{"id":50041944,"date":"2021-04-07T19:58:28","date_gmt":"2021-04-07T18:58:28","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=41944"},"modified":"2024-07-05T14:46:50","modified_gmt":"2024-07-05T13:46:50","slug":"41918-como-a-agroindustria-ilhou-o-xingu-mais-antiga-reserva-indigena-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/florestas\/41918-como-a-agroindustria-ilhou-o-xingu-mais-antiga-reserva-indigena-do-brasil\/","title":{"rendered":"Como a agroind\u00fastria ilhou o Xingu, mais antiga reserva ind\u00edgena do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Watatakalu Yawalapiti tem 40 anos. Nasceu na aldeia Amakapuku, que \u00e9 abra\u00e7ada por uma extensa floresta preservada no cora\u00e7\u00e3o do Brasil. Passou boa parte da inf\u00e2ncia nas areias brancas e \u00e1guas l\u00edmpidas do rio Tuatuari. Na outra parte, ficava sentada em roda ouvindo o bisav\u00f4 contar hist\u00f3rias, como a de que o homem branco chegaria com uma l\u00e2mina enorme e cortaria os troncos das \u00e1rvores como se raspam os pelos do corpo.<\/p>\n<p>\u201cTodo mundo ria porque ningu\u00e9m pensava que isso fosse verdade\u201d, diz ao telefone para logo em seguida resgatar na mem\u00f3ria uma cantiga na l\u00edngua yawalapiti que o bisav\u00f4 cantava para narrar a lenda.<\/p>\n<p>Yawalapiti, hoje uma lideran\u00e7a ind\u00edgena local, cresceu protegida pelas fronteiras do territ\u00f3rio ind\u00edgena do Xingu (TIX)<em>,<\/em> entre os estados de Mato Grosso e Par\u00e1. O Xingu foi a primeira reserva ind\u00edgena demarcada pelo governo brasileiro, institu\u00edda h\u00e1 60 anos para preservar a biodiversidade e as 16 etnias que ali habitam.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-42006\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/04\/20210406_Parque-do-Xingu-PT.svg\" alt=\"mapa mostrando o territ\u00f3rio do Xingu\" width=\"500\" height=\"500\" \/><\/p>\n<p>Dentro de uma \u00e1rea maior que Israel, Yawalapiti viveu a calmaria da passagem do tempo marcada pelas esta\u00e7\u00f5es chuvosa e seca. J\u00e1 do lado de fora, o tempo corria mais depressa. Cada vez que cruzava os 290 quil\u00f4metros da aldeia \u00e0 cidade mais pr\u00f3xima, de Canarana, a floresta encurtava e a lavoura crescia. A f\u00e1bula do bisav\u00f4 ia ganhando contornos reais.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 20 anos, a regi\u00e3o ao redor da terra de Yawalapiti se transformou em um polo produtor de soja, milho, algod\u00e3o e carne, conectado por rodovias e ferrovias. O entorno do Xingu concentra, hoje, 10% das exporta\u00e7\u00f5es de soja no Brasil.<\/p>\n<p>Enquanto a fronteira agr\u00edcola avan\u00e7a pela bacia do Xingu, as exporta\u00e7\u00f5es seguem <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/exportacoes-do-agronegocio-devem-bater-recorde-superar-barreira-dos-us-100-bi-pela-2-vez-na-historia-24822441\">batendo recordes<\/a>. Ao mesmo tempo, ali \u00e9 onde se acumula <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2020\/06\/bacia-do-xingu-e-campea-de-desmatamento-na-amazonia-diz-estudo.shtml\">o maior desmatamento<\/a> da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O presidente brasileiro Jair Bolsonaro ap\u00f3ia a abertura da floresta \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e \u00e0 agricultura, provocando protestos de aldeias do Xingu, que se sentem amea\u00e7adas.