{"id":50000785,"date":"2014-08-21T09:19:27","date_gmt":"2014-08-21T08:19:27","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=785"},"modified":"2020-03-06T10:41:29","modified_gmt":"2020-03-06T10:41:29","slug":"207-china-e-america-latina-como-seguir-adiante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/207-china-e-america-latina-como-seguir-adiante\/","title":{"rendered":"China e Am\u00e9rica Latina: como seguir adiante?"},"content":{"rendered":"<p>O voraz apetite da China por minerais tem impulsionado muito o crescimento da Am\u00e9rica Latina e, em menos de duas d\u00e9cadas, a regi\u00e3o transformou-se em seu importante parceiro. As minas, os empr\u00e9stimos e o envolvimento cada vez maior de empresas chinesas em outros setores, como na infraestrutura, est\u00e3o causando receio por causa dos impactos sociais e ambientais, e pelo fato de o desenvolvimento econ\u00f4mico desigual vir a causar problemas no futuro.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 quinze anos, a China n\u00e3o aparecia nas estat\u00edsticas de neg\u00f3cios e investimentos dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Nos \u00faltimos cinco anos, tornou-se o primeiro, segundo ou terceiro parceiro comercial de praticamente todos os pa\u00edses da regi\u00e3o&#8221;, afirma Enrique Dussel Peters, da Universidade Aut\u00f4noma Nacional do M\u00e9xico.<\/p>\n<p><strong>Centros de crescimento no Peru e Chile<\/strong><\/p>\n<p>Em nenhum lugar da Am\u00e9rica Latina, o impacto da China foi maior que no Peru, devido \u00e0 longa hist\u00f3ria de minera\u00e7\u00e3o e imigra\u00e7\u00e3o chinesa.<\/p>\n<p>Com a aquisi\u00e7\u00e3o da mina de Las Bambas pela Minmetals, um neg\u00f3cio de US$7 bilh\u00f5es, confirmado em julho, os chineses controlam um ter\u00e7o da ind\u00fastria da minera\u00e7\u00e3o no Peru, de acordo a C\u00e2mera de Com\u00e9rcio do Peru. Quando a Las Bambas come\u00e7ar a produzir, no pr\u00f3ximo ano, a expectativa \u00e9 que gere 400 mil toneladas de cobre por ano, sendo que a metade ser\u00e1 destinada \u00e0 China.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a aquisi\u00e7\u00e3o de ativos da Petrobras pela PetroChina, uma empresa de capital aberto controlada pela estatal chinesa CNPC, significa que a CNPC estar\u00e1 envolvida em quatro das cinco maiores concess\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do Peru.<\/p>\n<p>\u201cA Las Bambas agora pertence a uma empresa da China e se eles adquirirem participa\u00e7\u00e3o [financeira] em Tintaya, o sul dos Andes poder\u00e1 se tornar chin\u00eas&#8221;, afirma Ximena Warnaars, da Earthrights International no Peru.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio entre a China e o Peru tamb\u00e9m ganhou import\u00e2ncia com a assinatura de um acordo de com\u00e9rcio em 2009, o segundo da China na Am\u00e9rica Latina, ap\u00f3s o Chile.<\/p>\n<p>Entre 2003 e 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Peru cresceu em m\u00e9dia mais de 8% e, entre 2009 e 2012, pouco menos de 6%. De acordo com o Banco Mundial, a exporta\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os respondeu por mais de um quarto do PIB do Peru durante esses anos e a China \u00e9 o maior parceiro comercial do Peru desde 2011, argumenta o pesquisador da Universidade do Pac\u00edfico do Peru, Alan Fairlie.<\/p>\n<p>\u201cO Peru, juntamente com o Chile, est\u00e1 vendendo commodities para China a rodo\u201d, afirma Carol Wise, da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia. \u201cMin\u00e9rio de ferro, cobre, farinha de peixe&#8230; \u00c9 muito importante para eles. O Peru \u00e9 sem d\u00favida o maior benefici\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Wise, o com\u00e9rcio entre a China e a Am\u00e9rica Latina se concentra em cinco pa\u00edses: Peru, Chile, Argentina, Col\u00f4mbia e Brasil. Em 2009, a China passou os EUA e se tornou o maior parceiro do Brasil, sendo a soja, o \u00f3leo e o