{"id":50033891,"date":"2020-03-04T20:16:12","date_gmt":"2020-03-04T20:16:12","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=33891"},"modified":"2022-06-28T18:59:49","modified_gmt":"2022-06-28T17:59:49","slug":"33830-ferrovia-para-enfrenta-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/florestas\/33830-ferrovia-para-enfrenta-resistencia\/","title":{"rendered":"Ferrovia Par\u00e1 enfrenta resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 sete gera\u00e7\u00f5es, a fam\u00edlia da Sandra Amorim vive no mesmo lote de terra na regi\u00e3o leste da Amaz\u00f4nia brasileira. Eles viviam rodeados pela floresta tropical, mas as imagens e os sons que os cercam agora t\u00eam outra natureza: o desenvolvimento industrial.<\/p>\n<p>\u201cPara qualquer lado que voc\u00ea virar, vai encontrar problemas\u201d, disse ela. A expans\u00e3o de um porto em Barcarena, um munic\u00edpio pr\u00f3ximo a Bel\u00e9m no nordeste do Par\u00e1, gerou conflitos em muitas comunidades tradicionais. E uma nova ferrovia com financiamento chin\u00eas promete estimular ainda mais o desenvolvimento. Muitos, como Sandra, temem sair perdendo.<\/p>\n<p>\u00c9 em Barcarena que fica o Porto de Vila do Conde, a parada final da Ferrovia Par\u00e1, um projeto de linha ferrovi\u00e1ria que pretende sair da cidade de Marab\u00e1 e se estender por 492 quil\u00f4metros. No final do ano passado, a <em>China Communications Construction Company<\/em> (CCCC) assinou uma declara\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es com o governo do Par\u00e1 para investir 7 bilh\u00f5es de reais na ferrovia, o maior investimento estrangeiro em infraestrutura no Brasil. A constru\u00e7\u00e3o ter\u00e1 in\u00edcio no ano que vem.<\/p>\n<div class='cdo-shortcode--image'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-33874 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2020\/03\/2.png\" alt=\"map showing the extent of the railway project in Par\u00e1, Brazil\" width=\"1792\" height=\"1099\" \/><\/div>\n<p>O min\u00e9rio de ferro ser\u00e1 a principal carga movimentada na ferrovia, e a China, o principal destino da commodity. Mais tarde, o projeto ser\u00e1 ampliado para o sul da cidade de Santana do Araguaia e ser\u00e1 conectado a uma malha ferrovi\u00e1ria nacional que chega at\u00e9 o Rio Grande do Sul. Ser\u00e3o enviados minerais, gr\u00e3os e bovinos para todo o mundo a partir do porto que ocupa uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica na foz do Amazonas.<\/p>\n<p>O governo do Par\u00e1 declarou que a ferrovia vai estimular ainda mais a economia, gerando empregos e aumentando a renda dos trabalhadores. Ela vai reduzir os custos de transporte e aumentar a produtividade nas opera\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www.oliberal.com\/para\/governo-garante-inicio-de-ferrovia-que-interligara-barcarena-maraba-e-parauapebas-em-2021-1.212000\">minera\u00e7\u00e3o<\/a>, incluindo a mina a c\u00e9u aberto <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/9301-china-is-driving-a-boom-in-brazilian-mining-but-at-what-cost\/\">Caraj\u00e1s<\/a>, onde a gigante da minera\u00e7\u00e3o Vale extrai aproximadamente 120 milh\u00f5es de toneladas de min\u00e9rio de ferro por ano. Os lucros v\u00e3o crescer ainda mais com novas instala\u00e7\u00f5es para o processamento de metais. A CCCC e a Vale tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/29681-vale-targets-long-standing-production-development-pledge\/?lang=pt-br\">v\u00e3o investir<\/a> 1,8 bilh\u00e3o de reais em uma usina de lamina\u00e7\u00e3o de a\u00e7o em Marab\u00e1.<\/p>\n<p>Mas, para os moradores de Barcarena, a ferrovia s\u00f3 vai exacerbar os conflitos. A Vila do Conde ganhou novos postos de gasolina, linhas el\u00e9tricas e casas para os rec\u00e9m-chegados trabalhadores, o que acabou inchando o complexo industrial, que hoje ocupa uma \u00e1rea de 4 milh\u00f5es de metros quadrados. Quem abre o espa\u00e7o s\u00e3o as florestas, derrubadas.