{"id":50368569,"date":"2023-05-10T23:19:36","date_gmt":"2023-05-10T22:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/?p=368569"},"modified":"2023-05-25T17:37:14","modified_gmt":"2023-05-25T16:37:14","slug":"368037-exportacoes-melao-agua-nordeste-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/alimentos\/368037-exportacoes-melao-agua-nordeste-brasil\/","title":{"rendered":"Exporta\u00e7\u00f5es de mel\u00e3o intensificam disputas por \u00e1gua no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Em vez do sabor suave e adocicado do mel\u00e3o, um gosto amargo toma conta da mem\u00f3ria do agricultor Francisco Edilson Neto, de 65 anos, ao lembrar de sua primeira experi\u00eancia com a fruta. \u201cO mel\u00e3o conseguiu destruir o sonho de muita gente\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Edilson fazia parte de um grupo de cerca de cem agricultores que viviam e trabalhavam em Apodi, no Rio Grande do Norte. Cultivavam de forma agroecol\u00f3gica o famoso arroz vermelho, t\u00edpico da regi\u00e3o, assim como feij\u00e3o, hortali\u00e7as e algumas frutas. Tudo era produzido em mutir\u00e3o para o consumo das fam\u00edlias. O que sobrava ia para as feiras do munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Chapada do Apodi, um trecho de solo f\u00e9rtil que se estende por munic\u00edpios do Cear\u00e1 e do Rio Grande do Norte, as coisas come\u00e7aram a mudar com a chegada de grandes produtores de mel\u00e3o na virada dos anos 1990 para os 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>Os agricultores familiares decidiram investir na fruta, na esperan\u00e7a de aumentar sua renda. \u201cO lance era plantar mel\u00e3o para exportar\u201d, lembra Edilson. J\u00e1 naquela \u00e9poca, a fruticultura para exporta\u00e7\u00e3o n\u00e3o era uma aposta segura para peixes pequenos. Ele conta que buscaram um empr\u00e9stimo no banco para implementar a ideia, d\u00edvida que eles teriam dificuldade para pagar e que causou divis\u00f5es irreconcili\u00e1veis no grupo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns has-columns-caption is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0568.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0568-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0568-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0568.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"former melon farmer Francisco Edilson Neto\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\"><\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0568.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"6 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0561.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0561-768x505.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0561-1024x673.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0561.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Brazil: A meeting at the headquarters of a union of small farmers, to discuss the impact of fruit farming on family farms\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\"><\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-10_0561.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"5 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1683\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n<\/div>\n<figcaption class=\"wp-block-columns-caption test-save\"><div class=\"wp-block-columns-caption__caption\">Edilson relembra como a experi\u00eancia malsucedida com o mel\u00e3o dividiu pequenos produtores da Chapada do Apodi. Em setembro de 2022, eles se reuniram na sede de seu sindicato para discutir o impacto da fruticultura na agricultura familiar (Imagem: Raquel Torres \/ O Joio e O Trigo,&nbsp;<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/politica-de-republicacao\/\">CC BY NC ND<\/a>)<\/div><\/figcaption><\/div>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, as abordagens agroecol\u00f3gicas e em escala comunit\u00e1ria eram tidas como atrasadas. \u201cDoeu muito quando a gente viu esse sonho se destruir. Mas, no meio dessa luta, nasceu outra luta, e a gente veio pelo sindicato\u201d, diz Edilson, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Apodi.