marina Garc\u00eda apresentaram suas descobertas na 15\u00aa Confer\u00eancia de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o da universidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A estiagem transformou a paisagem do lugar, que antes via suas terras \u00famidas. As margens se alargaram, revelando a areia e o lodo que d\u00e3o ao rio sua cor marrom caracter\u00edstica. Verdadeiras rel\u00edquias foram descobertas com o recuo das \u00e1guas, como os fragmentos de uma velha ponte na cidade de Santa F\u00e9, \u00e2ncoras antigas perto da cidade de Ramallo e, na cidade do Paran\u00e1, uma capela da Virgem de Guadalupe que havia sido soterrada no in\u00edcio de 1991 ap\u00f3s uma inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/La-bajante-cambio-la-fisionomia-de-la-zona.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera-rotated.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/La-bajante-cambio-la-fisionomia-de-la-zona.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera-rotated.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 1648px\" alt=\"Paran\u00e1 bajante pesca\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">A seca de 2021, pior j\u00e1 registrada em 70 anos, mudou a paisagem a que os pescadores estavam acostumados (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/celinamuttilovera\/\">Celina Mutti Lovera<\/a>\u00a0\/ Territorios y Resistencias)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/La-bajante-cambio-la-fisionomia-de-la-zona.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera-rotated.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"626 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1235\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1648\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Em torno das ilhas que pontilham o curso do Paran\u00e1, as mudan\u00e7as foram mais dram\u00e1ticas. Muitos riachos e lagoas que dependem de seu principal afluente secaram, e os peixes perderam parte de seus locais de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cinco peixes que Maria limpa no galp\u00e3o da cooperativa revelam a outra face da crise ambiental. &#8220;As lagoas onde costum\u00e1vamos ir pescar est\u00e3o secas. Agora h\u00e1 terras sendo cultivadas, m\u00e1quinas, gado. Tudo foi destru\u00eddo&#8221;, diz a pescadora. &#8220;Se isto continuar, em dois anos n\u00e3o teremos mais peixes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-pescadores-resistem-no-rio-paran\">Pescadores resistem no rio Paran\u00e1<\/h2>\n\n\n\n<p>A cooperativa de pescadores Fisherton, na cidade de Pueblo Esther, foi fundada h\u00e1 dez anos. \u00c9 composta por 19 pessoas, sete delas s\u00e3o mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria coordena o projeto, cuja miss\u00e3o \u00e9 agregar valor \u00e0 pesca. O grupo inclui as pessoas que pescam, as que limpam e descascam, e as que cozinham empanadas, alm\u00f4ndegas, milanesas ou canelones que, congelados, s\u00e3o vendidos em feiras e mercados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A vida do pescador e da sua fam\u00edlia \u00e9 muito dura&#8221;, diz Marcela B\u00e1ez, cunhada de Maria e chefe de cozinha. Dizer que a vida \u00e9 \u2018dura\u2019 n\u00e3o d\u00e1 conta de resumir as muitas horas de trabalho ao ar livre, \u00e0 noite, ao amanhecer, ao frio, fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol, com mosquitos, corpos exauridos e um frio de doer os ossos, sem um sal\u00e1rio fixo ou benef\u00edcios sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A cooperativa nasceu como uma tentativa de acabar com esse ciclo de vulnerabilidade melhorando a renda dos pescadores, j\u00e1 que os frigor\u00edficos costumam pagar pouco pelo peixe: mesmo em tempos de redu\u00e7\u00e3o da oferta, como \u00e9 o caso atualmente, o quilo de s\u00e1vel, um um peixe comum na regi\u00e3o, pode chegar a 100 pesos (cerca de R$ 4,91) \u2014 at\u00e9 cinco vezes menos do que o vendido em alguns supermercados no centro da cidade de Ros\u00e1rio. O valor n\u00e3o \u00e9 suficiente para comprar nem seis p\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Mujeres-cocinando-en-la-Cooperativa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Mujeres-cocinando-en-la-Cooperativa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 1773px\" alt=\"Paran\u00e1 bajante\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Mulheres trabalham na cozinha da cooperativa de pescadores agregando valor \u00e0 pesca (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/celinamuttilovera\/\">Celina Mutti Lovera<\/a>\u00a0\/ Territorios y Resistencias)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Mujeres-cocinando-en-la-Cooperativa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1180\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1773\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>O projeto comunit\u00e1rio tornou-se essencial \u00e0 medida que o rio Paran\u00e1 reduz seu volume. Em julho de 2021, o belo rio, que tamb\u00e9m \u00e9 o segundo mais longo da Am\u00e9rica do Sul depois do rio Amazonas, atraiu a aten\u00e7\u00e3o da imprensa argentina e da m\u00eddia internacional, como o New York Times e a Al Jazeera.