{"id":50009631,"date":"2017-09-12T18:00:53","date_gmt":"2017-09-12T17:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=9631"},"modified":"2023-05-12T12:42:21","modified_gmt":"2023-05-12T11:42:21","slug":"9608-a-china-podera-ajudar-na-recuperacao-da-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/9608-a-china-podera-ajudar-na-recuperacao-da-venezuela\/","title":{"rendered":"A China poder\u00e1 ajudar na recupera\u00e7\u00e3o da Venezuela?"},"content":{"rendered":"<p>Depois de anos de m\u00e1 gest\u00e3o econ\u00f4mica e de conflitos pol\u00edticos, a Venezuela se encontra no meio de uma crise pol\u00edtica, financeira e humanit\u00e1ria. Isso se deve, em parte, ao seu insustent\u00e1vel acordo que troca empr\u00e9stimos por petr\u00f3leo com a China. O governo chin\u00eas tem pouco a dizer sobre a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela, mas alguns atores externos,&nbsp;<a href=\"http:\/\/americasquarterly.org\/content\/venezuela-no-solution-without-beijing\">inclusive vizinhos latino-americanos<\/a>, j\u00e1 chamaram a aten\u00e7\u00e3o para o papel que a China desempenha neste dilema.<\/p>\n<p>Essa omiss\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo, estranha e insensata, considerando-se a parceria econ\u00f4mica e diplom\u00e1tica que a China estabeleceu com a Venezuela. O lapso tem origem na pol\u00edtica externa da China, que \u00e9 norteada pelo princ\u00edpio da n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o nos assuntos internos de outros pa\u00edses, bem como no seu pr\u00f3prio sistema pol\u00edtico antidemocr\u00e1tico e na abordagem de \u201cganha-ganha\u201d que permeia seus relacionamentos com outros pa\u00edses em desenvolvimento. Todos esses fatores s\u00e3o, juntos, respons\u00e1veis pelo sil\u00eancio ensurdecedor de Pequim a respeito do que \u00e9, no fim, uma crise da governan\u00e7a democr\u00e1tica em Caracas.<\/p>\n<p>J\u00e1 passou da hora de perguntarmos se Pequim pode ou deve fazer mais para ajudar a Venezuela a encontrar um caminho mais sustent\u00e1vel, tanto por uma quest\u00e3o de princ\u00edpios como porque esse \u00e9 um assunto de interesse nacional para a China. No final, a forma como a China se envolveu e reagiu \u00e0 complexa crise na Venezuela evidencia os desafios econ\u00f4micos e diplom\u00e1ticos que Pequim enfrenta em seus relacionamentos com outros pa\u00edses em desenvolvimento, que s\u00e3o abundantes em recursos naturais, por\u00e9m assolados por crises.<\/p>\n<h2>Uma resposta regional fraca<\/h2>\n<p>A atual crise na Venezuela tem como raiz a polariza\u00e7\u00e3o da sociedade e da pol\u00edtica interna do pa\u00eds ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o da empresa estatal de petr\u00f3leo Petr\u00f3leos de Venezuela S.A.(PDVSA), comandada pelo ex-presidente Hugo Ch\u00e1vez. Desde 2013, ano em que Ch\u00e1vez veio a falecer de c\u00e2ncer e foi substitu\u00eddo por Nicol\u00e1s Maduro em uma vit\u00f3ria apertada, a Venezuela vem vivendo um cen\u00e1rio de aumento dos conflitos pol\u00edticos e sociais e uma deteriora\u00e7\u00e3o ainda mais dram\u00e1tica da sua governan\u00e7a. Em 2014, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo sofreu uma queda brusca em todo o mundo e isso teve o efeito de empurrar a economia da Venezuela para crise, uma vez que o pa\u00eds \u00e9 altamente dependente dessa commodity. A Venezuela de 2017 \u00e9 conhecida pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cfr.org\/backgrounder\/venezuela-crisis\">escassez de tudo<\/a>&nbsp;\u2013 do papel higi\u00eanico e rem\u00e9dios \u00e0s reservas cambiais \u2013 e o pa\u00eds \u00e9 associado, cada vez mais, aos protestos de rua e cenas de viol\u00eancia. Hoje, est\u00e1 muito distante da empolga\u00e7\u00e3o que, h\u00e1 apenas uma d\u00e9cada, marcou a mobiliza\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana de Ch\u00e1vez, financiada pelos pre\u00e7os convidativos do barril de petr\u00f3leo, que chegaram a US$ 120. Agora, sua economia \u00e9 considerada um caso perdido e o pa\u00eds se tornou um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2017\/apr\/25\/the-guardian-view-on-venezuela-a-country-in-pain\">p\u00e1ria pol\u00edtico<\/a>.