{"id":50010054,"date":"2017-11-22T07:00:28","date_gmt":"2017-11-22T07:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=10054"},"modified":"2023-05-12T14:44:05","modified_gmt":"2023-05-12T13:44:05","slug":"10041-petroliferas-chinesas-enfrentam-problemas-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/florestas\/10041-petroliferas-chinesas-enfrentam-problemas-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Petrol\u00edferas chinesas enfrentam problemas na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><em>Esta \u00e9 a sexta de uma serie especial de mat\u00e9rias sobre o papel da China no desenvolvimento pac\u00edfico e sustent\u00e1vel da Col\u00f4mbia<\/em><\/p>\n<p>A cordilheira dos Andes corre ao longo da borda oeste da Am\u00e9rica do Sul como um grande quebra-vento. Em dire\u00e7\u00e3o ao interior do continente, ao leste, suaves plan\u00edcies d\u00e3o lugar a densas florestas e, eventualmente, \u00e0 vasta Amaz\u00f4nia. Um d\u00e9cimo das esp\u00e9cies conhecidas do mundo vive aqui, e a respira\u00e7\u00e3o de centenas de milh\u00f5es de \u00e1rvores deu \u00e0 regi\u00e3o sua reputa\u00e7\u00e3o de \u201cpulm\u00e3o do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Ao p\u00e9 dos Andes, no extremo norte da Amaz\u00f4nia colombiana, fica a pequena cidade de Florencia, capital da prov\u00edncia de Caquet\u00e1. Florencia \u00e9 uma das portas de entrada para a floresta no pa\u00eds montanhoso. Na pra\u00e7a central, vemos altas palmeiras se empinando contra o pano de fundo da cordilheira, vis\u00edvel ao longe.<\/p>\n<p>Em 08 de junho de 2011, 150 quil\u00f4metros ao noroeste daqui, em um lugar chamado San Vincente del Cagu\u00e1n, quatro engenheiros chineses foram sequestrados por homens armados e mantidos em cativeiro no meio das montanhas. Os quatro eram empregados de uma empresa subcontratada pela Emerald Energy, subsidi\u00e1ria do grupo chin\u00eas Sinochem. Os sequestradores eram membros das FARC, a guerrilha esquerdista radical da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de sua luta armada contra o governo, em 1964, as FARC usaram os sequestros e o tr\u00e1fico de drogas para controlar territ\u00f3rios fora do alcance governamental e tentar alcan\u00e7ar objetivos pol\u00edticos que, segundo o grupo, representavam o povo. De acordo com estat\u00edsticas, 220.000 colombianos morreram e cerca de 7,3 milh\u00f5es foram obrigados a deixar suas casas ao longo dos 52 anos do conflito \u2013 um alto pre\u00e7o, para um pa\u00eds com popula\u00e7\u00e3o de apenas 48 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em Caquet\u00e1, ent\u00e3o controlada pelas FARC, trabalhadores de empresas petrol\u00edferas chinesas se viram no meio de um conflito civil em uma terra estrangeira. Em novembro de 2012, ap\u00f3s 17 meses em cativeiro, os quatro trabalhadores foram libertados \u2013 n\u00e3o pelo pagamento, nem por nenhuma opera\u00e7\u00e3o heroica de resgate, mas por conta de uma mudan\u00e7a pol\u00edtica fundamental: em outubro de 2012, as FARC e o governo haviam iniciado hist\u00f3ricas discuss\u00f5es de paz, e a soltura dos ref\u00e9ns estrangeiros remanescentes seria um s\u00edmbolo de boa-f\u00e9.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, o pa\u00eds passou por outra mudan\u00e7a hist\u00f3rica.