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Paran\u00e1 est\u00e1 secando&#8221; ou &#8220;O n\u00edvel do rio est\u00e1 caindo&#8221; foram manchetes que tentaram resumir a trag\u00e9dia ambiental da regi\u00e3o em que 70% dos gr\u00e3os, 96% dos \u00f3leos vegetais e 96% das farinhas \u2014 ou 37% das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas da Argentina \u2014 circularam em 2020, segundo um relat\u00f3rio da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bcr.com.ar\/es\/mercados\/investigacion-y-desarrollo\/informativo-semanal\/noticias-informativo-semanal\/la-bajante-3\">Bolsa de Valores de Ros\u00e1rio<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Maria, Marcela e seus colegas da cooperativa, o n\u00edvel do rio n\u00e3o est\u00e1 prejudicando s\u00f3 a j\u00e1 limitada economia da cidade, mas tamb\u00e9m sua eliminando sua hist\u00f3ria e semeando preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao futuro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Tem peixe&#8217; em Pueblo Esther<\/h2>\n\n\n\n<p>Para chegar \u00e0 Baixada de Balbi, \u00e9 preciso atravessar a \u00e1rea de Pueblo Esther e prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s letras tortas pintadas com cal, anunciando que &#8220;tem peixe\u201d. Nos dias de semana, nem uma viva alma \u00e9 vista nas ruas. Aos s\u00e1bados e domingos, as pessoas se re\u00fanem perto da praia e dan\u00e7am cumbia.<\/p>\n\n\n\n<p>No&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps?ll=-33.054255,-60.573005&amp;z=17&amp;t=m&amp;hl=es-419&amp;gl=AR&amp;mapclient=embed&amp;cid=11639292506615847015\"><em>Google Maps<\/em><\/a>, a \u00e1rea \u00e9 listada como Baixaxa de Barbi, mas esse n\u00e3o \u00e9 o nome correto. O bairro tem o sobrenome de &#8220;Don Balbi&#8221;, um dos primeiros pescadores da cidade. Ele construiu um rancho no encontro entre o rio Paran\u00e1 e a foz do riacho Fr\u00edas, s\u00edtio arqueol\u00f3gico onde os irm\u00e3os Carlos e Florentino Ameghino chegaram em 1907. Com o tempo, o local foi sendo povoado por fam\u00edlias de pescadores, cujas casas est\u00e3o de frente para o delta do rio. Atualmente, existem cerca de 50 deles, embora nem todos ganhem a vida com a pesca.<\/p>\n\n\n\n<p>A paisagem dessa \u00e1rea come\u00e7ou a mudar h\u00e1 20 anos, quando a Argentina se posicionou como fornecedor mundial de farelo e \u00f3leo de soja.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote block--pull-quote--no-citation\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">Isso nos machuca muito. Reduziu nossa \u00e1rea de pesca, nos obrigou a abandonar locais de pesca e fugir<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\"><\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Grandes portos de multinacionais como Cargill, Louis Dreyfus e Toepfer cresceram nas ribanceiras dessa parte do rio Paran\u00e1. Ind\u00fastrias de repara\u00e7\u00e3o de grandes balsas que transportam cont\u00eainers, como \u00e9 o caso da Ultrapetrol, foram tomando conta das margens dos rios. Condom\u00ednios fechados com nomes buc\u00f3licos como Campos de Esther, Tierra de Sue\u00f1os e Azahares del Paran\u00e1 tamb\u00e9m comp\u00f5em a nova paisagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada novo empreendimento era celebrado como sinal de progresso. Mas a ilus\u00e3o, dizem os moradores, foi embora rapidamente. \u201cAlguns de nossos filhos conseguiram emprego nas balsas, mas em tr\u00eas meses eles foram mandados embora&#8221;, dizem alguns dos pescadores. \u201cIsso nos machuca muito. Reduziu nossa \u00e1rea de pesca, nos obrigou a abandonar locais de pesca e fugir&#8221;, dizem.<\/p>\n\n\n\n<p>A &#8220;\u00e1rea de pesca&#8221; \u00e9 como se fosse um lugar sagrado para os pescadores. \u00c9 a parte do rio em que eles podem trabalhar calmamente e lan\u00e7ar suas redes, sem medo de prend\u00ea-las, quebr\u00e1-las ou perder suas ferramentas. O tamanho dessas \u00e1reas \u00e9 medido pelo tempo que leva para uma canoa passar por elas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Mujer-sosteniendo-pescados-en-Cooperativa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Mujer-sosteniendo-pescados-en-Cooperativa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 1773px\" alt=\"women add value to the fish caught along the river\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">A cooperativa tenta agregar valor \u00e0 pesca, com o trabalho de pessoas que limpam, descascam e que cozinham o peixe (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/celinamuttilovera\/\">Celina Mutti Lovera<\/a>\u00a0\/ Territorios y Resistencias)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Mujer-sosteniendo-pescados-en-Cooperativa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1180\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1773\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Tradicionalmente, os pescadores da Baixada de Balbi lan\u00e7avam a linha de pesca perto do c\u00f3rrego Frias ap\u00f3s navegarem por uma hora. Mas o crescimento