<\/p>\n<p>O auge do dom\u00ednio pol\u00edtico de Ch\u00e1vez, que aconteceu durante a primeira d\u00e9cada dos anos 2000, coincidiu com a valoriza\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica do relacionamento comercial e diplom\u00e1tico de Pequim com Caracas. Por\u00e9m, apesar de a Venezuela p\u00f3s-Ch\u00e1vez ter mergulhado na crise, a China ficou de fora da maioria das discuss\u00f5es que buscavam identificar como os atores externos poderiam ajudar a promover mudan\u00e7as no pa\u00eds. Foram lembrados apenas os&nbsp;<a href=\"http:\/\/carnegieendowment.org\/2016\/06\/29\/venezuela-on-edge-can-region-help-pub-63947\">vizinhos latino-americanos<\/a>, al\u00e9m de organismos regionais multilaterais, principalmente a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/view\/articles\/2017-06-27\/venezuela-scrapes-the-bottom-of-oil-barrel-diplomacy\">Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos<\/a>&nbsp;(OEA). A voz mais clara e incisiva foi a do secret\u00e1rio-geral da OEA, Luis Almagro, que n\u00e3o mediu palavras em uma recente&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.oas.org\/en\/media_center\/press_release.asp?sCodigo=E-030\/17\">declara\u00e7\u00e3o<\/a>: \u201cA leg\u00edtima autoridade democr\u00e1tica [na Venezuela] se perdeu e o governo optou pelo autoritarismo e pela repress\u00e3o para manter\u2026 o poder\u201d. Dada a pouca aten\u00e7\u00e3o aos esfor\u00e7os regionais e multilaterais na tentativa de engajar a Venezuela, e tendo em vista os gigantescos la\u00e7os comerciais entre a China e a Venezuela, pode-se concluir que o papel de Pequim nessa hist\u00f3ria precisa ser compreendido e analisado com muito mais cuidado.<\/p>\n<h2>O papel da China: proeminente, por\u00e9m limitado<\/h2>\n<p>Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, a China se tornou a principal fonte de ajuda financeira da Venezuela no exterior, injetando mais de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.thedialogue.org\/map_list\/\">US$ 60 bilh\u00f5es<\/a>&nbsp;na economia do pa\u00eds na forma de empr\u00e9stimos, al\u00e9m de dezenas de bilh\u00f5es em outros contratos e acordos de investimento. A Venezuela \u00e9 a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.scmp.com\/business\/banking-finance\/article\/1189404\/aggressive-global-loan-expansion-china-development-bank\">maior benefici\u00e1ria dos empr\u00e9stimos chineses<\/a>&nbsp;n\u00e3o apenas na Am\u00e9rica Latina, mas em todo o mundo. N\u00e3o \u00e9 surpresa alguma, ent\u00e3o, saber que a imprensa e o mercado financeiro se concentraram quase que exclusivamente em duas quest\u00f5es: descobrir se os bancos estatais chineses continuar\u00e3o concedendo empr\u00e9stimos \u00e0 Caracas e se a Venezuela&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/sarahsu\/2016\/10\/08\/china-isnt-giving-up-on-venezuela-just-yet\/#f95981e2bd2d\">conseguir\u00e1 pagar o que deve<\/a>&nbsp;\u00e0 China atrav\u00e9s das remessas de petr\u00f3leo. Esse foco estreito no relacionamento comercial entre os dois pa\u00edses sinaliza a aus\u00eancia de uma discuss\u00e3o mais ampla sobre o papel e as responsabilidades da China na crise da Venezuela, incluindo a potencial inclus\u00e3o de Pequim nos esfor\u00e7os regionais e multilaterais que buscam solucionar a crise.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 urgente porque, nos \u00faltimos anos, ficou claro que o acordo de empr\u00e9stimos por petr\u00f3leo com a China \u00e9 insustent\u00e1vel para a Venezuela no longo prazo. Como consequ\u00eancia da crise financeira global de 2008, a Venezuela foi cortada da maioria dos mercados financeiros globais e dos financiamentos de desenvolvimento. Foram os empr\u00e9stimos dos bancos estatais chineses que permitiram \u00e0 Ch\u00e1vez&nbsp;<a href=\"https:\/\/www2.gwu.edu\/~iiep\/assets\/docs\/papers\/2015WP\/KaplanIIEPWP201514.pdf\">continuar implementando<\/a>&nbsp;suas pol\u00edticas econ\u00f4micas insustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Consequentemente, os cr\u00e9ditos chineses levaram a Venezuela a assumir uma d\u00edvida e um compromisso de exportar petr\u00f3leo que tamb\u00e9m se mostraram&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/6f6436a2-a0ae-11e4-8ad8-00144feab7de?mhq5j=e1\">insustent\u00e1veis<\/a>. Mesmo quando o pre\u00e7o do petr\u00f3leo estava alto, j\u00e1 havia uma preocupa\u00e7\u00e3o com a possibilidade de a Venezuela ter feito um&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.reuters.com\/article\/us-venezuela-oil-insight-idUSKBN15O2BC\">acordo imprudente<\/a>&nbsp;com a China para que Ch\u00e1vez conseguisse avan\u00e7ar seus objetivos ideol\u00f3gicos e sua pol\u00edtica externa. Por\u00e9m, depois da morte de Ch\u00e1vez e da queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, as discuss\u00f5es se voltaram para a&nbsp;<a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/petro-estados-da-america-latina-enfrentam-dificuldades-para-saldar-dividas-com-a-china\/?lang=pt-pt\">incapacidade da Venezuela de honrar as d\u00edvidas<\/a>&nbsp;com a China e outros credores e de manter as remessas de petr\u00f3leo para a China. O pa\u00eds agora enfrenta a dif\u00edcil escolha entre descumprir o acordo de cr\u00e9ditos por petr\u00f3leo ou reduzir ainda mais os gastos p\u00fablicos com programas sociais e humanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A paci\u00eancia da China com seus antigos amigos chavistas j\u00e1 come\u00e7a a se esgotar. Os detalhes do acordo de cr\u00e9dito por petr\u00f3leo entre os pa\u00edses permanecem obscuros, mas \u00e9 bastante claro que os empr\u00e9stimos chineses, principalmente aqueles concedidos pelo Banco de Desenvolvimento da China, diminu\u00edram muito nos \u00faltimos dois anos ou mais. Algumas autoridades&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/articles\/china-rethinks-its-alliance-with-reeling-venezuela-1473628506\">chinesas e venezuelanas se encontraram<\/a>&nbsp;em Caracas em 2016 e, segundo uma das autoridades chinesas, \u201co consenso foi de que n\u00e3o haver\u00e1 novos investimentos\u2026 A mensagem de cima foi clara: deixe que caiam\u201d. Essas express\u00f5es de impaci\u00eancia e irrita\u00e7\u00e3o entram em conflito com a abordagem de longo prazo de Pequim, conhecida como \u201c<a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/agenda\/2017\/05\/beyond-aid-what-other-countries-can-learn-from-china\">capital paciente<\/a>\u201d, e colocam sob suspeita a&nbsp;<a href=\"http:\/\/ase.tufts.edu\/gdae\/Pubs\/rp\/GallagherChineseFinanceLatinAmerica.pdf\">avalia\u00e7\u00e3o de riscos<\/a>&nbsp;que supostamente serviu de respaldo para a decis\u00e3o de oferecer \u00e0 Venezuela a possibilidade de contrair empr\u00e9stimos massivos, apesar dos \u00f3bvios sinais de risco econ\u00f4mico e pol\u00edtico do pa\u00eds. Na verdade, as frustra\u00e7\u00f5es de Pequim com Caracas j\u00e1 vinham crescendo de forma silenciosa h\u00e1 algum tempo. Os estreitos la\u00e7os pol\u00edticos e os enormes empr\u00e9stimos chineses, que remetem aos anos Ch\u00e1vez,&nbsp;<a href=\"http:\/\/carnegietsinghua.org\/2014\/10\/23\/crude-complications-venezuela-china-and-united-states\/hsk9\">n\u00e3o materializaram os resultados<\/a>&nbsp;que a China esperava: oportunidades privilegiadas de investimento em petr\u00f3leo na Bacia Orinoco, na Venezuela, e acesso a um volume elevado de petr\u00f3leo.<\/p>\n<h2>Princ\u00edpios diplom\u00e1ticos e interesses pr\u00e1ticos da China<\/h2>\n<p>Tendo em vista que Pequim construiu um relacionamento econ\u00f4mico, comercial e diplom\u00e1tico muito pr\u00f3ximo \u2013 e por vezes problem\u00e1tico \u2013 com Caracas, \u00e9 chegada a hora de incluir a China nas discuss\u00f5es mais amplas sobre a situa\u00e7\u00e3o da Venezuela. Essas discuss\u00f5es devem, primeiro, tentar explicar porque a China n\u00e3o era mencionada quando se cogitava o papel que cabe aos atores externos na solu\u00e7\u00e3o da crise mais grave que a Venezuela j\u00e1 viveu at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Analisemos, por