min\u00e9rio de ferro os tr\u00eas principais produtos de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Parceiro predominante<\/strong><\/p>\n<p>O crescimento da import\u00e2ncia da China no com\u00e9rcio da regi\u00e3o gera s\u00e9rias preocupa\u00e7\u00f5es. As quest\u00f5es incluem trocas desiguais, especialmente com o M\u00e9xico, e poss\u00edveis futuras armadilhas de pobreza, a menos que os governos compensem o crescimento dos minerais com o desenvolvimento de outras ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>A for\u00e7a econ\u00f4mica atual da China foi alcan\u00e7ada pela atra\u00e7\u00e3o de investimento estrangeiro no setor de manufatura, enfrentando a rejei\u00e7\u00e3o com a insist\u00eancia na transfer\u00eancia de tecnologia dos investidores em potencial.<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina envia mat\u00e9ria prima para a China e, em troca, compra bens manufaturados\u201d, afirma Dussel Peters. \u201cIsso n\u00e3o se sustenta no m\u00e9dio e longo prazos, e os chineses sabem disso muito bem. Eles jamais aceitariam este tipo de rela\u00e7\u00e3o comercial para eles pr\u00f3prios\u201d.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o latente \u00e9 que os la\u00e7os comerciais estendem-se de forma desigual pela regi\u00e3o. As exporta\u00e7\u00f5es do M\u00e9xico, Equador, Paraguai e \u201cda maioria dos pa\u00edses do Caribe e da Am\u00e9rica Central\u201d para a China permanecem comparativamente muito pequenas, afirma Yong Zhang, da Academia de Ci\u00eancias Sociais Chinesa, em um artigo acad\u00eamico recente.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura \u00e9 outro setor que est\u00e1 experimentando crescimento, com projetos e planos de grande escala ambiciosos com participa\u00e7\u00e3o chinesa na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Um exemplo emblem\u00e1tico s\u00e3o os planos do Grupo HKND, sediado em Hong Kong, de construir um canal atravessando a Nicar\u00e1gua, da costa oeste no Oceano Pac\u00edfico \u00e0 costa leste no Mar do Caribe, para atender ao crescimento projetado do com\u00e9rcio mar\u00edtimo global. O trajeto para o canal de mais de 276 quil\u00f4metros foi aprovado no m\u00eas passado: ele passar\u00e1 pelo maior lago da Am\u00e9rica Central, o Lago Nicar\u00e1gua, e ter\u00e1 um comprimento tr\u00eas vezes maior que o do Canal do Panam\u00e1.<\/p>\n<p>Outro exemplo convincente \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de empresas chinesas na constru\u00e7\u00e3o de uma ferrovia transoce\u00e2nica na Am\u00e9rica do Sul, ligando a costa do Pac\u00edfico no Peru, \u00e0 costa do Atl\u00e2ntico no Brasil. A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, comprometeu-se a \u201ctrabalhar juntamente com a China e com o Peru para que este projeto se torne realidade&#8221;, de acordo com Xinhua.<\/p>\n<p><strong>Financiamento de infraestrutura<\/strong><\/p>\n<p>As empresas chinesas tamb\u00e9m est\u00e3o direta ou indiretamente envolvidas em outros tipos de projetos de infraestrutura. Ap\u00f3s a c\u00fapula \u201cG77 +China\u201d, em junho, segundo a AFP, o presidente da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio da regi\u00e3o de Santa Cruz na Bol\u00edvia afirmou que a China tem interesse em &#8220;projetos de industrializa\u00e7\u00e3o&#8221; na Bol\u00edvia a um custo estimado de US$42 bilh\u00f5es. No ano passado, um cons\u00f3rcio liderado pelo China Gezhouba Group Corporation (CGGC) venceu uma licita\u00e7\u00e3o para construir duas hidrel\u00e9tricas na Argentina.<\/p>\n<p>No momento, empresas chinesas est\u00e3o envolvidas em 24 projetos de barragens na Am\u00e9rica Latina, de acordo com Grace Mang, Diretora de Programas da China da Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o-Governamental (ONG) International Rivers, radicada em Pequim.