<\/p>\n<h2>Xingu, um caminh\u00e3o de soja<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao todo, 13 munic\u00edpios no entorno do Xingu, incluindo Canarana, exportaram 8,7 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os em 2020, mais da metade para a China, segundo dados do com\u00e9rcio exterior (<\/span><a href=\"http:\/\/comexstat.mdic.gov.br\/pt\/municipio\/24823\"><span style=\"font-weight: 400;\">Comex<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os mesmos munic\u00edpios tamb\u00e9m<\/span><a href=\"http:\/\/comexstat.mdic.gov.br\/pt\/municipio\/27565\"> <span style=\"font-weight: 400;\">exportaram<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> 8,5 milh\u00f5es de toneladas de milho &#8211; que tem sua cultura intercalada com a soja &#8211; o que representa<\/span><a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/agronegocios\/noticia\/2020\/12\/08\/exportacao-de-milho-devera-recuar-208percent-em-2020.ghtml\"> <span style=\"font-weight: 400;\">um quarto<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> dos embarques do ano passado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNo lado leste, onde est\u00e1 Quer\u00eancia, e sul, com Canarana, existe uma consolida\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada do agroneg\u00f3cio, com grupos multinacionais e seus imensos silos investindo pesad\u00edssimo\u201d, explica Iv\u00e3 Bocchini, do Programa Xingu, do Instituto Socioambiental.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Multinacionais como as americanas Bunge e Cargill, a chinesa Cofco e a brasileira Amaggi t\u00eam forte atua\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, segundo dados da plataforma Trase, que rastreia o risco de desmatamento em cadeias de suprimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como restam poucas \u00e1reas desocupadas, as fazendas e reservas se disp\u00f5em lado a lado. S\u00e3o como bordas de dois mundos que se tocam sem se cruzarem. Mas as consequ\u00eancias do ac\u00famulo de desmatamento e da monocultura ultrapassam fronteiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Watatakalu Yawalapiti diz que seu povo, que divide a reserva com outras<\/span><a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Xingu\"><span style=\"font-weight: 400;\"> 15 etnias<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, percebeu o clima mudar. O sol ficou mais quente, o per\u00edodo seco mais longo, o rio mais raso e turvo, o peixe mais escasso. Viveram anos de fome e viram po\u00e7os artesianos surgirem: \u201cA gente n\u00e3o bebe mais \u00e1gua de rio, n\u00e3o \u00e9 mais limpa\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outros dist\u00farbios v\u00eam do aumento da popula\u00e7\u00e3o de porcos do mato, que se alimentam de milho e soja das planta\u00e7\u00f5es e invadem as ro\u00e7as de pequenos agricultores e ind\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_42054\" aria-describedby=\"caption-attachment-42054\" style=\"width: 515px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-42054\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2021\/04\/xingu-deforestation.gif\" alt=\"Expans\u00e3o da soja chega cada vez mais perto do territ\u00f3rio ind\u00edgena do Xingu\" width=\"515\" height=\"515\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-42054\" class=\"wp-caption-text\">Expans\u00e3o da soja chega cada vez mais perto do territ\u00f3rio ind\u00edgena do Xingu<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estudos confirmam o que os Yawalapiti experienciam. Eles mostram que as chuvas<\/span><a href=\"https:\/\/ocs.ige.unicamp.br\/ojs\/sbgfa\/article\/view\/2259\"> <span style=\"font-weight: 400;\">s\u00e3o mais fracas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> nos munic\u00edpios que rodeiam o territ\u00f3rio do Xingu por onde o desmatamento avan\u00e7a. Com menos chuvas, a seca \u00e9 mais intensa, e as queimadas,<\/span><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/meio-ambiente\/ultimas-noticias\/redacao\/2017\/02\/06\/queimadas-no-xingu-crescem-58-em-consequencia-do-agronegocio-diz-ibama.htm\"> <span style=\"font-weight: 400;\">mais frequentes<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A constru\u00e7\u00e3o de milhares de barragens e reservat\u00f3rios para a pecu\u00e1ria, agricultura e gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica tamb\u00e9m<\/span><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2530064420300225\"> <span style=\"font-weight: 400;\">altera