{"id":50009175,"date":"2017-06-30T10:00:07","date_gmt":"2017-06-30T09:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=9175"},"modified":"2023-05-12T09:36:47","modified_gmt":"2023-05-12T08:36:47","slug":"9270-china-reduz-consumo-de-carvao-mas-constroi-termicas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/energia\/9270-china-reduz-consumo-de-carvao-mas-constroi-termicas-no-brasil\/","title":{"rendered":"China reduz consumo de carv\u00e3o, mas constr\u00f3i t\u00e9rmicas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto a China avan\u00e7a em sua pol\u00edtica nacional de redu\u00e7\u00e3o do consumo de carv\u00e3o e aumento da produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica a partir de fontes renov\u00e1veis, bancos chineses, assim como as empreiteiras especializadas na constru\u00e7\u00e3o de usinas a carv\u00e3o, lan\u00e7am-se ao exterior para desenvolver projetos altamente poluidores, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cDesde 2013, n\u00f3s vimos os financiamentos externos para carv\u00e3o provenientes do Banco de Desenvolvimento da China (CDB, na sigla em ingl\u00eas) crescerem 40%. Se olharmos o investimento hist\u00f3rico chin\u00eas no setor de carv\u00e3o no exterior, 75% deste total aconteceu nos \u00faltimos quatro anos. A China representa 8% do financiamento externo global do setor de carv\u00e3o\u201d, explica o professor de pol\u00edticas globais de desenvolvimento da Universidade de Boston, dos Estados Unidos, Kevin Gallagher.<\/p>\n<p>No Brasil, o parque gerador termel\u00e9trico a carv\u00e3o contabiliza&nbsp;<a href=\"http:\/\/www2.aneel.gov.br\/aplicacoes\/capacidadebrasil\/OperacaoCapacidadeBrasil.cfm\">2<\/a><a href=\"http:\/\/www2.aneel.gov.br\/aplicacoes\/capacidadebrasil\/OperacaoCapacidadeBrasil.cfm\">2<\/a><a href=\"http:\/\/www2.aneel.gov.br\/aplicacoes\/capacidadebrasil\/OperacaoCapacidadeBrasil.cfm\">&nbsp;usinas<\/a>, que somam 3,7 gigawatts (GW) de capacidade instalada. Juntas, elas representam 2,32% da matriz el\u00e9trica nacional. As usinas a carv\u00e3o localizadas no sul do pa\u00eds, nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, utilizam carv\u00e3o mineral nacional produzido na regi\u00e3o, que possui a maior reserva conhecida de carv\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, com cerca de 3 bilh\u00f5es de toneladas do min\u00e9rio. Os tipos de carv\u00e3o mais comuns no estado s\u00e3o os sub-betuminosos e de alto teor de cinzas, que possuem elevado valor calor\u00edfico, apropriados para a gera\u00e7\u00e3o termel\u00e9trica.<\/p>\n<p>As usinas termel\u00e9tricas localizadas no Norte e Nordeste do pa\u00eds, no Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Pernambuco, utilizam carv\u00e3o mineral importado, principalmente, da Col\u00f4mbia, cujo custo \u00e9 bastante superior quando comparado ao carv\u00e3o produzido nacionalmente. \u201cEm Candiota, produzimos a US$ 20 por tonelada. No Maranh\u00e3o, eles pagam US$ 280 por tonelada de carv\u00e3o da Col\u00f4mbia. O carv\u00e3o de Candiota \u00e9 o mais barato do mundo\u201d, afirma o presidente do sindicato dos mineiros da regi\u00e3o, Wagner Lopes Pinto.<\/p>\n<p>Especialistas acreditam que o consumo de carv\u00e3o atingiu o pico hist\u00f3rico na China em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.carbonbrief.org\/iea-china-might-have-passed-peak-coal-in-2013\">2013<\/a>&nbsp;ou&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2016\/jul\/25\/china-coal-peak-hailed-turning-point-climate-change-battle\">2014<\/a>. Naquela \u00e9poca, o primeiro ministro chin\u00eas, Li Keqiang, declarou \u201c<a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/article\/show\/single\/en\/6821-Is-China-underfunding-its-war-on-pollution-\">guerra \u00e0 polui\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d e o governo tomou medidas para que esta tend\u00eancia fosse revertida com o objetivo de reduzir as emiss\u00f5es de CO2. Esta foi a resposta do governo \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o t\u00f3xica do ar na China e seu alto custo econ\u00f4mico e para a sa\u00fade, al\u00e9m de tamb\u00e9m querer atender aos compromissos internacionais de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em pelo menos&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.chinafaqs.org\/files\/chinainfo\/ChinaFAQs-Taking_Stronger_Action%20V5.pdf\">12 prov\u00edncias<\/a>&nbsp;chinesas, a constru\u00e7\u00e3o de centrais termel\u00e9tricas movidas a carv\u00e3o foi banida para ajudar o pa\u00eds a cumprir a meta de diminuir a participa\u00e7\u00e3o do energ\u00e9tico em sua matriz de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.reuters.com\/article\/us-china-energy-idUSKBN14H1EG\">64%, em 2015<\/a>, para&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.gov.cn\/xinwen\/2017-01\/05\/content_5156795.htm#1\">58% ou menos<\/a>, em 2020.<\/p>\n<p>Um dos motivos por tr\u00e1s do aumento da presen\u00e7a chinesa no financiamento externo para o carv\u00e3o, de acordo com Gallagher, deve-se ao fato de que v\u00e1rios bancos internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), decidiram parar de financiar a fonte, devido ao seu elevado impacto ambiental.<\/p>\n<p>Dados compilados pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/article\/show\/single\/en\/9264-China-stokes-global-coal-growth\"><em>chinadialogue<\/em><\/a><a href=\"https:\/\/www.chinadialogue.net\/article\/show\/single\/en\/9264-China-stokes-global-coal-growth\">&nbsp;e a CEE Bankwatch Network<\/a>&nbsp;mostram que, desde 2015, uma s\u00e9rie de projetos t\u00e9rmicos a carv\u00e3o chineses foi anunciada e est\u00e1 em desenvolvimento. De acordo com o mapa elaborado, os bancos e companhias chinesas est\u00e3o atualmente envolvidos em ao menos 79 projetos de gera\u00e7\u00e3o a carv\u00e3o no exterior, com uma capacidade total de mais de 52GW, mais que os 46GW de usinas planejadas para serem desligadas nos Estados Unidos at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>Um&nbsp;<a href=\"https:\/\/climatepolicyinitiative.org\/publication\/slowing-the-growth-of-coal-power-outside-china-the-role-of-chinese-finance\/\">outro estudo da entidade norte-americana Climate Policy Initiative&nbsp;<\/a>descobriu que a China investiu ao menos US$ 38 bilh\u00f5es em plantas a carv\u00e3o no exterior entre 2010 e 2014, al\u00e9m de ter anunciado planos para mais US$ 72 bilh\u00f5es de investimentos, contudo nem todos com compromissos firmes de serem levados a cabo.<\/p>\n<p>Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Carv\u00e3o Mineral (ABCM), Luiz Fernando Zancan, a oportunidade de neg\u00f3cio para os chineses no setor carbon\u00edfero brasileiro est\u00e1 principalmente ligado \u00e0s termel\u00e9tricas que foram colocadas \u00e0 venda pelo grupo Engie, ex-GDF Suez (Tractebel, no Brasil), localizadas em Santa Catarina, na regi\u00e3o sul do Brasil. Ao todo, est\u00e1 \u00e0 venda 1,2GW de unidades a carv\u00e3o. O processo de venda dos ativos est\u00e1 sendo conduzido pelo banco Morgan Stanley e,&nbsp;<a href=\"http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRKCN11W1Z1\">segundo a ag\u00eancia Reuters<\/a>, h\u00e1 mais de 10 players interessados nos ativos.