<\/p>\n<p>A China tamb\u00e9m tem um papel cada vez mais importante \u2013 em alguns casos vital \u2013 na concess\u00e3o de empr\u00e9stimos para a regi\u00e3o, principalmente a partir da crise financeira global. Bancos chineses emprestaram mais de US$100 bilh\u00f5es para governos e empresas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, entre 2005 e 2013. De acordo com os pesquisadores da Universidade de Boston, Amos Irwin e Kevin Gallagher, mais da metade destinou-se \u00e0 Venezuela. Argentina, Brasil e Equador ocuparam o segundo, terceiro e quarto lugares.<\/p>\n<p>\u201cO financiamento chin\u00eas \u00e9 uma fonte alternativa, n\u00e3o somente ao Banco Mundial e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, mas tamb\u00e9m aos bancos comerciais ocidentais\u201d, afirma Irwin. \u201cIsso \u00e9 especialmente evidente no Equador, onde mostraram aos investidores que poderiam sobreviver com empr\u00e9stimos da China, mesmo depois da morat\u00f3ria do d\u00e9bito nacional, que fez com que a taxa de cr\u00e9dito despencasse, afastando todos os outros financiadores estrangeiros&#8221;.<\/p>\n<p>Os bancos estatais chineses tamb\u00e9m est\u00e3o emprestando bilh\u00f5es diretamente a empresas estatais chinesas com opera\u00e7\u00f5es no exterior. Irwin e Gallagher estimam que esses empr\u00e9stimos somem US$140 bilh\u00f5es desde 2002, aproximadamente 80% deles dirigidos aos setores de petr\u00f3leo e minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Um tsunami de investimentos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 muito mais recente que os la\u00e7os comerciais e \u00e9 uma segunda onda no novo relacionamento econ\u00f4mico entre a Am\u00e9rica Latina e a China&#8221;, afirma Dussel Peters. \u201cDesde a crise econ\u00f4mica, a China tem exportado capital de tal forma que, nos \u00faltimos dois ou tr\u00eas anos, tornou-se a terceira maior fonte de investimento direto estrangeiro no exterior\u201d.<\/p>\n<p>Os bancos chineses agora pretendem elevar seu papel de financiador a um outro patamar. No m\u00eas passado, a c\u00fapula do BRICS (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) concordou em criar um \u201cNovo Banco de Desenvolvimento\u201d de US$100 bilh\u00f5es, com sede em Xangai, para financiar \u201cprojetos de desenvolvimento sustent\u00e1vel e de infraestrutura\u201d nos pa\u00edses membros do BRICS e em outros pa\u00edses \u201cem desenvolvimento\u201d, assim como uma reserva de US$100 bilh\u00f5es, chamada \u201cArranjo Contingente de Reservas&#8221;, para ajudar os pa\u00edses em caso de dificuldades no balan\u00e7o de pagamentos.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, uma grande preocupa\u00e7\u00e3o em determinados setores em rela\u00e7\u00e3o aos impactos potenciais da presen\u00e7a crescente da China na sociedade, no meio ambiente e, at\u00e9 mesmo, na soberania nacional da Am\u00e9rica Latina. Isso se d\u00e1 em parte porque qualquer investimento ou projeto \u00e9 visto como causa de preocupa\u00e7\u00e3o e em parte devido ao hist\u00f3rico de impacto ambiental, das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, da falta de transpar\u00eancia e de responsabilidade da China.<\/p>\n<p>Algumas empresas chinesas j\u00e1 se envolveram em projetos especialmente problem\u00e1ticos. Entre eles, no Peru est\u00e3o as duas concess\u00f5es de petr\u00f3leo mais controversas (e das maiores tamb\u00e9m), em que uma contamina\u00e7\u00e3o grave levou \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de &#8220;emerg\u00eancia ambiental&#8221; em quatro diferentes bacias hidrogr\u00e1ficas, e minas como Marcona, Rio Blanco e Toromocho.<\/p>\n<p>A Rio Blanco foi comprada por um cons\u00f3rcio liderado pela Zijin Mining, apesar de anos de tumulto durante a administra\u00e7\u00e3o anterior, que contou com protestos de milhares de pessoas, tortura, assassinatos e uma a\u00e7\u00e3o judicial no Reino Unido.