{"id":50380344,"date":"2023-09-26T19:27:15","date_gmt":"2023-09-26T18:27:15","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogochino.net\/?post_type=photo_story&#038;p=380344"},"modified":"2024-12-05T15:23:24","modified_gmt":"2024-12-05T15:23:24","slug":"380301-seca-la-nina-el-nino-chuvas-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"photo_story","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/alimentos\/380301-seca-la-nina-el-nino-chuvas-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s seca hist\u00f3rica, El Ni\u00f1o leva chuvas abundantes ao Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">O agr\u00f4nomo Sergio Rubin se ajoelha em uma planta\u00e7\u00e3o de aveia para remover parte da palha que recobre o solo. Ao abrir uma fenda, mostra a terra \u00famida em um dia quente do oscilante inverno ga\u00facho, no qual os term\u00f4metros marcavam 25 \u00b0C em meados de agosto. A chuva da semana anterior ainda n\u00e3o havia evaporado da fazenda de Rubin em J\u00falio de Castilhos, munic\u00edpio na parte central do Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem parecia o mesmo ch\u00e3o compacto e esfarelento causado por uma das piores estiagem dos \u00faltimos anos, que durou quatro anos e quebrou boa parte das safras de soja do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Rubin planta aveia como uma t\u00e9cnica para manter a umidade e os nutrientes na terra que receber\u00e1 sementes de soja em outubro. \u201cA seca nos ensinou que n\u00e3o podemos deixar o solo nu\u201d, explica o produtor de 65 anos. \u201cEle precisa estar sempre bem nutrido e protegido com diferentes coberturas para guardar umidade\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A produtividade da soja ga\u00facha vinha escalando at\u00e9 a chegada da <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/agricultura-pt-br\/370215-la-nina-seca-marcas-solo-argentina\/\">La Ni\u00f1a<\/a> em meados de 2020, que fez a produ\u00e7\u00e3o despencar na regi\u00e3o nos anos seguintes. O fen\u00f4meno clim\u00e1tico provoca o resfriamento anormal das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico, tornando os ventos mais fortes e, por sua vez, alterando o regime de chuvas e a distribui\u00e7\u00e3o da umidade. No Brasil, ela trouxe chuvas \u00e0s regi\u00f5es Norte e Nordeste e seca ao Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois desses anos dif\u00edceis e secos, agricultores do Sul enfrentam novos desafios com a chegada do El Ni\u00f1o. Ao contr\u00e1rio da La Ni\u00f1a, esse fen\u00f4meno provoca um aquecimento anormal das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico, trazendo altera\u00e7\u00f5es nos ventos e o aumento das chuvas no Rio Grande do Sul a partir da primavera \u2014 \u00e9poca de plantio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os impactos do El Ni\u00f1o j\u00e1 come\u00e7aram a ser observados neste inverno anormalmente quente e \u00famido no estado \u2014 por vezes desastroso, com a regi\u00e3o atingida por um ciclone no in\u00edcio de setembro.<\/p>\n\n\n\n<iframe src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/15073099\/embed\" title=\"Interactive or visual content\" class=\"flourish-embed-iframe\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" style=\"width:100%;aspect-ratio:1.04;\" sandbox=\"allow-same-origin allow-forms allow-scripts allow-downloads allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-top-navigation-by-user-activation\"><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sem-chuva-sem-soja\">Sem chuva, sem soja<\/h2>\n\n\n\n<p>A chuva \u00e9 determinante para o sucesso de uma colheita de soja. Existem dois momentos cruciais: a germina\u00e7\u00e3o, entre outubro e novembro, e a flora\u00e7\u00e3o, que ocorre entre janeiro e fevereiro no estado. Essa segunda fase foi especialmente prejudicada pelos anos sob a influ\u00eancia da La Ni\u00f1a, em que parte da lavoura sequer floresceu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro tombo ocorreu na safra de 2019\/2020, que caiu 41% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior, passando de 19,5 milh\u00f5es para 11,4 milh\u00f5es de toneladas colhidas no estado, <a href=\"https:\/\/www.conab.gov.br\/info-agro\/safras\/graos\/boletim-da-safra-de-graos\">segundo<\/a> a Companhia Nacional de Abastecimento. Na safra seguinte, a seca deu uma tr\u00e9gua, e o setor esbo\u00e7ou uma rea\u00e7\u00e3o. Depois, veio o segundo tombo, o maior