<\/p>\n<h2>Cicatrizes industriais<\/h2>\n<p>O Par\u00e1 ostenta cicatrizes do desenvolvimento industrial. Em 2015, um cargueiro que seguia para a Venezuela naufragou assim que saiu do porto, derramando centenas de gal\u00f5es de combust\u00edvel no mar. O acidente tamb\u00e9m arrastou centenas de vacas para as praias de Barcarena, que morreram e foram deixadas apodrecendo sob o sol.<\/p>\n<p>Em 2018, fortes chuvas levaram ao vazamento de produtos qu\u00edmicos na Alunorte, a maior refinaria de alum\u00ednio do mundo, pertencente \u00e0 empresa norueguesa de metais Norsk Hydro, causando uma inunda\u00e7\u00e3o t\u00f3xica. A Norsk Hydro negou responsabilidade pelo vazamento; a Alunorte retomou opera\u00e7\u00e3o plena recentemente.<\/p>\n<p>As comunidades de Barcarena decidiram parar de consumir os peixes locais e agora bebem apenas \u00e1gua engarrafada. As mudan\u00e7as em seu entorno e a press\u00e3o para deixar a regi\u00e3o t\u00eam afetado negativamente os moradores; Amorim relata que muitos t\u00eam escolhido at\u00e9 tirar a pr\u00f3pria vida. Apesar disso, todos os anos, dezenas de milhares de caminh\u00f5es n\u00e3o param de chegar ao porto pelas estradas esburacadas, levantando nuvens de poeira vermelha que se misturam ao ar quente e denso.<\/p>\n<p>Na entrada da comunidade quilombola \u00c1frica, vemos um menino em cima de uma pequena ponte de madeira pescando em um riacho. Os trilhos da ferrovia cruzar\u00e3o apenas os quilombos vizinhos, mas os moradores da \u00c1frica dizem que, mesmo assim, eles ser\u00e3o afetados.<\/p>\n<blockquote><p>A \u00e1gua respeita os limites de 10 quil\u00f4metros?<\/p><\/blockquote>\n<p>Barcarena fica a 18 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, mas a expans\u00e3o da sua presen\u00e7a \u00e9 cada vez mais palp\u00e1vel. Uma nova esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua foi instalada nas redondezas para extrair a \u00e1gua dos igarap\u00e9s e canaliz\u00e1-la de volta para o porto. Ser\u00e3o constru\u00eddos na regi\u00e3o mais postos de abastecimento, linhas el\u00e9tricas e hospitais; todos precisar\u00e3o de \u00e1gua e terra.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fego de pessoas estranhas na regi\u00e3o tem aumentado e, com isso, a preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a tamb\u00e9m, conta o morador Magno Cardoso. A ideia de que os enormes projetos de infraestrutura v\u00e3o trazer benef\u00edcios para todos simplesmente n\u00e3o \u00e9 verdade, disse ele. \u201cUma minoria ser\u00e1 beneficiada \u2013 propriet\u00e1rios rurais, o pessoal do agroneg\u00f3cio. Para o restante da comunidade, significa a perda dos rios, conflitos p\u00fablicos e um aumento dos n\u00edveis de criminalidade e marginaliza\u00e7\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<h2>Dividindo o estado<\/h2>\n<p>A Ferrovia Par\u00e1 passar\u00e1 por 23 munic\u00edpios, cruzando ou passando perto de in\u00fameras comunidades quilombolas e pequenas propriedades de agricultura familiar, al\u00e9m de duas vilas ind\u00edgenas. O governo do Par\u00e1 disse que adequaria a linha para minimizar ao m\u00e1ximo o <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/blog\/blog-do-xingu\/indigenas-e-populacoes-tradicionais-devem-ser-ouvidos-ainda-na-fase-planejamento-de-obras\">impacto \u00e0s pessoas<\/a>. Quem mora a 10 quil\u00f4metros dos trilhos receber\u00e1 uma indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a natureza n\u00e3o respeita os limites arbitr\u00e1rios dos planos de impacto, disse Johny Giffoni, defensor p\u00fablico do Par\u00e1. Mesmo aqueles que se encontram fora dos limites sentir\u00e3o os impactos. \u201cA \u00e1gua respeita [os limites de] 10 quil\u00f4metros? O ar respeita 10 quil\u00f4metros? A terra contaminada respeita 10 quil\u00f4metros?\u201d<\/p>\n<p>Giffoni disse que n\u00e3o houve uma consulta \u00e0s comunidades locais antes que o governo federal anunciasse os planos de construir a ferrovia.