<\/p>\n<p>Em Toromocho, operada pela estatal Chinalco, houve tens\u00e3o nas tentativas de reassentar uma cidade inteira de quase 5 mil habitantes. Embora havendo pontos positivos na forma como a Chinalco lidou com o reassentamento, houve tamb\u00e9m falhas. De acordo com Daniel Alvarez Tolentino, do Escrit\u00f3rio do Arcebispo de Huancayo, o novo local escolhido para a cidade \u00e9 totalmente inadequado, as novas casas s\u00e3o muito pequenas e est\u00e3o afetando a sa\u00fade das crian\u00e7as e, as cerca de 120 fam\u00edlias que se recusaram a mudar, agora est\u00e3o em total abandono.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o governou obrigou a Chinalco a interromper as opera\u00e7\u00f5es devido a queixas de impactos ambientais e, no dia 6 de agosto, a organiza\u00e7\u00e3o de base FADDIM ingressou com duas a\u00e7\u00f5es judiciais contra a empresa e o Minist\u00e9rio de Minas e Energia.<\/p>\n<p>\u201cA Chinalco rejeita totalmente as pessoas que continuam morando na antiga Morococha\u201d, afirma Alvarez Tolentino.<\/p>\n<p><strong>Direitos dos nativos<\/strong><\/p>\n<p>No outro lado da fronteira no Equador, duas empresas estatais chinesas controlam o projeto de minera\u00e7\u00e3o mais famoso do pa\u00eds, o Mirador, e a CNPC planeja explorar novas concess\u00f5es de petr\u00f3leo no mundialmente famoso Parque Nacional Yasuni, nas profundezas da floresta amaz\u00f4nica. Essas opera\u00e7\u00f5es foram condenadas nacional e internacionalmente e a organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena ECUARUNARI entrou com uma a\u00e7\u00e3o na justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Equador recentemente promoveu um leil\u00e3o controverso do que inicialmente seriam 21 novas concess\u00f5es de petr\u00f3leo. Foram recebidas ofertas somente para tr\u00eas concess\u00f5es, duas feitas pela empresa chinesa Andes Petroleum. As duas concess\u00f5es, chamadas \u201cBloco 79\u201d e \u201cBloco 83\u201d, se estendem at\u00e9 o territ\u00f3rio do povo ind\u00edgena Sapara (ou Z\u00e1para) na Amaz\u00f4nia. No in\u00edcio do ano, os l\u00edderes dos Sapara, Klever Ruiz e Gloria Ushigua, pressionaram as Na\u00e7\u00f5es Unidas condenando as opera\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas em suas terras.<\/p>\n<p>\u201cNosso povo est\u00e1 correndo um s\u00e9rio risco de extin\u00e7\u00e3o&#8221;, escreveram. \u201cResolvemos em diversas assembleias, congressos e declara\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que n\u00e3o queremos a ind\u00fastria extrativa, como a de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, em nosso territ\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n<p>Mang, da International Rivers, admite que as empresas chinesas \u201cest\u00e3o se envolvendo em projetos que foram recusados anteriormente por outras empresas\u201d e cita como exemplo as barragens de Patuca em Honduras. De acordo com Andy White, da ONG sediada em Washington Rights and Resources Initiative, as empresas chinesas t\u00eam padr\u00f5es mais baixos de governan\u00e7a ambiental e social.<\/p>\n<p>\u201cOs cidad\u00e3os t\u00eam muito pouco acesso aos tomadores de decis\u00f5es corporativas e pouqu\u00edssimos meios para influenci\u00e1-los&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Regras para financiamento verde<\/strong><\/p>\n<p>Outros argumentam, no entanto, que os regulamentos de empr\u00e9stimos dos bancos chineses estabelecem padr\u00f5es mais altos que os dos bancos ocidentais. Embora havendo pouca evid\u00eancia de que esteja sendo seguida desde sua ado\u00e7\u00e3o, h\u00e1 dois anos, a \u201cDiretiva de Cr\u00e9dito Verde&#8221; (DCV) da China \u2013 um regulamento do governo exigindo que os bancos considerem impactos socioambientais antes de concederem empr\u00e9stimos &#8211; \u00e9 tida por alguns como superior aos modelos de financiamento verde ocidentais.