{"id":50009140,"date":"2017-06-13T21:02:30","date_gmt":"2017-06-13T20:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=9140"},"modified":"2023-05-12T09:35:25","modified_gmt":"2023-05-12T08:35:25","slug":"9101-por-que-o-brasil-nao-tem-industria-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/energia\/9101-por-que-o-brasil-nao-tem-industria-solar\/","title":{"rendered":"Por que o Brasil n\u00e3o tem ind\u00fastria solar?"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li><em>Essa \u00e9 a primeira parte de uma s\u00e9rie especial examinando o setor de energia solar do Brasil<\/em><\/li>\n<li><em>A segunda parte discute o que o Brasil pode aprender com o sucesso da ind\u00fastria de energia solar da China<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Interesses particulares, protecionismo e falta de empreendedorismo est\u00e3o sufocando o desenvolvimento da ind\u00fastria de energia solar no Brasil, um pa\u00eds com enorme potencial de gerar energia a partir de fontes alternativas ao petr\u00f3leo e \u00e0s mega-hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 muito atr\u00e1s da China e da \u00cdndia, tamb\u00e9m economias emergentes, no que diz respeito ao desenvolvimento de alternativas como a energia e\u00f3lica e a solar. A concess\u00e3o de grandes contratos com licita\u00e7\u00f5es corrompidas na Petrobras, revelada pela vasta opera\u00e7\u00e3o anticorrup\u00e7\u00e3o mais conhecida como&nbsp;<a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/corrupcao-e-crise-abrem-caminho-para-china-na-america-latina\/?lang=pt-pt\">Lava Jato<\/a>, revelou um setor de energia vulner\u00e1vel \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, ref\u00e9m de interesses pol\u00edticos de curto prazo e pouco afeito a investir em novas tecnologias.<\/p>\n<p>As r\u00edgidas leis brasileiras sobre o uso de conte\u00fado fabricado no pa\u00eds tamb\u00e9m n\u00e3o ajudam. Em \u00e1reas como a tecnologia solar, os produtos brasileiros n\u00e3o s\u00e3o competitivos mundialmente, o que significa poucas vendas internacionais e pouco uso de tecnologia solar importada dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Brasil adota duas abordagens distintas para a gera\u00e7\u00e3o de energia solar. Na primeira, conhecida como gera\u00e7\u00e3o centralizada, a energia solar gerada em grande escala compete com outros tipos de gera\u00e7\u00e3o nos leil\u00f5es de energia promovidos pelo governo. Na outra abordagem, conhecida como gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda, as empresas negociam diretamente com os consumidores para a instala\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares em suas propriedades, os quais s\u00e3o essencialmente arrendados. A energia excedente \u00e9 vendida para o sistema el\u00e9trico. No entanto, a recess\u00e3o que assola o Brasil reduziu a viabilidade desta segunda op\u00e7\u00e3o, por ter causado uma redu\u00e7\u00e3o da demanda.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os da energia renov\u00e1vel est\u00e3o caindo rapidamente no mundo todo, aproximando-se cada vez mais do custo das tecnologias f\u00f3sseis. Se a demanda se recuperar no Brasil, a energia solar barata poder\u00e1 atrair consumidores tentando fugir dos altos pre\u00e7os. Al\u00e9m disso, a microgera\u00e7\u00e3o est\u00e1 come\u00e7ando a ser adotada em maior escala, ainda que por uma base menor. Isso tamb\u00e9m reduz os&nbsp;<a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/transmissao-de-energia-de-belo-monte-retira-vegetacao-nativa-no-brasil\/?lang=pt-pt\">desafios log\u00edsticos e ambientais<\/a>&nbsp;da transmiss\u00e3o de eletricidade por um pa\u00eds com as dimens\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>Um dos principais fatores que atravancam a ado\u00e7\u00e3o de fontes alternativas de energia no Brasil \u00e9 a Petrobras, de acordo com Carlos Rittl, diretor do Observat\u00f3rio do Clima. Desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1953, a empresa tem promovido a extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis e se demonstrado pouco disposta a mudar de rumo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s&nbsp;<a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/invasao-chinesa-no-brasil\/?lang=pt-pt\">energias renov\u00e1veis<\/a>, apesar de ser identificada em seu estatuto social como companhia energ\u00e9tica, e n\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s. A descoberta de imensos dep\u00f3sitos de petr\u00f3leo na camada pr\u00e9-sal da costa do Rio de Janeiro em 2008 serviu apenas para refor\u00e7ar esta vis\u00e3o, disse Rittl ao Di\u00e1logo Chino.