da ind\u00fastria for\u00e7ou-os para o sul. E, agora, com uma \u00e1rea de pesca consideravelmente menor, est\u00e3o mais pr\u00f3ximos da perigosa borda do canal de navega\u00e7\u00e3o, a parte mais profunda e de correntezas mais fortes do rio. &#8220;Hoje em dia, temos pouco mais de meia hora de pesca&#8221;, lamenta Maria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As mulheres de Baixada de Balbi<\/h2>\n\n\n\n<p>Maria Barrios tem pele escura, olhos negros e cabelos compridos, escondidos sob uma touca branca quando limpa os peixes no galp\u00e3o da cooperativa. O projeto fica em um pr\u00e9dio de tijolos com telhado de lat\u00e3o, constru\u00eddo pela pr\u00f3pria comunidade. Maria veio para o local quando crian\u00e7a. Mais de uma vez, em tempos de enchentes, o rio chegava a poucos metros do edif\u00edcio, erguido pr\u00f3ximo a uma ribanceira<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, por causa da seca, para chegar ao rio Paran\u00e1, n\u00e3o basta descer a ribanceira. \u00c9 preciso caminhar mais 70 metros, afundando as botas na lama entre canaviais, salgueiros fr\u00e1geis, arbustos arom\u00e1ticos e ervas daninhas no espa\u00e7o que antes era ocupado pelas \u00e1guas.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria percorre esse caminho todas as ter\u00e7as, quartas e quintas-feiras \u2014 dias isentos da proibi\u00e7\u00e3o da pesca comercial, uma a\u00e7\u00e3o do governo regional por conta do baixo n\u00edvel do rio. Apenas&nbsp;na prov\u00edncia de Santa F\u00e9, h\u00e1 4.020 fam\u00edlias que dependem da pesca, e cerca de 1.628 s\u00e3o pescadores de pequena escala, de acordo com a pesquisa mais recente do departamento ambiental de Santa F\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres s\u00e3o minoria. De acordo com a mesma lista, apenas 85 pescadoras possuem licen\u00e7as de pesca comercial, e outras 80 t\u00eam licen\u00e7as de subsist\u00eancia \u2014 ou seja, para o consumo pr\u00f3prio ou o de suas fam\u00edlias. Tradicionalmente, a atividade \u00e9 levada de pai para filho. Neste universo dominado por homens, as mulheres costumam ter outras tarefas: s\u00e3o elas que limpam e cozinham o peixe. Elas n\u00e3o costumam ir ao rio pescar.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-camina-por-el-lecho-seco-del-rio-Parana.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-camina-por-el-lecho-seco-del-rio-Parana.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 1773px\" alt=\"Paran\u00e1 r\u00edo bajante pesca\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Mar\u00eda caminha pelo leito seco do rio Paran\u00e1. Entre as causas determinantes para a queda hist\u00f3rica d&#8217;\u00e1gua, est\u00e1 a falta de chuvas nas bacias brasileiras dos rios Paran\u00e1, Uruguai e Igua\u00e7u (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/celinamuttilovera\/\">Celina Mutti Lovera<\/a>\u00a0\/ Territorios y Resistencias)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-camina-por-el-lecho-seco-del-rio-Parana.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"3 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1180\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1773\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Maria diz que aprendeu a pescar com o pai. Embora seu pai nunca a tenha encorajado, ela come\u00e7ou a pescar para alimentar seus pr\u00f3prios filhos. Se as hist\u00f3rias das pessoas pudessem ser resumidas em uma s\u00e9rie de momentos significativos, as de Maria seriam assim: aos 9 anos de idade, ela trabalhou com a m\u00e3e em uma fazenda de morangos. Aos 13, ela e seus irm\u00e3os foram&nbsp;<em>medieros<\/em>, ou seja, cultivavam parte das terras de uma fazenda e dividiam os lucros com os latifundi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, Maria foi trabalhar em uma f\u00e1brica, mas saiu ao ver que nunca seria paga. Foi somente aos 20 anos que ela disse ao pai que ia come\u00e7ar a pescar. Alugou uma canoa e foi para o rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, Maria aprendeu a tecer e construir redes. Logo foi dominando a t\u00e9cnica de lan\u00e7ar linha, potes e ganchos. Dominou os ciclos dos peixes, como procur\u00e1-los no rio, nas lagoas das ilhas e, sobretudo, aprendeu a negociar o valor dos peixes. Foi ent\u00e3o que ela assumiu o comando da cooperativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria conhece de cor as idas e vindas do rio, mas nunca tinha visto um n\u00edvel d&#8217;\u00e1gua t\u00e3o baixo como o atual.<\/p>\n\n\n\n<p>O fluxo do Paran\u00e1 dan\u00e7a ao ritmo das chuvas em sua bacia superior, especialmente no sul do Brasil e do Paraguai e no norte da Argentina. Pesquisadores t\u00eam medido a flutua\u00e7\u00e3o do volume do rio h\u00e1 anos, caracterizado por quedas no outono e inverno e aumentos na primavera e ver\u00e3o, e tamb\u00e9m em per\u00edodos mais longos, com anos secos e anos \u00famidos. As pequisas t\u00eam um longo hist\u00f3rico de registros que remontam \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do porto de Ros\u00e1rio no final do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/A-los-20-anos-Maria-Barrios-decidio-que-queria-ser-pescadora.