{"id":50364749,"date":"2023-04-04T18:42:56","date_gmt":"2023-04-04T17:42:56","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogochino.net\/?p=64749"},"modified":"2023-06-08T13:37:52","modified_gmt":"2023-06-08T12:37:52","slug":"364683-uruguai-areas-marinhas-petroleo-offshore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/oceanos\/364683-uruguai-areas-marinhas-petroleo-offshore\/","title":{"rendered":"Uruguai quer expandir prote\u00e7\u00e3o marinha \u2014 e petr\u00f3leo offshore"},"content":{"rendered":"<p>A costa uruguaia \u00e9 famosa pelas atividades de turismo, pesca, navega\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio. Mas num pa\u00eds visto como um <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/agenda\/2023\/01\/uruguay-sustainable-energy-renewables\/\">sucesso ambiental<\/a> pelos seus esfor\u00e7os no setor energ\u00e9tico, a conserva\u00e7\u00e3o marinha ainda representa um enorme desafio.<\/p>\n<p>Em 2016, o governo uruguaio <a href=\"https:\/\/www.elobservador.com.uy\/nota\/por-que-piden-proteger-el-10-del-mar-uruguayo-y-que-dice-el-gobierno-20219819150\">se comprometeu<\/a> a proteger 10% de suas \u00e1reas costeiras e marinhas at\u00e9 2020, como contribui\u00e7\u00e3o ao 14\u00ba Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da ONU. Por\u00e9m, a parcela protegida nos mares uruguaios ainda \u00e9 inferior a 1%.<\/p>\n<p>Parece improv\u00e1vel que o Uruguai cumpra sua parte na meta global de proteger 30% dos oceanos at\u00e9 2030, acordada na recente <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/en\/nature\/cop15-reaches-historic-agreement-to-protect-biodiversity\/\">c\u00fapula da biodiversidade da COP15, no Canad\u00e1<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, autoridades uruguaias est\u00e3o trabalhando para garantir que o \u00edndice chegue logo aos dois d\u00edgitos, o que representaria um importante avan\u00e7o do Uruguai na conserva\u00e7\u00e3o marinha e <a href=\"https:\/\/mpatlas.org\/countries\/list\">melhoraria sua posi\u00e7\u00e3o<\/a> no ranking global de \u00e1reas marinhas protegidas (AMPs).<\/p>\n<p>Mas, assim como quer impulsionar a conserva\u00e7\u00e3o, o governo uruguaio tamb\u00e9m autorizou a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo offshore em \u00e1reas que se sobrep\u00f5em \u00e0s AMPs propostas. Organiza\u00e7\u00f5es ambientais e especialistas veem isso como uma contradi\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo integrantes do governo argumentam que isso vai contra os compromissos ambientais do pa\u00eds.<\/p>\n<h2>Proteger e explorar?<\/h2>\n<p>Em 2022, a Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Combust\u00edveis, \u00c1lcool e Cimento (Ancap), estatal de hidrocarbonetos no Uruguai, <a href=\"https:\/\/www.bnamericas.com\/en\/news\/uruguay-awards-3-blocks-in-first-open-round-of-2022\">concedeu<\/a> seis campos offshore para a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s a multinacionais, incluindo subsidi\u00e1rias da Shell.<\/p>\n<p>A not\u00edcia foi mal recebida no pr\u00f3prio governo. Gerardo Amarilla, subsecret\u00e1rio do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, disse que os combust\u00edveis f\u00f3sseis s\u00e3o algo \u201cque a humanidade est\u00e1 tentando deixar no passado\u201d.<\/p>\n<p>Ag\u00eancias do governo identificaram oito \u00e1reas marinhas que precisam ser protegidas das potenciais atividades petrol\u00edferas offshore.