{"id":50060621,"date":"2022-11-16T17:45:50","date_gmt":"2022-11-16T17:45:50","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=60621"},"modified":"2022-12-09T15:37:09","modified_gmt":"2022-12-09T15:37:09","slug":"60621-energia-limpa-avanca-pela-bahia-sobrepondo-se-a-territorios-de-comunidades-tradicionais","status":"publish","type":"photo_story","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/nao-categorizado\/60621-energia-limpa-avanca-pela-bahia-sobrepondo-se-a-territorios-de-comunidades-tradicionais\/","title":{"rendered":"Energia e\u00f3lica avan\u00e7a sobrepondo-se a territ\u00f3rios de comunidades"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Aenergia \u00e9 conhecida como limpa, mas sua acelerada expans\u00e3o pelo Nordeste do Brasil n\u00e3o tem sido t\u00e3o polida assim. No estado da Bahia,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.sde.ba.gov.br\/content\/uploads\/2022\/09\/Informe_EnergiaE%C3%B3lica-Setembro_2022.pdf\">l\u00edder brasileiro em gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica<\/a>, comunidades tradicionais&nbsp;de pelo menos 11 munic\u00edpios vivem conflitos com empresas do setor, alguns deles h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>A pujan\u00e7a energ\u00e9tica na Bahia se traduz em 248 parques que operam dia e noite, gerando 32,98% da energia e\u00f3lica do Brasil. Outras 196 usinas est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o ou planejamento no estado,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.sde.ba.gov.br\/content\/uploads\/2022\/11\/Informe_EnergiaE%C3%B3lica-Novembro_2022.pdf\">segundo dados oficiais.<\/a>&nbsp;Uma delas, um projeto h\u00edbrido de energia e\u00f3lica e solar com 405 torres, promete ser a maior do tipo no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as usinas e\u00f3licas que seguem avan\u00e7ando pelo estado t\u00eam cobi\u00e7ado os territ\u00f3rios j\u00e1 ocupados por vilas agropastoris desde o per\u00edodo colonial, quando a cria\u00e7\u00e3o de gado expandiu-se Caatinga adentro. Essas disputas ocorrem principalmente nos \u201ccorredores de vento\u201d, \u00e1reas no interior baiano onde a const\u00e2ncia e velocidade dos ventos garantem as condi\u00e7\u00f5es ideais para a gera\u00e7\u00e3o de energia, mas onde vivem popula\u00e7\u00f5es castigadas pel\u200ba pobreza, pelo clima semi-\u00e1rido e pela prec\u00e1ria governan\u00e7a fundi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Bode_Areia-Grande_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Bode_Areia-Grande_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"A goat on a fundo de pasto land in Brazil\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Bode \u00e9 segurado no fundo de pasto Areia Grande, na Bahia. Sinais nas orelhas indicam dono do animal, que pastoreia livremente por \u00e1rea compartilhada entre posseiros (Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Bode_Areia-Grande_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"424 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1331\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Conforme dados da Articula\u00e7\u00e3o Estadual de Fundo e Fecho de Pasto e da Central das Associa\u00e7\u00f5es de Fundo e Fecho de Pasto (CAFP) obtidos pela reportagem, 11 munic\u00edpios t\u00eam atualmente comunidades com conflitos ou queixas semelhantes contra mega-empreendimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas dessas comunidades praticam uma forma de agricultura familiar de base comunit\u00e1ria conhecida como fundo de pasto, em que a terra \u00e9 compartilhada, sem delimita\u00e7\u00f5es ou cercas e na qual as tradi\u00e7\u00f5es de seus ancestrais s\u00e3o mantidas \u2013 geralmente sem t\u00edtulos formais de terra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote block--pull-quote--no-citation\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">\u00c9 uma energia limpa com m\u00e9todos sujos<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\"><\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Enquanto algumas comunidades tradicionais entram em disputa diretamente com as empresas, principalmente sobre os contratos, outras vivem conflitos internos, j\u00e1 que as fam\u00edlias costumam divergir sobre a instala\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos. A desorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de algumas tamb\u00e9m costuma enfraquecer a mobiliza\u00e7\u00e3o pela obten\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos de terras e a prote\u00e7\u00e3o de suas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma energia limpa com m\u00e9todos sujos\u201d, diz Marina Rocha, agente da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) em Juazeiro, munic\u00edpio baiano. \u201cA gente n\u00e3o conhece nenhuma companhia que tenha chegado de modo razoavelmente honesto nas comunidades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundada na d\u00e9cada de 1970, a CPT \u00e9 uma das organiza\u00e7\u00f5es mais ativas na defesa dos direitos das comunidades do campo. Rocha conta que se deparou com contratos geralmente obscuros e com uma linguagem jur\u00eddica que as comunidades rurais geralmente n\u00e3o entendem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-acordos-sem-transpar-ncia\">Acordos sem transpar\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Campo Formoso, munic\u00edpio no norte do estado e a 450 quil\u00f4metros da capital, Salvador, possui 22 fundos de pasto, alguns datados do s\u00e9culo 17, segundo um&nbsp;<a href=\"https:\/\/geografar.ufba.br\/sites\/geografar.ufba.br\/files\/relatoriofinal_mapeamentoffp_vf.pdf\">mapeamento<\/a>&nbsp;da Universidade Federal da Bahia (UFBA) com o governo estadual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o j\u00e1 viveu um&nbsp;<em>boom<\/em>&nbsp;econ\u00f4mico da minera\u00e7\u00e3o de pedras preciosas e outro de fibras de sisal, planta adaptada da Caatinga usada na produ\u00e7\u00e3o de tecidos, fios e cordas. O grande potencial e\u00f3lico do munic\u00edpio, situado no eixo dos corredores de vento, atrai usinas e\u00f3licas h\u00e1 cerca de 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Placa_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Placa_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"Placas mostram proximidade entre Complexo E\u00f3lico de Morrinhos com a comunidade de fundo de pasto Borda da Mata\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Placas mostram proximidade entre Complexo E\u00f3lico de Morrinhos com a comunidade de fundo de pasto Borda da Mata, na Bahia (Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Placa_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"458 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1331\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria&nbsp;<a href=\"http:\/\/campoformoso.ba.gov.br\/\">logomarca da prefeitura<\/a>&nbsp;traz um desenho de turbinas na Serra de Jacobina, cadeia de montanhas na regi\u00e3o. Mas as usinas chegaram provocando impactos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2008, a Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria Tradicional de Fundo de Pasto da Fazenda Quina assinou um contrato com a multinacional CGN Brazil Energy \u2014 cuja holding-m\u00e3e, a&nbsp;CGN Energy International, com&nbsp;sede em Shenzhen, na China \u2014 para a instala\u00e7\u00e3o de tr\u00eas turbinas no s\u00edtio onde vivem 12 fam\u00edlias. O documento \u00e9 v\u00e1lido por 49 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComo os empreendedores do setor geralmente n\u00e3o possuem terras no Brasil rural, o arrendamento por longos per\u00edodos \u00e9 a forma mais comum de acesso aos territ\u00f3rios para a instala\u00e7\u00e3o das turbinas. Ocorre que na maioria das \u00e1reas de potencial e\u00f3lico do Nordeste residem camponeses, muitos deles com modos de vida tradicionais\u201d, explica Carolina Ribeiro, professora da&nbsp; Universidade Federal do Delta do Parna\u00edba (UFDPar), que estudou os conflitos vividos por comunidades de Brotas de Maca\u00fabas, 400 km distante de Campo Formoso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, a CGN Brazil Energy come\u00e7ava a instalar ali o que se tornou o Complexo E\u00f3lico Morrinhos, composto por seis parques e\u00f3licos e capacidade instalada de 180 megawatts.