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos Edilson na sede do sindicato, em setembro de 2022. Camponeses da regi\u00e3o se reuniram por tr\u00eas dias para discutir os impactos da fruticultura de exporta\u00e7\u00e3o em uma regi\u00e3o com tradi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 agroecologia e \u00e0 agricultura familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com maior disponibilidade de \u00e1gua no lado potiguar da Chapada, Apodi e outras cidades pr\u00f3ximas est\u00e3o se tornando campo de batalha entre o agroneg\u00f3cio fruticultor e comunidades camponesas \u2014 com suas vis\u00f5es opostas sobre o uso do territ\u00f3rio e dos recursos naturais. \u00c9 uma disputa por modos de vida e produ\u00e7\u00e3o e pelo acesso ao bem mais valioso do semi\u00e1rido nordestino: a \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Primeira fruta fresca brasileira a chegar \u00e0 China<\/h2>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2019, longe do sert\u00e3o, Tereza Cristina, ent\u00e3o ministra da Agricultura, selou um acordo comercial considerado \u201chist\u00f3rico\u201d para os exportadores de frutas, sob os olhares do ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro e do hom\u00f3logo chin\u00eas, Xi Jinping.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele ano, a China liberou a importa\u00e7\u00e3o de mel\u00f5es brasileiros, nossa primeira fruta fresca a ter acesso ao mercado chin\u00eas. A primeira carga do Brasil chegou a Xangai em setembro de 2020.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cerimonia-de-Assinatura-de-Atos-Isac-Nobrega-PR-nov-2019.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cerimonia-de-Assinatura-de-Atos-Isac-Nobrega-PR-nov-2019-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cerimonia-de-Assinatura-de-Atos-Isac-Nobrega-PR-nov-2019-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cerimonia-de-Assinatura-de-Atos-Isac-Nobrega-PR-nov-2019.jpg 1753w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 1753px\" alt=\"Brazil\u2019s former agriculture minister Tereza Cristina and China\u2019s former foreign minister Wang Yi conclude an agreement to open the Chinese market to Brazilian melons, at a meeting during the 2019 BRICS summit in Bras\u00edlia (Image: Isac Nobrega \/ Brazil's Presidency)\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da China, Wang Yi, assinam acordo para abrir o mercado chin\u00eas aos mel\u00f5es brasileiros, em reuni\u00e3o na c\u00fapula dos Brics de 2019, em Bras\u00edlia (Imagem: Isac Nobrega \/ Presid\u00eancia do Brasil)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cerimonia-de-Assinatura-de-Atos-Isac-Nobrega-PR-nov-2019.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"299 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1169\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1753\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>&nbsp;A China \u00e9 o maior produtor e consumidor de mel\u00e3o do mundo e tem aumentado substancialmente suas importa\u00e7\u00f5es de frutas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, per\u00edodo em que tamb\u00e9m consolidou sua posi\u00e7\u00e3o como o principal parceiro comercial do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O mel\u00e3o vem abocanhando uma fatia cada vez maior das exporta\u00e7\u00f5es do setor agr\u00edcola brasileiro e, nos \u00faltimos anos, passou a figurar entre as frutas mais exportadas do pa\u00eds, atr\u00e1s apenas da manga. Os principais destinos s\u00e3o a Uni\u00e3o Europeia, o Reino Unido e os Estados Unidos, mercados j\u00e1 consolidados para as frutas brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>A entrada da China nesse tabuleiro pode aumentar a press\u00e3o sobre regi\u00f5es como a Chapada do Apodi, aprofundando os impactos de um modelo que garante seguran\u00e7a h\u00eddrica para o agroneg\u00f3cio, mas imp\u00f5e cada