<\/p>\n<p>Uma destas plantas, a usina t\u00e9rmica Pampa Sul, que tem 340 megawatts (MW) de capacidade, est\u00e1 sendo constru\u00edda pela empresa chinesa SDEPCI. Al\u00e9m desta, os chineses tamb\u00e9m participaram recentemente da constru\u00e7\u00e3o de outra termel\u00e9trica no Brasil, a Fase C do Complexo Candiota, localizada no Rio Grande do Sul, que foi erguida pela empreiteira SEPCO1, que toca no pa\u00eds uma s\u00e9rie de empreendimentos de energia, como a linha de transmiss\u00e3o da usina de Belo Monte.<\/p>\n<p>As unidades A e B da usina de Candiota, que estavam em opera\u00e7\u00e3o antes da SEPCO1 come\u00e7ar a constru\u00e7\u00e3o da terceira fase do projeto, est\u00e3o relacionadas a problemas ambientais. Em 2016, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA) fechou essas unidades porque elas n\u00e3o estavam de acordo com os par\u00e2metros de controle de emiss\u00e3o de poluentes. O IBAMA interrompeu as opera\u00e7\u00f5es e aplicou quatro multas que totalizam US$ 23 milh\u00f5es, depois de identificar viola\u00e7\u00f5es no fluxo m\u00e1ximo de efluentes e nas taxas de \u00f3leo e graxa, dentre outras irregularidades.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente do sindicato dos mineiros de Candiota, Wagner Lopes Pinto, a atua\u00e7\u00e3o da SEPCO1 na cidade ga\u00facha, durante a constru\u00e7\u00e3o da usina, foi bastante controversa. \u201cTinham mais de 300 chineses trabalhando ilegalmente na obra. Eles come\u00e7avam o expediente \u00e0s 18 horas de sexta-feira e sa\u00edam da obra \u00e0s 7 horas da segunda-feira. E sa\u00edam da obra escondidos. Havia um dep\u00f3sito de chineses na cidade, galp\u00f5es onde eles passavam a semana inteira\u201d, garante o sindicalista.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o controversa sobre a usina de Candiota, e que envolve a chinesa SEPCO1, \u00e9 a acusa\u00e7\u00e3o de que ela teria utilizado equipamentos e m\u00e1quinas que j\u00e1 haviam sido usadas na China. Como consequ\u00eancia, a usina vem apresentando uma baixa performance operacional, com taxa de produtividade da ordem de 60%. Est\u00e1 prevista para setembro uma parada total das atividades da usina com o objetivo de realizar a manuten\u00e7\u00e3o e troca de algumas m\u00e1quinas e componentes da Candiota Fase C.<\/p>\n<p>A empresa CGTEE, controladora da usina e contratante da SEPCO1, processa na justi\u00e7a a empresa chinesa SEPCO1 pelos preju\u00edzos ocasionados pela baixa performance operacional da termel\u00e9trica. \u201cN\u00e3o tem como afirmar o que foi que aconteceu com a Fase C, se foi erro de projeto, se foi utiliza\u00e7\u00e3o de equipamento de segunda m\u00e3o. Mas \u00e9 fato que tem um problema de disponibilidade da usina e espera-se que isso seja resolvido\u201d, avalia Zancan. O Di\u00e1logo Chino contatou a CGTEE, mas a companhia preferiu n\u00e3o comentar o caso.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos chineses no setor carbon\u00edfero do Rio Grande do Sul, no sul do pa\u00eds, existe pelo menos desde 2005, quando se discutia a constru\u00e7\u00e3o da Fase C de Candiota. \u201cAtualmente, a presen\u00e7a dos chineses est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o de t\u00e9rmicas a carv\u00e3o. As \u00faltimas usinas foram eles que fizeram. Mas h\u00e1 muito coment\u00e1rio de que eles tamb\u00e9m t\u00eam interesse em entrar em nossas jazidas, explorar e produzir carv\u00e3o aqui no Rio Grande do Sul\u201d, conta o presidente do sindicato dos mineiros de Candiota.