exemplo, o suposto alinhamento que existe entre os interesses de curto prazo da China, tanto os comerciais como os diplom\u00e1ticos, e o antigo compromisso de Pequim de n\u00e3o intervir nas pol\u00edticas internas de um pa\u00eds, bem como suas declara\u00e7\u00f5es de solidariedade diplom\u00e1tica com outros pa\u00edses em desenvolvimento. Mesmo com o&nbsp;<em>status quo<\/em>&nbsp;ca\u00f3tico da Venezuela, pode ser que a China considere o pa\u00eds uma aposta segura para garantir o pagamento dos seus empr\u00e9stimos e futuras remessas de petr\u00f3leo \u2013 sem mencionar a possibilidade de preservar os estreitos la\u00e7os entre os governos. Isso se mostraria mais vantajoso do que fazer uma transi\u00e7\u00e3o para um governo diferente, possivelmente liderado por uma oposi\u00e7\u00e3o. Se este for o caso, a decis\u00e3o estaria em harmonia com o compromisso de Pequim de manter seus princ\u00edpios diplom\u00e1ticos e de solidariedade Sul-Sul. Da mesma forma, os vizinhos da Venezuela e as organiza\u00e7\u00f5es multilaterais, como a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, podem interpretar a falta de envolvimento da China nas discuss\u00f5es sobre o futuro da Venezuela como algo que flui naturalmente do interesse de Pequim em manter o&nbsp;<em>status quo<\/em>&nbsp;e dos princ\u00edpios que governam a pol\u00edtica externa da China. Se assim for, isso teria o efeito de silenciar todas as indaga\u00e7\u00f5es sobre a participa\u00e7\u00e3o da China nos esfor\u00e7os externos para ajudar a Venezuela.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o s\u00e3o simples ou sequer convincentes os interesses ou os argumentos baseados em princ\u00edpios que explicariam a aus\u00eancia da China nas discuss\u00f5es sobre o futuro da Venezuela. Em termos de princ\u00edpios, a China n\u00e3o poupa esfor\u00e7os para deixar claro que seu relacionamento com a Venezuela \u2013 e com a Am\u00e9rica Latina como um todo \u2013 \u00e9 um componente chave do seu&nbsp;<a href=\"http:\/\/english.gov.cn\/archive\/white_paper\/2016\/11\/24\/content_281475499069158.htm\">compromisso com a coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul<\/a>. Pequim alega que busca resultados ganha-ganha que favore\u00e7am ambos os lados e que melhorem a \u201c<a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/agenda\/2017\/01\/full-text-of-xi-jinping-keynote-at-the-world-economic-forum\">governan\u00e7a econ\u00f4mica global<\/a>\u201d de um jeito diferente do que acontece com as abordagens associadas ao Norte Global (principalmente os Estados Unidos), supostamente de soma zero. Por exemplo, na v\u00e9spera da visita do presidente chin\u00eas Xi Jinping \u00e0 Am\u00e9rica Latina, em novembro de 2016, um artigo publicado na China Daily&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.chinadaily.com.cn\/opinion\/2016-11\/15\/content_27376799_2.htm\">declarou<\/a>: \u201cComo economia emergente e maior pa\u00eds em desenvolvimento do mundo, a China sempre esteve ao lado dos pa\u00edses em desenvolvimento e cumpriu suas responsabilidades de forma condizente com seu status de pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, as declara\u00e7\u00f5es de Pequim sobre o seu compromisso com o princ\u00edpio da n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o e com a solidariedade Sul-Sul contradizem realidades mais complexas. Por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel que a China esteja ajustando de forma gradual a sua postura de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o. Durante muitos anos, os pol\u00edticos chineses debateram se, e como, poderiam ser mais flex\u00edveis quanto \u00e0&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.crisisgroup.org\/africa\/horn-africa\/south-sudan\/288-china-s-foreign-policy-experiment-south-sudan\">pol\u00edtica de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o<\/a>, haja vista os crescentes interesses globais do pa\u00eds em um ambiente internacional din\u00e2mico. Isso reflete uma mudan\u00e7a