<\/p>\n<div class='cdo-shortcode--image'>\n<figure id=\"attachment_64750\" aria-describedby=\"caption-attachment-64750\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-64750 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/04\/20230323_Uruguay_marine_protection_PT-1.png\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1792\"><figcaption id=\"caption-attachment-64750\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1reas do Uruguai priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o marinha se sobrep\u00f5em \u00e0s concess\u00f5es petrol\u00edferas offshore (Fontes: Minist\u00e9rio do Meio Ambiente do Uruguai e Ancap)<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/div> No documento, publicado em dezembro de 2022, os especialistas descreveram como fraco o progresso do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s AMPs, observando que apenas 0,7% de suas \u00e1guas est\u00e3o cobertas pelo Sistema Nacional de \u00c1reas Protegidas (SNAP) \u2014 e essas s\u00e3o apenas \u00e1reas costeiras.<\/p>\n<p>Segundo Amarilla, a ideia \u00e9 que o documento seja o ponto de partida para o Uruguai chegar \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de 10% de suas \u00e1guas, limitando as atividades que poderiam causar preju\u00edzos a esses ecossistemas. Mas tamb\u00e9m reconheceu que o minist\u00e9rio precisa de apoio e financiamento internacional. Embora haja esperan\u00e7a de avan\u00e7os, ele n\u00e3o garante que todos os planos sejam concretizados at\u00e9 o fim de 2023.<\/p>\n<p>\u201cEste relat\u00f3rio t\u00e9cnico e a <a href=\"https:\/\/www.gub.uy\/ministerio-ambiente\/sites\/ministerio-ambiente\/files\/2022-12\/RM-1152-2022.pdf\">autoriza\u00e7\u00e3o ministerial<\/a> s\u00e3o um claro sinal do Estado uruguaio \u00e0s empresas interessadas na explora\u00e7\u00e3o offshore de que h\u00e1 riquezas marinhas ambientalmente fr\u00e1geis e que o pa\u00eds est\u00e1 disposto a proteg\u00ea-las\u201d, diz Amarilla.<\/p>\n<p>Alicia Torres, assessora ambiental da Dire\u00e7\u00e3o Nacional de Energia do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Minas e Energia, defende que uma op\u00e7\u00e3o n\u00e3o exclui a outra. Torres argumenta que a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e a cria\u00e7\u00e3o de novas AMPs \u201cpodem coexistir\u201d e acrescenta que as inten\u00e7\u00f5es do governo paras as \u00e1reas marinhas \u201cn\u00e3o contradizem\u201d suas pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo \u201cfornece informa\u00e7\u00f5es sobre os recursos que temos, mesmo que eles n\u00e3o sejam utilizados\u201d, diz Torres. \u201cS\u00e3o estudos que envolvem grandes investimentos e seriam pagos pelas empresas\u201d.<\/p>\n<p>A assessora observa que, enquanto a maior parte da eletricidade do Uruguai vem de fontes renov\u00e1veis, o mundo ainda consome muito petr\u00f3leo: \u201cSe ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer [na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica] e o pa\u00eds tem recursos dispon\u00edveis, ele deve deixar de utiliz\u00e1-lo mesmo que isso traga grandes benef\u00edcios para a sociedade?\u201d.<\/p>\n<h2>Planos de petr\u00f3leo offshore<\/h2>\n<p>As concess\u00f5es petrol\u00edferas offshore do Uruguai foram destinadas a v\u00e1rias empresas internacionais: o Bloco 6 \u00e9 detido pela APA Corporation, sediada nos EUA; a gigante brit\u00e2nica Shell recebeu os Blocos 2 e 7; o grupo londrino Challenger Energy Group se concentrar\u00e1 no Bloco 1; o Bloco 4 foi concedido a um cons\u00f3rcio de empresas do grupo Shell, APA e BG International Limited; e o Bloco 5 foi para a estatal argentina YPF. <div class='cdo-shortcode--image'><\/p>\n<figure id=\"attachment_64701\" aria-describedby=\"caption-attachment-64701\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-64701 