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/A-los-20-anos-Maria-Barrios-decidio-que-queria-ser-pescadora.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 1773px\" alt=\"female fisher\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Aos 20 anos, Maria decidiu ser pescadora e aprendeu a arte do of\u00edcio com o pai (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/celinamuttilovera\/\">Celina Mutti Lovera<\/a>\u00a0\/ Territorios y Resistencias)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/A-los-20-anos-Maria-Barrios-decidio-que-queria-ser-pescadora.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1180\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1773\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Durante o ver\u00e3o de 2020, enquanto as not\u00edcias falavam exclusivamente do crescimento dos casos de Covid-19, o Centro de Pesquisa Hidroambiental da Universidade de Ros\u00e1rio (Curiham) come\u00e7ou a notar que o n\u00edvel do rio estava abaixo do normal.<\/p>\n\n\n\n<p>No inverno seguinte, por quase um m\u00eas, a altura do Paran\u00e1 ficou abaixo de zero na escala usada para medir seu n\u00edvel na zona portu\u00e1ria de Ros\u00e1rio, enquanto a altura m\u00e9dia para aquela \u00e9poca do ano deveria ser de tr\u00eas metros, segundo&nbsp;o Instituto Nacional da \u00c1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Gerardo Riccardi e Pedro Basile, pesquisadores do Curiham, contam que a hist\u00f3ria de quase 140 anos de medi\u00e7\u00f5es dos n\u00edveis do Paran\u00e1 inclui v\u00e1rios eventos severos. Mas desde o in\u00edcio dos anos 1970, o regime hidrol\u00f3gico do rio mudou, com valores m\u00e1ximos e m\u00ednimos extremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os especialistas, a varia\u00e7\u00e3o do regime hidrol\u00f3gico do rio \u00e9 explicada por diversos fatores observados na bacia a partir dos anos 1960, tais como o aumento da precipita\u00e7\u00e3o em escala regional, o desmatamento e as mudan\u00e7as no uso do solo, que contribu\u00edram para um escoamento mais superficial da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rio Paran\u00e1 em estado de emerg\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>No final de julho de 2021, o governo argentino declarou emerg\u00eancia h\u00eddrica para os territ\u00f3rios localizados nas margens dos rios Paran\u00e1, Paraguai e Igua\u00e7u.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento, assinado pelo presidente Alberto Fern\u00e1ndez, afirma que o d\u00e9ficit de precipita\u00e7\u00e3o nas bacias superiores &#8220;\u00e9 um dos fatores determinantes para os atuais baixos n\u00edveis hist\u00f3ricos d&#8217;\u00e1gua, considerados os mais importantes em nosso pa\u00eds nos \u00faltimos 77 anos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/El-Parana-atraviesa-su-peor-bajante-en-mas-de-70-anos.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/El-Parana-atraviesa-su-peor-bajante-en-mas-de-70-anos.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 1773px\" alt=\"Paran\u00e1 bajante\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">O rio Paran\u00e1 passa por sua pior seca em 70 anos (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/celinamuttilovera\/\">Celina Mutti Lovera<\/a>\u00a0\/ Territorios y Resistencias)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/El-Parana-atraviesa-su-peor-bajante-en-mas-de-70-anos.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1180\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1773\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do rio, continua o decreto, pode prejudicar &#8220;o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel, a navega\u00e7\u00e3o e as opera\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias, a gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica e as atividades econ\u00f4micas ligadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o da bacia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea afetada pela seca n\u00e3o \u00e9 apenas extensa, mas tamb\u00e9m extremamente diversa. A falta d\u2019\u00e1gua est\u00e1 afetando sete prov\u00edncias: Formosa, Chaco, Misiones, Corrientes, Santa F\u00e9, Entre R\u00edos e Buenos Aires, que juntas perfazem 809 mil quil\u00f4metros quadrados, um ter\u00e7o da superf\u00edcie continental do pa\u00eds, e abrigam 24 milh\u00f5es de pessoas, ou seja, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Para algumas entidades ambientais que integram a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/multisectorialhumedales\/?hl=es-la\">Multisetorial de Humedales<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o focada na preserva\u00e7\u00e3o do rio Paran\u00e1, a declara\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia foi emitida tarde demais. Elas tamb\u00e9m pontuam que o quadro foi agravado por obras de adapta\u00e7\u00e3o dos sistemas de abastecimento d&#8217;\u00e1gua e por perdas geradas no transporte de gr\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote block--pull-quote--no-citation\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">Embora o rio esteja subindo, as proje\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o animadoras<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\"><\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com dados da Bolsa de Valores de Ros\u00e1rio, entre janeiro e meados de setembro de 2021, a queda do n\u00edvel do rio significou uma perda de 620 milh\u00f5es de pesos (R$ 30,4 milh\u00f5es) nas exporta\u00e7\u00f5es de farelo e \u00f3leo de soja.