<\/p>\n<h2>Uma oportunidade hist\u00f3rica de paz \u2013 e neg\u00f3cios<\/h2>\n<p>Em 30 de novembro de 2016, ap\u00f3s quatro anos de conversas, os dois lados chegaram a um acordo geral de paz, ap\u00f3s a rejei\u00e7\u00e3o em um referendo anterior e a renegocia\u00e7\u00e3o de um novo acordo com altera\u00e7\u00f5es significativas. Ap\u00f3s meio s\u00e9culo de confrontos, as FARC e o governo declararam um cessar-fogo e a Col\u00f4mbia entrou na era p\u00f3s-conflito ou, pelo menos, p\u00f3s-acordo de paz. O grupo militante baixou as armas e se transformou em um partido pol\u00edtico leg\u00edtimo. Em 10 de dezembro, o presidente colombiano Juan Manuel Santos fez um discurso comovente em Oslo, na Noruega, ao&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/news\/world-europe-38275292\">aceitar<\/a>&nbsp;o Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito a ser reconstru\u00eddo na Col\u00f4mbia. A reintegra\u00e7\u00e3o dos soldados das FARC em uma sociedade pac\u00edfica ser\u00e1 um processo dif\u00edcil, e ainda h\u00e1 muito ressentimento. Mas o processo come\u00e7ou. Como disse Santos, em seu discurso: \u201cO longamente aguardado processo de implementa\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou, com o apoio inestim\u00e1vel das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Com este novo acordo, termina o conflito armado mais antigo, e o \u00faltimo, do Hemisf\u00e9rio Ocidental. Com esse acordo, come\u00e7a o desmantelamento de um ex\u00e9rcito \u2013 neste caso, um ex\u00e9rcito irregular \u2013 e sua convers\u00e3o em um movimento pol\u00edtico legal\u201d.<\/p>\n<p>A paz levou oportunidades muito reais para as elites pol\u00edtica e empresarial da Col\u00f4mbia. Quando as conversas de paz come\u00e7aram em 2012, Santos embarcou em um \u201croadshow\u201d em Shanghai, na China,&nbsp;<a href=\"http:\/\/fta.mofcom.gov.cn\/article\/chinacolumbia\/chinacolumbiagfguandian\/201508\/27950_1.html\">convidando<\/a>&nbsp;empresas chinesas a investirem na Col\u00f4mbia como parte da estrat\u00e9gia de \u201cinternacionaliza\u00e7\u00e3o\u201d do pa\u00eds. Na v\u00e9spera do referendo sobre o acordo de paz, o embaixador colombiano na China, Oscar Rueda Garcia, disse em uma entrevista \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias Xinhua que as mudan\u00e7as positivas trazidas pelo processo de paz significariam mais oportunidades de investimento e parceria para as empresas chinesas, inclusive na reconstru\u00e7\u00e3o das \u00e1reas rurais e de conflito.<\/p>\n<p>As empresas chinesas adotaram um otimismo cauteloso quanto \u00e0s melhorias no ambiente de investimentos colombiano. De acordo com uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ciccps.org\/cht\/Shownews.asp?id=619\">an\u00e1lise<\/a>&nbsp;divulgada pela C\u00e2mara Internacional de Com\u00e9rcio da China para o Setor Privado, as \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o, turismo e agricultura estariam abertas para investimentos, mas as empresas deveriam tomar cuidado com a criminalidade violenta que poderia ocupar o \u201cv\u00e1cuo\u201d deixado pelas FARC.<\/p>\n<h2>Dissid\u00eancia nas montanhas<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s o trauma do sequestro, a Sinochem finalmente tinha a paz e a oportunidade pelas quais estava esperando. A empresa presenciou mudan\u00e7as pol\u00edticas, econ\u00f4micas e ambientais na Col\u00f4mbia, tendo atuado no pa\u00eds desde 2009, quando adquiriu a brit\u00e2nica Emerald Energy, cujos ativos estavam localizados principalmente na Col\u00f4mbia e na S\u00edria. Com a aquisi\u00e7\u00e3o, a Sinochem ganhou alguns campos petrol\u00edferos na Col\u00f4mbia, o que tornou o pa\u00eds um fornecedor confi\u00e1vel de petr\u00f3leo para o grupo. A