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/04\/JEJPWN_Montevideo-La-Teja-refinery-Uruguay_Alamy-scaled.jpeg\" alt=\"Aerial view of Montevideo with La Teja Refinery, the only petroleum refinery in Uruguay \" width=\"2000\" height=\"1334\"><figcaption id=\"caption-attachment-64701\" class=\"wp-caption-text\">Baleia-franca-austral e seu filhote nadando na Pen\u00ednsula Vald\u00e9s, Argentina. Ondas sonoras da explora\u00e7\u00e3o s\u00edsmica podem ser prejudiciais a cet\u00e1ceos (Imagem: Alamy)<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/div> O diretor-geral da Ancap, Ignacio Horvath, tamb\u00e9m defende que \u201cn\u00e3o h\u00e1 dicotomia entre energia renov\u00e1vel e combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, mas sim um processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Ele informou que atualmente 42% da energia consumida no Uruguai prov\u00e9m de hidrocarbonetos, utilizados principalmente no setor de transportes. Na m\u00e9dia global, cerca de 80% da energia usada no mundo prov\u00e9m de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Embora o objetivo seja reduzir o uso dessas fontes, Horvarth disse que \u201cn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deixar de us\u00e1-las de uma hora para outra\u201d.<\/p>\n<p>Horvath explicou que o governo uruguaio quer come\u00e7ar a produzir este recurso em vez de import\u00e1-lo: \u201cO petr\u00f3leo bruto tem que vir de algum lugar\u201d e, por isso, \u00e9 melhor garantir que seja produzido de forma \u201csustent\u00e1vel, respons\u00e1vel e controlada\u201d, buscando-se reduzir as emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o vai contra os esfor\u00e7os do Uruguai com as energias <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/mudanca-climatica-e-energia-pt-br\/52958-no-uruguai-transporte-eletrico-sera-proxima-etapa-de-transicao-energetica\/\">renov\u00e1veis<\/a>, nem contra os acordos ambientais\u201d, diz Horvath.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Internacional de Energia (EIA) <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2021\/may\/18\/no-new-investment-in-fossil-fuels-demands-top-energy-economist\">afirmou recentemente<\/a> que a explora\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de novos campos de petr\u00f3leo e g\u00e1s devem parar agora se o mundo quiser permanecer dentro dos limites seguros das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e cumprir as metas do Acordo de Paris.<\/p>\n<p>J\u00e1 Horvath diz que as AMPs em \u00e1guas uruguaias \u201cpodem coexistir sem problemas\u201d com a explora\u00e7\u00e3o s\u00edsmica de petr\u00f3leo e g\u00e1s desde que exista uma regra clara sobre como essas \u00e1reas devem ser tratadas. No entanto, <a href=\"https:\/\/daily.jstor.org\/how-offshore-oil-exploration-affects-marine-life\/\">evid\u00eancias<\/a> sugerem que o m\u00e9todo s\u00edsmico, que utiliza ondas sonoras, pode ser prejudicial a esp\u00e9cies sens\u00edveis, como baleias e golfinhos.<div class='cdo-shortcode--image'><\/p>\n<figure id=\"attachment_64704\" aria-describedby=\"caption-attachment-64704\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-64704 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/04\/PT4BH6_Southern-right-whale-Argentina_Alamy-scaled.jpeg\" alt=\"Southern right whale and her calf, Valdes Peninsula.