{"id":50008045,"date":"2016-12-13T12:19:38","date_gmt":"2016-12-13T12:19:38","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=8045&#038;lang=pt-pt"},"modified":"2023-05-09T09:45:40","modified_gmt":"2023-05-09T08:45:40","slug":"8058-a-argentina-diminui-subsidios-para-reduzir-o-deficit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/energia\/8058-a-argentina-diminui-subsidios-para-reduzir-o-deficit\/","title":{"rendered":"A Argentina diminui subs\u00eddios para reduzir o d\u00e9ficit"},"content":{"rendered":"<p>Depois de diminuir significativamente os subs\u00eddios energ\u00e9ticos dos usu\u00e1rios residenciais, o governo de Maur\u00edcio Macri se disp\u00f5e a reduzir os milion\u00e1rios desembolsos destinados ao setor de hidrocarbonetos na Argentina, muito beneficiado, desde o ano passado, pela decis\u00e3o de manter um pre\u00e7o subvencionado do petr\u00f3leo no mercado interno.<\/p>\n<p>O barril do petr\u00f3leo custa, no pa\u00eds, aproximadamente US$ 58, enquanto o pre\u00e7o m\u00e9dio de mercado, para o ano, est\u00e1 calculado em US$ 47. A causa dessa diferen\u00e7a foi uma decis\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o da ex-presidente Cristina Kirchner de manter um pre\u00e7o diferencial, para n\u00e3o afetar o emprego, diante da queda global do valor do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A medida significou uma transfer\u00eancia de U$ 5 bilh\u00f5es dos consumidores ao setor em 2015 e poderia representar perto de U$ 3,5 bilh\u00f5es este ano. Mais de 40% cabe \u00e0s empresas petroleiras, 12% s\u00e3o destinados \u00e0s prov\u00edncias petroleiras na forma de vantagens e o resto \u00e9 direcionado \u00e0 cadeia de valor, como melhores sal\u00e1rios e melhores pre\u00e7os aos fornecedores.<\/p>\n<p>\u201cA Argentina garante \u00e0s empresas um valor superior ao pre\u00e7o no momento da extra\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o que recebem as mesmas empresas no resto do mundo. N\u00e3o existe uma justificativa econ\u00f4mica nem ambiental. \u00c9 um incentivo a seguir investindo em extrair petr\u00f3leo, quando o caminho \u00e9 o desenvolvimento de energias renov\u00e1veis\u201d, afirmou ao&nbsp;<em>Di\u00e1logo Chino<\/em>&nbsp;Mart\u00edn Prieto, diretor da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/argentina\/es\/\">Greenpeace Argentina<\/a>.<\/p>\n<p>A press\u00e3o dos governadores para manter os benef\u00edcios petroleiros levou Macri a continuar com o pre\u00e7o subvencionado durante o primeiro ano de sua gest\u00e3o. Entretanto, a perda de competitividade em diversas ind\u00fastrias, ao pagar o combust\u00edvel mais alto da Am\u00e9rica Latina, aliado ao d\u00e9ficit no aumento, for\u00e7aram o governo a voltar \u00e0 cotiza\u00e7\u00e3o internacional do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A elimina\u00e7\u00e3o do subs\u00eddio, que poderia come\u00e7ar este m\u00eas, foi virtualmente confirmada pela empresa canadense Madalena Energy, que opera na Argentina com quatro plantas. A companhia informou que o pre\u00e7o do petr\u00f3leo ser\u00e1 reduzido em 30%, assegurando ter recebido essa informa\u00e7\u00e3o das refinarias para as quais entrega o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cOs produtores de petr\u00f3leo receberam uma notifica\u00e7\u00e3o das refinarias informando que, a partir desse m\u00eas, o pagamento do petr\u00f3leo come\u00e7aria a ser realizado com base no pre\u00e7o internacional de mercado. Os sindicatos e as prov\u00edncias est\u00e3o pressionando para que isso n\u00e3o ocorra, por\u00e9m todos sabemos que, certamente, os subs\u00eddios t\u00eam que acabar\u201d, relatou ao&nbsp;<em>Di\u00e1logo Chino<\/em>&nbsp;David Tawil, criador do fundo de investimento&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.maglan.com\/cgi-bin\/index.pl\">Maglan Capital<\/a>, que \u00e9 propriet\u00e1rio de 17% da Madalena.