o fluxo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> dos cursos d\u2019\u00e1gua da bacia do Xingu. A barragem da hidrel\u00e9trica de Belo Monte, em Altamira, amea\u00e7a a pr\u00f3pria<\/span><a href=\"https:\/\/www.oeco.org.br\/noticias\/ibama-recua-e-baixa-vazao-em-belo-monte-volta-a-ameacar-a-vida-do-rio-xingu\/\"> <span style=\"font-weight: 400;\">sobreviv\u00eancia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> do rio Xingu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa bacia nasce do Cerrado, no Mato Grosso, e se expande por <a href=\"https:\/\/www.cprm.gov.br\/sace\/xingu_caracteristicas.php\">531 mil km2<\/a> em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f4nia, no Par\u00e1. Mais da metade dela est\u00e1 abrigada pelas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, mas as cabeceiras dos rios ficam sujeitas ao desmatamento e aos agrot\u00f3xicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO agrot\u00f3xico \u00e9 a pior amea\u00e7a, porque ela \u00e9 silenciosa, e o TIX \u00e9 como um ralo para onde escorrem os rios\u201d, exemplifica Bocchini, que assessora organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas do Xingu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em uma d\u00e9cada, a \u00e1rea plantada de gr\u00e3os ao redor do territ\u00f3rio do Xingu<\/span><a href=\"https:\/\/greennetworkproject.org\/es\/2019\/10\/18\/pueblo-khisetje-baila-festeja-y-lucha\/\"> <span style=\"font-weight: 400;\">cresceu<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> 135%, e o uso de agrot\u00f3xicos, 130%. Mais recentemente, o algod\u00e3o,<\/span><a href=\"https:\/\/www.pan-uk.org\/cotton\/\"> <span style=\"font-weight: 400;\">grande consumidor<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> de agrot\u00f3xicos, come\u00e7ou a despontar. Munic\u00edpios do Xingu mais do que dobraram a exporta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada, fechando 2020 com 31 mil toneladas exportadas, mostra o Comex. O principal importador \u00e9 a China.<\/span><\/p>\n<h2>Tr\u00eas irm\u00e3os e sua campanha para proteger o Xingu<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As transforma\u00e7\u00f5es da paisagem na bacia do Xingu seguem o rastro da interioriza\u00e7\u00e3o patrocinada pelo governo Get\u00falio Vargas. A partir de 1943, a expedi\u00e7\u00e3o Roncador-Xingu deixou Leopoldina, em Minas Gerais, e seguiu a noroeste, cortando o Brasil Central.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A expedi\u00e7\u00e3o, composta em sua maioria por garimpeiros \u201csem lei\u201d, abriu 1.500 quil\u00f4metros de rotas e ergueu campos de pouso e bases militares. Cidades foram surgindo nesse trajeto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, por um acaso, a expedi\u00e7\u00e3o n\u00e3o serviu apenas para preencher os brancos da cartografia brasileira. Por falta de financiamento, ela estagnou no Alto Xingu, no Mato Grosso, onde os l\u00edderes, os irm\u00e3os Villas B\u00f4as, estabeleceram contato com povos ind\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO objetivo da nossa expedi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha nada a ver com \u00edndio, ele foi um acidente na marca da expedi\u00e7\u00e3o\u201d, contou Orlando, o irm\u00e3o mais velho, numa<\/span><a href=\"https:\/\/tvbrasil.ebc.com.br\/expedicoes\/episodio\/parque-nacional-do-xingu\"> <span style=\"font-weight: 400;\">entrevista<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> em 2000.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Orlando, Cl\u00e1udio e Leonardo eram jovens \u201cpequenos-burgueses paulistas\u201d, como escreveu o antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro, que deixaram suas \u201cvidinhas burocr\u00e1ticas med\u00edocres\u201d em busca de aventura ap\u00f3s a morte dos pais, segundo descreve o livro \u201cA Marcha Para o Oeste\u201d. Encontraram uma causa.