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s declarar emerg\u00eancia, o governo anunciou que havia come\u00e7ado a negociar com o Banco Interamericano de Desenvolvimento a possibilidade de adicionar US$ 100 milh\u00f5es (R$ 520 milh\u00f5es) aos US$ 300 milh\u00f5es (R$ 1,5 bilh\u00e3o) j\u00e1 prometidos para lidar com enchentes e terremotos.<\/p>\n\n\n\n<p>O ent\u00e3o chefe do Gabinete de Ministros, Santiago Cafiero, disse que os trabalhos seriam autorizados por meio do Fundo de Emerg\u00eancia da \u00c1gua, administrado pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento (Enohsa), e envolveria investimentos de 1 bilh\u00e3o de pesos (R$ 47 milh\u00f5es) para ajudar as localidades afetadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Santa F\u00e9 aderiu \u00e0 emerg\u00eancia h\u00eddrica em agosto, um m\u00eas ap\u00f3s o decreto nacional. Mas, de acordo com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente local, a prov\u00edncia ainda n\u00e3o havia recebido um \u00fanico centavo do fundo de emerg\u00eancia at\u00e9 o final de outubro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;J\u00e1 enviamos toda a documenta\u00e7\u00e3o, com os requisitos correspondentes, ao Gabinete Nacional. Agora estamos aguardando a aloca\u00e7\u00e3o de recursos&#8221;, declararam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma tempestade de ver\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Micaela Tosco tem 24 anos e olhos muito parecidos com os de Maria, sua m\u00e3e. Ela n\u00e3o vive na Baixada de Balbi, mas em uma casa humilde na parte sul de Ros\u00e1rio. Todas as manh\u00e3s, ela viaja uma hora de \u00f4nibus para trabalhar na cooperativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Micaela era muito jovem quando Maria come\u00e7ou a pescar. Ela n\u00e3o se lembra da primeira vez que foi com sua m\u00e3e na canoa, mas se lembra da \u00faltima. Foi depois de uma tempestade de ver\u00e3o, daquelas que se formam rapidamente e caem de forma violenta. As duas foram encontradas no meio do rio.<\/p>\n\n\n\n<p>As ondas eram enormes, lembra a jovem. Sua m\u00e3e virou seus irm\u00e3os e ela de barriga para o fundo da canoa e pediu-lhes que tapassem os olhos. Micaela pensou que seria o fim, at\u00e9 que finalmente conseguirem chegar \u00e0 margem do rio. Desde ent\u00e3o, nenhum dos sete filhos de Maria pescou com ela.<\/p>\n\n\n\n<p>A mem\u00f3ria chega como um p\u00e1ssaro \u00e0 mesa onde as mulheres transformam dez quilos de peixe em empanadas, tortas, alm\u00f4ndegas, p\u00e3es ou salsichas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/En-la-Cooperativa-se-elaboran-comidas-para-vender.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/En-la-Cooperativa-se-elaboran-comidas-para-vender.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 1773px\" alt=\"The Pueblo Esther cooperative makes a range of foods to be sold at fairs and markets\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">A cooperativa produz empanadas, alm\u00f4ndegas, fil\u00e9s de peixe \u00e0 milanesa e canelones. Os produtos s\u00e3o vendidos congelados em feiras e mercados (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/celinamuttilovera\/\">Celina Mutti Lovera<\/a>\u00a0\/ Territorios y Resistencias)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/En-la-Cooperativa-se-elaboran-comidas-para-vender.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1180\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1773\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Ao fundo, o r\u00e1dio fala sobre a c\u00fapula clim\u00e1tica em Glasgow. Mais de 10 mil quil\u00f4metros separam Pueblo Esther da cidade escocesa, mas as preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todos n\u00f3s pescadores estamos cientes do que est\u00e1 acontecendo com o clima&#8221;, comenta Maria. Ela explica que certas esp\u00e9cies de peixes est\u00e3o desaparecendo e que o per\u00edodo entre as tempestades est\u00e1 cada vez mais curto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os peixes do Paran\u00e1 reproduzem um ditado popular: o grande come o pequeno. No in\u00edcio desta cadeia est\u00e1 o s\u00e1vel, cujas ovas e larvas alimentam outras esp\u00e9cies como bogue, surubi e dourado. O s\u00e1vel exige, para sua reprodu\u00e7\u00e3o, as oscila\u00e7\u00f5es naturais do rio e das lagoas onde seus alevinos se desenvolvem.