deles: foram colhidas nove milh\u00f5es de toneladas em 2021\/2022. Na \u00faltima sob o efeito da La Ni\u00f1a, entre 2022\/2023, a produ\u00e7\u00e3o foi de 13 milh\u00f5es de toneladas, patamar que havia sido superado na \u00faltima d\u00e9cada, com a expans\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es e a melhoria das t\u00e9cnicas agr\u00edcolas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os produtores ga\u00fachos j\u00e1 haviam <a href=\"https:\/\/atlassocioeconomico.rs.gov.br\/estiagens-e-secas\">lidado<\/a> com secas graves \u2014 em 1985, em outra La Ni\u00f1a, al\u00e9m de 2005 e 2012. Mas n\u00e3o recordavam de uma t\u00e3o severa como a dos \u00faltimos quatro anos. \u201cLembro de uma em que colhemos 19 sacas por hectare h\u00e1 mais de 30 anos, mas nunca havia chegado a uma m\u00e9dia de 13\u201d, diz o produtor Glenio Soldera, 59 anos, referindo-se \u00e0 safra do \u00faltimo ano. Normalmente, a produtividade de sua fazenda supera as 65 sacas por hectare.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_irrigacao_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_irrigacao_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_irrigacao_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_irrigacao_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"A\u00e7ude em Tupanciret\u00e3, Rio Grande do Sul\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">A\u00e7ude em Tupanciret\u00e3, Rio Grande do Sul. Durante as \u00faltimas esta\u00e7\u00f5es de seca na regi\u00e3o, a irriga\u00e7\u00e3o ajudou alguns produtores, mas n\u00e3o impediu todos os danos (Imagem: Daniel Marenco \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_irrigacao_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_SergioRubin_agronomo_soja_JulioDeCastilhos_RS_Brazil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_SergioRubin_agronomo_soja_JulioDeCastilhos_RS_Brazil_DanielMarenco_DialogoChino-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_SergioRubin_agronomo_soja_JulioDeCastilhos_RS_Brazil_DanielMarenco_DialogoChino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_SergioRubin_agronomo_soja_JulioDeCastilhos_RS_Brazil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Sergio Rubin abre um saco de soja de seu estoque\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Sergio Rubin abre um saco de soja de seu estoque. A produtividade caiu com as secas que atingiram a regi\u00e3o nos \u00faltimos anos de La Ni\u00f1a (Imagem: Daniel Marenco \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_SergioRubin_agronomo_soja_JulioDeCastilhos_RS_Brazil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Soldera diz ser um dos maiores produtores de soja de Tupanciret\u00e3, tamb\u00e9m na regi\u00e3o central e considerada a capital da soja no Rio Grande do Sul. Em sua propriedade de quatro mil hectares, o agricultor lembra que nem a irriga\u00e7\u00e3o deu conta do estrago. \u201cNas \u00e1reas com piv\u00f4 [sistema de irriga\u00e7\u00e3o artificial], em que nunca faltou \u00e1gua, chegamos a colher 30 sacos por hectare\u201d, diz o quarto filho de uma fam\u00edlia de agricultores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A seca atingiu o Rio Grande do Sul em meio \u00e0 pandemia de Covid-19, em 2020, quando as restri\u00e7\u00f5es log\u00edsticas provocaram uma disparada nos pre\u00e7os dos fertilizantes \u2014 em sua <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/agricultura-pt-br\/51562-guerra-ucrania-afeta-crise-global-fertilizantes-precos-alimentos\/\">maioria importados<\/a> pelo Brasil. Em 2022, quando ocorreu a pior queda da produ\u00e7\u00e3o, os pre\u00e7os aumentaram ainda mais com a guerra na Ucr\u00e2nia, j\u00e1 que a R\u00fassia, principal fornecedora do Brasil, imp\u00f4s quotas de exporta\u00e7\u00f5es para salvaguardar o mercado dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi o pior dos cen\u00e1rios: quebra de safra e aumento do custo de produ\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Argemiro Brum, professor da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento Rural da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul. O <a href=\"https:\/\/monitorestiagem.proclima2050.rs.gov.br\/?page=Situa%C3%A7%C3%A3o&amp;views=Exibir-18\">monitor da estiagem<\/a>, mantido pelo governo ga\u00facho, estimou que mais de cem mil produtores de soja e milho foram afetados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Queda de