{"id":50003206,"date":"2015-08-17T18:53:46","date_gmt":"2015-08-17T17:53:46","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=3206"},"modified":"2023-06-02T17:16:39","modified_gmt":"2023-06-02T16:16:39","slug":"3206-o-que-a-china-pode-aprender-com-a-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/nao-categorizado\/3206-o-que-a-china-pode-aprender-com-a-america-latina\/","title":{"rendered":"O que a China pode aprender com a Am\u00e9rica Latina?"},"content":{"rendered":"<p>Uma das grandes semelhan\u00e7as entre Am\u00e9rica Latina e China \u00e9 justamente o desafio de integrar os milhares de migrantes que saem do campo rumo \u00e0s cidades. Ainda d\u00e1 tempo de a China aprender com os erros do passado ocorridos na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cA China ter\u00e1 que reformar seu sistema migrat\u00f3rio se quiser incentivar o crescimento sustent\u00e1vel de suas cidades\u201d, afirma o especialista em pol\u00edtica metropolitana do Instituto Brookings (EUA), Joseph Parilla. Para ele, o pa\u00eds corre o risco de n\u00e3o conseguir atender a demanda da popula\u00e7\u00e3o por servi\u00e7os p\u00fablicos com o r\u00e1pido ritmo de crescimento das cidades chinesas.<\/p>\n<p>Segundo Parilla, os migrantes chineses que n\u00e3o conseguem o passe oficial (hukou) para viver nas cidades t\u00eam bastante dificuldade de utilizar o sistema de sa\u00fade e outros benef\u00edcios sociais.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, a concentra\u00e7\u00e3o do \u00eaxodo rural ocorreu entre as d\u00e9cadas de 1950 e 2010. Em meados do s\u00e9culo passado, a regi\u00e3o era considerada 40% urbana e, na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21, alcan\u00e7ou n\u00edveis de 80% de urbaniza\u00e7\u00e3o. Esse dado torna a <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/prefeito-do-rio-vai-atras-de-cidades-chinesas\/?lang=pt-pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Am\u00e9rica Latina<\/a> a regi\u00e3o mais urbanizada do mundo. Essa transi\u00e7\u00e3o se desenvolveu ao longo de d\u00e9cadas, o que n\u00e3o ocorreu no exemplo chin\u00eas: apenas 10% da China eram urbanizadas em 1950.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia da urbaniza\u00e7\u00e3o tanto nas cidades chinesas quanto nas latino-americanas apresenta vertentes similares. \u201cQuando as pessoas se mudam de \u00e1reas rurais para as cidades, geralmente v\u00e3o por raz\u00f5es econ\u00f4micas e em busca de oportunidades\u201d, comenta ele.<\/p>\n<p>\u201cAs cidades desempenham um papel de atra\u00e7\u00e3o, como um ponto central de oferta de trabalho e que podem combinar fatores para o crescimento econ\u00f4mico, como capital humano, qualifica\u00e7\u00e3o e um ecossistema empresarial\u201d, analisa Parilla.<\/p>\n<p>Para o soci\u00f3logo e dem\u00f3grafo George Martine, senior fellow no Centro de Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, o fen\u00f4meno da \u201cfaveliza\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 conjunto de habita\u00e7\u00f5es populares precariamente constru\u00eddas em locais ocupados ilegalmente &#8211; \u00e9 bastante caracter\u00edstico da regi\u00e3o latino-americana, onde a transi\u00e7\u00e3o urbana foi precoce em rela\u00e7\u00e3o aos outros pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cO que se t\u00eam s\u00e3o cidades mal planejadas, mal organizadas e sem perspectiva que mudem no futuro. O mercado de terra nas cidades brasileiras, por exemplo, impede que o maior contingente populacional entre no mercado formal por ser caro demais. As fam\u00edlias mais pobres e sem recursos n\u00e3o t\u00eam acesso ao mercado formal imobili\u00e1rio, ent\u00e3o ocupam \u00e1reas desvalorizadas e informais\u201d, diz Martine, que foi coordenador t\u00e9cnico do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) para a regi\u00e3o entre 1998 e 2004.<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, segundo sua an\u00e1lise, \u00e9 que se deu esse car\u00e1ter de urbaniza\u00e7\u00e3o no Brasil, um problema que persiste at\u00e9 hoje: a desorganiza\u00e7\u00e3o do uso do espa\u00e7o que afeta tamb\u00e9m a infraestrutura e o transporte. Algo que a China ainda est\u00e1 em tempo de evitar, acredita o dem\u00f3grafo, que foi pesquisador da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para Am\u00e9rica Latina e Caribe (CEPAL).<\/p>\n<p>Hoje em dia, o Brasil j\u00e1 estabilizou a equa\u00e7\u00e3o entre migrantes do campo para a cidade. Neste pa\u00eds emergente n\u00e3o \u00e9 mais o \u00eaxodo rural que faz as cidades crescerem e, sim, o crescimento vegetativo nas pr\u00f3prias cidades \u2013 fam\u00edlias urbanas que se reproduzem, comenta o soci\u00f3logo. Parilla, por sua vez, destaca ainda a falta de saneamento e a car\u00eancia de infraestrutura nas aglomera\u00e7\u00f5es urbanas sem planejamento p\u00fablico que s\u00e3o problemas significativos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 nos \u00faltimos 35 anos, as <a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/article\/show\/single\/en\/8131-Air-quality-in-smog-hotspots-improves-after-Chinese-mayors-are-summoned-to-Beijing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cidades chinesas<\/a> foram destino para mais de 560 milh\u00f5es de habitantes oriundos do campo \u2013 um volume de pessoas que equivale \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, indicou o recente informe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).