nos&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.iiss.org\/en\/publications\/adelphi\/by%20year\/2015-9b13\/chinas-strong-arm-63b7\/ap451-03-chapter-1-c515\">riscos comerciais e diplom\u00e1ticos<\/a>&nbsp;(e oportunidades) que afetam a China. Essa evolu\u00e7\u00e3o poderia ajudar a explicar a abertura do pa\u00eds para o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.upenn.edu\/pennpress\/book\/14975.html\">di\u00e1logo<\/a>&nbsp;com partidos de oposi\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo na Venezuela. Al\u00e9m disso, a ret\u00f3rica do \u201cganha-ganha\u201d que caracteriza a diplomacia Sul-Sul da China vem, h\u00e1 muito tempo, ofuscando preocupa\u00e7\u00f5es crescentes sobre novos&nbsp;<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/cjip\/article\/4\/1\/55\/325615\/China-Latin-America-Relations-Long-term-Boon-or\">padr\u00f5es de depend\u00eancia econ\u00f4mica<\/a>&nbsp;na China, por parte de pa\u00edses produtores de commodities na Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica e outras regi\u00f5es. Nenhum l\u00edder conseguiu articular isso t\u00e3o bem quanto a ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, quando&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.rnw.org\/archive\/brazils-rousseff-wants-new-phase-china-trade-ties\">declarou<\/a>&nbsp;que o relacionamento entre a China e o Brasil precisava avan\u00e7ar para \u201cal\u00e9m da complementaridade\u201d.<\/p>\n<p>Em termos de autointeresse material \u2013 considerando-se os grandes empr\u00e9stimos e investimentos feitos pela China na Venezuela, para n\u00e3o falar da import\u00e2ncia do petr\u00f3leo venezuelano para a&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.probdes.iiec.unam.mx\/en\/revistas\/v45n176\/body\/v45n176a1_1.php\">seguran\u00e7a energ\u00e9tica chinesa<\/a>&nbsp;\u2013, Pequim tem muitos motivos perfeitamente racionais para procurar um caminho mais sustent\u00e1vel para a governan\u00e7a econ\u00f4mica da Venezuela, principalmente no setor de petr\u00f3leo. Na pr\u00e1tica, a Venezuela parece j\u00e1 estar inadimplente com uma parte dos empr\u00e9stimos chineses; na melhor das hip\u00f3teses, est\u00e1 conseguindo pagar apenas os juros. Se este for realmente o caso e o pa\u00eds n\u00e3o estiver conseguindo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.reuters.com\/article\/us-venezuela-oil-insight-idUSKBN15O2BC\">enviar o volume de petr\u00f3leo<\/a>&nbsp;acordado com a China, ent\u00e3o a explica\u00e7\u00e3o de que a China apoia a manuten\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>status quo<\/em>&nbsp;se mostra muito pouco promissora. At\u00e9 o momento, nenhuma autoridade chinesa ou venezuelana fez qualquer declara\u00e7\u00e3o politicamente explosiva sobre uma poss\u00edvel&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/1c0d77ea-9227-11e6-8df8-d3778b55a923?mhq5j=e1\">situa\u00e7\u00e3o de inadimpl\u00eancia<\/a>, nem admitiu que o&nbsp;<em>status quo<\/em>&nbsp;est\u00e1 beneficiando um dos lados. Durante v\u00e1rios anos, as autoridades chinesas determinaram que os seus estreitos interesses econ\u00f4micos e diplom\u00e1ticos seriam mais bem protegidos pela manuten\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>status quo<\/em>. Por\u00e9m, levando em conta as tend\u00eancias mencionadas acima, \u00e9 altamente incerto se este modelo continuar\u00e1 sendo sustent\u00e1vel no m\u00e9dio ou no longo prazo. O modelo de cr\u00e9ditos por petr\u00f3leo h\u00e1 muito se tornou impratic\u00e1vel e isso poderia, talvez, levar a uma discuss\u00e3o sobre como a intera\u00e7\u00e3o entre Pequim e Caracas deve mudar.