{"id":50368699,"date":"2023-05-18T22:11:47","date_gmt":"2023-05-18T21:11:47","guid":{"rendered":"https:\/\/stage.dialogochino.net\/nao-categorizado\/367951-can-one-of-brazils-deforestation-hotspots-become-a-green-leader-2\/"},"modified":"2023-10-02T15:11:50","modified_gmt":"2023-10-02T14:11:50","slug":"367951-can-one-of-brazils-deforestation-hotspots-become-a-green-leader","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/florestas\/367951-can-one-of-brazils-deforestation-hotspots-become-a-green-leader\/","title":{"rendered":"Par\u00e1: o maior desmatador da Amaz\u00f4nia pode ser um l\u00edder da bioeconomia?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu \u00e9 um munic\u00edpio superlativo da Amaz\u00f4nia brasileira: \u00e9&nbsp;<a href=\"https:\/\/plataforma.seeg.eco.br\/cities\/statistics\">o segundo maior emissor<\/a>&nbsp;de gases de efeito estufa do pa\u00eds;&nbsp;<a href=\"http:\/\/terrabrasilis.dpi.inpe.br\/app\/dashboard\/deforestation\/biomes\/legal_amazon\/increments\">o segundo com mais desmatamento<\/a>&nbsp;m\u00e9dio nos \u00faltimos 15 anos;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.fapespa.pa.gov.br\/noticia\/aumento-do-rebanho-bovino-e-da-producao-de-graos-sao-tendencias-no-campo-paraense\">l\u00edder nacional<\/a>&nbsp;em rebanho bovino; e um dos munic\u00edpios com&nbsp;<a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/IPSAmazonia2021_ScorecardsPara.pdf\">menor desenvolvimento humano<\/a>&nbsp;na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio \u00e9 ainda um claro exemplo da condi\u00e7\u00e3o do Par\u00e1. Desde 2006, o estado \u00e9 o&nbsp;<a href=\"http:\/\/terrabrasilis.dpi.inpe.br\/app\/dashboard\/deforestation\/biomes\/legal_amazon\/rates\">l\u00edder em desmatamento<\/a>&nbsp;da Amaz\u00f4nia, impulsionado pelo avan\u00e7o da pecu\u00e1ria, da soja e da constru\u00e7\u00e3o de estradas e portos para facilitar o escoamento da produ\u00e7\u00e3o para os mercados dom\u00e9stico e internacional.<\/p>\n\n\n\n<iframe class=\"flourish-embed-iframe\" style=\"width: 100%; height: 600px;\" title=\"Interactive or visual content\" src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/13710230\/embed\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-same-origin allow-forms allow-scripts allow-downloads allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-top-navigation-by-user-activation\" data-mce-fragment=\"1\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\"><\/span>\ufeff<\/iframe>\n\n\n\n<p> Mas com a crescente press\u00e3o para se reverter a devasta\u00e7\u00e3o do bioma e a elei\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u2014 que&nbsp;<a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/mudanca-climatica-e-energia-pt-br\/63907-lula-nova-agenda-ambiental\/\">prometeu<\/a>&nbsp;colocar as quest\u00f5es ambientais no topo de sua agenda \u2014, o governador Helder Barbalho parece empenhado em dar um verniz mais verde ao estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2022, Barbalho participou da confer\u00eancia clim\u00e1tica COP27, integrando a comitiva de Lula, que ofereceu a Amaz\u00f4nia brasileira para sediar a COP30 em 2025. Se o pa\u00eds for escolhido, Bel\u00e9m, capital do Par\u00e1,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.semas.pa.gov.br\/2023\/01\/11\/belem-e-oficializada-como-sede-brasileira-para-receber-a-cop-30\/\">receber\u00e1 o evento<\/a>. Barbalho tamb\u00e9m aproveitou a confer\u00eancia para anunciar o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.semas.pa.gov.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Plano-da-Bioeconomia-vers%C3%A3o-FINAL_01_nov.pdf\">Plano Estadual de Bioeconomia<\/a>&nbsp;(PlanBio), que visa zerar as emiss\u00f5es l\u00edquidas de uso da terra no estado at\u00e9 2036.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano teria como foco evitar o desmatamento por meio da valoriza\u00e7\u00e3o da bioeconomia, ou seja, a economia da floresta em p\u00e9. Nos pr\u00f3ximos cinco anos, ele espera investir R$ 1,2 bilh\u00e3o em produtos da biodiversidade, com um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.semas.pa.gov.