Col\u00f4mbia \u00e9 a terceira maior produtora de petr\u00f3leo na Am\u00e9rica do Sul, depois da Venezuela e do Brasil. Em 2013, com a melhora da situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, a Emerald Energy anunciou a explora\u00e7\u00e3o de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.sinochem.com\/s\/1375-4608-8647.html\">tr\u00eas novos campos<\/a>&nbsp;de petr\u00f3leo em parceria com a petrol\u00edfera estatal colombiana. Entre eles, o bloco Nogal, em Caquet\u00e1, era considerado de \u201cbaixo risco de prospec\u00e7\u00e3o, alto potencial de recursos\u201d.<\/p>\n<p>Mas o desenvolvimento de Nogal n\u00e3o foi recebido totalmente de bom grado em Florencia, nem em Caquet\u00e1 de maneira geral. O bloco de 240.000 hectares fica um pouco ao sul da cidade e ocupa peda\u00e7os das regi\u00f5es amaz\u00f4nicas de Morelia, Milan e Valpara\u00edso. Antes que as perfura\u00e7\u00f5es possam oficialmente come\u00e7ar, a Emerald Energy precisa realizar processos de estratifica\u00e7\u00e3o e prospec\u00e7\u00e3o s\u00edsmica em uma \u00e1rea de cerca de 20.000 hectares.<\/p>\n<p>H\u00e1 muita discuss\u00e3o sobre o projeto no vilarejo de Valpara\u00edso. Para chegar ali, \u00e9 necess\u00e1rio enfrentar tr\u00eas horas em um \u00f4nibus rural, para depois finalizar o trajeto de motocicleta sobre ruas acidentadas. Espalhados sobre as amplas, deslumbrantes plan\u00edcies de montanha, h\u00e1 manchas de floresta intocada, al\u00e9m de gado e cavalos pastando calmamente. Ali, o casal de agricultores Blanca Barrag\u00e1n e Sime\u00f3n Cort\u00e9s construiu uma casa simples, de madeira. As \u00e1rvores em frente est\u00e3o carregadas de laranjas maduras, enquanto um papagaio azul-safira descansa entre os galhos. Na cozinha, Blanca prepara o jantar e relembra o dia em que foi eletrocutada por uma arraia, enquanto pescava em um rio na floresta.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos raios do sol de fim de tarde penetram pelas rachaduras nas paredes, iluminando os rostos morenos dos camponeses reunidos ali.<\/p>\n<p>\u201cSomos agricultores, a ind\u00fastria do petr\u00f3leo n\u00e3o significar\u00e1 nada para n\u00f3s\u201d, disse o jovem Rigoberto Valencia, o mais loquaz do grupo. Ele teme que as atividades de prospec\u00e7\u00e3o s\u00edsmica possam afetar o abastecimento de \u00e1gua local. O fazendeiro Jose Antonio Saldarriaga contou que cria mais de 100 cabe\u00e7as de gado e planta milho, banana e mandioca na sua fazenda. L\u00e1, h\u00e1 tamb\u00e9m uma \u00e1rea de floresta intocada, irrigada por um pequeno c\u00f3rrego e uma nascente. \u201cA fazenda \u00e9 o nosso \u00fanico ganha-p\u00e3o.\u201d Efluentes e potenciais vazamentos dos equipamentos de perfura\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo s\u00e3o motivos de preocupa\u00e7\u00e3o para os camponeses.<\/p>\n<p>A Emerald Energy n\u00e3o ignorou esses receios. Em 2014, a empresa organizou reuni\u00f5es em Caquet\u00e1 para informar representantes da comunidade sobre o projeto. A avalia\u00e7\u00e3o de impacto ambiental sobre a prospec\u00e7\u00e3o em Nogal foi conclu\u00edda no final do ano passado. O trabalho avaliou o impacto das atividades sobre as \u00e1guas, florestas, biodiversidade, comunidade e economia locais. De acordo com o documento, haveria apenas \u201cimpactos negativos usuais\u201d sobre a qualidade da \u00e1gua.