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, a ferrovia vai aumentar o desmatamento porque vai abrir acesso \u00e0s terras que at\u00e9 ent\u00e3o eram inacess\u00edveis. \u201cA tend\u00eancia aponta para um aumento do desmatamento onde houver pontos de embarque\u201d, disse Paulo Barreto, pesquisador da Imazon, uma ONG ambiental em Bel\u00e9m.<\/p>\n<div class='block--pullout-stat block--pullout-stat--float cd-shortcode--factbox'>\n                <p class='block--pullout-stat__title'>9%<\/p>\n                <div class='block--pullout-stat__content'>\n                    <br \/>\nfatia do desmatamento causado pela minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia<br \/>\n\n                <\/div>\n            <\/div>\n<p>O aumento das atividades de minera\u00e7\u00e3o resultar\u00e1 em mais perdas florestais e pode at\u00e9 triplicar os n\u00edveis de desmatamento na bacia amaz\u00f4nica, segundo um estudo de 2018 conduzido por Laura Sonter, pesquisadora ambiental da Universidade de Queensland na Austr\u00e1lia. Ela constatou que o desmatamento continua em uma \u00e1rea de 70 quil\u00f4metros fora dos limites dos grandes projetos. Isso acontece devido \u00e0 expans\u00e3o urbana e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura complementar, bem como das instala\u00e7\u00f5es de tratamento de min\u00e9rios. Entre 2005 e 2015, a minera\u00e7\u00e3o causou 9% de todo o desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O Par\u00e1 abriga 3% de todos os dep\u00f3sitos de min\u00e9rio de ferro do mundo. A Ferrovia Par\u00e1 se encaixa nos planos de incentivo \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, setor que gera um quarto do PIB do estado e mais de 90% das exporta\u00e7\u00f5es. Em 2010, havia 171 minas a c\u00e9u aberto; no final da d\u00e9cada, haver\u00e1 230. O n\u00famero de cidades mineradoras aumentar\u00e1 de 55 para 80. Nas proje\u00e7\u00f5es para 2030, a expectativa \u00e9 de que a minera\u00e7\u00e3o gere 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Segundo Sonter, \u00e9 poss\u00edvel que a biodiversidade regional tamb\u00e9m seja afetada pelo desmatamento, pela fragmenta\u00e7\u00e3o florestal e pelo risco de esp\u00e9cies invasoras. \u201cAs avalia\u00e7\u00f5es de impacto ambiental geralmente subestimam os impactos negativos da minera\u00e7\u00e3o na biodiversidade, simplesmente porque n\u00e3o examinam os impactos indiretos que surgem quando ampliamos a escala de observa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2>Cadeias de suprimento agr\u00edcola<\/h2>\n<p>Al\u00e9m do min\u00e9rio de ferro, outra quest\u00e3o \u00e9 que a redu\u00e7\u00e3o dos custos de transporte vai incentivar a expans\u00e3o da ind\u00fastria da carne bovina, uma das principais impulsionadoras do desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira, disse Rebecca Ray, p\u00f3s-doutoranda no Centro para o Desenvolvimento de Pol\u00edticas Globais da Universidade de Boston.<\/p>\n<p>A demanda chinesa por <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/32059-tracking-chinas-soy-and-beef-imprint-on-latin-america\/\">carne bovina<\/a> vem aumentando e o pa\u00eds tem buscado importar mais do <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/countries\/brazil\/\">Brasil<\/a>.<\/p>\n<blockquote><p>o governo brasileiro est\u00e1 tamb\u00e9m escolhendo uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim que a Ferrovia Par\u00e1 se conectar \u00e0s redes adjacentes, o transporte da soja pelo pa\u00eds tamb\u00e9m ficar\u00e1 mais barato e r\u00e1pido. Nos \u00faltimos anos a demanda dos chineses pela soja brasileira cresceu de forma excepcional, explica Ray, principalmente depois das tens\u00f5es comerciais com os Estados Unidos. Entre 2013 e 2018, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de soja para a China praticamente dobraram, e a de carne bovina quase triplicou.