<\/p>\n<p>Mas os brasileiros est\u00e3o percebendo, ainda que lentamente, que o potencial de energia solar de qualquer uma das regi\u00f5es do pa\u00eds \u00e9 aproximadamente o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.lepten.ufsc.br\/publicacoes\/solar\/eventos\/2007\/ISES\/martins_enio.pdf\">dobro<\/a>&nbsp;da de um pa\u00eds como a Alemanha, que j\u00e1 instalou uma capacidade solar significativa. Al\u00e9m disso, est\u00e1 ficando claro que o Brasil precisar\u00e1 reformar a sua matriz energ\u00e9tica \u2013 hoje fortemente dependente de hidrel\u00e9tricas e termel\u00e9tricas \u2013 se quiser cumprir seus compromissos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es perante o acordo clim\u00e1tico de Paris.<\/p>\n<h2>Obsess\u00e3o por hidrel\u00e9tricas<\/h2>\n<p>Apesar de seus impactos sobre os rios e as comunidades rurais, al\u00e9m de sua suscetibilidade \u00e0s secas, a energia&nbsp;<a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/china-agora-e-protagonista-no-setor-eletrico-brasileiro\/?lang=pt-pt\">hidrel\u00e9trica<\/a>&nbsp;\u00e9 amplamente percebida pela opini\u00e3o p\u00fablica brasileira como fonte vital e confi\u00e1vel. Nos \u00faltimos anos, o Brasil conseguiu gerar&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.irena.org\/DocumentDownloads\/Publications\/IRENA_RE_Latin_America_Policies_2015_Country_Brazil.pdf\">at\u00e9 80%<\/a>&nbsp;de sua eletricidade a partir das hidrel\u00e9tricas, por\u00e9m o futuro do setor \u00e9 incerto. Com a falta de confiabilidade das chuvas, os conflitos sobre os impactos ambientais e o deslocamento for\u00e7ado de comunidades ind\u00edgenas, sem contar a paralisa\u00e7\u00e3o de projetos pela Lava Jato, grandes empreitadas como Belo Monte e&nbsp;<a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/usina-de-tapajos-tem-licenciamento-suspenso\/?lang=pt-pt\">S\u00e3o Lu\u00eds do Tapaj\u00f3s<\/a>est\u00e3o amea\u00e7adas. De acordo com estimativas, 230gigawatts (GW) de um potencial estimado de 300GW continuam inexplorados no Brasil.<\/p>\n<p>Mas a crise das hidrel\u00e9tricas no Brasil poder\u00e1 ser um novo come\u00e7o para a ind\u00fastria fotovoltaica. Assim como o da energia e\u00f3lica, o custo da energia solar dever\u00e1 cair pela metade nos pr\u00f3ximos oito anos, de acordo com estimativas da Ag\u00eancia Internacional para as Energias Renov\u00e1veis (IRENA, na sigla em ingl\u00eas), do valor atual de US$130 por megawatt\/hora (MWh) para US$60\/MWh em 2025. Alguns contratos j\u00e1 foram negociados com base em um pre\u00e7o de US$50\/MWh \u2013 ou at\u00e9 menos.<\/p>\n<p>De acordo com o analista do clima Delcio Rodrigues, a energia solar ganhou um incentivo mais recentemente, por conta da combina\u00e7\u00e3o de baixo pre\u00e7o dos pain\u00e9is solares e altos pre\u00e7os cobrados dos consumidores pela energia el\u00e9trica. \u201cOs pain\u00e9is solares se tornaram uma commodity\u201d, diz ele prosseguindo: \u201cNa d\u00e9cada de 1990, o pre\u00e7o da energia solar por MWh era igual ao pre\u00e7o da energia gerada por usinas nucleares, representando uma op\u00e7\u00e3o pouco atraente para potenciais investidores\u201d.<\/p>\n<p>\u201cHoje, o pre\u00e7o da energia solar \u00e9 um quinto do que era ent\u00e3o [nos anos 1990]. Isso \u00e9 resultado de investimentos em grande escala feitos por diversos pa\u00edses, como Alemanha, Estados Unidos, Jap\u00e3o e China\u201d, afirma Rodrigues acrescentando que o mundo est\u00e1 dando uma \u201cguinada\u201d em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia solar e e\u00f3lica. Ele atribui a falta de investimento em energia solar \u00e0 \u201ccultura\u201d de constru\u00e7\u00e3o de barragens e a tend\u00eancia, entre grandes empreiteiras, de construir barragens hidrel\u00e9tricas menores e menos produtivas.