<\/p>\n<h2>A necessidade de uma reconfigura\u00e7\u00e3o da abordagem chinesa<\/h2>\n<p>As contradi\u00e7\u00f5es entre o autointeresse material da China e os&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.foreignaffairs.com\/articles\/china\/2016-03-08\/china-keeps-peace\">princ\u00edpios que norteiam sua abordagem diplom\u00e1tic<\/a>a com pa\u00edses em desenvolvimento tem crescido nos \u00faltimos anos. A pr\u00f3pria doutrina de&nbsp;<a href=\"http:\/\/carnegietsinghua.org\/2013\/11\/06\/time-to-rethink-china-s-peaceful-development-policy-pub-53510\">desenvolvimento pac\u00edfico<\/a>&nbsp;na qual se baseia a pol\u00edtica externa chinesa \u2013 cujo foco s\u00e3o os relacionamentos complementares conhecidos como \u201cganha-ganha\u201d \u2013 h\u00e1 muito tempo se fundamenta sobre o seguinte pressuposto: o desenvolvimento econ\u00f4mico e a estabilidade caminham de m\u00e3os dadas quando se trata do engajamento com pa\u00edses produtores de commodities, como a Venezuela. Mas essa narrativa n\u00e3o convence mais. O papel da China no cen\u00e1rio global mostra-se cada vez mais complexo e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente expressar um&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.chinadaily.com.cn\/cndy\/2016-04\/01\/content_24224163.htm\">vago desejo de estabilidade<\/a>&nbsp;para os pa\u00edses que vivem crises econ\u00f4micas e democr\u00e1ticas e a quebra de seus governos. A estrutura conceitual e pol\u00edtica da China se revelou inadequada no caso da Venezuela. A governan\u00e7a econ\u00f4mica e a estabilidade social n\u00e3o podem ser separadas de outros aspectos da governan\u00e7a ou da pol\u00edtica como um todo.<\/p>\n<p>O problema fundamental da Venezuela \u00e9 o colapso da sua governan\u00e7a democr\u00e1tica. As cr\u00edticas da OEA ao pa\u00eds s\u00e3o claras e diretas: Caracas estaria violando padr\u00f5es regionais de democracia. Maduro recentemente convocou uma assembleia com o intuito de reescrever a Constitui\u00e7\u00e3o venezuelana e com isso recebeu fortes cr\u00edticas dos seus vizinhos, como Argentina, Brasil e Chile. Segundo estes pa\u00edses, a manobra equivale a um&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2017\/05\/brazil-fm-maduro-constitution-coup-170502222023682.html\">golpe de estado<\/a>&nbsp;e um avan\u00e7o definitivo em dire\u00e7\u00e3o ao autoritarismo.<\/p>\n<p>A China, por sua vez, pode estar se afastando da r\u00edgida ader\u00eancia \u00e0 pr\u00f3pria pol\u00edtica de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o e descobrindo, cada vez mais, que os seus interesses nacionais podem exigir novas formas de envolvimento ou de intera\u00e7\u00e3o com quest\u00f5es controversas de governan\u00e7a interna em outros pa\u00edses, incluindo na Venezuela. No entanto, mesmo se a abordagem chinesa mudar, como esse envolvimento ou intera\u00e7\u00e3o se daria na pr\u00e1tica, e como ele seria recebido pela comunidade internacional, principalmente pelos pr\u00f3prios cidad\u00e3os chineses, s\u00e3o perguntas cruciais e certamente controversas.<\/p>\n<p>Para a China, descobrir o que constituiria uma boa governan\u00e7a no contexto de um outro pa\u00eds, principalmente em termos da pol\u00edtica interna de pa\u00edses em desenvolvimento, \u00e9 um assunto muito espinhoso. Seria realista, ou mesmo desej\u00e1vel, esperar que a China&nbsp;<a href=\"http:\/\/press.princeton.edu\/titles\/10418.html\">opine sobre a forma e a natureza da governan\u00e7a democr\u00e1tica da Venezuela<\/a>? A China, afinal de contas, n\u00e3o \u00e9 uma democracia. Aqueles que apoiam os modelos de desenvolvimento e governan\u00e7a de Pequim afirmam que a China conseguiu criar uma alternativa eficaz ao liberalismo ocidental, mas que legitimidade o pa\u00eds teria para entrar em discuss\u00f5es sobre rupturas democr\u00e1ticas, e apresentar alternativas, em um lugar como a Venezuela? Essas perguntas e contradi\u00e7\u00f5es indicam as poss\u00edveis limita\u00e7\u00f5es do envolvimento da China e das suas contribui\u00e7\u00f5es aos temas de lideran\u00e7a e governan\u00e7a global.