{"id":50038498,"date":"2020-11-25T15:43:44","date_gmt":"2020-11-25T15:43:44","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=38498"},"modified":"2022-07-28T15:02:57","modified_gmt":"2022-07-28T14:02:57","slug":"acai-agro-pop-floresta-amazonia-chega-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/alimentos\/acai-agro-pop-floresta-amazonia-chega-china\/","title":{"rendered":"A\u00e7a\u00ed: o agro pop da floresta chega \u00e0 China"},"content":{"rendered":"<p>Natural, em polpa, em p\u00f3, em c\u00e1psula, em cremes e at\u00e9 mesmo em perfumes: n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender porque o mito de que \u201co a\u00e7a\u00ed ganhou o mundo\u201d \u00e9 cada vez mais comum entre amaz\u00f4nidas e empres\u00e1rios da regi\u00e3o Norte do Brasil. A fruta, nativa da Amaz\u00f4nia, j\u00e1 foi batizada de <em>superfood<\/em>, ou supercomida, por seus valores nutricionais e, com uma produ\u00e7\u00e3o livre de desmatamento, \u00e9 frequentemente apontada como um dos caminhos mais promissores para o desenvolvimento sustent\u00e1vel da maior floresta tropical do mundo.<\/p>\n<p>Mas por tr\u00e1s do entusiasmo, h\u00e1 um longo caminho a ser desbravado pela fruta t\u00edpica da Amaz\u00f4nia e seus produtores. Sem investimento para se desenvolver, a produ\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o consegue atender \u00e0 demanda interna, cada vez maior \u2014 que dir\u00e1 do mundo.<\/p>\n<div class='block--pullout-stat block--pullout-stat--float cd-shortcode--factbox'>\n                <p class='block--pullout-stat__title'>99%<\/p>\n                <div class='block--pullout-stat__content'>\n                    <br \/>\ndo a\u00e7a\u00ed produzido no Brasil \u00e9 consumido dentro do pa\u00eds<br \/>\n\n                <\/div>\n            <\/div>\n<p>Em 2019, o Brasil produziu 1,4 milh\u00e3o de toneladas de a\u00e7a\u00ed, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) \u2014 e <a href=\"https:\/\/www.conab.gov.br\/info-agro\/analises-do-mercado-agropecuario-e-extrativista\/analises-do-mercado\/historico-mensal-de-acai\/item\/download\/31586_6bed23dba499b257e49c5c26b194ddfd\">exportou<\/a> menos de 1% disso. A produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito aqu\u00e9m da fama mundial, se comparada \u00e0 de outros frutos al\u00e7ados \u00e0 categoria de <em>superfood<\/em> no mundo, como o rom\u00e3, cuja produ\u00e7\u00e3o apenas no Ir\u00e3, seu segundo maior fornecedor, supera as 3 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Mas nos \u00faltimos <a href=\"http:\/\/www.investexportbrasil.gov.br\/sites\/default\/files\/artigo\/estudo-comoexportarCHINA.pdf\">quatro<\/a> anos produtores t\u00eam se esfor\u00e7ado para introduzir o gosto pelo a\u00e7a\u00ed na China, o maior mercado consumidor do mundo, e virar o jogo. De olho na urbaniza\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a de h\u00e1bitos alimentares dos chineses, principalmente os jovens, a Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos vem promovendo o a\u00e7a\u00ed na China desde 2017.<\/p>\n<p>A batalha j\u00e1 teve algumas pequenas vit\u00f3rias. Este ano, quando a OakBerry A\u00e7a\u00ed Bowls, uma das principais vendedoras de a\u00e7a\u00ed no mundo, abriu uma loja em um shopping em Xangai, um dos maiores centros comerciais da China, para vender o <em>mix<\/em> de a\u00e7a\u00ed \u2013 uma mistura da polpa com \u00e1gua, xarope de guaran\u00e1, aromatizantes e estabilizantes. A empresa ainda quer distribuir o produto pronto em supermercados e abrir mais quatro lojas at\u00e9 2021, incluindo em Beijing e Hong Kong.