<\/p>\n<p>No entanto, as reuni\u00f5es n\u00e3o foram suficientes para convencer a popula\u00e7\u00e3o. \u201cPareceu mais uma palestra unilateral\u201d, reclamou Saldarriaga. Os moradores do vilarejo tamb\u00e9m criticam algumas das conclus\u00f5es do relat\u00f3rio, particularmente aquelas referentes a um dos animais amea\u00e7ados da regi\u00e3o, um macaco conhecido como titi de Caquet\u00e1 (Callicebus caquetensis). De acordo com o relat\u00f3rio, \u201capesar de existirem dados demonstrando que o macaco vive nessa regi\u00e3o, nenhum foi observado durante o per\u00edodo de avalia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os moradores acham que isso pode ter sido proposital. \u201cN\u00f3s ouvimos [os macacos] nas \u00e1rvores em nossas fazendas!\u201d, disse Luis Eduardo Ortiz, abrindo a porta e apontando para a floresta. De acordo com Javier Garcia, bi\u00f3logo da Universidad de la Amazonia e descobridor dessa esp\u00e9cie de primata, o animal \u00e9, sim, encontrado ali \u2013 e sua vocaliza\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica pode ser facilmente identificada.<\/p>\n<h2>Oposi\u00e7\u00e3o crescente<\/h2>\n<p>Os moradores do vilarejo vivem h\u00e1 muito tempo na sombra do conflito armado, e n\u00e3o s\u00e3o apenas as preocupa\u00e7\u00f5es ambientais que trazem desconfian\u00e7a sobre a ind\u00fastria do petr\u00f3leo. Antes de 2006, as FARC ocuparam as florestas nas montanhas de Caquet\u00e1, e mil\u00edcias privadas (chamadas de grupos paramilitares na Col\u00f4mbia) apareceram para combater as guerrilhas. Os combates constantes for\u00e7aram muitos habitantes a abandonarem o local.<\/p>\n<p>Eles temem que a chegada das empresas de petr\u00f3leo coloque fim \u00e0 paz pela qual tanto esperaram e que o influxo de dinheiro desencadeie um desastre. \u201cAs mil\u00edcias assinaram um acordo com o governo h\u00e1 10 anos e se desarmaram \u2013 mas n\u00e3o completamente. A tenta\u00e7\u00e3o do dinheiro do petr\u00f3leo poder\u00e1 atrair alguns deles de volta ao crime organizado\u201d, disse Yolima Salazar, chefe da \u00e1rea de rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias da Igreja Cat\u00f3lica em Morelia.<\/p>\n<p>Em junho de 2015, os habitantes apreensivos de Valpara\u00edso decidiram intensificar seus esfor\u00e7os,&nbsp;<a href=\"https:\/\/old.dialogochino.net\/unidos-contra-a-exploracao-de-petroleo-na-colombia\/?lang=pt-pt\">bloqueando<\/a>&nbsp;a \u00fanica estrada que leva a um dos pontos de prospec\u00e7\u00e3o s\u00edsmica, para evitar que a empresa realizasse o trabalho. As tropas de choque foram enviadas ao local e usaram g\u00e1s lacrimog\u00eanio para dispersar os camponeses. Um dos moradores, Juan Pablo Chavez, teve um sangramento grave ap\u00f3s ser atingido por uma granada do g\u00e1s. Muitos outros ficaram feridos. A viol\u00eancia havia retornado ao vilarejo nas montanhas, ainda que por motivos diferentes.<\/p>\n<h2>Meditando na Amaz\u00f4nia<\/h2>\n<p>Jorge Reinel Pulecio \u00e9 o chefe do \u201cDepartamento de Coordena\u00e7\u00e3o de Paz\u201d na Universidad de la Amazonia. O departamento tem como objetivo abordar todas as partes envolvidas no acordo de paz e aproxim\u00e1-las das \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o e pesquisa, para ajudar a encontrar uma trajet\u00f3ria de avan\u00e7o para este local devastado pelo conflito. A respeito da controv\u00e9rsia sobre Nogal, ele disse: \u201cO acordo de paz foi um divisor de \u00e1guas. Por um lado, os moradores do vilarejo acham que deveriam ter mais direito de serem ouvidos, como prometido no acordo de paz; por outro, o governo e as grandes empresas veem uma chance de reduzir custos\u201d. Antes do cessar-fogo, os custos de seguran\u00e7a e at\u00e9 mesmo o pagamento de resgates eram parte da realidade de fazer neg\u00f3cios nas \u00e1reas controladas pelas FARC \u2013 um pre\u00e7o que as empresas n\u00e3o precisam mais pagar.