produtividade impacta outras \u00e1reas<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora o Sul do Brasil tenha enfrentado os impactos da La Ni\u00f1a e visto sua produ\u00e7\u00e3o de soja despencar, os d\u00e9ficits de produ\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o foram compensados por colheitas abundantes noutras partes do pa\u00eds \u2014 mas essa tend\u00eancia pressiona biomas sens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<iframe src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/15076339\/embed\" title=\"Interactive or visual content\" class=\"flourish-embed-iframe\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" style=\"width:100%;height:600px;\" sandbox=\"allow-same-origin allow-forms allow-scripts allow-downloads allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-top-navigation-by-user-activation\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>O Rio Grande do Sul costuma competir com o Paran\u00e1 na vice-lideran\u00e7a brasileira de exporta\u00e7\u00e3o de soja, mas com a <a href=\"https:\/\/www.cnabrasil.org.br\/noticias\/diagnostico-da-seca-no-parana-aponta-prejuizos-bilionarios\">seca<\/a> na regi\u00e3o, o Mato Grosso se consolidou como o principal exportador da commodity para a China, que <a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/economia\/china-compra-70-da-soja-e-63-do-minerio-de-ferro-exportado-pelo-brasil\/\">compra 70% do que \u00e9 exportado<\/a> pelo pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Brasil aumentou a exporta\u00e7\u00e3o de soja para a China em 2022, mesmo com a quebra de safra no RS por causa das safras de Mato Grosso e da regi\u00e3o do Matopiba\u201d, diz Brum. Essa regi\u00e3o engloba os estados de Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia e s\u00e3o cobertos por Cerrado e Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50363648\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>Um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41893-022-00968-8\">estudo<\/a> publicado em outubro de 2022 na Nature Sustainability revela que o boom da soja nos \u00faltimos 15 anos pressionou biomas sens\u00edveis como a Amaz\u00f4nia \u2014 as lavouras do gr\u00e3o ocupam hoje mais de 5,8 milh\u00f5es de hectares, <a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/2023\/08\/31\/perda-de-vegetacao-nativa-no-brasil-acelerou-na-ultima-decada\/\">segundo o Mapbiomas<\/a>. \u201cA soja na Amaz\u00f4nia representou 30% do crescimento das lavouras da commodity no pa\u00eds no per\u00edodo\u201d, afirmou ao <em>Di\u00e1logo Chino<\/em> o agr\u00f4nomo Alencar Zanon, professor da Universidade Federal de Santa Maria e um dos autores do estudo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m revela que, se o Brasil n\u00e3o abandonar o modelo de expans\u00e3o baseado na abertura de novas \u00e1reas, 5,7 milh\u00f5es de hectares de savanas e florestas virar\u00e3o lavoura nos pr\u00f3ximos 15 anos. Por isso, Zanon levanta outra possibilidade: \u201cO Brasil pode produzir 1,7 tonelada de soja por hectare a mais por ano investindo em pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis para melhorar a produtividade sem derrubar nenhuma \u00e1rvore ou converter novas \u00e1reas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00edda seria aumentar a produtividade em regi\u00f5es como o Pampa ga\u00facho, bioma formado por grandes campos que se estendem pelo Rio Grande do Sul, al\u00e9m de Uruguai e Argentina. Nele, diz o especialista, a agricultura est\u00e1 consolidada. Por\u00e9m, sem uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que o proteja, ele \u00e9 um dos mais afetados pelo avan\u00e7o agr\u00edcola, especialmente da soja, e encolheu 24% entre 1985 e 2022, segundo <a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/2023\/08\/31\/perda-de-vegetacao-nativa-no-brasil-acelerou-na-ultima-decada\/\">o mais recente levantamento do MapBiomas<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_Pedro-Alves_campos_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_Pedro-Alves_campos_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_Pedro-Alves_campos_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_Pedro-Alves_campos_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Pedro Alves, agr\u00f4nomo de Tupanciret\u00e3\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Pedro Alves, agr\u00f4nomo de Tupanciret\u00e3, tamb\u00e9m utiliza a aveia como cultura forrageira. Enquanto isto, o Pampa, bioma predominante no Rio Grande do Sul, perdeu 24% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa entre 1985 e 2022 devido ao avan\u00e7o da agricultura, principalmente da soja (Imagem: Daniel Marenco \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_Pedro-Alves_campos_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o clima limita o potencial de produtividade da soja no Sul do pa\u00eds. \u201cA menor quantidade e a m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o das chuvas no Rio Grande do Sul deixam o estado em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o ao Cerrado, por exemplo\u201d, disse Zanon.