<\/p>\n<p>Rittl concorda que a situa\u00e7\u00e3o pode estar prestes a mudar, pois as&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.petrobras.com.br\/pt\/nossas-atividades\/tecnologia-e-inovacao\/agregacao-de-valor-e-diversificacao-dos-produtos\/\">comunica\u00e7\u00f5es<\/a>&nbsp;mais recentes da Petrobras reconhecem que as fontes renov\u00e1veis s\u00e3o a energia do futuro. Mas ainda h\u00e1 um longo caminho a trilhar. Atualmente, existem menos de 10.000 pain\u00e9is solares nos telhados de casas, pr\u00e9dios comerciais e reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Brasil. Em Bangladesh, pa\u00eds com muito menos habitantes e um territ\u00f3rio mais de 50 vezes menor que o do Brasil, existe cerca de 1,5 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Rodrigues argumenta que as empresas nacionais t\u00eam se mostrado incapazes de inovar. No Brasil, a ind\u00fastria da energia solar pode ser comparada com a automobil\u00edstica, que n\u00e3o conta com nenhuma montadora 100% nacional e, ao inv\u00e9s disso, recebe fabricantes internacionais.<\/p>\n<p>\u201cDe maneira geral, o Brasil nunca teve uma base [industrial] inovadora\u201d, ele diz, citando a Embraer, fabricante de aeronaves de pequeno porte, como uma das poucas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De acordo com Rodrigues, essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada por oficiais do governo, que declaram que a energia solar n\u00e3o poder\u00e1 substituir a gera\u00e7\u00e3o em grande escala, ou que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma transi\u00e7\u00e3o para outras fontes de energia que n\u00e3o as atuais. \u201cEles nunca arriscaram apostar na energia solar da mesma forma que arriscaram apostar na Embraer\u201d, comenta.<\/p>\n<p>De acordo com o \u00faltimo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.mme.gov.br\/documents\/10584\/3580498\/07+-+Eletricidade+no+Plano+Decenal+de+Expans%C3%A3o+de+Energia+%28PDE+2024%29+%28PDF%29\/52f7a77e-eeee-4e02-a7a0-0e151e34794e;jsessionid=2EBE6D91BDAE42825F5BF49538DFBAEC.srv154\">plano decenal<\/a>&nbsp;de expans\u00e3o de energia (PDE 2024) do governo federal brasileiro, a capacidade instalada solar chegar\u00e1 a 11,5 GW at\u00e9 2024, gra\u00e7as a investimentos projetados de cerca de R$62 bilh\u00f5es (cerca de US$20 bilh\u00f5es). Mesmo assim, por volta de 70% do total investido ainda se destinar\u00e1 aos setores de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Atualmente, a capacidade total instalada de energia solar no Brasil \u00e9 de 850 MW por ano.<\/p>\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"brazil_renewables_investment_since_2006_pt\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Brazil renewables investment since 2006 [PT]\"><\/div>\n<p><script>!function(e,t,s,i){var n=\"InfogramEmbeds\",o=e.getElementsByTagName(\"script\")[0],d=\/^http:\/.test(e.location)?\"http:\":\"https:\";if(\/^\\\/{2}\/.test(i)&&(i=d+i),window[n]&&window[n].initialized)window[n].process&&window[n].process();else if(!e.getElementById(s)){var r=e.createElement(\"script\");r.async=1,r.id=s,r.src=i,o.parentNode.insertBefore(r,o)}}(document,0,\"infogram-async\",\"https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\");<\/script><\/p>\n<div style=\"padding: 8px 0; font-family: Arial!important; font-size: 13px!important; line-height: 15px!important; text-align: center; border-top: 1px solid #dadada; margin: 0 30px;\"><a style=\"color: #989898!important; text-decoration: none!important;\" href=\"https:\/\/infogram.com\/brazil_renewables_investment_since_2006_pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brazil renewables investment since 2006 [PT]<\/a><br \/>\n<a style=\"color: #989898!important; text-decoration: none!important;\" href=\"https:\/\/infogram.com\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Infogram<\/a><\/div>\n<h2>Cr\u00e9dito por conte\u00fado local<\/h2>\n<p>Durante o governo da presidente cassada Dilma Rousseff, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) estabeleceu uma pol\u00edtica de concess\u00e3o de financiamento para projetos de infraestrutura, com juros baixos. De acordo com essa pol\u00edtica, que ainda est\u00e1 em vigor, os projetos de gera\u00e7\u00e3o de energia solar em grande escala somente podem receber financiamento do BNDES se utilizarem uma porcentagem m\u00ednima de componentes fabricados no Brasil.