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o da petroleira tamb\u00e9m foi confirmada por fontes do governo, que garantiram que acontecem negocia\u00e7\u00f5es entre os sindicatos, empresas produtoras e prov\u00edncias petroleiras para a elimina\u00e7\u00e3o do subs\u00eddio, algo com que concordaram tamb\u00e9m especialistas em energia pr\u00f3ximos \u00e0 administra\u00e7\u00e3o de Macri.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica do Minist\u00e9rio de Energia \u00e9 ir abandonando gradativamente o esquema de subs\u00eddios. \u00c9 uma tarefa complicada, mas o objetivo \u00e9 chegar ao pre\u00e7o internacional. Os pre\u00e7os atuais distorcem artificialmente a competitividade da energia renov\u00e1vel. O objetivo a longo prazo tem que ser abandonar os combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, declarou ao&nbsp;<em>Di\u00e1logo Chino<\/em>&nbsp;Gerardo Rabinovich, diretor do&nbsp;<a href=\"http:\/\/web.iae.org.ar\/\">Instituto de Energia Geral Mosconi<\/a>.<\/p>\n<p>A Argentina possui uma das jazidas de hidrocarbonetos mais importantes do mundo, conhecida como Vaca Muerta, onde as maiores empresas petroleiras, em n\u00edvel global, j\u00e1 investiram. Entretanto, e apesar do pre\u00e7o subvencionado, a queda do pre\u00e7o internacional de petr\u00f3leo levou a uma significativa redu\u00e7\u00e3o da atividade na \u00e1rea e a suspens\u00f5es e demiss\u00f5es.<\/p>\n<h2>Primeiros passos<\/h2>\n<p>A poss\u00edvel decis\u00e3o de abandonar o pre\u00e7o subvencionado do petr\u00f3leo chega ap\u00f3s uma similar redu\u00e7\u00e3o aos subs\u00eddios do g\u00e1s natural e da eletricidade, no princ\u00edpio do ano, na Argentina. A medida foi uma das primeiras tomadas pelo governo Macri, depois de mais de 10 anos sem uma atualiza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos servi\u00e7os p\u00fablicos, em Buenos Aires.<\/p>\n<p>\u201cO aumento das tarifas, na Argentina, torna tentador o investimento em energia renov\u00e1vel e \u00e9 um convite \u00e0 poupan\u00e7a energ\u00e9tica. Do ponto de vista ambiental, era algo necess\u00e1rio. A Argentina gerou um convite ao desperd\u00edcio de energia. N\u00e3o houve est\u00edmulos para o consumo racional de energia\u201d, sustentou Prieto.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o das administra\u00e7\u00f5es anteriores de n\u00e3o subir os pre\u00e7os teve como consequ\u00eancia um aumento extraordin\u00e1rio dos subs\u00eddios energ\u00e9ticos, que passaram a representar 0,2% do PBI, em 2004, a 2.9% em 2014, totalizando nesse per\u00edodo 342 milh\u00f5es de pesos, de acordo com um relat\u00f3rio da Associa\u00e7\u00e3o Argentina de Or\u00e7amento e Administra\u00e7\u00e3o Financeira P\u00fablica (<a href=\"http:\/\/www.asap.org.ar\/\">ASAP<\/a>).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esse n\u00e3o foi o \u00fanico problema. O congelamento tarif\u00e1rio levou as empresas distribuidoras de energia a n\u00e3o investir o necess\u00e1rio por falta de liquidez, causando frequentes cortes de luz no ver\u00e3o e no inverno. Ao mesmo tempo, o objetivo dos subs\u00eddios, de beneficiar as classes mais baixas, n\u00e3o se concretizou, pois 80% ficaram concentrados nos setores de maiores rendimentos, tamb\u00e9m de acordo com a ASAP.