vez mais dificuldades a pequenos agricultores como Edilson e a comunidades tradicionais que produzem alimentos agroecol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Empresa l\u00edder estima dobrar produ\u00e7\u00e3o de mel\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Para fornecer mel\u00e3o \u00e0 China, o Brasil precisar\u00e1 dobrar os atuais 20 mil hectares de \u00e1rea dedicados \u00e0 cultura, de acordo com estimativas \u201cconservadoras\u201d de Luiz Barcelos, s\u00f3cio da Agr\u00edcola Famosa, maior produtora e exportadora de mel\u00f5es do Brasil e uma das maiores do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA China planta 430 mil hectares de mel\u00e3o por ano, o Brasil planta apenas 20 mil \u2014 ou seja, eles plantam 20 vezes mais do que n\u00f3s\u201d, disse Barcelos em uma entrevista \u00e0 Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil. \u201cDe forma muito conservadora, acho que nos pr\u00f3ximos cinco anos temos condi\u00e7\u00f5es de dobrar nosso plantio de mel\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50038498\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">Recommended<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o acordo, o Brasil exportou cerca de 200 toneladas de mel\u00e3o para a China entre 2019 e 2022, segundo dados do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os. Ainda \u00e9 um volume pequeno, que arrefeceu diante das interrup\u00e7\u00f5es log\u00edsticas durante a pandemia de Covid-19 e do aumento do pre\u00e7o dos fretes a\u00e9reos e mar\u00edtimos. A maior parte dessas exporta\u00e7\u00f5es saiu do Rio Grande do Norte por caminh\u00e3o, com destino ao porto paulista de Santos, de onde foram embarcadas para Xangai.<\/p>\n\n\n\n<p>Como uma empresa l\u00edder no mercado, a Agr\u00edcola Famosa poderia se tornar uma importante fornecedora de mel\u00f5es para os chineses. Hoje atende aos mercados brit\u00e2nico, holand\u00eas, alem\u00e3o, italiano, portugu\u00eas e espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 a \u00fanica: h\u00e1 outras empresas de grande porte, inclusive de capital internacional, que fornecem mel\u00e3o e outras frutas aos mercados externo e interno. Elas est\u00e3o localizadas principalmente no Rio Grande do Norte e no Cear\u00e1, estados que respondem por cerca de 70% de todos os mel\u00f5es produzidos no Brasil. Mais da metade dessa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 destinada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Agr\u00edcola e outros grandes produtores de frutas cultivam no meio da Caatinga, num territ\u00f3rio cont\u00edguo aos dois estados, uma terra f\u00e9rtil que se estende at\u00e9 o litoral cearense. O clima quente e seco, a predomin\u00e2ncia de sol o ano todo e a falta de chuva oferecem condi\u00e7\u00f5es ideais para a produ\u00e7\u00e3o de frutas de modo geral \u2014 e do mel\u00e3o em particular.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que parece, h\u00e1 abund\u00e2ncia de \u00e1gua nesse bioma \u2014 \u00e1gua encontrada em reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos conhecidos como aqu\u00edferos. Os mel\u00f5es da regi\u00e3o s\u00e3o altamente dependentes desse recurso: desde o plantio das mudas at\u00e9 a colheita, um quilo da fruta consome cerca de 200 litros de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1guas dos aqu\u00edferos Janda\u00edra e A\u00e7u est\u00e3o quase esgotadas, principalmente para a produ\u00e7\u00e3o de mel\u00e3o e melancia, mas tamb\u00e9m para mam\u00e3o, banana e goiaba em menor escala.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Po\u00e7os mais do que dobraram em oito anos<\/h2>\n\n\n\n<p>Fundada em 1995 por Barcelos e seu s\u00f3cio Carlos Porro, a Agr\u00edcola Famosa hoje produz frutas em 30 mil hectares espalhados por 16 fazendas, uma \u00e1rea seis vezes maior do que quando as opera\u00e7\u00f5es come\u00e7aram.