<\/p>\n<p>De acordo com o site local&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/de-olho-no-carvao-do-rs-china-quer-reduzir-uso-do-mineral-em-sua-matriz-energetica\/\">Sul21<\/a>,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.sul21.com.br\/jornal\/de-olho-no-carvao-do-rs-china-quer-reduzir-uso-do-mineral-em-sua-matriz-energetica\/\">p<\/a>ropriet\u00e1rios de terra na regi\u00e3o de Candiota v\u00eam recebendo ofertas tentadoras para vender aos chineses suas terras, com jazidas de carv\u00e3o. Contudo, para explorar o carv\u00e3o na regi\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio obter a permiss\u00e3o de lavra, que hoje \u00e9 detida exclusivamente pela Companhia Riograndense de Minera\u00e7\u00e3o (CRM), uma empresa controlada pelo governo estadual que pretende realizar, at\u00e9 o final deste ano, um plebiscito para que a popula\u00e7\u00e3o decida sobre a privatiza\u00e7\u00e3o da empresa, que abriria caminho para a chegada de investidores estrangeiros na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a ABCM, liderada por Zancan, faz lobby junto ao governo para que seja criado um plano de moderniza\u00e7\u00e3o das usinas t\u00e9rmicas a carv\u00e3o do Brasil. Segundo ele, devido \u00e0 sobra de energia existente hoje no mercado brasileiro, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para constru\u00e7\u00e3o de novos projetos termel\u00e9tricos. Para ele, entretanto, existe a necessidade de substitui\u00e7\u00e3o dos equipamentos existentes nas obsoletas usinas brasileiras, que v\u00eam sendo fechadas por n\u00e3o atenderem aos par\u00e2metros de controle de emiss\u00f5es de poluentes determinado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA). Em setembro de 2016, o \u00f3rg\u00e3o federal embargou as unidades A e B da usina de Candiota e aplicou quatro multas, que totalizam US$ 23 milh\u00f5es, ap\u00f3s identificar viola\u00e7\u00f5es dos limites m\u00e1ximos de vaz\u00e3o de efluentes e das taxas de \u00f3leos e graxas, entre outras irregularidades.<\/p>\n<h2>Consumo de carv\u00e3o \u00e9 crescente no Brasil<\/h2>\n<p>O consumo brasileiro de carv\u00e3o mineral, usado para abastecer as usinas termel\u00e9tricas, e carv\u00e3o de coque, usado na ind\u00fastria sider\u00fargica, aumentou 22% de 2010 a 2015, segundo dados do&nbsp;<a href=\"http:\/\/ben.epe.gov.br\/\">Balan\u00e7o Energ\u00e9tico Nacional<\/a>&nbsp;da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.epe.gov.br\/\">Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica<\/a>, \u00f3rg\u00e3o ligado ao governo federal.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o do energ\u00e9tico na matriz brasileira saiu de 5,2%, em 2010, para 5,9% em 2015, crescimento puxado principalmente pelo carv\u00e3o de coque, usado pelas sider\u00fargicas para produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o e chapas met\u00e1licas.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 baixa qualidade do carv\u00e3o nacional, o Brasil precisa importar cerca de 50% de sua necessidade de carv\u00e3o mineral e de coque. Do total importado, por volta de 90% \u00e9 carv\u00e3o do tipo coque e somente 10% corresponde ao carv\u00e3o mineral, usado pelas termel\u00e9tricas, segundo Lu\u00eds Paulo de Oliveira Ara\u00fajo, t\u00e9cnico do Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM), \u00f3rg\u00e3o federal.<\/p>\n<p>O pa\u00eds importa carv\u00e3o para uso sider\u00fargico principalmente da Austr\u00e1lia, Estados Unidos, R\u00fassia, Canad\u00e1, Col\u00f4mbia, Venezuela, Indon\u00e9sia e \u00c1frica do Sul, pois o carv\u00e3o nacional produzido n\u00e3o possui as propriedades adequadas para este uso com as tecnologias atualmente em opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Do total das importa\u00e7\u00f5es brasileiras de carv\u00e3o, a China responde por menos de 2%, sendo a totalidade de carv\u00e3o de coque. De 2010 a 2016, o Brasil importou 4,3 milh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o de coque da China e pagou um total de US$ 1,28 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2015, ocorreu o pico de importa\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o de coque