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Vista-aerea-Fazenda-quina_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Vista-aerea-Fazenda-quina_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"Vista a\u00e9rea de la comunidad de fundo de pasto com\u00fan en Fazenda Quina\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Vista a\u00e9rea da comunidade de fundo de pasto na Fazenda Quina. Contrato de 49 anos com a CGN Brazil Energy envolveu a instala\u00e7\u00e3o de turbinas que alteraram a paisagem local (Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Vista-aerea-Fazenda-quina_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"648 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1500\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Embora admita que o recurso recebido mensalmente de, em m\u00e9dia, R$ 4,5 mil ajude na melhoria da infraestrutura comunit\u00e1ria, Jos\u00e9 Salvo, presidente da associa\u00e7\u00e3o, reclama da falta de transpar\u00eancia por parte da empresa. O acordado \u00e9 o pagamento mensal de 1,5% da gera\u00e7\u00e3o de energia das turbinas, mas a comunidade n\u00e3o sabe como o c\u00e1lculo \u00e9 feito, se ele tem base no valor bruto ou l\u00edquido da produ\u00e7\u00e3o de energia, por exemplo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando ligamos para esclarecer, eles dizem que esta informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 divulgada. N\u00e3o sabemos o quanto eles produzem e como comercializam a energia\u201d, reclama Salvo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Jose-Salvo_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Jose-Salvo_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"Jos\u00e9 Salvo\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Jos\u00e9 Salvo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o da Fazenda Quina. Comunidades acreditam que instala\u00e7\u00e3o de torres no topo das serras afeta nascentes de rios e expulsa on\u00e7as de seu habitat: cercas s\u00e3o, em alguns casos, prote\u00e7\u00e3o ao ataque desses animais\u00a0 (Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Jose-Salvo_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"437 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1331\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Contatada pela reportagem, o escrit\u00f3rio brasileiro da CGN Brasil Energy informou que disp\u00f5e de um WhatsApp para comunica\u00e7\u00e3o com os arrendat\u00e1rios e que est\u00e1 trabalhando em uma ferramenta para disponibilizar seus dados de gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica. A empresa n\u00e3o concedeu entrevista e comentou que quest\u00f5es comerciais relativas a contratos que assina com particulares n\u00e3o s\u00e3o divulgadas, em respeito \u00e0s pol\u00edticas de&nbsp;<em>compliance<\/em>&nbsp;e confidencialidade do grupo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Comunidades reconhecidas por lei<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora reconhecidas por leis constitucionais, poucas comunidades de fundo de pasto det\u00e9m os t\u00edtulos da terra ocupada por descendentes de negros e ind\u00edgenas que formam as comunidades em \u00e1reas sem cercas \u2014 as chamadas \u201csoltas\u201d e que se estendem por detr\u00e1s de suas casas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa estrat\u00e9gia garante a sobreviv\u00eancia dos animais na seca da Caatinga, onde as chuvas s\u00e3o naturalmente irregulares e os rios, intermitentes. Assim, as comunidades aprenderam a dar mais espa\u00e7o para os animais circularem em busca de alimento e \u00e1gua em algum trecho verde, rec\u00e9m-irrigado pelas chuvas localizadas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Guiomar-Germani_Cloves-Araujo_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Guiomar-Germani_Cloves-Araujo_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"Guiomar Germani e Cloves Ara\u00fajo \"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Guiomar Germani e Cloves Ara\u00fajo coordenam pesquisas sobre povos tradicionais. Segundo eles, governo abra\u00e7a a energia e\u00f3lica como pol\u00edtica de Estado, mas nega direitos fundamentais \u00e0s comunidades (Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Guiomar-Germani_Cloves-Araujo_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"335 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1332\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>O mapeamento da UFBA identificou 585 associa\u00e7\u00f5es de fundo de pasto e 1.092 comunidades vinculadas a elas na Bahia. \u201cEste n\u00famero n\u00e3o representa a totalidade das comunidades, mas apenas as que conseguimos identificar\u201d, diz Guiomar Germani, uma das coordenadoras do estudo. Ela acredita que o n\u00famero seja muito maior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Das 1.092 comunidades, 107 t\u00eam o t\u00edtulo das terras comunais. H\u00e1 15 anos nenhum t\u00edtulo de terra \u00e9 emitido para estes casos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom a chegada em massa das e\u00f3licas, fica mais clara a atua\u00e7\u00e3o do Estado n\u00e3o de atender \u00e0 demanda hist\u00f3rica [de conceder t\u00edtulos aos posseiros], mas aos interesses do setor privado\u201d, critica Germani.