<\/p>\n<div class='cdo-shortcode--image'><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_38503\" aria-describedby=\"caption-attachment-38503\" style=\"width: 1440px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-38503 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2020\/11\/\u5fae\u4fe1\u56fe\u7247_20201103162459.jpg\" alt=\"An employee serves a portion of a\u00e7a\u00ed at Oakberry\u2019s shop in Shanghai\" width=\"1440\" height=\"1080\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-38503\" class=\"wp-caption-text\">Um funcion\u00e1rio da loja da Oakberry em Xangai prepara o pedido de um cliente (imagem: China Dialogue)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o dos clientes nos primeiros meses de funcionamento da loja tem sido boa. \u201cPercebemos que temos uma base de consumidores convertida, formada principalmente pela comunidade do entorno da loja, que trabalha no per\u00edmetro do shopping\u201d, explica Karim Fahs, franqueado da OakBerry na China. Mas o desafio de tornar o a\u00e7a\u00ed conhecido em um pa\u00eds sem Google, Facebook ou Instagram \u00e9 grande.\u00a0 \u201cN\u00e3o sabemos o que tem na internet deles; precisamos nos fazer existir no mundo online chin\u00eas primeiro\u201d.<\/p>\n<p>Alguns produtores tamb\u00e9m j\u00e1 conseguem exportar a polpa para a China, mas em pequena quantidade, apesar do potencial \u00e9 gigante do maior mercado consumidor do mundo. Mas a preocupa\u00e7\u00e3o em conseguir sucesso \u00e9 quase t\u00e3o grande quanto a de alcan\u00e7\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ivan Saiki, que exporta a fruta h\u00e1 15 anos, mas n\u00e3o para a China, argumenta que se uma parcela pequena da popula\u00e7\u00e3o chinesa consumisse uma por\u00e7\u00e3o, mesmo pequena, de a\u00e7a\u00ed por ano j\u00e1 n\u00e3o haveria \u201ccomo abastecer esse mercado.\u201d Isso s\u00f3 poderia acontecer, ele diz, <span style=\"font-size: 1rem;\">\u201ca longo prazo e talvez, com grande investimento, apoio, pol\u00edtica de incentivos \u00e0 cadeia.\u201d<\/span><\/p>\n<h2>Lucro do a\u00e7a\u00ed fica fora da Amaz\u00f4nia<\/h2>\n<p>Boa parte da produ\u00e7\u00e3o que ganha o mundo se d\u00e1 por meio de alimentos processados, que cont\u00e9m pouca quantidade de a\u00e7a\u00ed em sua formula\u00e7\u00e3o final e s\u00e3o frequentemente fabricados em outros pa\u00edses, como os <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-publicacoes\/-\/publicacao\/1059773\/acai-producao-de-frutos-mercado-e-consumo\">Estados Unidos<\/a>. Com baixo n\u00edvel de industrializa\u00e7\u00e3o na cadeia do a\u00e7a\u00ed dentro do Brasil, o pa\u00eds n\u00e3o consegue liderar este mercado.<\/p>\n<blockquote><p>Dos 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares que o mercado de a\u00e7a\u00ed movimenta no mundo, somente 1 bilh\u00e3o retorna para a Amaz\u00f4nia<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cO problema de n\u00e3o se investir em nossos produtos nativos \u00e9 que tem quem queira fazer isso l\u00e1 fora, seja em outro estado ou em outro pa\u00eds\u201d, afirma a engenheira agr\u00f4noma Anecilene Buzaglo, que tem 15 anos de experi\u00eancia acompanhando produtores de a\u00e7a\u00ed no Amazonas. \u201cFoi assim com a seringueira (borracha), o cacau e o guaran\u00e1, apenas para citar produtos nativos da Amaz\u00f4nia.\u201d<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que os estados amaz\u00f4nicos se beneficiam muito pouco do cultivo do a\u00e7a\u00ed, apesar de concentrarem quase toda sua produ\u00e7\u00e3o, conta o engenheiro climatologista Carlos Nobre, que defende o investimento de tecnologia para tornar a Amaz\u00f4nia em uma pot\u00eancia da bioeconomia.<\/p>\n<p>\u201cDos 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares que o mercado de a\u00e7a\u00ed movimenta no mundo, somente 1 bilh\u00e3o retorna para a Amaz\u00f4nia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Falta investimento tamb\u00e9m nos pequenos produtores extrativistas, que produzem a\u00e7a\u00ed nas florestas brasileiras para aumentar seus cultivos e responder \u00e0 crescente demanda do pr\u00f3prio mercado brasileiro.