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Plano-da-Bioeconomia-vers%C3%A3o-FINAL_01_nov.pdf\">retorno estimado&nbsp;<\/a>de R$ 170 bilh\u00f5es at\u00e9 2040, o equivalente ao PIB do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa \u00e9 in\u00e9dita a n\u00edvel governamental \u2014 a maioria dos projetos que impulsionam a bioeconomia \u00e9 assumida por organiza\u00e7\u00f5es ambientais e comunidades tradicionais em escalas menores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que o modelo econ\u00f4mico \u2014 e a imagem do estado como grande desmatador \u2014 est\u00e3o prestes a mudar?<\/p>\n\n\n\n<p>Para Celma de Oliveira, coordenadora de projetos da organiza\u00e7\u00e3o ambiental Imaflora e moradora de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu, h\u00e1 um cen\u00e1rio promissor nas esferas federal, com a elei\u00e7\u00e3o de Lula, e estadual, com o PlanBio.&nbsp;\u201cExiste esperan\u00e7a com essa retomada de um governo mais participativo e de minist\u00e9rios e conselhos que foram desarticulados\u201d, diz Oliveira, referindo-se ao esvaziamento de \u00f3rg\u00e3os ambientais durante a presid\u00eancia de Jair Bolsonaro. \u201cAgora, a sociedade civil precisa participar da gest\u00e3o para funcionar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/criacao-gado-jamanxim-amazon-brazil_Ricardo-Funari-Alamy_BAW4FH.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/criacao-gado-jamanxim-amazon-brazil_Ricardo-Funari-Alamy_BAW4FH-768x512.jpeg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/criacao-gado-jamanxim-amazon-brazil_Ricardo-Funari-Alamy_BAW4FH-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/criacao-gado-jamanxim-amazon-brazil_Ricardo-Funari-Alamy_BAW4FH.jpeg 2048w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2048px\" alt=\"Cria\u00e7\u00e3o de gado na Floresta do Jamanxim\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Cria\u00e7\u00e3o de gado em \u00e1rea da Amaz\u00f4nia desmatada ilegalmente na Floresta do Jamanxim, no Par\u00e1 (Imagem: Ricardo Funari \/ Alamy)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/criacao-gado-jamanxim-amazon-brazil_Ricardo-Funari-Alamy_BAW4FH.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"583 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1365\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2048\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-pecu-ria-soja-e-press-es-sobre-pequenos-produtores\">Pecu\u00e1ria, soja e press\u00f5es sobre pequenos produtores<\/h2>\n\n\n\n<p>A pecu\u00e1ria e a soja s\u00e3o predominantes na paisagem paraense. As lavouras do gr\u00e3o ocuparam 849 mil hectares em 2022, aumento de 70% em rela\u00e7\u00e3o a 2017. Al\u00e9m disso, o estado tem o segundo maior rebanho bovino do pa\u00eds, com 26,7 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado e uma taxa de 1,5 cabe\u00e7a por hectare \u2014 considerado de baixa produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa taxa de lota\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria paraense \u00e9 muito baixa e precisaria ser dramaticamente melhorada para evitar crescer todo ano pela expans\u00e3o de terra\u201d, diz S\u00e9rgio Leit\u00e3o, fundador e diretor-executivo do Instituto Escolhas, que desenvolve estudos voltados para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a essa cont\u00ednua expans\u00e3o, muitos pequenos agricultores no Par\u00e1 fazem o poss\u00edvel para resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de se voltar para a produ\u00e7\u00e3o de soja e gado e desmatar a terra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote block--pull-quote--no-citation\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">Os agricultores n\u00e3o conseguem gerar renda suficiente para diversificar a produ\u00e7\u00e3o<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\"><\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Maria Josefa Neves, de 51 anos, tem uma propriedade rural na comunidade de Tancredo Neves, a 120 quil\u00f4metros do centro de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu. Em um de seus 12 hectares, ela cuida de uma agrofloresta, onde planta uma variedade de esp\u00e9cies nativas, como acerola, mandioca e cacau, sobre o que antes eram pastagens.