<\/p>\n<p>De acordo com a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.irena.org\/DocumentDownloads\/Publications\/IRENA_RE_Latin_America_Policies_2015_Country_Brazil.pdf\">IRENA<\/a>, os requisitos de conte\u00fado local est\u00e3o mudando \u2013 de uma abordagem quantitativa (exigindo 60% de conte\u00fado local) para uma qualitativa \u2013, sendo que o acesso ao financiamento depender\u00e1 de quais elementos s\u00e3o locais e quais precisam ser importados.<\/p>\n<p>A medida do BNDES replica uma pol\u00edtica rec\u00e9m-adotada para projetos de energia e\u00f3lica, que permitiu o estabelecimento de uma cadeia de suprimentos mais s\u00f3lida. A regra do conte\u00fado local exige que as empresas se registrem junto ao BNDES, que avalia se seus fornecedores cumprem os crit\u00e9rios de origem dos componentes. Atualmente, 19 fabricantes de inversores e pain\u00e9is fotovoltaicos j\u00e1 receberam a chancela do banco. Ao todo, eles t\u00eam uma capacidade de gera\u00e7\u00e3o de 300 MW\/ano. Isso \u00e9 cerca de um ter\u00e7o do total instalado no pa\u00eds. Sendo assim, \u00e9 muito prov\u00e1vel que algumas empresas que produzem componentes no Brasil n\u00e3o obtiveram a certifica\u00e7\u00e3o do BNDES.<\/p>\n<p>Uma das principais&nbsp;<em>players<\/em>&nbsp;no Brasil \u00e9 a Canadian Solar, que tamb\u00e9m \u00e9 operadora de \u00e1reas geradoras de energia solar. A empresa deve inaugurar uma f\u00e1brica este ano no munic\u00edpio de Sorocaba, estado de S\u00e3o Paulo, em parceria com a americana Flextronics. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 produzir componentes para suprir seus pr\u00f3prios projetos. Outra empresa de destaque nessa \u00e1rea \u00e9 a SunEdison, cujos projetos somam quase 200 MW. A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/articles\/2017-03-27\/brookfield-finds-solar-entry-point-after-sunedison-s-collapse\">compra<\/a>&nbsp;da SunEdison pela Canadian Brookfield Asset Management, propriet\u00e1ria de cerca de 217 hidrel\u00e9tricas ao redor do mundo, deve aumentar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o da empresa. H\u00e1 tamb\u00e9m a chinesa BYD, mais conhecida no Brasil por seus \u00f4nibus el\u00e9tricos, que tamb\u00e9m abriu uma f\u00e1brica de unidades fotovoltaicas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>As regras de conte\u00fado local significam que, muitas vezes, importar componentes de fora do pa\u00eds sai mais barato para as distribuidoras de energia, mesmo perdendo o direito ao cr\u00e9dito do BNDES. Sem nenhuma garantia governamental de apoio ao mercado de energia solar, a distribuidora de energia italiana Enel, por exemplo, contratou as empresas chinesas JA Solar e Jinko para fornecerem os pain\u00e9is para suas usinas comissionadas no Brasil em 2014 e 2015.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito estadual, os governos est\u00e3o buscando investimentos para novos empreendimentos de energia solar, tendo em vista estimular a cria\u00e7\u00e3o de empregos e a atividade econ\u00f4mica. O Rio Grande do Norte, por exemplo, enviou uma delega\u00e7\u00e3o \u00e0 China em fevereiro para tentar atrair empresas chinesas, mais especificamente a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.chint.net\/en\/\">Chint Electric<\/a>, para a constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica no estado.