<\/p>\n\n\n\n<p>De cada dez mel\u00f5es produzidos pela empresa, sete s\u00e3o destinados ao mercado internacional. Quatrocentos cont\u00eaineres carregados de mel\u00f5es s\u00e3o despachados toda semana. Por isso, a Agr\u00edcola Famosa se autointitula a maior produtora e distribuidora mundial de mel\u00f5es e melancias. Em 2021, a companhia ampliou sua participa\u00e7\u00e3o internacional por meio de novas opera\u00e7\u00f5es e parcerias na Espanha e no Reino Unido \u2014 maior consumidor dos mel\u00f5es brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0516-scaled-1.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0516-scaled-1-768x499.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0516-scaled-1-1024x666.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0516-scaled-1.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Melon fields in one of Agr\u00edcola Famosa\u2019s farms in Cear\u00e1 state. (Image: Raquel Torres \/ O Joio e O Trigo, CC BY NC ND)\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Cultivo de mel\u00f5es em uma das unidades da Agr\u00edcola Famosa, no Cear\u00e1 (Imagem: Raquel Torres \/ O Joio e O Trigo,\u00a0<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/politica-de-republicacao\/\">CC BY NC ND<\/a>)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0516-scaled-1.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1664\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Mas a principal expans\u00e3o da empresa passa despercebida. Em oito anos, a Agr\u00edcola Famosa passou de quatro para 21 po\u00e7os profundos, com 400 a 800 metros de profundidade cada, para abastecer suas fazendas. O n\u00famero de po\u00e7os rasos, com at\u00e9 400 metros de profundidade, mais do que dobrou nesse per\u00edodo, passando de 250 para 582 atualmente, de acordo com&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pC2wyGo_khM\">dados<\/a>&nbsp;da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>A Agr\u00edcola Famosa est\u00e1 entre os maiores consumidores de \u00e1gua do Cear\u00e1 \u2014 ao lado de outras grandes fruticultoras. Em 2022, a empresa obteve autoriza\u00e7\u00e3o para usar quase dez milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de \u00e1gua, segundo c\u00e1lculo feito pelo ge\u00f3grafo Diego Gadelha, pesquisador do tema e professor do Instituto Federal do Cear\u00e1, com base nas outorgas expedidas pelo governo cearense.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 uma multiterritorializa\u00e7\u00e3o na presen\u00e7a da fruticultura\u201d, diz Gadelha. As empresas de frutas, acrescenta ele, \u201cseguem a \u00e1gua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia, dez milh\u00f5es de metros c\u00fabicos seriam suficientes para abastecer os 244 mil habitantes dos munic\u00edpios da Chapada do Apodi com 110 litros de \u00e1gua por dia, quantidade m\u00ednima recomendada para consumo e higiene, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Avan\u00e7os nos aqu\u00edferos Janda\u00edra e A\u00e7u<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 2012, o Cear\u00e1 come\u00e7ou a passar por um per\u00edodo de seca que durou oito anos, sendo que o volume de \u00e1gua que sai do aqu\u00edfero \u00e9 muito maior do que a da recarga, explica Gadelha. \u201cEnt\u00e3o o aqu\u00edfero vem apresentando d\u00e9ficit ano ap\u00f3s ano pela expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, da \u00e1rea plantada, e sobretudo, sobreposto a isso, o per\u00edodo de seca\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No lado cearense da Chapada do Apodi, o mel\u00e3o e outras frutas deixaram um rastro de desertifica\u00e7\u00e3o, especula\u00e7\u00e3o de terras, desemprego e dificuldades para os agricultores acessarem o len\u00e7ol fre\u00e1tico. \u201cEram tr\u00eas mil hectares de mel\u00e3o\u201d, lembra o pesquisador. \u201cTodo esse distrito incha por causa da fruticultura, na \u00e9poca da safra eram tr\u00eas mil trabalhadores. Houve crescimento desordenado. As empresas v\u00e3o embora, e esse distrito foi \u00e0 fal\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Municipal-market-SP_Eduardo-Maida_17209292424-scaled-1.