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote block--pull-quote--no-citation\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">Para que haja peixe amanh\u00e3, tem que haver peixe hoje<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\"><\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>O projeto de Avalia\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica e Pesqueira de Esp\u00e9cies de Interesse Esportivo e Comercial, que envolve o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Pesca e as prov\u00edncias do m\u00e9dio e baixo rio Paran\u00e1, foi criado em 2005 para aprofundar o conhecimento dos recursos pesqueiros na \u00e1rea. Para determinar a situa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o realizados periodicamente estudos de variedade, quantidade e tamanho de esp\u00e9cies. As avalia\u00e7\u00f5es de 2021 indicaram que, devido ao baixo n\u00edvel do rio, j\u00e1 se passaram dois anos em que a reprodu\u00e7\u00e3o do s\u00e1vel est\u00e1 em baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Gaspar Borra, advogado ambiental e assessor do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente de Santa F\u00e9, alerta que a situa\u00e7\u00e3o traz incerteza sobre o futuro da esp\u00e9cie.&nbsp;&#8220;Temos que acompanhar o que acontece neste ver\u00e3o porque, embora o rio esteja subindo, as proje\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o animadoras e, se os fluxos permanecerem baixos, esta ser\u00e1 outra esta\u00e7\u00e3o ruim para a reprodu\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Borra.<\/p>\n\n\n\n<p>Por este motivo, diz o assessor, foram tomadas medidas para reduzir a press\u00e3o sobre a pesca, proibindo a captura em determinados dias e limitando a cota de exporta\u00e7\u00e3o de pescado. Em 2019, o litoral argentino exportou 18 mil toneladas de s\u00e1vel. Naquele ano, todas as prov\u00edncias do litoral (Entre R\u00edos, Santa F\u00e9, Corrientes e Chaco) concordaram em baixar a cota de exporta\u00e7\u00e3o em um ter\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para que haja peixe amanh\u00e3, tem que haver peixe hoje&#8221;, aponta Borra, enfatizando que a vari\u00e1vel ambiental n\u00e3o pode ser dissociada da socioecon\u00f4mica.\u00a0&#8220;H\u00e1 comunidades que, por raz\u00f5es culturais, dependem do rio. Temos que buscar um equil\u00edbrio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Biodiversidade do rio Paran\u00e1<\/h2>\n\n\n\n<p>O Paran\u00e1 abriga cerca de\u00a0<a href=\"https:\/\/comip.org.ar\/fauna-ictica-especies\/\">200 esp\u00e9cies de peixes<\/a>\u00a0com uma din\u00e2mica \u00fanica no mundo devido \u00e0 sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o aos fluxos irregulares de seca e inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olharmos para toda essa riqueza, n\u00e3o apenas para os peixes de interesse comercial, &#8220;podemos dizer que muito pouco se sabe sobre o que acontece no rio&#8221;, diz Andr\u00e9s Sciara, reitor da Faculdade de Ci\u00eancias Bioqu\u00edmicas e Farmac\u00eauticas da Universidade Nacional de Ros\u00e1rio e especialista em biotecnologia aplicada \u00e0 aquicultura de esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 esp\u00e9cies que praticamente desapareceram da regi\u00e3o. O pacu \u00e9 um exemplo claro: muitos pescadores n\u00e3o sabem identific\u00e1-lo, confundindo-o com as palometas ou piranhas. O mesmo acontece com o manguruyu, um dos maiores peixes da bacia. Um estudo mostra ainda a vulnerabilidade de arraias, especialmente a arraia gigante do rio, afetada pela pesca acidental e pela perda de habitat.<\/p>\n\n\n\n<p>Vanina Villanova \u00e9 doutora em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, pesquisadora do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.conicet.gov.ar\/\">Conicet<\/a>\u00a0e do Laborat\u00f3rio Misto de Biotecnologia Aqu\u00e1tica no Aqu\u00e1rio do Rio Paran\u00e1 em Ros\u00e1rio. Ocasionalmente, os pescadores levam para ela as esp\u00e9cies que n\u00e3o conseguem identificar. Esse foi o caso de um manguruyu, considerado uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica pelo o pescador que o encontrou.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote block--pull-quote--no-citation\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">Os pescadores s\u00e3o sempre acusados por tudo que acontece no rio Paran\u00e1<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\"><\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>A cientista explica que a fauna deve ser bem cuidada e pontua que o grupo sofre grande press\u00e3o da atividade pesqueira \u2014 seja ela em larga escala para exporta\u00e7\u00e3o, acidental ou esportiva. As mudan\u00e7as na paisagem, como a dragagem do rio e a modifica\u00e7\u00e3o dos cursos d\u2019\u00e1gua nas ilhas, conspiram contra a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Enquanto a pr\u00f3pria din\u00e2mica desses peixes lhes permite evitar as \u00e1guas baixas do rio, agora h\u00e1 maior atividade humana: polui\u00e7\u00e3o, pesca, transporte, mudan\u00e7as no uso da terra nas \u00e1reas \u00famidas e obras que t\u00eam repercuss\u00f5es em toda a cadeia&#8221;, diz a cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para preservar as esp\u00e9cies, especialistas defendem a prote\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais, especialmente onde os peixes se reproduzem, e o controle da exporta\u00e7\u00e3o. Alguns sugerem eliminar a venda internacional de peixe de \u00e1gua doce como ferramenta de preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essas s\u00e3o medidas t\u00eam um custo pol\u00edtico e s\u00e3o um pouco dr\u00e1sticas, mas devemos pensar nelas&#8221;, diz Villanova.