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">A soja est\u00e1 entrando muito r\u00e1pido, e esse pessoal, se puder, n\u00e3o deixa nem uma \u00e1rvore de p\u00e9<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O risco de o modelo agroindustrial se sobrepor ao modo de vida ind\u00edgena j\u00e1 existia na \u00e9poca, e os irm\u00e3os Villas B\u00f4as se aliaram a lideran\u00e7as locais, como<\/span><a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/morre-pirakuma-yawalapiti-mais-um-cacique-do-alto-xingu\"> <span style=\"font-weight: 400;\">Paru Yawalapiti<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, av\u00f4 de Watatakalu, numa campanha de quase uma d\u00e9cada pela demarca\u00e7\u00e3o da reserva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMeu av\u00f4 fez parte da expedi\u00e7\u00e3o junto com os Villas B\u00f4as, meu pai aprendeu a ler com a irm\u00e3 deles, Maria de Lourdes\u201d, lembra Watatakalu.<\/span><\/p>\n<h2>Uma oferta para colonizar a floresta<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com um novo impulso do governo para colonizar o Brasil Central nos anos 1970, o desmatamento em larga escala come\u00e7ou a contornar os territ\u00f3rios do Xingu. A partir dos anos 2000, a demanda internacional por commodities injetou mais \u00e2nimo \u00e0 atividade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s press\u00f5es pela conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, medidas incluindo multas ambientais, suspens\u00e3o do cr\u00e9dito agr\u00edcola e pactos com empresas do setor contiveram o desmatamento na \u00faltima d\u00e9cada. Mas uma recente onda de destrui\u00e7\u00e3o voltou a preocupar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Extra\u00e7\u00e3o madeireira, pecu\u00e1ria e sojicultura<\/span><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S1519-60892020000100016&amp;script=sci_arttext\"> <span style=\"font-weight: 400;\">influenciam<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> direta ou indiretamente na expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola da Amaz\u00f4nia. Na regi\u00e3o da bacia do Xingu, isso fica claro: se a soja j\u00e1 est\u00e1 consolidada ao sul, a madeira e a pecu\u00e1ria est\u00e3o ativas do meio para o norte da bacia.<\/span><\/p>\n<div class='block--pullout-stat block--pullout-stat--float cd-shortcode--factbox'>\n                <p class='block--pullout-stat__title'>40%<\/p>\n                <div class='block--pullout-stat__content'>\n                    <br \/>\nda carne bovina vinda da regi\u00e3o do Xingu foi exportada para a China em 2020<br \/>\n\n                <\/div>\n            <\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dados do Comex mostram que 18 munic\u00edpios da regi\u00e3o do Xingu exportaram 18,3 mil toneladas de madeira em 2020, principalmente os paraenses. Tamb\u00e9m foram exportadas 14,8 mil toneladas de carne bovina &#8211; 40% para a China.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Encorajado pela Morat\u00f3ria da Soja, um pacto que impediu a exporta\u00e7\u00e3o de soja plantadas em \u00e1reas desmatadas depois de 2006, o setor ocupa \u00e1reas j\u00e1 abertas por outras atividades. Com isso, comemora que o desmatamento da Amaz\u00f4nia destinado a planta\u00e7\u00f5es hoje<\/span><a href=\"https:\/\/abiove.org.br\/relatorios\/moratoria-da-soja-relatorio-12o-ano\/\"> <span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 residual.