<\/p>\n<p>A Sinochem e a comunidade local talvez tenham opini\u00f5es divergentes sobre a intensidade real da oposi\u00e7\u00e3o ao projeto em Nogal. Como signat\u00e1ria do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.unglobalcompact.org\/\">Pacto Global da ONU<\/a>, uma iniciativa de sustentabilidade corporativa, a Sinochem inclui em seus relat\u00f3rios anuais de responsabilidade social corporativa as atividades de bem-estar p\u00fablico que a empresa promove na regi\u00e3o, entre eles o apoio a capacita\u00e7\u00f5es em t\u00e9cnicas de marcenaria tradicionais da regi\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de estradas. A Emerald Energy tamb\u00e9m realizou as reuni\u00f5es de costume para tratar do projeto. Em setembro desse ano, a empresa contratou uma organiza\u00e7\u00e3o externa, o&nbsp;<a href=\"http:\/\/institutoconversacion.weebly.com\/equipo.html\">Instituto de la Conversaci\u00f3n<\/a>, para conversar com representantes locais, ONGs e acad\u00eamicos. De acordo com Carlos Ramirez, oficial do governo regional de Caquet\u00e1, que presenciou essas conversas, a empresa tem reconhecido o problema que enfrenta quanto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica negativa.<\/p>\n<p>Apesar de a popula\u00e7\u00e3o local reclamar de algumas das coisas que a Emerald Energy tem feito durante as atividades de prospec\u00e7\u00e3o, como iniciar trabalhos sem permiss\u00e3o dos donos das terras, as acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de dif\u00edcil comprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 certo que existem diverg\u00eancias b\u00e1sicas sobre como a borda da regi\u00e3o amaz\u00f4nica deveria ser desenvolvida, e isso alimenta a oposi\u00e7\u00e3o. De acordo com Jesus Alfredo Gomez, de Morelia, existe uma resist\u00eancia \u201cfundamental\u201d a ter empresas petrol\u00edferas atuando ali.<\/p>\n<p>Enquanto Gomez fala, Hernando Cuellar entra no quintal e presenteia o rep\u00f3rter com uma fruta redonda, de cor dourada. \u201cEsse \u00e9 o ara\u00e7\u00e1, que s\u00f3 existe na Amaz\u00f4nia.\u201d A polpa era macia e doce, lembrando um pouco uma manga. \u201cA qualidade das frutas aqui \u00e9 fant\u00e1stica, mas n\u00e3o podemos transport\u00e1-las, ent\u00e3o elas apodrecem no ch\u00e3o\u201d, ele disse, apontando para as frutas espalhadas no quintal.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias rurais da regi\u00e3o est\u00e3o ali h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es e t\u00eam suas pr\u00f3prias ideias sobre como a \u00e1rea deveria se desenvolver \u2013 ideias que s\u00e3o compartilhadas por outros. O controlador financeiro de Caquet\u00e1, Eduardo Moya, acredita que o \u201ccar\u00e1ter \u00fanico\u201d da regi\u00e3o amaz\u00f4nica significa que o governo deveria trat\u00e1-la de forma diferenciada. Essa caracter\u00edstica \u00fanica prov\u00e9m de um \u201cambiente mais vulner\u00e1vel\u201d e de \u201cprodutos com alto valor agregado\u201d \u2013 valor esse que deriva da preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e de m\u00e9todos sustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o. \u201cCaf\u00e9, coca, frutas, at\u00e9 mesmo peixes de \u00e1gua doce \u2013 todos esses t\u00eam potencial nos mercados internacionais.