<\/p>\n<p>O cultivo e a colheita permanecem praticamente artesanais. Grande parte dos frutos de a\u00e7a\u00ed prov\u00e9m do manejo de \u00e1reas nativas realizado por ribeirinhos ao longo da bacia amaz\u00f4nica, segundo a Embrapa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria. A colheita e o transporte s\u00e3o especialmente dif\u00edceis no Par\u00e1: s\u00e3o \u00e1reas alagadas, onde as embarca\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam, sendo preciso carregar manualmente o cesto com o fruto ventilado e aberto para n\u00e3o fermentar.<\/p>\n<p>\u201cA colheita baseada no extrativismo \u00e9 inst\u00e1vel, o que oscila o pre\u00e7o e o mercado internacional n\u00e3o aceita isso. \u00c9 preciso ter uma produ\u00e7\u00e3o regular durante o ano todo\u201d, afirma o produtor Saiki.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de transporte at\u00e9 os centros urbanos e armazenamento geram perdas que a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) estima estarem entre 30% a 40% da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos gargalos na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7a\u00ed no Par\u00e1 e o custo da colheita em \u00e1reas nativas chega a representar, em determinadas \u00e9pocas do ano, 50% do custo de produ\u00e7\u00e3o, segundo o professor da Embrapa, Jos\u00e9 Urano de Carvalho.\u00a0 Ela \u00e9 feita pelos chamados peconheiros, que escalam as \u00e1rvores com o aux\u00edlio de uma palha tran\u00e7ada para apoiar o p\u00e9, quase sempre com altura superior a 12 metros, sem equipamentos de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>No Amazonas, considerado um mercado promissor por conta do rendimento de polpa da esp\u00e9cie nativa, a <em>Euterpe precatoria<\/em>, que chega a ser quase o dobro da esp\u00e9cie encontrada no Par\u00e1 (<em>Euterpe oleracea<\/em>), os obst\u00e1culos est\u00e3o ligados \u00e0s quest\u00f5es de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, que interfere diretamente no acesso a cr\u00e9ditos banc\u00e1rios e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mudas e pesquisa de cultivares da esp\u00e9cie local, segundo o diretor de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural do Instituto de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio e Florestal Sustent\u00e1vel do Estado do Amazonas (IDAM), Luiz Herval Filho.<\/p>\n<p>\u201cPara cultivar uma muda pronta para plantio leva-se um ano. Para o in\u00edcio de produ\u00e7\u00e3o de frutos em escala comercial s\u00e3o mais cinco\u201d, conta.<\/p>\n<h2>A\u00e7a\u00ed no Brasil: Um caminho para o desenvolvimento sustent\u00e1vel<\/h2>\n<p>Carvalho, da Embrapa, explica que, para dobrar a atual produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7a\u00ed bastariam 100 mil hectares em \u00e1reas de terra firme, uma \u00e1rea \u00ednfima se comparada \u00e0 ocupada pela soja no Par\u00e1, 500 mil hectares. O acesso a essas terras n\u00e3o deveria ser dif\u00edcil, j\u00e1 que o a\u00e7a\u00ed \u00e9 tamb\u00e9m indicado para a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de pastagem degradadas, que superam os <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/agrobiologia\/pesquisa-e-desenvolvimento\/pastagens#:~:text=No%20Brasil%20existem%20aproximadamente%20200,estado%20em%20que%20se%20encontram.\">200 milh\u00f5es<\/a> de hectares pelo Brasil<\/p>\n<p>\u201cNenhum hectare de a\u00e7aizeiro estabelecido em \u00e1rea de terra firme na Amaz\u00f4nia foi implantado em \u00e1rea de floresta prim\u00e1ria\u201d, diz Carvalho. \u201cNa totalidade dos casos foram utilizadas \u00e1reas de pastagem degradada ou ocupadas com outras culturas que deixaram de ser interessantes para os agricultores.