<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Mas o impacto da monocultura vai al\u00e9m das fazendas. Obras de infraestrutura que promovem seu desenvolvimento s\u00e3o grandes vetores de abertura de \u00e1reas de florestas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edeon Vaz foi produtor de soja em Mato Grosso, mas na \u00faltima d\u00e9cada decidiu impulsionar o setor de outra forma: mudou-se para Bras\u00edlia com a miss\u00e3o de viabilizar a infraestrutura log\u00edstica com o objetivo de reduzir o custo da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cParticipamos desde a cria\u00e7\u00e3o dos marcos regulat\u00f3rios at\u00e9 a negocia\u00e7\u00e3o de emendas parlamentares, e fazemos a cobran\u00e7a quanto ao andamento das obras, tudo isso leva muito tempo e temos que ficar em cima do governo\u201d, diz Vaz, diretor-executivo do Movimento Pr\u00f3-Log\u00edstica de Mato Grosso e consultor do setor de gr\u00e3os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A BR-163, no trecho entre Cuiab\u00e1 e Santar\u00e9m, est\u00e1 na lista de suas miss\u00f5es cumpridas. A ferrovia Ferrogr\u00e3o e as dezenas de <a href=\"http:\/\/stage.dialogochino.net\/pt-br\/infraestrutura-pt-br\/portos-amazonia-multiplicam-abrem-novas-rotas-para-china\/\">portos industriais<\/a> nos rios da Amaz\u00f4nia fazem parte do mesmo corredor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas povos das terras ind\u00edgenas Ba\u00fa, Menkragnoti e Panar\u00e1 dizem sofrer os impactos da pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia, que impulsionou a grilagem, o desmatamento e as queimadas na regi\u00e3o norte da bacia do Xingu, como<\/span><a href=\"https:\/\/infoamazonia.org\/pt\/2020\/11\/degradacao-e-ilegalidade-acompanham-rastro-da-soja-em-rodovia-no-oeste-do-para\/#!\/map=20394&amp;story=post-61343\"> <span style=\"font-weight: 400;\">denunciam<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A rodovia come\u00e7ou a ser constru\u00edda pelo governo militar na d\u00e9cada de 1970 e deixou marcas na hist\u00f3ria dos Panar\u00e1. \u201cFoi um desastre\u201d, afirma Paulo Junqueira, que assessora os povos da regi\u00e3o pelo Instituto Socioambiental. \u201cA BR-163 passou por cima do territ\u00f3rio e trouxe doen\u00e7as infecciosas que mataram centenas de pessoas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os povos foram transferidos para o Xingu e s\u00f3 conseguiram voltar a seu territ\u00f3rio original duas d\u00e9cadas depois, em 1996.<\/span><\/p>\n<h2>Encurralados<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Winti Kis\u00eadj\u00ea, de 47 anos, nasceu e cresceu na terra ind\u00edgena Wawi, parte do munic\u00edpio de Quer\u00eancia, no Mato Grosso, e h\u00e1 menos de cinco anos sentiu a chegada do agroneg\u00f3cio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA soja j\u00e1 est\u00e1 bem no nosso limite\u201d, conta o l\u00edder ind\u00edgena. \u201cE a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 vinha sofrendo a piora da \u00e1gua, que estava dando problemas de pele e diarreia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Preocupada com a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de mel e pequi, sua comunidade finalizou este ano a mudan\u00e7a da aldeia que entrou 20 quil\u00f4metros floresta adentro. \u201cFicamos com medo de o agrot\u00f3xico, que \u00e9 pulverizado dos avi\u00f5es, atingir nossa produ\u00e7\u00e3o\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cLargamos tudo para fazer tudo novo: moradia, escola, posto de sa\u00fade\u201d, diz Kh\u0129s\u00eatj\u00ea. \u201cMas temos receio de como vai ser no futuro, se a situa\u00e7\u00e3o vai se estabilizar ou piorar ainda mais\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 o agricultor Acr\u00edsio Luiz dos Reis vive em Canabrava do Norte, um munic\u00edpio ao sul da regi\u00e3o do Xingu, que enfrenta uma onda recente de desmatamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA soja est\u00e1 entrando muito r\u00e1pido, e esse pessoal, se puder, n\u00e3o deixa nem uma \u00e1rvore de p\u00e9\u201d, comenta o agricultor. \u201cEu acho isso ruim demais, porque, com o conhecimento que a gente tem, quanto mais se desmata, pior fica; menos \u00e1gua, mais calor\u201d.