<\/p>\n\n\n\n<p>Germani alerta para a assinatura, em 2020, pelo governo estadual e pela Procuradoria Geral do Estado, de uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.cda.sdr.ba.gov.br\/sites\/default\/files\/2020-07\/INSTRU%C3%87%C3%83O%20NORMATIVA%20-%20%C3%81REAS%20ENERGIA%20EOLICA.pdf\">instru\u00e7\u00e3o normativa<\/a>&nbsp;que favorece as empresas de energia. \u201cEsta norma est\u00e1 entregando, de bandeja, o patrim\u00f4nio de terras p\u00fablicas ao gerenciamento das e\u00f3licas\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.aatr.org.br\/post\/bahia-organiza%C3%A7%C3%B5es-publicam-an%C3%A1lise-da-in-01-2020-dos-corredores-de-vento-1\">avalia\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;da Associa\u00e7\u00e3o de Trabalhadores Rurais da Bahia cita pontos pol\u00eamicos na normativa, como o fato de a e\u00f3lica poder selecionar a \u00e1rea de interesse e negoci\u00e1-la diretamente com o Estado, desconsiderando o direito das comunidades \u00e0 consulta pr\u00e9via, que \u00e9 assegurada pela Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 169, da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio. Al\u00e9m disso, a norma legal n\u00e3o define crit\u00e9rios de prote\u00e7\u00e3o ambiental da Caatinga ou do patrim\u00f4nio cultural que as empresas deveriam cumprir ao instalar os megacomplexos e\u00f3licos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/vista-aerea-borda-da-mata_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/vista-aerea-borda-da-mata_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"vista a\u00e9rea \"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Vista a\u00e9rea da comunidade Borda da Mata, em Campo Formoso: comunidade n\u00e3o arrendou suas terras para parques e\u00f3licos por considerar os contratos nocivos (Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/vista-aerea-borda-da-mata_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"917 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1500\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ass\u00e9dio de e\u00f3licas na Borda da Mata<\/h2>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em Campo Formoso e vizinho \u00e0 Fazenda Quina,&nbsp;o fundo de pasto Borda da Mata n\u00e3o assinou contrato desde que o ass\u00e9dio de e\u00f3licas sobre seu territ\u00f3rio come\u00e7ou, em 2011. O presidente da associa\u00e7\u00e3o, Rubem Cruz, conta que levou o documento proposto pela empresa Casa dos Ventos, naquela \u00e9poca, para ser avaliado pelo sindicato rural local e seu advogado detectou que 40% das cl\u00e1usulas amea\u00e7avam os direitos do fundo de pasto. A comunidade est\u00e1, no momento, reescrevendo o texto que pretende apresentar caso e\u00f3licas batam \u00e0 sua porta mais uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Cruz diz n\u00e3o ser contra o desenvolvimento da matriz energ\u00e9tica mais limpa. \u201cO que somos contra \u00e9 o modo enganoso como as e\u00f3licas chegam nas comunidades, vendendo ilus\u00f5es e falando apenas no dinheiro sem esclarecer sobre o contrato\u201d, diz o pequeno agricultor.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote block--pull-quote--no-citation\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">Queremos energia limpa sim, mas uma energia que nos inclua. Da forma que est\u00e1 acontecendo hoje, muitas empresas est\u00e3o se apossando de terras e prejudicando nosso pessoal<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\"><\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Na Borda da Mata, 30 fam\u00edlias vivem da produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica de verduras, hortali\u00e7as, farinha de mandioca e milho. A \u00e1rea da \u201csolta\u201d \u00e9 preservada como uma reserva da Caatinga, onde cact\u00e1ceas t\u00edpicas florescem nas \u201ctrovoadas\u201d (per\u00edodo de chuvas), e arbustos espinhosos impedem a caminhada pela mata.