\u201d<\/p>\n<p>L\u00e1 no casebre de madeira em Valpara\u00edso, Rigoberto falou sobre outras oportunidades de desenvolvimento para Caquet\u00e1, se n\u00e3o o petr\u00f3leo. \u201cPrecisamos da chance de trazer os nossos produtos para o mercado, precisamos de boas estradas e tecnologias agr\u00edcolas.\u201d Ele apontou para a rua de terra que passava em frente \u00e0 propriedade. \u201cComo podemos competir com os outros?\u201d<\/p>\n<p>Em seu discurso de aceita\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Nobel da Paz, o presidente Santos disse: \u201cQue bom poder dizer que o fim do conflito na Col\u00f4mbia \u2013 o pa\u00eds mais biodiverso do mundo por quil\u00f4metro quadrado \u2013 trar\u00e1 importantes dividendos ambientais.\u201d<\/p>\n<p>Mas, em Florencia, muitos est\u00e3o em d\u00favida se o governo nacional est\u00e1 realmente se importando com o meio ambiente. O apoio \u00e0 perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os de petr\u00f3leo na Amaz\u00f4nia tem diminu\u00eddo o brilho dos compromissos ambientais internacionais t\u00e3o alardeados \u2013 como parte do Acordo de Paris, a Col\u00f4mbia prometeu chegar ao Desmatamento L\u00edquido Zero at\u00e9 2020. Em 2014, o pa\u00eds tamb\u00e9m assinou o Desafio de Bonn, de recuperar um milh\u00e3o de hectares de floresta at\u00e9 2020, a\u00e7\u00e3o que fixaria um total estimado de 90 milh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o em Florencia reflete um desafio fundamental enfrentado pela estrat\u00e9gia de investimentos energ\u00e9ticos da China na Col\u00f4mbia e at\u00e9 mesmo na Am\u00e9rica Latina como um todo. Kevin Gallagher, especialista em com\u00e9rcio China-Am\u00e9rica Latina na Universidade de Boston, calculou que 87% dos investimentos feitos por bancos estatais chineses na Am\u00e9rica Latina foram destinados \u00e0s \u00e1reas de energia, minera\u00e7\u00e3o e infraestrutura \u2013 com investimentos significativos em combust\u00edveis f\u00f3sseis. Em compara\u00e7\u00e3o, esses setores representam apenas 34% dos investimentos do Banco Mundial.<\/p>\n<p>Na salinha apertada do Departamento de Coordena\u00e7\u00e3o de Paz na Universidad de la Amazonia, o professor Pulecio est\u00e1 aflito: \u201cTodos n\u00f3s sabemos que a China est\u00e1 investindo enormes quantias em uma transi\u00e7\u00e3o para energias renov\u00e1veis em casa, e criou inova\u00e7\u00f5es incr\u00edveis em tecnologia renov\u00e1vel. Se a China vier para a Am\u00e9rica Latina, para a Col\u00f4mbia, a Amaz\u00f4nia, apenas para extrair petr\u00f3leo e recursos naturais, ao inv\u00e9s de&nbsp;<a href=\"https:\/\/old.dialogochino.net\/tecnologia-limpa-pode-ajudar-colombia-construir-paz-forte-e-duradoura\/?lang=pt-pt\">ajudar em uma transi\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;semelhante, isso ser\u00e1 um grande fracasso\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um final \u00e0 vista para o cabo-de-guerra em Nogal e, em lugares como Morelia e Valpara\u00edso, a disputa chegou aos tribunais. Uma representante da Emerald Energy, Juanita Latorre, recusou o pedido de entrevista enviado via e-mail pelo Di\u00e1logo Chino.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como saber se os ventos de insatisfa\u00e7\u00e3o que sopram das montanhas de Caquet\u00e1 ser\u00e3o sentidos nas salas das diretorias em Bogot\u00e1 e Pequim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e3o testando a estrat\u00e9gia de recursos naturais da China para a Am\u00e9rica 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