\" width=\"2000\" height=\"1334\"><figcaption id=\"caption-attachment-64704\" class=\"wp-caption-text\">Baleia-franca-austral e seu filhote nadando na Pen\u00ednsula Vald\u00e9s, Argentina. Ondas sonoras da explora\u00e7\u00e3o s\u00edsmica podem ser prejudiciais a cet\u00e1ceos (Imagem: Alamy)<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/div> \u201cA explora\u00e7\u00e3o pode ser feita de forma respons\u00e1vel, cumprindo todas as regulamenta\u00e7\u00f5es e com todas as precau\u00e7\u00f5es ambientais, como ocorreu em explora\u00e7\u00f5es anteriores\u201d, diz Horvath. \u201cSe todas as precau\u00e7\u00f5es forem tomadas, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de interferir na fauna marinha\u201d.<\/p>\n<h2>Propostas para \u00e1reas marinhas<\/h2>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, as oito AMPs foram propostas porque incluem \u201cesp\u00e9cies \u00fanicas que fazem delas uma prioridade para a conserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O primeiro local proposto \u00e9 o Banco Ingl\u00e9s, uma forma\u00e7\u00e3o de areia rasa a 40 quil\u00f4metros da capital uruguaia, Montevid\u00e9u. \u00c9 um habitat para moluscos e fonte de alimento e abrigo para peixes de \u00e1guas profundas, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 Isla de Lobos, uma ilha a oito quil\u00f4metros de Punta del Este. Essa \u00e1rea de 44 hectares \u00e9 o lar de uma das maiores col\u00f4nias permanentes de lobos-marinhos do continente. Ela tamb\u00e9m cont\u00e9m bancos de mexilh\u00f5es que fornecem habitat para invertebrados e peixes e \u00e9 uma \u201cparte importante da rota migrat\u00f3ria da baleia-franca-austral\u201d, acrescenta o relat\u00f3rio. A \u00e1rea j\u00e1 foi proposta como AMP por organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, e uma comiss\u00e3o do SNAP come\u00e7ou a discutir o tema em dezembro de 2021. <div class='cdo-shortcode--image'><\/p>\n<figure id=\"attachment_64695\" aria-describedby=\"caption-attachment-64695\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-64695 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/04\/20230403_Sea-lions-fur-seals-Uruguay_Flickr-51248691410-scaled.jpeg\" alt=\"Colony of sea lions and fur seals at Isla de Lobos, home to one of the largest permanent colonies of these species on the continent \" width=\"2000\" height=\"866\"><figcaption id=\"caption-attachment-64695\" class=\"wp-caption-text\">Col\u00f4nia de le\u00f5es e lobos-marinhos na Isla de Lobos, lar de uma das maiores col\u00f4nias permanentes dessas esp\u00e9cies no continente (Imagem: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/jikatu\/51248691410\/in\/photolist-2kxa5Jb-2kxa5B7-2kx5R25-nGBFhX-91b8kL-dXbkZP-9181M2-91b8UC-2kxa6bt-2kxa5X7-2kx5QWR-2kxa5dX-2kx9uEU-2kxa62L-2kx9tSM-2kx9u3r-2kx9tCd-2kx9ty5-2kx5Pj2-2kx9tsi-2kxa5oX-Ec4GcN-2m5EWtL-2m5DraS-9DGyXZ-49d5DN-9Dy8Hy-2kCotHA-eNV1d1-RL5hXQ-rmL6GY-pyag9-Rfca6s-pygKs-8bZEik-8c3DWU-Rfaedj-xHuS7-jk1eNu-Hgvh3N-T8BuoZ-2kohRTd-8oLKAJ-2knMZBz-RPEsb2-sgtc2o-s2aYGU-s2aYxA-sgtc7y-dMpWUP\">Jimmy Baikovicius<\/a> \/ <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/people\/jikatu\/\">Flickr<\/a>, <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/2.0\/\">CC BY SA<\/a>)<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/div> O terceiro local proposto \u00e9 a Restinga Pez Lim\u00f3n, de forma\u00e7\u00f5es submarinas localizadas de 20 a 40 metros de profundidade na foz do Rio da Prata, onde esp\u00e9cies de \u201cimport\u00e2ncia ecossist\u00eamica e comercial\u201d buscam ref\u00fagio e alimento.<\/p>\n<p>O quarto local \u00e9 El Pozo de Fango, \u00e1rea costeira rochosa perto de Punta del Este e particularmente importante para os tubar\u00f5es e raias.