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Telma-Cruz_-Borda-da-Mata_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Telma-Cruz_-Borda-da-Mata_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"Telma Cruz\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Telma Cruz e mulheres da comunidade Borda da Mata plantam verduras vendidas na regi\u00e3o: 30 fam\u00edlias vivem da produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica (Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Telma-Cruz_-Borda-da-Mata_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1331\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cQueremos energia limpa sim, mas uma energia que nos inclua. Da forma que est\u00e1 acontecendo hoje, muitas empresas est\u00e3o se apossando de terras e prejudicando nosso pessoal. Se sairmos daqui, vamos para onde?\u201d, questiona Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica (Abee\u00f3lica), que representa 120 empresas do ramo, reconhece que o setor est\u00e1 crescendo muito r\u00e1pido e que precisa acelerar seu desenvolvimento de padr\u00f5es sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPercebemos alguns escapes \u00e0 regula\u00e7\u00e3o, mas estamos empenhados em mitigar os impactos com a cria\u00e7\u00e3o de um guia de melhores pr\u00e1ticas, al\u00e9m de um selo de sustentabilidade\u201d, disse a presidente da entidade, Elbia Gannoum, ao&nbsp;<em>Di\u00e1logo Chino.<\/em>&nbsp;No entanto, a ades\u00e3o \u00e0s regras socioambientais para a certifica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 volunt\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A executiva diz que o repasse de 1,5% da gera\u00e7\u00e3o tem sido aceito pelas comunidades, reiterando que \u00e9 o mesmo percentual pago pelos&nbsp;<em>royalties&nbsp;<\/em>do petr\u00f3leo em munic\u00edpios brasileiros. \u201cEm m\u00e9dia, o setor paga R$ 2 mil por turbina por m\u00eas, ent\u00e3o n\u00e3o acho que este seja o problema\u201d, afirma Gannoum. \u201cAparentemente, as queixas s\u00e3o sobre a transpar\u00eancia nas contas da gera\u00e7\u00e3o. Precisamos mesmo considerar esse ponto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as lideran\u00e7as de fundos de pasto em Campo Formoso, o valor pago mensalmente por turbina gira em torno de R$1,5 mil. Em geral, valores e formas de pagamento podem variar de munic\u00edpio para munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Animais_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Animais_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"Animais no quintal\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Animais no quintal de Rubem Cruz, presidente da associa\u00e7\u00e3o de Borda da Mata: sindicato rural detectou que contrato de e\u00f3licas amea\u00e7ava direitos do fundo de pasto.(Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Animais_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"589 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1331\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Parque abandonado provoca viol\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Um ano ap\u00f3s o primeiro leil\u00e3o do governo federal para a contrata\u00e7\u00e3o de energia exclusivamente e\u00f3lica, em 2009, a Companhia Hidrel\u00e9trica do S\u00e3o Francisco (Chesf), subsidi\u00e1ria da Eletrobr\u00e1s, maior empresa de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica no Brasil, iniciou a constru\u00e7\u00e3o do seu primeiro parque e\u00f3lico na Bahia. A usina Casa Nova I foi anunciada, \u00e0 \u00e9poca, como a maior do pa\u00eds e marcou a entrada da Chesf no segmento de renov\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro anos depois, por\u00e9m, a crise financeira da fabricante de aerogeradores argentina, a IMPSA, que era a l\u00edder do cons\u00f3rcio, resultou na&nbsp;<a href=\"https:\/\/chesf.gov.br\/relainvest\/Documents\/Comunicado%20ao%20Mercado%20Chesf%20-%20Resposta%20Of%C3%ADcio%20CVM%20-%20Casa%20Nova%20I.pdf\">paralisa\u00e7\u00e3o das obras<\/a>. At\u00e9 hoje, 30 turbinas inconclusas permanecem abandonadas no local. Algumas, com h\u00e9lices, ainda giram pela for\u00e7a