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Eu n\u00e3o trocaria minha vida por nada&#8217;<\/h2>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2005, foi realizada a primeira reuni\u00e3o do Conselho Provincial de Pesca, \u00f3rg\u00e3o composto por 20 pessoas entre funcion\u00e1rios provinciais, municipais, representantes de frigor\u00edficos, abatedouros, empres\u00e1rios do turismo, clubes de pesca esportiva, ONGs, universidades e comit\u00eas regionais de pesca. Pescadores tamb\u00e9m participaram. A reuni\u00e3o ocorre cerca de seis vezes ao ano para analisar a realidade do setor.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/No-cambiaria-mi-vida-por-nada-dice-Maria-en-su-canoa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/No-cambiaria-mi-vida-por-nada-dice-Maria-en-su-canoa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 1773px\" alt=\"\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Um quilo de s\u00e1vel, peixe t\u00edpico da regi\u00e3o, mal chega a R$ 5. O valor n\u00e3o \u00e9 suficiente para comprar seis p\u00e3es (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/celinamuttilovera\/\">Celina Mutti Lovera<\/a>\u00a0\/ Territorios y Resistencias)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/No-cambiaria-mi-vida-por-nada-dice-Maria-en-su-canoa.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1180\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1773\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>O baixo n\u00edvel das \u00e1guas do Paran\u00e1 e suas consequ\u00eancias na pesca foram o principal tema das \u00faltimas reuni\u00f5es, nas quais, segundo Maria, pescadores discutiram em p\u00e9 de igualdade com bi\u00f3logos e pol\u00edticos. &#8220;Para estar l\u00e1, tivemos que aprender, que nos preparar muito, e pouco a pouco estamos nos fazendo ouvir&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os pescadores s\u00e3o perseguidos por tudo o que acontece no Paran\u00e1&#8221;, diz Maria. Entretanto, ela argumenta que \u00e9 a press\u00e3o imobili\u00e1ria em terrenos costeiros, a dragagem do rio, o intenso tr\u00e1fego de navios e o uso de pesticidas que danificam o corpo d\u2019\u00e1gua. &#8220;Os pescadores s\u00e3o sempre acusados de serem os \u00fanicos culpados por tudo&#8221;.&nbsp;Micaela e Marcela compartilham da mesma indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o mudaria minha vida por nada&#8221;, diz a l\u00edder da cooperativa, mostrando sua tatuagem de um belo peixinho dourado pulando sobre a \u00e1gua. Maria tatuou uma das n\u00e1degas quando completou 40 anos, e o reumatismo e a asma a pressionavam a parar de pescar.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria diz que o rio ainda a chama, que a \u00e1gua a acalma. Com as \u00e1guas reduzidas, muitos pescadores deixaram o rio para buscar outro emprego, e houve escassez de peixe na cooperativa. Mas ela n\u00e3o parou de pescar.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Esta reportagem faz parte do&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/territoriosyresistencias.com\/\"><em>Territorios y Resistencias<\/em><\/a><em>, um projeto colaborativo realizado entre outubro e dezembro de 2021 pela Chicas Poderosas da Argentina. O coletivo recebe apoio da Embaixada dos EUA na Argentina e \u00e9 composto por uma equipe de mais de 35 mulheres e pessoas LGBTTQI+ de todo o pa\u00eds.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a pandemia e a seca do rio na por\u00e7\u00e3o argentina, uma cooperativa busca melhorar a renda de um grupo que vive da pesca artesanal<\/p>\n","protected":false},"featured_media":50051100,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","categories":[],"tags":[50003593,50029684,50029795],"country":[50003524],"class_list":["post-50051107","photo_story","type-photo_story","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","tag-biodiversidade","tag-pesca-pt-br","tag-rios","country-argentina-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Com a pandemia e a estiagem na Argentina, uma cooperativa procura melhorar a renda de um grupo de mulheres que vive da pesca artesanal\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Com a pandemia e a estiagem na Argentina, uma cooperativa procura melhorar a renda de um grupo de mulheres que vive da pesca artesanal\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Dialogue Earth\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-01-08T21:35:49+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-Barrios.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1773\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1180\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/\",\"url\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/\",\"name\":\"Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-Barrios.