<\/p>\n<p>O quinto \u00e9 descrito apenas como \u201czona de moluscos de interesse especial\u201d, onde podem ser encontrados bancos de mexilh\u00f5es, ostras, polvos, caramujos, lulas e caranguejos. \u00c9 tamb\u00e9m um local de especial relev\u00e2ncia para tubar\u00f5es, incluindo tubar\u00f5es-anjo, tubar\u00f5es-touro, tubar\u00e3o-lixa e tubar\u00e3o-cobre, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A sexta \u00e9 descrita como um criadouro importante para a pescada e outras esp\u00e9cies, dada a press\u00e3o das atividades pesqueiras.<\/p>\n<p>A s\u00e9tima s\u00e3o as encostas costeiras e seus corais de \u00e1guas profundas. Ela se estende de 200 a mil metros sob o mar e inclui picos de sete c\u00e2nions submarinas, cujos ambientes s\u00e3o inexplorados. Elas, por sua vez, servem de ref\u00fagio e criadouro para outras esp\u00e9cies. Lagostas, orcas, peixes-espada e tubar\u00f5es-azuis foram encontrados nas proximidades.<div class='cdo-shortcode--image'><\/p>\n<figure id=\"attachment_64692\" aria-describedby=\"caption-attachment-64692\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-64692 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/04\/20230403_Freckled-catshark-Uruguay_Flickr-29026490242-scaled.jpeg\" alt=\"A freckled catshark, which can be found in Uruguay\u2019s fifth priority area for marine conservation\" width=\"2000\" height=\"1125\"><figcaption id=\"caption-attachment-64692\" class=\"wp-caption-text\">Tubar\u00e3o-gato, que pode ser encontrado na quinta \u00e1rea priorit\u00e1ria para a conserva\u00e7\u00e3o marinha no Uruguai (Imagem: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/geirf\/29026490242\/in\/album-72157672043455066\/\">Gier Friestad<\/a> \/ <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/people\/geirf\/\">Flickr<\/a>, <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc-nd\/2.0\/\">CC BY NC ND<\/a>)<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/div> O \u00faltimo local \u00e9 composto pelos sete c\u00e2nions submarinos, \u201catrav\u00e9s dos quais os sedimentos s\u00e3o transportados da plataforma continental para o oceano profundo\u201d, diz o relat\u00f3rio. Essas forma\u00e7\u00f5es, segue o documento, \u201cs\u00e3o relevantes devido \u00e0 alta diversidade de megafauna\u201d.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dessas \u00e1reas tem atra\u00eddo a aten\u00e7\u00e3o internacional. A National Geographic, atrav\u00e9s de seu programa Pristine Seas, realizou <a href=\"https:\/\/blog.nationalgeographic.org\/2022\/09\/07\/national-geographic-pristine-seas-recomienda-la-designacion-de-dos-nuevas-areas-marinas-protegidas-en-uruguay\/\">duas expedi\u00e7\u00f5es<\/a> em \u00e1guas uruguaias para documentar sua biodiversidade. A primeira \u2014 conduzida em conjunto com pesquisadores uruguaios, a Marinha do Uruguai, representantes da sociedade civil e do governo \u2014 concentrou-se na \u00e1rea da encosta continental, em mar\u00e7o de 2021; a segunda ocorreu no fim do mesmo ano em torno da Isla de Lobos.<\/p>\n<p>Alex Mu\u00f1oz, diretor da Pristine Seas para a Am\u00e9rica Latina, diz que \u201cambos os locais provaram ter relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica global\u201d. Ap\u00f3s as expedi\u00e7\u00f5es, a equipe apresentou relat\u00f3rios \u00e0s autoridades governamentais.<\/p>\n<p>Mu\u00f1oz observa que, nos \u00faltimos anos, \u201co mundo inteiro percebeu que o mar est\u00e1 em crise\u201d e que a cria\u00e7\u00e3o de AMPs \u00e9 necess\u00e1ria \u201cpara restaurar a produtividade dos oceanos\u201d dos efeitos da superexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO Uruguai \u00e9 um dos pa\u00edses que menos avan\u00e7ou nomundo na cria\u00e7\u00e3o de AMPs\u201d, acrescenta Mu\u00f1oz.