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A chegada do El Ni\u00f1o<\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto isto, climatologistas ainda debatem qual ser\u00e1 a for\u00e7a do El Ni\u00f1o, que chegou ao Brasil oficialmente no in\u00edcio de junho. A expectativa do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) \u00e9 que seja de moderado a intenso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO estado deve ter mais chances de sucesso na explora\u00e7\u00e3o da lavoura\u201d, diz o agr\u00f4nomo Jos\u00e9 Renato Farias, pesquisador da soja na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), em Londrina, no Paran\u00e1. Mas tudo depende da distribui\u00e7\u00e3o das precipita\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, o que, segundo ele, ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita. \u201cA depend\u00eancia da soja n\u00e3o \u00e9 do volume de \u00e1gua, mas de uma boa distribui\u00e7\u00e3o das chuvas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A imprevisibilidade aumenta quando os fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos do El Ni\u00f1o e da La Ni\u00f1a se somam \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cUm planeta mais quente, com oceanos mais quentes, amplifica a variabilidade natural de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos\u201d, diz o climatologista Francisco Aquino, chefe do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). \u201cAmbos se combinam para gerar eventos clim\u00e1ticos mais intensos e extremos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/Enchentes-Estrela-Rio-Grande-do-Sul-Brasil_Alamy_2RT5P57-1-scaled.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/Enchentes-Estrela-Rio-Grande-do-Sul-Brasil_Alamy_2RT5P57-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/Enchentes-Estrela-Rio-Grande-do-Sul-Brasil_Alamy_2RT5P57-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/Enchentes-Estrela-Rio-Grande-do-Sul-Brasil_Alamy_2RT5P57-1-scaled.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Pessoas sentadas em frente a uma casa destru\u00edda pelas fortes chuvas e inunda\u00e7\u00f5es em Estrela, no Rio Grande do Sul\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Pessoas sentadas em frente a uma casa destru\u00edda pelas fortes chuvas e inunda\u00e7\u00f5es em Estrela, no Rio Grande do Sul, em setembro (Imagem: Alamy)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/Enchentes-Estrela-Rio-Grande-do-Sul-Brasil_Alamy_2RT5P57-1-scaled.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"931 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Foi o que ocorreu no in\u00edcio de setembro, quando um ciclone extratropical, intensificado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, segundo especialistas, se somou ao El Ni\u00f1o. Na regi\u00e3o onde est\u00e3o Tupanciret\u00e3 e Julio de Castilhos, foram acumulados 250 mil\u00edmetros de chuva em dois dias, quase o dobro de toda a precipita\u00e7\u00e3o de agosto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 teve quebra do milho e do trigo, que est\u00e1 em plena flora\u00e7\u00e3o. E vem mais chuva\u201d, lamenta Glenio Soldera. No Vale do Taquari, a leste dos munic\u00edpios produtores, <a href=\"https:\/\/www.estado.rs.gov.br\/12h-apos-identificacao-de-corpo-chega-a-50-o-numero-de-mortos-nas-enchentes-do-vale-do-taquari\">morreram pelo menos 50 pessoas<\/a> naquele que j\u00e1 \u00e9 considerado o maior desastre natural em seis d\u00e9cadas no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com chuvas acima da m\u00e9dia para a pr\u00f3xima colheita, segundo boletins do Inmet, os produtores tamb\u00e9m precisam ficar atentos a doen\u00e7as nas planta\u00e7\u00f5es, como a <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/soja\/ferrugem\">ferrugem