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\",\"datePublished\":\"2022-02-11T18:58:27+00:00\",\"dateModified\":\"2023-01-08T21:35:49+00:00\",\"description\":\"Com a pandemia e a estiagem na Argentina, uma cooperativa procura melhorar a renda de um grupo de mulheres que vive da pesca artesanal\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-Barrios.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-Barrios.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg\",\"width\":1773,\"height\":1180,\"caption\":\"paran\u00e1 bajante r\u00edo pesca\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#website\",\"url\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/\",\"name\":\"Dialogue Earth\",\"description\":\"Dialogue Earth\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#organization\",\"name\":\"\u5bf9\u8bdd\u5730\u7403\",\"url\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/04\/Dialogue-Earth-Symbol-Logo_Black-Text.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/04\/Dialogue-Earth-Symbol-Logo_Black-Text.png\",\"width\":256,\"height\":256,\"caption\":\"\u5bf9\u8bdd\u5730\u7403\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/dialogueearth.americalatina\",\"https:\/\/twitter.com\/DialogueEarthBR\",\"https:\/\/www.linkedin.com\/company\/dialogueearth-americalatina\",\"https:\/\/www.instagram.com\/dialogue.earth_br\/\"],\"publishingPrinciples\":\"https:\/\/dialogue.earth\/en\/about\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina","description":"Com a pandemia e a estiagem na Argentina, uma cooperativa procura melhorar a renda de um grupo de mulheres que vive da pesca artesanal","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina","og_description":"Com a pandemia e a estiagem na Argentina, uma cooperativa procura melhorar a renda de um grupo de mulheres que vive da pesca artesanal","og_url":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/","og_site_name":"Dialogue Earth","article_modified_time":"2023-01-08T21:35:49+00:00","og_image":[{"width":1773,"height":1180,"url":"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-Barrios.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg","type":"image\/jpeg"}],"twitter_card":"summary_large_image","schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/","url":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/","name":"Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina","isPartOf":{"@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-Barrios.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg","datePublished":"2022-02-11T18:58:27+00:00","dateModified":"2023-01-08T21:35:49+00:00","description":"Com a pandemia e a estiagem na Argentina, uma cooperativa procura melhorar a renda de um grupo de mulheres que vive da pesca artesanal","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#primaryimage","url":"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-Barrios.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg","contentUrl":"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/02\/Maria-Barrios.-Foto_-Celina-Mutti-Lovera.jpg","width":1773,"height":1180,"caption":"paran\u00e1 bajante r\u00edo pesca"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/uncategorized\/51063-pescadoras-resistem-ao-baixo-nivel-do-rio-parana-na-argentina\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Pescadores resistem a baixa do rio Paran\u00e1 na Argentina"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#website","url":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/","name":"Dialogue Earth","description":"Dialogue Earth","publisher":{"@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#organization","name":"\u5bf9\u8bdd\u5730\u7403","url":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/04\/Dialogue-Earth-Symbol-Logo_Black-Text.png","contentUrl":"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/04\/Dialogue-Earth-Symbol-Logo_Black-Text.png","width":256,"height":256,"caption":"\u5bf9\u8bdd\u5730\u7403"},"image":{"@id":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/dialogueearth.americalatina","https:\/\/twitter.com\/DialogueEarthBR","https:\/\/www.linkedin.com\/company\/dialogueearth-americalatina","https:\/\/www.instagram.com\/dialogue.earth_br\/"],"publishingPrinciples":"https:\/\/dialogue.earth\/en\/about\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/photo_story\/50051107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/photo_story"}],"about":[{"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/photo_story"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50051107"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/photo_story\/50051107\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50051100"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50051107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50051107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50051107"},{"taxonomy":"country","embeddable":true,"href":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/country?post=50051107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}