<\/p>\n<p>Mu\u00f1oz citou o exemplo <a href=\"https:\/\/www.gub.uy\/ministerio-ambiente\/sites\/ministerio-ambiente\/files\/documentos\/noticias\/Uruguay%20Azul%202030.pdf\">do plano Uruguai Azul 2030<\/a>, lan\u00e7ado em 2022 pelo governo, que tra\u00e7a um planejamento do espa\u00e7o marinho para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Por\u00e9m, diz ele, as restri\u00e7\u00f5es das AMPs precisam ser r\u00edgidaspara que as esp\u00e9cies possam se reproduzir. \u201cN\u00e3o h\u00e1 por que temer as AMPs. Estas \u00e1reas s\u00e3o criadouros onde as esp\u00e9cies podem se recuperar e assim colaborar com o setor pesqueiro\u201d.<\/p>\n<p>Sobre os planos petrol\u00edferos da Ancap, Mu\u00f1oz comenta que o mundo precisa se afastar dos combust\u00edveis f\u00f3sseis o mais r\u00e1pido poss\u00edvel: \u201c\u00c9 dif\u00edcil entender por que o Uruguai ainda aposta na explora\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos offshore quando toda a comunidade internacional est\u00e1 tentando encontrar fontes alternativas de energia\u201d. <div class='cdo-shortcode--image'><\/p>\n<figure id=\"attachment_64689\" aria-describedby=\"caption-attachment-64689\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-64689 size-full\" src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/04\/2HGK00J_Red-legged-comorant-Peru-oil-spill_Alamy-scaled.jpeg\" alt=\"A red-legged cormorant after an oil spill at the La Pampilla refinery, Aucallama, Peru \" width=\"2000\" height=\"1334\"><figcaption id=\"caption-attachment-64689\" class=\"wp-caption-text\">Bigu\u00e1-de-pernas-vermelhas ap\u00f3s o derramamento de petr\u00f3leo na refinaria La Pampilla, no Peru (Imagem: Alamy)<\/figcaption><\/figure>\n<p><\/div> Andr\u00e9s Milessi, bi\u00f3logo marinho e coordenador do projeto Un Solo Mar, que promove as AMPs no Uruguai, concorda com os pontos levantados por Mu\u00f1oz. Embora tenha acolhido o plano Uruguai Azul, ele diz que algumas das \u00e1reas sugeridas, como El Pozo de Fango e Restinga Pez Lim\u00f3n, \u201cficaram aqu\u00e9m\u201d em termos de tamanho e que mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias. \u201cFaltam estudos de longo prazo\u201d, diz Milessi.<\/p>\n<h2>Expectativas para o futuro<\/h2>\n<p>Embora o Uruguai tenha apoiado o objetivo de proteger 30% dos oceanos do mundo at\u00e9 2030, Gerardo Amarilla, do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, diz que \u201co pa\u00eds n\u00e3o se comprometeu formalmente\u201d e n\u00e3o \u00e9 obrigado a atingir a meta em seus mares.<\/p>\n<p>Mariana R\u00edos, chefe do Departamento de Gest\u00e3o Costeira do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, explica que ser\u00e1 feito um planejamento espacial para identificar os locais com os ecossistemas mais fr\u00e1geis, a maior biodiversidade e potencial socioecon\u00f4mico.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 avaliar o terreno para as AMPs, mas tamb\u00e9m para a explora\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos. Desta forma, diz, os impactos dos projetos poderiam ser mitigados, e a biodiversidade poderia ser manejada de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><em>Esta reportagem foi publicada originalmente no <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/en\/conservation\/uruguay-wants-to-increase-marine-protection-and-offshore-oil\/\">China Dialogue Ocean<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas se surpreendem com concess\u00f5es petrol\u00edferas sobrepostas a \u00e1reas priorit\u00e1rias \u00e0 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