<\/p>\n<p>\u201cOs interesses tradicionais da agroind\u00fastria e da minera\u00e7\u00e3o ser\u00e3o beneficiados, enquanto as comunidades que sempre sofreram os impactos ambientais causados por esses interesses sofrer\u00e3o ainda mais\u201d, disse Ray.<\/p>\n<p>Edna Castro, soci\u00f3loga da Universidade Federal do Par\u00e1, disse que a ferrovia se encaixa nas din\u00e2micas de desenvolvimento que est\u00e3o acontecendo no estado e em outros locais na Amaz\u00f4nia. S\u00e3o planejados mais de 30 novos portos, al\u00e9m de obras de apoio ao transporte hidrovi\u00e1rio e novas <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/7240-belo-monte-power-lines-will-clear-extensive-vegetation\/\">linhas el\u00e9tricas<\/a>. A pecu\u00e1ria vai migrar para o norte, afirmou ela. Quando a floresta \u00e9 desmatada e a terra n\u00e3o serve mais como pasto, ela se transforma em uma \u00e1rea de cultivo de soja. Se isso acontecer, o Par\u00e1 se tornar\u00e1 um grande produtor do gr\u00e3o em apenas alguns anos.<\/p>\n<p>O investimento da China em infraestrutura no Brasil fortaleceu as suas cadeias de suprimento de alimentos e de outras mat\u00e9rias-primas. Mas, no Brasil, mais minerais significam mais \u00e1rvores derrubadas.<\/p>\n<div class='block--pullout-stat block--pullout-stat--float cd-shortcode--factbox'>\n                <p class='block--pullout-stat__title'>2009<\/p>\n                <div class='block--pullout-stat__content'>\n                    <br \/>\nano em que o Banco Mundial colocou o CCCC na sua lista negra<br \/>\n\n                <\/div>\n            <\/div>\n<p>A pegada ambiental da Ferrovia Par\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a primeira pol\u00eamica internacional que envolveu a CCCC. A empresa foi ligada a uma s\u00e9rie de conflitos no passado, incluindo no Sri Lanka, onde as comunidades locais foram afetadas por obras de dragagem, pela destrui\u00e7\u00e3o dos recifes de coral e pela eros\u00e3o da terra durante a constru\u00e7\u00e3o da Cidade Portu\u00e1ria de Colombo. Em 2009, o Banco Mundial colocou o CCCC em sua lista negra devido a supostas pr\u00e1ticas fraudulentas durante as licita\u00e7\u00f5es para uma rodovia nas Filipinas.<\/p>\n<p>Ray n\u00e3o acha que os chineses sejam os \u00fanicos culpados pelas consequ\u00eancias sociais ou ambientais. Sua pesquisa sugere que os investidores chineses, como o CCCC, aderem \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0s normas sociais do pa\u00eds em que conduzem neg\u00f3cios para evitar conflitos diplom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cAo realizar esse tipo de investimento, o governo brasileiro est\u00e1 tamb\u00e9m escolhendo uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento e aceitando as consequ\u00eancias ambientais e sociais dessa escolha\u201d, afirma ela.<\/p>\n<p>A Sandra Amorim est\u00e1 sempre de olho na sua cerca. Tantos rostos novos apareceram na regi\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil saber quem est\u00e1 vindo, disse ela. As visitas policiais s\u00e3o frequentes \u00e0 sua casa devido \u00e0s amea\u00e7as de morte que ela recebe. Ela foi atacada perto de casa tr\u00eas vezes e lamenta o aumento da criminalidade, da prostitui\u00e7\u00e3o e dos <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2018\/mar\/16\/brazil-pollution-amazon-aluminium-plant-norwegian\">assassinatos<\/a> que esse fluxo de estranhos trouxe \u00e0 Barcarena, mas encolhe os ombros e diz: \u201cIsso \u00e9 o progresso, n\u00e9?\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 sete gera\u00e7\u00f5es, a fam\u00edlia da Sandra Amorim vive no mesmo lote de terra na regi\u00e3o leste da Amaz\u00f4nia brasileira. Eles viviam rodeados pela floresta tropical, mas as imagens e os sons que os cercam agora t\u00eam outra natureza: o desenvolvimento industrial. \u201cPara qualquer lado que voc\u00ea virar, vai encontrar problemas\u201d, disse ela. 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