<\/p>\n<p>\u201cA DCV estabelece um padr\u00e3o muito alto\u201d, afirma Paulina Garzon, do Centro para Direitos Econ\u00f4micos e Sociais do Equador (CDES), mas tamb\u00e9m menciona que coloc\u00e1-la em pr\u00e1tica \u00e9 uma outra quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cDuas coisas que os bancos chineses t\u00eam em comum com diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina s\u00e3o que, os regulamentos ambientais s\u00e3o bons, mas a implanta\u00e7\u00e3o e os sistemas de fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito fracos\u201d, afirma ela. \u201cOs investimentos chineses no Equador s\u00e3o enormes e, at\u00e9 o momento, prometem ser um desastre ecol\u00f3gico para o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que o impacto das opera\u00e7\u00f5es chinesas no Equador gerou mais preocupa\u00e7\u00e3o do que em qualquer outro pa\u00eds. Al\u00e9m da minera\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Amaz\u00f4nia, as empresas chinesas est\u00e3o agora envolvidas em uma s\u00e9rie de projetos de hidrel\u00e9tricas e propostas para constru\u00e7\u00e3o de uma refinaria de petr\u00f3leo na costa do Pac\u00edfico. Os bancos chineses emprestaram tamanha quantidade de dinheiro que h\u00e1 quem afirme que o d\u00e9bito nacional est\u00e1 fora de controle e que a soberania do Equador est\u00e1 sendo amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>A sociedade civil do Equador est\u00e1 lutando e adotando estrat\u00e9gias como press\u00e3o aos bancos chineses, a\u00e7\u00f5es judiciais, publica\u00e7\u00e3o de um manual de regulamentos socioambientais para empr\u00e9stimos chineses e investimento estrangeiro e apelo a institui\u00e7\u00f5es internacionais como a Comiss\u00e3o Interamericana dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>\u201cO problema com as empresas chinesas \u00e9 que elas n\u00e3o se importam muito com direitos humanos, embora estejam mais abertas a conversar sobre o meio ambiente&#8221;, afirma Warnaars, da EarthRights International. \u201cFoi isso que as comunidades contra o projeto Mirador no Equador entenderam em uma queixa feita \u00e0 Comiss\u00e3o [Interamericana]\u201d.<\/p>\n<p>Mas outros s\u00e3o muito mais positivos, ou negligenciam as diferen\u00e7as entre as empresas chinesas e n\u00e3o chinesas. \u201cEm termos de impacto de curto ou longo prazo no Peru, temos somente um caso a examinar, a Shougang [empresa que opera a mina Marcona], e \u00e9 sabido que este caso \u00e9 realmente terr\u00edvel&#8221;, afirma Irwin. \u201cSem d\u00favida alguma, existem problemas trabalhistas enormes, mas em termos de condi\u00e7\u00f5es sociais e ambientais de trabalho, s\u00e3o bem similares a outras empresas do Peru\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Margaret Myers, do grupo de estudos Di\u00e1logo Interamericano, em Washington, as empresas chinesas passaram por um \u201cverdadeiro aprendizado\u201d. Shougang foi um \u201cdesastre\u201d, mas a Chinalco fez um \u201ctrabalho muito bom\u201d em Toromocho.<\/p>\n<p>\u201cQuando padr\u00f5es e regras se sustentam, as empresas chinesas tendem a obedec\u00ea-los&#8221;, afirma. \u201cDo contr\u00e1rio, h\u00e1 margem para que as empresas fa\u00e7am o que for mais conveniente para elas&#8221;. Isso n\u00e3o \u00e9 exclusividade de empresas chinesas. \u00c9 o que se v\u00ea em muitas multinacionais\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A China \u00e9 a a terceira maior investidora na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n","protected":false},"author":40000225,"featured_media":50000959,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039922,50039919],"tags":[50029833,50003579,50029556],"hashtags":[],"country":[50003528,50003535,50003540],"class_list":["post-50000785","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-energia","category-negocios","tag-comercio","tag-financas","tag-infraestrutura-pt-br","country-china-pt-br","country-equador","country-peru-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>China e Am\u00e9rica Latina: como seguir adiante? 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