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">O empecilho n\u00e3o \u00e9 financeiro, porque h\u00e1 v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es querendo apoiar iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele se preocupa tamb\u00e9m com a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que costuma acompanhar a entrada dos novos vizinhos e j\u00e1 \u00e9 realidade em Canabrava. \u201cAt\u00e9 quatro anos atr\u00e1s, tinha terra por dez mil reais, at\u00e9 menos, o alqueire; agora est\u00e1 em 150 mil reais\u201d, exemplifica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mineiro chegou a Canabrava em 1985 e hoje vive num lote de 50 hectares no assentamento Manah, concedido pelo programa de reforma agr\u00e1ria. \u201cS\u00f3 saio daqui num caixote de madeira agora. Gosto demais daqui, realizei meu sonho\u201d, contou o agricultor de 70 anos. \u201cTenho um gadinho, mexo com leite, planto uma hortinha e um pouco de fruticultura\u201d.<\/span><\/p>\n<h2>Rede de cultivo de sementes<\/h2>\n<p>Em \u00e1reas da bacia do Xingu onde o desmatamento est\u00e1 avan\u00e7ando, grupos ind\u00edgenas e ambientalistas locais lutam para reduzir o estrago. Mas onde o dano j\u00e1 foi feito anos atr\u00e1s, a restaura\u00e7\u00e3o de terras est\u00e1 em andamento.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde 2008, Reis complementa a renda com a coleta de sementes nativas, incluindo angico, cajazinha, jatob\u00e1 e guarit\u00e1, encontradas na \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o entre Cerrado e Amaz\u00f4nia. Ele \u00e9 um dos pioneiros da Rede de Sementes do Xingu, um projeto que promove o plantio de mudas para restaurar \u00e1reas degradadas pela agroind\u00fastria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A iniciativa, que surgiu depois de grupos locais notarem a piora da qualidade da \u00e1gua e a escassez de peixes e tartarugas, acabou promovendo um raro di\u00e1logo. De um lado, fazendeiros com passivos ambientais estimulam a rede, e, de outro, pequenos agricultores e ind\u00edgenas coletam sementes. Hoje, s\u00e3o 600 coletores de 16 munic\u00edpios da bacia do Xingu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cNas \u00e1reas plantadas, notamos a fauna retornando e a \u00e1gua mais abundante\u201d, comemora Bruna Ferreira, diretora da Associa\u00e7\u00e3o Rede de Sementes do Xingu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas o trabalho \u00e9 de formiga: em 13 anos de iniciativa, a rede restaurou 6 mil dos mais de 200 mil hectares degradados na regi\u00e3o.\u00a0 \u201cO empecilho n\u00e3o \u00e9 financeiro, porque h\u00e1 v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es querendo apoiar iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o\u201d, diz Ferreira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje o maior problema \u00e9 a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e de interesse de grandes desmatadores de participar. \u201cN\u00f3s somos procurados por fazendeiros que precisam restaurar e querem ser parceiros, mas \u00e9 muito aqu\u00e9m do tamanho do estrago\u201d, completa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fronteira agr\u00edcola avan\u00e7a na bacia do Xingu, que acumula maiores taxas de desmatamento da Amaz\u00f4nia, enquanto abriga 16 etnias ind\u00edgenas<\/p>\n","protected":false},"author":50000210,"featured_media":50041935,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039926,50039934],"tags":[50040380,50003594,50004529,50029815],"hashtags":[],"country":[50003526],"class_list":["post-50041944","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-florestas","category-justica","tag-agricultura-pt-br","tag-desmatamento","tag-povos-indigenas","tag-soja-pt-br-2","country-brasil-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Como a agroind\u00fastria ilhou o Xingu, mais antiga reserva ind\u00edgena do Brasil | Dialogue Earth<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Expans\u00e3o da soja avan\u00e7a pelo territ\u00f3rio ind\u00edgena do Xingu, a reserva ind\u00edgena mais antiga do Brasil. 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