da China, saindo de 681 mil toneladas, em 2014, para 1,43 milh\u00e3o de toneladas, no ano seguinte. \u201cEm 2015, a demanda dom\u00e9stica por carv\u00e3o de coque na China despencou com a desacelera\u00e7\u00e3o dos setores da constru\u00e7\u00e3o civil e da ind\u00fastria pesada\u201d, explica o especialista em carv\u00e3o do Greenpeace, Lauri Myllyvirta, que fica baseado em Pequim. Em 2016, a importa\u00e7\u00e3o brasileira do carv\u00e3o chin\u00eas recuou para 480 mil toneladas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 2016, 97% da importa\u00e7\u00e3o de coque da China teve como destino o Terminal de Cargas da Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN), localizado em Itagua\u00ed, no Rio de Janeiro. Nos \u00faltimos cinco anos, a CSN comprou US$ 610 milh\u00f5es de carv\u00e3o chin\u00eas, de acordo com informa\u00e7\u00f5es obtidas no portal AliceWeb, do governo brasileiro.<\/p>\n<p>De acordo com a Reuters,&nbsp;<a href=\"http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRKCN11W1Z1\">a CSN considera vender<\/a>&nbsp;parte de sua participa\u00e7\u00e3o na Congonhas Min\u00e9rios, subsidi\u00e1ria que controla o Terminal de Cargas de Itagua\u00ed, para a China Brazil Xinnenghuan International Investment (CBSteel), que estaria interessada em comprar cerca de 25% da subsidi\u00e1ria da CSN.<\/p>\n<p>Myllyvirta disse ao Di\u00e1logo Chino que \u201cexiste impacto ambiental decorrente do transporte do energ\u00e9tica, mas ele \u00e9 muito menor quando comparado \u00e0 queima do carv\u00e3o em si para produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>O carv\u00e3o de coque \u00e9 comparativamente leve e, quando \u00e9 quebrado ou triturado, pode liberar part\u00edculas poluidoras, como o enxofre, se n\u00e3o transportado adequadamente.<\/p>\n<p>No site da CSN n\u00e3o existe men\u00e7\u00e3o sobre a pol\u00edtica ambiental da empresa para o carv\u00e3o que chega em seu porto. Por e-mail, a companhia afirmou que \u201cn\u00e3o h\u00e1 impacto ambiental decorrente do transporte do carv\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O professor do departamento de Qu\u00edmica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Claudinei de Souza Guimar\u00e3es, afirma que a ocorr\u00eancia de impacto ambiental depende da forma como o coque \u00e9 transportado. \u201cMesmo sendo de trem ou caminh\u00e3o ir\u00e1 impactar e muito na atmosfera se n\u00e3o tiverem cobertos com lonas ou fechados. Outra situa\u00e7\u00e3o que polui bastante \u00e9 no manuseio no p\u00e1tio da CSN, quando v\u00e3o formar as pilhas, pois al\u00e9m do manuseio mec\u00e2nico o pr\u00f3prio vento contribui para a emiss\u00e3o dos materiais particulares, em especial os inal\u00e1veis MP10 e MP2,5\u201d, afirma o especialista.<\/p>\n<p>A CSN, junto com as outras 10 sider\u00fargicas presentes no Brasil,&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.acobrasil.org.br\/sustentabilidade\/\">publica anualmente<\/a>&nbsp;um relat\u00f3rio de sustentabilidade sobre o setor.<\/p>\n<p>Enquanto as importa\u00e7\u00f5es brasileiras de a\u00e7o, principal commodity produzida a partir do carv\u00e3o, cresceram 245,2% entre 2000 e 2015, aquelas oriundas da China cresceram 13.418% no mesmo per\u00edodo. Em 2000, o pa\u00eds asi\u00e1tico respondia por 1,4% do volume de importa\u00e7\u00f5es brasileiras de a\u00e7o e, em 2015, passou a 50,2%.<\/p>\n<p>Esta mat\u00e9ria foi produzida em parceria com&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/climaesociedade.org\/en\/\">Instituto Clima e Sociedade<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investimento chin\u00eas em carv\u00e3o no exterior cresce 40% desde 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