\u201d<\/p>\n<p>Os investimentos no a\u00e7a\u00ed tamb\u00e9m fortaleceriam comunidades extrativistas, que hoje ocupam 8,1 milh\u00f5es de hectares de florestas p\u00fablicas no bioma Amaz\u00f4nia. Essas \u00e1reas foram estabelecidas como unidades de conserva\u00e7\u00e3o para uso sustent\u00e1vel na categoria de reservas extrativistas e s\u00e3o manejadas por conselhos compostos por representantes das comunidades locais, institui\u00e7\u00f5es governamentais e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais.<\/p>\n<div class='cdo-shortcode--image'><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_38489\" aria-describedby=\"caption-attachment-38489\" style=\"width: 1620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-38489 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2020\/11\/ac\u0327ai-baskets-loaded-onto-boat.jpg\" alt=\"Workers load baskets of a\u00e7a\u00ed berries onto boats in Bel\u00e9m\" width=\"1620\" height=\"1080\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-38489\" class=\"wp-caption-text\">Trabalhadores carregam um barco com a\u00e7a\u00ed em Bel\u00e9m, no Par\u00e1 (imagem: Alamy)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p><\/div>\n<p>De acordo com a publica\u00e7\u00e3o \u201cCaminhos para uma Agricultura Familiar sob Bases Ecol\u00f3gicas: Produzindo com Baixa Emiss\u00e3o de Carbono\u201d, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (IPAM), embora as reservas extrativistas venham sendo criadas no Brasil desde 1988, a maioria das fam\u00edlias ainda apresenta baixa renda e est\u00e1 gradualmente expandindo a atividade de pecu\u00e1ria bovina extensiva como fonte de renda e de poupan\u00e7a, o que contribui para aumentar a press\u00e3o de desmatamento.<\/p>\n<p>Mas o cultivo do a\u00e7a\u00ed \u00ad\u2013 e de frutas nativas como cacau e castanha \u2013 \u00e9 at\u00e9 vinte vezes mais rent\u00e1vel do que a produ\u00e7\u00e3o de carne e soja na Amaz\u00f4nia. Um estudo comparativo feito em 2019 pela Funda\u00e7\u00e3o Centros de Refer\u00eancia em Tecnologias Inovadoras (CERTI), de Santa Catarina, mostrou que um cultivo de a\u00e7a\u00ed em sistema agroflorestal rende 12,4 mil reais\/hectare por ano, enquanto a carne e a soja rendem 604 reais\/hectare por ano.<\/p>\n<p>O a\u00e7a\u00ed tamb\u00e9m gera diversos produtos que poderiam ser aproveitados pela ind\u00fastria local. Ant\u00f4nio Mesquita, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), descobriu, por exemplo, que o caro\u00e7o da fruta produz pain\u00e9is tipo MDF mais resistentes que o de eucalipto, tipo comum na ind\u00fastria.<\/p>\n<p>A Votorantim Cimentos, signat\u00e1ria de um pacto setorial para eliminar as emiss\u00f5es de carbono na produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 2050, tamb\u00e9m vem substituindo combust\u00edveis f\u00f3sseis por materiais org\u00e2nicos como o caro\u00e7o do a\u00e7a\u00ed que, desde 2018, \u00e9 motor das caldeiras da uma de suas unidades no Par\u00e1, com 70 mil toneladas de caro\u00e7o por ano.<\/p>\n<p>\u201cPorque n\u00e3o trazer as tecnologias 4.0 para gerar ind\u00fastrias na Amaz\u00f4nia de forma descentralizada e gerar capacita\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es rurais e urbanas para um modelo bioindustrial?\u201d, pergunta-se Nobre, o climatologista. \u201cTem que haver pol\u00edticas p\u00fablicas e interesse grande da ind\u00fastria brasileira e quebrar a tradi\u00e7\u00e3o cultural de que a Amaz\u00f4nia deve ser fornecedora de produtos prim\u00e1rios.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natural, em polpa, em p\u00f3, em c\u00e1psula, em cremes e at\u00e9 mesmo em perfumes: n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender porque o mito de que \u201co a\u00e7a\u00ed ganhou o mundo\u201d \u00e9 cada vez mais comum entre amaz\u00f4nidas e empres\u00e1rios da regi\u00e3o Norte do Brasil. 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