<\/p>\n<p>Apesar disso, n\u00e3o se deve descartar o di\u00e1logo aberto para explorar o que Pequim pode e deve fazer agora. Neste caso, um bom ponto de partida s\u00e3o as quest\u00f5es de governan\u00e7a mais importantes para a Venezuela, a China e o resto da comunidade internacional \u2013 incluindo a sustentabilidade da d\u00edvida, o setor de petr\u00f3leo e a sustentabilidade ambiental. Atualmente, a Venezuela \u00e9 o caso mais not\u00e1vel de um pa\u00eds que contraiu uma d\u00edvida insustent\u00e1vel com a China, algo que vem cobrando um pre\u00e7o alto de ambos os pa\u00edses. As iniciativas chinesas de desenvolvimento na regi\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o causando preocupa\u00e7\u00f5es sobre a \u201c<a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/one-belt-one-road-china-imperialism-by-brahma-chellaney-2017-05\">servid\u00e3o por d\u00edvidas<\/a>\u201c. \u00c9 por este motivo que a China pode e deve trabalhar com os vizinhos da Venezuela e com institui\u00e7\u00f5es internacionais para descobrir o que pode fazer para ajudar a aliviar a crise atual, al\u00e9m de tamb\u00e9m abrir um precedente para futuras concess\u00f5es de cr\u00e9dito em outras partes do mundo. Sobre a governan\u00e7a no setor de petr\u00f3leo, pode ser interessante explorar uma poss\u00edvel colabora\u00e7\u00e3o multilateral com a finalidade de encontrar maneiras de assegurar um maior alinhamento entre a extra\u00e7\u00e3o e o uso do petr\u00f3leo bruto ultra pesado da Venezuela e os esfor\u00e7os chineses e globais de&nbsp;<a href=\"http:\/\/carnegietsinghua.org\/2014\/12\/11\/opportunity-for-beijing-and-washington-in-venezuela-s-oil-crisis-pub-57491\">combate aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/a><\/p>\n<p>A China tamb\u00e9m deve considerar uma colabora\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es regionais multilaterais com as quais j\u00e1 mant\u00e9m uma s\u00f3lida parceria de trabalho, tais como o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco de Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina (<a href=\"https:\/\/www.caf.com\/es\/paises\/venezuela\/\">CAF<\/a>), e at\u00e9 mesmo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe ou outros organismos filiados \u00e0 ONU. Essas institui\u00e7\u00f5es devem fazer uma reflex\u00e3o coletiva sobre como a China poderia desempenhar um papel construtivo nos esfor\u00e7os multilaterais para ajudar a Venezuela a alcan\u00e7ar um cen\u00e1rio econ\u00f4mico mais sustent\u00e1vel, tanto no curto como no m\u00e9dio prazo. At\u00e9 hoje, nenhuma dessas organiza\u00e7\u00f5es teve um papel de tanto destaque como a OEA, mas devido ao seu foco mais estreito em quest\u00f5es econ\u00f4micas, elas podem proporcionar uma plataforma multilateral mais pr\u00e1tica para um envolvimento maior e mais construtivo da China.<\/p>\n<p>Se, em vez disso, a China decidir manter um foco m\u00edope nos seus atuais e futuros acordos de cr\u00e9dito por petr\u00f3leo, e n\u00e3o abdicar das suas expectativas idealistas de estabilidade ser\u00e3o consideradas superficiais todas as suas pretens\u00f5es de lideran\u00e7a na governan\u00e7a econ\u00f4mica global. Isso tamb\u00e9m colocaria em d\u00favida a autenticidade da alegada solidariedade e amizade com os pa\u00edses do Sul Global, especificamente os da Am\u00e9rica Latina. O mergulho ainda mais profundo da Venezuela no caos do autoritarismo n\u00e3o serve os interesses ou ambi\u00e7\u00f5es da China.<\/p>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>Considerando-se as recentes declara\u00e7\u00f5es da China sobre uma \u201c<a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/nova-era-nas-relacoes-china-america-latina\/?lang=pt-pt\">nova era<\/a>\u201d no relacionamento entre o pa\u00eds e a Am\u00e9rica Latina \u2013 sem contar as declara\u00e7\u00f5es de Pequim, que afirma estar fazendo contribui\u00e7\u00f5es cruciais \u00e0&nbsp;<a href=\"http:\/\/thediplomat.com\/2016\/11\/chinas-domestic-debate-on-global-governance\/\">governan\u00e7a global<\/a>&nbsp;e aos&nbsp;<a href=\"http:\/\/news.xinhuanet.com\/english\/2017-04\/23\/c_136229946.htm\">bens p\u00fablicos<\/a>&nbsp;mundiais \u2013 agora \u00e9 a hora de perguntar qual \u00e9 o papel e quais s\u00e3o as responsabilidades que devem ser adotadas pela China em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Venezuela e demais pa\u00edses em desenvolvimento. Devido \u00e0s amea\u00e7as do presente momento \u2013 nomeadamente, a possibilidade de um afastamento dos EUA ou de um confronto direto com seus vizinhos latino-americanos \u2013, o governo e os cidad\u00e3os venezuelanos e de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina podem acabar se voltando para a China na esperan\u00e7a de que o pa\u00eds desempenhe um papel de maior destaque e mais positivo. Podemos dizer o mesmo sobre o respectivo envolvimento dos EUA e da China nos fr\u00e1geis estados da \u00c1frica (como Sud\u00e3o do Sul), Sudeste Asi\u00e1tico (como Myanmar) e outros locais.