<\/p>\n<p>\u201cOs subs\u00eddios \u00e0 energia se transformaram no segundo maior gasto do estado, o que explica grande parte do d\u00e9ficit da Argentina. O estado gasta mais em subs\u00eddios \u00e0 energia que em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o juntas. Al\u00e9m disso, est\u00e3o mal distribu\u00eddos. Os 20% mais ricos recebem quatro vezes mais subs\u00eddios. N\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 raz\u00e3o que justifique os subs\u00eddios \u00e0 energia\u201d, assegurou ao&nbsp;<em>Di\u00e1logo Chino<\/em>&nbsp;Rafael Flores, presidente da ASAP.<\/p>\n<p>N\u00e3o eliminando totalmente os subs\u00eddios, mas somente reduzindo-os, este ano se encaminha para terminar, de novo, com um aumento do d\u00e9ficit. Em outubro, os subs\u00eddios do setor energ\u00e9tico registraram um aumento de 96% e totalizaram 14,6 milh\u00f5es de pesos. De janeiro at\u00e9 hoje, cresceram 10% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2015 e chegaram aos 133 bilh\u00f5es de pesos.<\/p>\n<h2>Energia verde<\/h2>\n<p>Os subs\u00eddios ao petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e eletricidade na Argentina acontecem ao mesmo tempo em que o pa\u00eds aposta em desenvolver energia renov\u00e1vel, ap\u00f3s deixar de lado, por muitos anos, o setor, apesar do grande potencial que possui. Hoje 87% da matriz energ\u00e9tica da Argentina s\u00e3o baseados em hidrocarbonetos, com somente 1.8% correspondem \u00e0s energias limpas.<\/p>\n<p>\u201cTer pre\u00e7os subsidiados dos combust\u00edveis f\u00f3sseis distorce artificialmente a competitividade da energia renov\u00e1vel, que \u00e9 tamb\u00e9m pass\u00edvel de incentivos e subs\u00eddios de todo tipo, para ficar alinhada com os f\u00f3sseis. O objetivo estrat\u00e9gico, a longo prazo, para o setor energ\u00e9tico, tem que deixar de lado os f\u00f3sseis e dar maior import\u00e2ncia \u00e0s renov\u00e1veis\u201d, afirmou Rabinovich.<\/p>\n<p>A Argentina dever\u00e1 contar, em 2017, com 8% de suas gera\u00e7\u00f5es el\u00e9trica baseada em vento, sol ou pequenas centrais hidroel\u00e9tricas, entre outras fontes, segundo uma recente lei aprovada pelo Congresso. A normativa tamb\u00e9m regulamenta que, em 2020, esse percentual chegue aos 20%.<\/p>\n<p>J\u00e1 se trabalha nessa dire\u00e7\u00e3o, ao licitar 17 projetos com um total de 1.109MW, dos quais 12 s\u00e3o de tecnologia e\u00f3lica, quatro de solar fotovoltaica e uma de biog\u00e1s, que exigir\u00e3o um investimento de US$ 1,8 bilh\u00e3o. Essa primeira licita\u00e7\u00e3o ser\u00e1 seguida, em breve, de outros 600MW, em fun\u00e7\u00e3o do grande interesse demonstrado pelo setor empresarial.<\/p>\n<p>\u201cA Argentina se transformou em um lugar de enorme atra\u00e7\u00e3o para os investidores em energia renov\u00e1vel. O assunto se tornou pol\u00edtica de estado. A metade dos megawatts que ser\u00e3o licitados nos pr\u00f3ximos anos vai ser de energia limpa. A diversifica\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica \u00e9 o grande desafio do pa\u00eds\u201d, disse Juan Bosch, presidente de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.saenergia.com.ar\/\">SAESA<\/a>, empresa dedicada \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de energia, ao&nbsp;<em>Di\u00e1logo Chino<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 10 anos de pre\u00e7os congelados, houve aumento de eletricidade e 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