dos ventos, mas n\u00e3o produzem energia. Outras, ocas, foram saqueadas. O roubo de fios de cobre das estruturas trouxe viol\u00eancia para a regi\u00e3o, segundo os moradores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na comunidade rural do Malv\u00e3o, 22 fam\u00edlias convivem com o passivo ambiental. Porteiras que bloqueiam o acesso \u00e0s torres, embora hoje destrancadas, n\u00e3o foram removidas da \u00e1rea e continuam a obstruir caminhos entre as comunidades e o pastoreio dos animais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEles n\u00e3o vieram mais e, quando a cancela ficava trancada, a gente n\u00e3o podia passar\u2026 Se fosse hoje, n\u00e3o ter\u00edamos aceitado a obra\u201d, conta o agricultor Jess\u00e9 de Souza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Souza recebe R$ 500 mensais pelo arrendamento das terras \u00e0 Chesf e reclama da devasta\u00e7\u00e3o causada pela terraplanagem no local. Ele calcula que o Casa Nova I derrubou cerca de 50 dos 300 hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa pertencentes \u00e0 comunidade. Esp\u00e9cies centen\u00e1rias, como umbuzeiros, foram cortados. A \u00e1rea impactada nunca foi restaurada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Jesse-Alves_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Jesse-Alves_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"Jesse Alves\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Jess\u00e9 Alves na \u00e1rea da comunidade do Malv\u00e3o, onde o parque e\u00f3lico Casa Nova I seria constru\u00eddo. Projeto derrubou 50 hectares de vegeta\u00e7\u00e3o, mas foi abandonado (Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/Jesse-Alves_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-1-scaled.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"375 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1331\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cA gente sabe que a gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica \u00e9 boa, mas elas [as empresas] n\u00e3o chegam direito. Recebemos essa mixaria, e o trambolho ficou todo a\u00ed\u201d, lamenta o agricultor. A Chesf n\u00e3o respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o passivo ambiental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Casa Nova \u00e9 um munic\u00edpio baiano onde&nbsp;<a href=\"https:\/\/geografar.ufba.br\/sites\/geografar.ufba.br\/files\/relatoriofinal_mapeamentoffp_vf.pdf\">86% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 vulner\u00e1vel&nbsp;<\/a>\u00e0 pobreza e que guarda um hist\u00f3rico de conflitos rurais violentos. L\u00e1 as fam\u00edlias de&nbsp;<a href=\"https:\/\/porlatierra.org\/docs\/b26b492f08d96f7c25b4774cfe442fbe.pdf\">fundos de pasto<\/a>&nbsp;da comunidade de Areia Grande se armaram e enfrentaram, em 1978, a antiga Camaragibe, empresa agropecu\u00e1ria acusada de tentativa de grilagem de terras. Vitoriosos, os posseiros expulsaram os jagun\u00e7os da empresa, que acabou falindo, e permaneceram no local.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A agricultora Vaneide dos Santos, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Fundo de Pasto Garapa e Bara\u00fana, era crian\u00e7a e morava na Areia Grande na \u00e9poca da disputa pela terra. Tamb\u00e9m quando crian\u00e7a, sua fam\u00edlia foi realocada \u00e0 for\u00e7a para a constru\u00e7\u00e3o da barragem de Sobradinho, que&nbsp;<a href=\"https:\/\/repositorio.ufba.br\/bitstream\/ri\/19778\/1\/Edcarlos%20Mendes%20da%20Silva.pdf\">expulsou 72 mil pessoas<\/a>&nbsp;de suas casas e inundou sete munic\u00edpios, Casa Nova entre eles. Ela guarda traumas de grandes empreendimentos de energia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs empresas n\u00e3o v\u00eam trazer benef\u00edcios, mas tirar a paz\u201d, afirma a agricultora que vive da cria\u00e7\u00e3o de bodes, porcos e galinhas. \u201cEstava sossegada desde que sa\u00ed da Areia Grande. Agora, chegaram as e\u00f3licas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, ela mora no fundo de pasto Garapa, a oito quil\u00f4metros de umas das obras do Complexo E\u00f3lico Oitis. Quando sobe na parte alta do s\u00edtio, consegue avistar as turbinas em teste. Na regi\u00e3o, que faz divisa com o estado do Piau\u00ed, a multinacional espanhola Iberdrola est\u00e1 instalando dois dos 12 parques