asi\u00e1tica da soja<\/a>, j\u00e1 que a maior parte delas tende a aparecer com o aumento da umidade. \u201c\u00c9 um problem\u00e3o quando aumenta a umidade e a temperatura n\u00e3o cai\u201d, alerta Farias, da Embrapa. \u201cPr\u00e1ticas de manejo de daninhas e insetos tamb\u00e9m ficam dificultados pela frequ\u00eancia das chuvas. Isso pode impedir o manejo porque voc\u00ea aplica o produto, vem a chuva e lava\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O agr\u00f4nomo Evandro Boligon, de 44 anos, est\u00e1 ciente desse problema, mas lamenta que produtores tenham que se proteger sozinhos. \u201cN\u00e3o ter assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e9 um erro muito grave. \u00c9 investimento [necess\u00e1rio], ainda mais depois de quatro anos de safras ruins\u201d, diz o produtor, cuja hist\u00f3ria familiar se confunde com a da soja no estado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_DarciBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_DarciBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_DarciBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_DarciBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Davi Boligon, 80 anos, sojicultor no RIo Grande do Sul\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Davi Boligon, 80 anos, come\u00e7ou a plantar soja na d\u00e9cada de 1980 em uma propriedade de cerca de 20 hectares. Ele lembra que antes a colheita na lavoura era feita toda manualmente (Imagem: Daniel Marenco \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_DarciBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_EvandroBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_EvandroBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_EvandroBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_EvandroBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"O agr\u00f4nomo Evandro Boligon, junto \u00e0 maquin\u00e1ria para o cultivo de soja\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">O agr\u00f4nomo Evandro Boligon, filho de Davi, ressalta a import\u00e2ncia de ter assist\u00eancia t\u00e9cnica na lavoura, principalmente em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis como a seca dos \u00faltimos anos (Imagem: Daniel Marenco \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230814_EvandroBoligon_CachoeiraDoSul_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--wide\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_trabalhador_silo_soja_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_trabalhador_silo_soja_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_trabalhador_silo_soja_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_trabalhador_silo_soja_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Trabalhador em silo de soja da empresa 3tentos, em Tupanciret\u00e3\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Trabalhador em silo de soja da empresa 3tentos, em Tupanciret\u00e3, munic\u00edpio considerado a capital da soja no Rio Grande do Sul. Boa parte da \u00faltima safra de soja ainda seca nos silos antes de ser vendida, pois n\u00e3o amadureceu suficientemente na \u00e9poca da colheita (Imagem: Daniel Marenco \/ Di\u00e1logo Chino)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230815_trabalhador_silo_soja_tupancireta_RS_Brasil_DanielMarenco_DialogoChino.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Davi Boligon, o patriarca, hoje com 80 anos, come\u00e7ou a plantar ainda nos anos 1980 em uma pequena propriedade, de cerca de 20 hectares. \u201cEra tudo bra\u00e7al, no muque e com foice\u201d, lembra o agricultor, que dividia a labuta com seus cinco irm\u00e3os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os tr\u00eas filhos de Davi cresceram no interior de J\u00falio de Castilhos, mas foram incentivados a estudar em Santa Maria, polo universit\u00e1rio a 65 quil\u00f4metros da cidade-natal. Evandro se formou agr\u00f4nomo e trabalhou em uma empresa de consultoria t\u00e9cnica antes de se unir, em 2015, \u00e0 fam\u00edlia para administrar quatro propriedades, onde planta tr\u00eas mil hectares de soja nos munic\u00edpios de Cachoeira do Sul, J\u00falio de Castilhos e Dilermando de Aguiar. No inverno, investem na pecu\u00e1ria de corte e nas culturas de milho e aveia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Prestes a come\u00e7ar a nova planta\u00e7\u00e3o, Evandro foca em preparar o solo ap\u00f3s os anos consecutivos de seca. E essa parece