<\/p>\n<p>Tais esperan\u00e7as e demandas devem refletir padr\u00f5es mais altos do que refletiram at\u00e9 agora. Tamb\u00e9m devem abranger n\u00e3o apenas as&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.bu.edu\/pardeeschool\/files\/2014\/12\/Peru2.pdf\">quest\u00f5es ambientais e trabalhistas<\/a>&nbsp;ligadas aos investimentos chineses na minera\u00e7\u00e3o e na constru\u00e7\u00e3o de barragens, mas tudo o que diz respeito \u00e0 solu\u00e7\u00e3o da crise humanit\u00e1ria e de governan\u00e7a na Venezuela, que vem se aprofundando cada vez mais. A China teve um impacto econ\u00f4mico grande no pa\u00eds e tem, portanto, mais responsabilidades nesse sentido do que qualquer outro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina. Em suma, Pequim deve abordar o seu relacionamento com Caracas de forma muito mais respons\u00e1vel. Embora a Venezuela possa representar um desafio econ\u00f4mico e diplom\u00e1tico colossal para a China, o pa\u00eds asi\u00e1tico j\u00e1 enfrenta e continuar\u00e1 enfrentando complica\u00e7\u00f5es semelhantes por conta dos la\u00e7os que mant\u00e9m com diversos pa\u00edses em desenvolvimento, tanto na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/947ea960-38b2-11e7-821a-6027b8a20f23?mhq5j=e1\">\u00c1frica<\/a>como no&nbsp;<a href=\"http:\/\/thediplomat.com\/2017\/03\/how-did-myanmars-reforms-change-its-relations-with-china\/\">Sudeste Asi\u00e1tico<\/a>. Uma atitude de enterrar a cabe\u00e7a na areia em vez de enfrentar suas responsabilidades na Venezuela e em outros locais n\u00e3o vai beneficiar a China no longo prazo.<\/p>\n<p>Um artigo do Fundo Carnegie de 2016 intitulado \u201cVenezuela no limite: a regi\u00e3o poder\u00e1 ajudar?\u201d [\u201c<a href=\"http:\/\/carnegieendowment.org\/2016\/06\/29\/venezuela-on-edge-can-region-help-pub-63947\">Venezuela on the Edge: Can the Region Help?\u201d]<\/a>&nbsp;concluiu com a seguinte observa\u00e7\u00e3o: \u201cSem o apoio diplom\u00e1tico e o envolvimento econ\u00f4mico de Bras\u00edlia e Buenos Aires ao longo da \u00faltima d\u00e9cada\u2026o chavismo n\u00e3o teria conseguido se manter vivo nem teria for\u00e7a o suficiente para tomar o poder da forma como fez\u201d. O mesmo certamente poder ser afirmado a respeito da contribui\u00e7\u00e3o da China. Pequim precisa assumir um papel mais ativo e respons\u00e1vel junto ao restante da comunidade internacional para ajudar a criar um futuro mais vi\u00e1vel para a Venezuela e sua popula\u00e7\u00e3o. Os esfor\u00e7os nascentes da China para desempenhar um papel mais importante e respeit\u00e1vel no cen\u00e1rio global ainda esbarrar\u00e3o em muitos desafios, a Venezuela representa apenas a ponta do iceberg.<\/p>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria foi originalmente publicada&nbsp;pelo<a href=\"http:\/\/carnegietsinghua.org\/2017\/07\/24\/can-china-help-fix-venezuela-pub-71564\">Center for Global Policy at Carnegie-Tsinghua<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 o que esperam os pa\u00edses da regi\u00e3o do maior parceiro venezuelano<\/p>\n","protected":false},"author":40000225,"featured_media":50024367,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039919],"tags":[50030008,50003579],"hashtags":[],"country":[50003528,50003542],"class_list":["post-50009631","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-negocios","tag-divida","tag-financas","country-china-pt-br","country-venezuela-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A China poder\u00e1 ajudar na recupera\u00e7\u00e3o da Venezuela? 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