cuja opera\u00e7\u00e3o come\u00e7ou neste ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contando com financiamento&nbsp;<a href=\"https:\/\/api.mziq.com\/mzfilemanager\/v2\/d\/2aec7c3f-0df1-4df1-967a-66ab1030fc14\/9e0c3897-3123-10e0-e377-50a36e01745f?origin=1\">do Banco Europeu de Investimento,<\/a>&nbsp;a gera\u00e7\u00e3o de energia das 12 usinas ser\u00e1 conectada ao Sistema Interligado Nacional. A companhia ir\u00e1 focar na venda da produ\u00e7\u00e3o no mercado livre de energia ao qual resid\u00eancias \u2013 e a maior parte das empresas brasileiras \u2013 n\u00e3o t\u00eam acesso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os parques e\u00f3licos Oitis 21 e 22, que Vaneide v\u00ea do quintal, n\u00e3o trar\u00e3o qualquer seguran\u00e7a energ\u00e9tica para seu fundo de pasto, muito menos energia mais barata para a comunidade no Garapa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A eletricidade chegou h\u00e1 apenas um ano por l\u00e1, e Santos ainda tenta se inscrever na tarifa social de energia, destinada a fam\u00edlias de baixa renda, j\u00e1 que tem dificuldades para pagar as faturas mensais de R$ 200. Antes, ela usava placas solares, mas a energia era pouca e dava apenas para as tarefas essenciais, como manter a geladeira ligada.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionada sobre sua chegada em Casa Nova com as turbinas mais modernas do mundo enquanto as fam\u00edlias morando ao lado das torres ainda enfrentam inseguran\u00e7a energ\u00e9tica, o grupo Iberdrola disse que&nbsp;<em>\u201c<\/em>a Neoenergia (bra\u00e7o brasileiro do grupo) cumpre todos os procedimentos previstos na legisla\u00e7\u00e3o ambiental e na regula\u00e7\u00e3o brasileiras, o que demonstra o compromisso com o desenvolvimento sustent\u00e1vel e o respeito \u00e0 sociedade\u201d<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-story-image aligncenter block--story-image block--story-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--story-image__column\"><div class=\"block--story-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/base-torre_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/base-torre_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 999px) 1024px, (max-width: 1400px) 1400px, (max-width: 2000px) 2000px, 2000px\" alt=\"Base de uma torre \u00e9 transportada em Casa Nova\"\/><\/div><div class=\"block--story-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--story-image__caption\">Base de uma torre \u00e9 transportada em Casa Nova. Empreendimento com as turbinas mais modernas do mundo segue a todo vapor no munic\u00edpio onde comunidades rurais vivem em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a energ\u00e9tica\u00a0(Imagem: Camilo Lobo \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2022\/11\/base-torre_Camilo-Lobo_Dialogo-Chino-scaled.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"614 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1500\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia de Vaneide Santos \u00e9 uma das cinco da associa\u00e7\u00e3o contr\u00e1rias ao empreendimento. Outro grupo maior, de dez fam\u00edlias, \u00e9 favor\u00e1vel. \u201cAs fam\u00edlias que est\u00e3o de acordo com elas, n\u00e3o t\u00eam muita informa\u00e7\u00e3o sobre como as empresas agem no Brasil\u201d, lamenta Santos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m no seu fundo de pasto, o Garapa, tem t\u00edtulo de terra. Eles n\u00e3o t\u00eam t\u00edtulo da \u00e1rea comunal, o fundo de pasto, nem das \u00e1reas individuais, privativas de cada fam\u00edlia.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com apoio do governo da Bahia, parques e\u00f3licos se expandem e entram em choque com antigos posseiros da Caatinga em 11 munic\u00edpios <\/p>\n","protected":false},"featured_media":50060622,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","categories":[18150],"tags":[],"country":[50003526],"class_list":["post-50060621","photo_story","type-photo_story","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-nao-categorizado","country-brasil-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Energia e\u00f3lica avan\u00e7a sobrepondo-se a territ\u00f3rios de comunidades<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Com apoio do governo estadual, 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