ser uma preocupa\u00e7\u00e3o comum aos produtores ouvidos pelo <em>Di\u00e1logo Chino<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos que garantir que o solo tenha mais condi\u00e7\u00f5es de conservar a \u00e1gua da chuva\u201d, diz Pedro Barcellos Alves, agr\u00f4nomo e administrador de Tupanciret\u00e3, que tamb\u00e9m n\u00e3o abre m\u00e3o do seguro das lavouras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alves cultiva aveia, da mesma forma que S\u00e9rgio Rubin, de J\u00falio de Castilhos, que ainda plantou nabo e ervilhaca. \u201cCada uma tem ra\u00edzes de diferentes tamanhos que penetram no solo formando galerias por onde a \u00e1gua entra e fica armazenada, al\u00e9m de fixar nutrientes\u201d, ensina Rubin, pesquisador aposentado da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Pesquisa Agropecu\u00e1ria do RS, onde se dedicava ao melhoramento gen\u00e9tico da commodity.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_bare-soil-structure_RicardoMaciaLalinde_DC_PT.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_bare-soil-structure_RicardoMaciaLalinde_DC_PT-768x768.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_bare-soil-structure_RicardoMaciaLalinde_DC_PT-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_bare-soil-structure_RicardoMaciaLalinde_DC_PT.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Os anos de seca compactaram o solo, repelindo a \u00e1gua e favorecendo \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es nas \u00e9pocas de chuva\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Os anos de seca compactaram o solo, repelindo a \u00e1gua e favorecendo \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es nas \u00e9pocas de chuva (Gr\u00e1fico: Ricardo Macia Lalinde)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_bare-soil-structure_RicardoMaciaLalinde_DC_PT.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:50%\">\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_soil-structure-cover-crops_RicardoMaciaLalinde_DC_PT.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_soil-structure-cover-crops_RicardoMaciaLalinde_DC_PT-768x768.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_soil-structure-cover-crops_RicardoMaciaLalinde_DC_PT-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_soil-structure-cover-crops_RicardoMaciaLalinde_DC_PT.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Algumas esp\u00e9cies de plantas forrageiras ajudam a proteger o solo durante eventos clim\u00e1ticos extremos\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Algumas esp\u00e9cies de plantas forrageiras ajudam a proteger o solo durante eventos clim\u00e1ticos extremos (Gr\u00e1fico: Ricardo Macia Lalinde)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/20230925_soil-structure-cover-crops_RicardoMaciaLalinde_DC_PT.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o do solo, aliada \u00e0 chuva trazida pelo El Ni\u00f1o, deve dar condi\u00e7\u00f5es ao gr\u00e3o de amadurecer no momento correto, bem diferente do que ocorreu no \u00faltimo ano de seca. \u201cAlguns os gr\u00e3os colhidos estavam ainda verdes. A planta se atrapalhou tanto do ponto de vista fisiol\u00f3gico que n\u00e3o sabia se amadurecia ou n\u00e3o\u201d, descreve.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, parte das fat\u00eddicas safras sob a La Ni\u00f1a continua dentro dos silos para secar, j\u00e1 que n\u00e3o amadureceram at\u00e9 a \u00e9poca da colheita. Enquanto d\u00e3o in\u00edcio \u00e0 pr\u00f3xima safra, produtores ga\u00fachos esperam que sua sorte mude, embora os extremos clim\u00e1ticos cada vez mais frequentes gerem incertezas \u00e0 prosperidade da soja nos Pampas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produtores de soja enfrentam desafios para lidar com fen\u00f4meno clim\u00e1tico logo ap\u00f3s uma La Ni\u00f1a j\u00e1 prejudicial \u00e0s colheitas<\/p>\n","protected":false},"featured_media":50380292,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","categories":[50039924,50039920,18150],"tags":[50040380,50030002,50029690],"country":[50003526],"class_list":["post-50380344","photo_story","type-photo_story","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-alimentos","category-clima","category-nao-categorizado","tag-agricultura-pt-br","tag-clima-extremo","tag-seguranca-alimentar","country-brasil-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin 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