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Municipal-market-SP_Eduardo-Maida_17209292424-scaled-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Municipal-market-SP_Eduardo-Maida_17209292424-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Municipal-market-SP_Eduardo-Maida_17209292424-scaled-1.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Middle-class consumers in the Chinese market present an exciting opportunity for Brazilian exporters, to add to their existing success in European and US markets (Image: Eduardo Maida \/ Flickr,  CC BY-NC)\n\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Classe m\u00e9dia chinesa representa uma excelente oportunidade de mercado para produtores brasileiros de mel\u00e3o, al\u00e9m do sucesso que a fruta faz na Europa e nos Estados Unidos (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/flickr.com\/photos\/emcars\/17209292424\/in\/photolist-dNEV7t-gsn6U3-eSBLWR-q672fp-E1uhjR-bWAVbH-4nAV7U-y3dwU-bAfxD9-JVAJN-uWVkWj-e6kbER-6hunEX-cmXbDb-5F4jUX-pCyQB5-sdJ85m\">Eduardo Maida<\/a>\u00a0\/\u00a0<a href=\"https:\/\/flickr.com\/people\/emcars\/\">Flickr<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/2.0\/\">CC BY-NC<\/a>)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Municipal-market-SP_Eduardo-Maida_17209292424-scaled-1.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, as grandes monoculturas de mel\u00e3o e melancia se deslocaram para o Rio Grande do Norte, onde h\u00e1 pelo menos tr\u00eas barragens, al\u00e9m de acessar os aqu\u00edferos Janda\u00edra e A\u00e7u, que t\u00eam maior disponibilidade h\u00eddrica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA \u00e1gua do calc\u00e1rio Janda\u00edra \u00e9 uma \u00e1gua com teor de sal elevado. Ela \u00e9 misturada com a \u00e1gua do Arenito A\u00e7u, e passa a ser uma \u00e1gua adequada para mel\u00e3o e melancia\u201d, explica o agr\u00f4nomo Josivan Barbosa, professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semi\u00e1rido (Ufersa). Enquanto o Janda\u00edra est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da superf\u00edcie, o A\u00e7u est\u00e1 a cerca de mil metros de profundidade e tem \u00e1gua doce, pr\u00f3pria para o consumo humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Um tesouro para poucos que podem acess\u00e1-lo. Quanto maior a profundidade, mais caro se torna a prospec\u00e7\u00e3o de um po\u00e7o, algo na casa de alguns milh\u00f5es de reais. Trazer essa \u00e1gua para uso em irriga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 barato, pois o bombeamento depende de eletricidade.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">S\u00e3o 35 dias de navio. A fruta n\u00e3o aguenta<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\">Josivan Barbosa, agr\u00f4nomo<\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Josivan Barbosa diz que as expectativas de exportar mel\u00f5es do semi\u00e1rido para a China ainda \u201cest\u00e3o mais no campo pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o tem \u00e1gua. Para justificar a frequ\u00eancia do navio, teria que ter mais dez mil hectares, certo? Isso representa 50% a mais da \u00e1rea plantada hoje. N\u00e3o tem \u00e1gua para isso\u201d, avalia Barbosa. E esse, diz, \u00e9 um dos pontos cruciais para viabilizar as exporta\u00e7\u00f5es \u2014 o outro \u00e9 a log\u00edstica. \u201cS\u00e3o 35 dias de navio. A fruta n\u00e3o aguenta. Precisar\u00edamos de material gen\u00e9tico com uma vida \u00fatil p\u00f3s-colheita muito longa, de 40 a 45 dias. Ainda n\u00e3o temos isso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a \u00e1gua n\u00e3o parece ser uma preocupa\u00e7\u00e3o para grandes empres\u00e1rios. Em novembro passado, empres\u00e1rios do setor se reuniram com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ainda na transi\u00e7\u00e3o do governo eleito. Eles representavam a rec\u00e9m-criada Rede Nacional de Irrigantes, presidida por Luiz Barcelos, da Agr\u00edcola Famosa, e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas. Na pauta do encontro, estava o aumento das \u00e1reas