<\/p>\n<p>No Amazonas, na regi\u00e3o norte do pa\u00eds, as empresas recebem incentivos fiscais para produzirem dentro do estado. A Zona Franca de Manaus j\u00e1 recebeu pedidos de informa\u00e7\u00e3o de empresas chinesas, cujos nomes n\u00e3o foram divulgados. O Piau\u00ed, um dos estados mais pobres do Brasil, tamb\u00e9m est\u00e1 tentando atrair mais investimentos, especialmente para a regi\u00e3o divulgada como \u201cVale do Sil\u00edcio do Piau\u00ed\u201d, focada em empresas de tecnologia e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Dois caminhos<\/h2>\n<p>A&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.reuters.com\/article\/us-brazil-economy-gdp-idUSKBN16E1EL\">recess\u00e3o<\/a>&nbsp;brasileira tamb\u00e9m causou uma desacelera\u00e7\u00e3o significativa do desenvolvimento da ind\u00fastria fotovoltaica. Com a queda na atividade industrial, o aumento do desemprego e a consequente redu\u00e7\u00e3o no consumo de eletricidade, as empresas brasileiras suspenderam seus planos de constru\u00e7\u00e3o de novas f\u00e1bricas at\u00e9 que a demanda se recupere.<\/p>\n<p>O excedente de energia el\u00e9trica, combinado com as mudan\u00e7as negativas nas condi\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas e de financiamento, levaram o governo a promover o que est\u00e1 sendo chamado de \u201cleil\u00f5es de descontrata\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 onde as empresas pagam uma taxa para rescindir contratos de gera\u00e7\u00e3o solar e e\u00f3lica e cancelar projetos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, entre 2014 e 2015, o governo leiloou 1.722MW de energia solar. De acordo com Rodrigo Sauaia, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), apesar das descontrata\u00e7\u00f5es, isso se deu porque o governo precisar\u00e1 celebrar contratos para novas usinas geradoras de energia de reserva, que fornecer\u00e3o eletricidade em caso de desabastecimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Delcio Rodrigues afirma que a energia solar est\u00e1 encabe\u00e7ando uma revolu\u00e7\u00e3o no mercado de energia, por meio da gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda. Em mar\u00e7o, o pa\u00eds contava com 8.931 sistemas microgeradores conectados ao sistema el\u00e9trico. Eles representam os primeiros 100MW de capacidade instalada de sistemas de mini e microgera\u00e7\u00e3o. As placas fotovoltaicas representam a grande maioria, 8.832 sistemas, de acordo com dados da entidade reguladora, a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel). No Brasil, sistemas com capacidade instalada de at\u00e9 75kilowatts (kW) s\u00e3o classificados como microgeradores. As centrais minigeradoras s\u00e3o aquelas com capacidade entre 75kW e 5MW. J\u00e1 no caso das hidrel\u00e9tricas, as que geram 3MW s\u00e3o classificadas como pequenas centrais hidrel\u00e9tricas (PCHs).<\/p>\n<p>Considerando apenas os pain\u00e9is instalados em propriedades residenciais, uma pesquisa da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), respons\u00e1vel pelo planejamento de energia no Brasil, revelou que a gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda tem um potencial de fornecimento de 164GW.<\/p>\n<p>Apesar do forte potencial de crescimento deste setor, com redu\u00e7\u00e3o de custos e brasileiros querendo pagar menos na conta de luz, o governo atribulado do pa\u00eds n\u00e3o demonstra grande entusiasmo em apoiar a energia solar em grande escala.<\/p>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria foi produzida em parceria com&nbsp;<a href=\"http:\/\/climaesociedade.org\/en\/\">Instituto Clima e Sociedade<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corrup\u00e7\u00e3o e obsess\u00e3o por hidrel\u00e9tricas e energias f\u00f3sseis esfriam a ind\u00fastria solar brasileira<\/p>\n","protected":false},"author":40000225,"featured_media":50017884,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039922],"tags":[50029809,50029775,50040113],"hashtags":[],"country":[50003526],"class_list":["post-50009140","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-energia","tag-energia-solar","tag-politicas-publicas","tag-transicao-energetica-pt-br","country-brasil-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Por que o Brasil n\u00e3o tem ind\u00fastria solar? 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