<\/p>\n<p>Investimentos de grande vulto d\u00e3o o tom das cidades chinesas, especialmente em obras de transporte e an\u00e9is rodovi\u00e1rios. Pequim j\u00e1 vive um \u201cpesadelo no congestionamento\u201d, e seria muito pior se n\u00e3o houvesse tais investimentos de grande escala no transporte de massa, diz Parilla.<\/p>\n<p>O \u201csonho chin\u00eas\u201d \u2013 anunciado por Xi Jinping quando ascendeu ao poder em 2013 \u2013 passaria pelas cidades, assim como o ocorrido na Am\u00e9rica Latina ao longo do s\u00e9culo 20. Contudo, no caso chin\u00eas, o ritmo est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/article\/show\/single\/en\/8115-Cars-a-threat-to-China-s-2-3-CO2-peak\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">excedendo<\/a> a velocidade da urbaniza\u00e7\u00e3o ocorrida na regi\u00e3o latino-americana.<\/p>\n<p>\u201cO futuro de qualquer economia no mundo est\u00e1 nas cidades. \u00c9 l\u00e1 onde se concentra a maior quantidade de servi\u00e7os, oportunidades, recursos, c\u00e9rebros e inova\u00e7\u00f5es. E, na China, n\u00e3o \u00e9 diferente\u201d, lembra Parilla.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es do Banco Mundial indicam que, em 2030, as cidades chinesas acolher\u00e3o uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de um bilh\u00e3o de pessoas, isto \u00e9, 70% dos chineses ser\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/blog\/7664--New-measures-needed-to-take-China-s-cars-off-the-roads\/en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">urbanos<\/a>. Enquanto isso, o pa\u00eds caminha a passos largos e apressados.<\/p>\n<p>A China levou tr\u00eas d\u00e9cadas para saltar de uma propor\u00e7\u00e3o de 20% de urbaniza\u00e7\u00e3o para os atuais patamares de 54%. Em apenas 20 anos, 350 milh\u00f5es de pessoas a mais estar\u00e3o circulando e vivendo nas cidades chinesas \u2013 mais do que toda a popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, 318 milh\u00f5es em 2014, de acordo com o censo oficial.<\/p>\n<p>Quando o pa\u00eds asi\u00e1tico fechar o primeiro quarto do s\u00e9culo 21, ou seja, em 2025, mais de 220 <a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/blog\/7829-Cars-the-main-culprit-for-Beijing-s-smog-govt-figures\/en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cidades chinesas<\/a> ter\u00e3o uma popula\u00e7\u00e3o de mais de um milh\u00e3o de habitantes e outras duas dezenas de cidades com mais de cinco milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Crescimento sustent\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do pesquisador do Brookings, al\u00e9m do sistema migrat\u00f3rio, a <a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/blog\/7695-One-year-on-after-war-declared-on-pollution-Beijing-air-scarcely-improves\/en\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">polui\u00e7\u00e3o<\/a> \u00e9 outro evidente desafio para a China do s\u00e9culo 21. \u201cNa hist\u00f3ria mundial, nunca tanta gente viveu t\u00e3o concentrada como agora na China. No in\u00edcio, o pa\u00eds n\u00e3o se preocupou com a sustentabilidade ambiental em sua trajet\u00f3ria de crescimento, nas d\u00e9cadas de 80 e 90. Apenas se reconhecia que crescer economicamente implicava gerar consequ\u00eancias ambientais\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Agora, este pensamento parece ter <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/plano-climatico-chines-preve-corte-de-60-65-em-intensidade-de-carbono\/?lang=pt-pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mudado<\/a>. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel notar que as consequ\u00eancias e <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/analistas-reagem-ao-plano-climatico-nacional-da-china\/?lang=pt-pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">danos ambientais<\/a> passaram a inibir o crescimento da economia, pondera. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o consegue respirar em Pequim, isso vai impedir que voc\u00ea v\u00e1 ao trabalho e dificultar\u00e1 a sua contribui\u00e7\u00e3o para a economia. Se as cidades chinesas querem ser atrativas para neg\u00f3cios, v\u00e3o ter que levar em conta a vertente ambiental\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Perguntado se \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar um crescimento sustent\u00e1vel para as cidades chinesas, George Martine \u00e9 categ\u00f3rico: o problema \u00e9 o modelo de civiliza\u00e7\u00e3o. \u201cSomos part\u00edcipes e convencidos de que o consumo nos faz felizes. Este \u00e9 o sistema que governa o mundo, especialmente desde a d\u00e9cada de 90 quando o neoliberalismo se espalhou. \u00c9 uma engrenagem em que o consumo move a economia\u201d. Seu veredito: <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/e-possivel-descarbonizar-a-economia-chinesa\/?lang=pt-pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 poss\u00edvel<\/a> sim haver grandes e populosas cidades sustent\u00e1veis sem fugir do ponto vista ambiental e social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda d\u00e1 tempo de evitar os erros da migra\u00e7\u00e3o do campo para cidade<\/p>\n","protected":false},"author":40000225,"featured_media":50003207,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_has_post_settings":[],"footnotes":""},"categories":[18150],"tags":[],"hashtags":[],"country":[],"class_list":["post-50003206","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nao-categorizado"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O que a China pode aprender com a Am\u00e9rica Latina? 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