irrigadas, os chamados per\u00edmetros, e a abertura de novos mercados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ar polu\u00eddo por agrot\u00f3xico<\/h2>\n\n\n\n<p>Bem longe dos gabinetes com ar-condicionado onde s\u00e3o firmados acordos comerciais e diplom\u00e1ticos, e mais distante ainda da China, Miguel*, de 58 anos, tem perdido o sono por causa do mel\u00e3o. N\u00e3o se trata apenas de uma figura de linguagem: conforme se aproxima a \u00e9poca da safra, s\u00e3o noites mal dormidas no assentamento em Apodi onde ele e outras 40 fam\u00edlias vivem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c0 noite, a gente acorda com o nariz queimando\u201d, diz Miguel sobre a aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. \u201cPassam a noite todinha banhando a lavoura. \u00c9 quando a gente come\u00e7a a sentir esse ardor no nariz\u201d, conta o agricultor, um homem matuto, de rosto vincado, cabelos grisalhos e apar\u00eancia pelo menos dez anos mais velho.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 seis anos, o mel\u00e3o tornou-se um vizinho inc\u00f4modo. Foi neste mesmo per\u00edodo que o Brasil conquistou, ano ap\u00f3s ano, resultados not\u00e1veis nas exporta\u00e7\u00f5es de frutas. Os cultivos foram se aproximando cada vez mais de sua propriedade, onde cria cabras, ovelhas e abelhas, al\u00e9m de um pequeno ro\u00e7ado para subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAquele ar livre que a gente antes poderia ter, deitar no alpendre e ver aquele ar livre, hoje a gente n\u00e3o tem mais\u201d, lamenta Miguel. \u201cNo lugar do ar, a gente sente poeira contaminada ou veneno\u201d. Apenas duzentos metros separam a casa dele dos campos de mel\u00e3o da Agr\u00edcola Famosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Miguel tamb\u00e9m fala com pesar sobre o baixo desempenho das abelhas que ele maneja h\u00e1 alguns anos e que representam uma parte importante de sua renda.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0502-scaled-1.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0502-scaled-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0502-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0502-scaled-1.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Melons depend on bees for pollination. Agricola Famosa reportedly maintains 6,500 beehives to support its production, using exotic species \"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Mel\u00f5es dependem das abelhas para a poliniza\u00e7\u00e3o. A Agr\u00edcola Famosa diz manter 6,5 mil colmeias para apoiar sua produ\u00e7\u00e3o, usando esp\u00e9cies ex\u00f3ticas (Imagem: Raquel Torres \/ O Joio e O Trigo,\u00a0<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/politica-de-republicacao\/\">CC BY NC ND<\/a>)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Raquel_FruticulturaNE_2022-09-09_0502-scaled-1.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cAs abelhas antes eram muito fortes no ver\u00e3o. Hoje chega o inverno e as chuvas, e as abelhas est\u00e3o fracas. Para recuperar d\u00e1 muito trabalho\u201d, lamenta. Ele estima que apenas no ano passado os apicultores de sua comunidade perderam cerca de um ter\u00e7o das abelhas e da produ\u00e7\u00e3o de mel.<\/p>\n\n\n\n<p>Miguel e praticamente todas as fam\u00edlias assentadas t\u00eam parentes que trabalham na Agr\u00edcola. Embora os impactos da aproxima\u00e7\u00e3o dos cultivos sejam intensamente discutidos, ningu\u00e9m tem coragem de se expor. Por esse motivo, ele s\u00f3 aceitou falar desde que n\u00e3o revel\u00e1ssemos sua verdadeira identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos picos de safra, s\u00e3o nove mil trabalhadores apenas na Agr\u00edcola Famosa. Isso d\u00e1 uma ideia do poder econ\u00f4mico \u2014 e, portanto, pol\u00edtico \u2014 que a empresa exerce em cidades rurais onde h\u00e1 pouca ou nenhuma gera\u00e7\u00e3o de empregos. \u201cA entrada das empresas mudou muita coisa\u201d, diz Miguel. \u201cTem alguns pontos positivos, mas quase todos s\u00e3o negativos. O positivo hoje \u00e9 o emprego em nosso munic\u00edpio. \u00c9 a \u00fanica coisa positiva que vejo. Mas, em compensa\u00e7\u00e3o, somos atingidos por muita coisa ruim para a nossa sa\u00fade e nossa comunidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos de Edilson e Miguel, assim como o avan\u00e7o dos mel\u00f5es da Agr\u00edcola, ilustram apenas alguns dos impactos da fruticultura em larga escala. Embora o discurso oficial seja o do desenvolvimento e da gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda, pouco alterou a estrutura de poder em rela\u00e7\u00e3o a quem acessa \u00e1gua e terra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c1gua segue caminho do poder<\/h2>\n\n\n\n<p>O Brasil exporta mel\u00f5es h\u00e1 40 anos. Nesse per\u00edodo, o pa\u00eds atravessou crises econ\u00f4micas e pol\u00edticas, uma nova moeda surgiu, empresas de frutas foram \u00e0 fal\u00eancia, mercados compradores criaram novas exig\u00eancias e a tecnologia de irriga\u00e7\u00e3o e o melhoramento gen\u00e9tico da fruta avan\u00e7aram muito. O Brasil se consolidou no mercado global de frutas.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50363648\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">Recommended<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>Mas o pensamento da elite econ\u00f4mica rural mudou pouco desde ent\u00e3o, como observa Josivan Barbosa, da Ufersa: \u201cQuando voc\u00ea pega o empresariado da agricultura irrigada aqui, \u00e9 mais ou menos o mesmo pensamento dos empres\u00e1rios de gr\u00e3os e carnes. Eles t\u00eam esse entendimento de que realmente o trabalhador rural n\u00e3o precisa desse apoio todo que recebe hoje\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com todo o rearranjo produtivo, econ\u00f4mico e pol\u00edtico vivenciado em quatro d\u00e9cadas, a \u00e1gua no semi\u00e1rido continua seguindo o caminho do poder econ\u00f4mico. Naquela \u00e9poca, a Mossor\u00f3 Agroindustrial, ou Ma\u00edsa \u2014 um outrora pr\u00f3spero complexo agroindustrial criado na d\u00e9cada de 1960 com incentivos estatais, cr\u00e9dito subsidiado, investimentos em infraestrutura e projetos de irriga\u00e7\u00e3o \u2014 j\u00e1 produzia mel\u00f5es e outras frutas com a \u00e1gua do aqu\u00edfero A\u00e7u. A empresa chegou a ter 11 po\u00e7os profundos de 400 a 500 metros de profundidade, gra\u00e7as \u00e0 facilidade em obter cr\u00e9dito de bancos p\u00fablicos e ao fato de ter, em sua pr\u00f3pria estrutura, especialistas em perfura\u00e7\u00e3o de solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, essa \u00e9 a fonte de \u00e1gua que est\u00e1 em disputa para sustentar a potencial demanda chinesa. Mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica \u2014 h\u00e1 prospec\u00e7\u00e3o de novos recursos h\u00eddricos para a produ\u00e7\u00e3o de frutas em estados como Piau\u00ed e Maranh\u00e3o. Assim, Barbosa questiona: \u201cA pergunta central aqui \u00e9: vamos usar indiscriminadamente essa \u00e1gua, que \u00e9 para o consumo humano, para a irriga\u00e7\u00e3o?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Joio e o Trigo tentou entrar com contato com a Agr\u00edcola Famosa, mas a empresa n\u00e3o respondeu aos questionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Nome alterado para proteger a identidade da fonte.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Este artigo foi publicado originalmente no Joio e o Trigo. Esta vers\u00e3o editada \u00e9&nbsp;<a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/politica-de-republicacao\/\">publicada com autoriza\u00e7\u00e3o \u2014 as imagens originais s\u00f3 podem ser replicadas junto ao texto<\/a>.&nbsp;<\/em><a href=\"mailto:maira@ojoioeotrigo.com.br\"><em>Ma\u00edra Mathias<\/em><\/a><em>&nbsp;colaborou com a reportagem.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grandes produtores querem expandir produ\u00e7\u00e3o para atender a mercado chin\u00eas, mas precisam abrir po\u00e7os em profundidades onde pequenos agricultores n\u00e3o 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