<\/p>\n\n\n\n<p>No restante da propriedade, ela deixou a vegeta\u00e7\u00e3o se regenerar. \u201cEu moro no meio do mato, os macacos v\u00eam na beira da casa\u201d, conta Neves, dizendo, no entanto, que a \u00e1rea ao redor de onde vive est\u00e1 toda desmatada.<\/p>\n\n\n\n<p>Neves \u00e9 presidenta da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Produtoras de Polpa de Fruta, fundada em 2012. Ela adota t\u00e9cnicas de sombreamento \u2014 ou seja, cultiva feij\u00e3o-guandu e arb\u00f3reas em paralelo \u00e0s frut\u00edferas para garantir sombra e nutrientes necess\u00e1rios ao solo, dispensando produtos qu\u00edmicos; utiliza biofertilizantes caseiros e fornece polpas de fruta a escolas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cacau-producao_AMPPF_Imaflora_Para_Brasil_DiegoFormiga.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cacau-producao_AMPPF_Imaflora_Para_Brasil_DiegoFormiga-768x512.jpeg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cacau-producao_AMPPF_Imaflora_Para_Brasil_DiegoFormiga-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cacau-producao_AMPPF_Imaflora_Para_Brasil_DiegoFormiga.jpeg 2048w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2048px\" alt=\"Mulher segura cacau cortado ao meio\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Produ\u00e7\u00e3o de cacau na comunidade de Tancredo Neves, no Par\u00e1, Brasil (Imagem: Diego Formiga \/ Imaflora)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/Cacau-producao_AMPPF_Imaflora_Para_Brasil_DiegoFormiga.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"501 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1366\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2048\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>A entidade tem 55 associadas que h\u00e1 tr\u00eas anos vendem as polpas de frutas ao governo federal, o qual, por sua vez, realiza sua distribui\u00e7\u00e3o. A parceria vem avan\u00e7ando: o contrato passou de R$ 231 mil em 2022 para R$ 351 mil em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, para abrir novos mercados, elas precisam de mais investimentos. A associa\u00e7\u00e3o depende, por exemplo, de uma c\u00e2mara fria para o armazenamento da produ\u00e7\u00e3o e de um caminh\u00e3o refrigerado para transportar as frutas. Celma de Oliveira diz que a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas impede o avan\u00e7o de iniciativas agroecol\u00f3gicas, e um dos principais problemas \u00e9 a dificuldade de acesso ao cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem cr\u00e9dito espec\u00edfico para o sistema agroflorestal, mas os bancos colocam uma s\u00e9rie de empecilhos. A\u00ed os agricultores n\u00e3o conseguem gerar renda suficiente para diversificar a produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz Oliveira, que presta assist\u00eancia \u00e0 associa\u00e7\u00e3o, pelo Imaflora. \u201c\u00c9 muito mais f\u00e1cil conseguir cr\u00e9dito para a pecu\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Par\u00e1, Jos\u00e9 Mauro O\u2019de Almeida, concorda que \u00e9 preciso criar mais condi\u00e7\u00f5es para que esses produtos sejam comercializados: \u201cN\u00f3s temos boas iniciativas de agroflorestas, biojoias, biocosm\u00e9ticos, bioprodutos de uma maneira geral, mas que n\u00e3o ganham escala\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, Almeida diz ser necess\u00e1rio melhorar a infraestrutura, log\u00edstica e&nbsp; verticaliza\u00e7\u00e3o \u2014 ou seja, mantendo o processamento do produto na regi\u00e3o. \u201cEm Paris, voc\u00ea compra o a\u00e7a\u00ed liofilizado [desidratado e vendido em p\u00f3 ou c\u00e1psulas] a 200 euros o quilo. Tem alto valor agregado, muito maior do que o da soja, mas \u00e9 preciso ter a verticaliza\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que o PlanBio responda a algumas dessas demandas para que, segundo Almeida, a fronteira agr\u00edcola pare de expandir. O plano tamb\u00e9m quer valorizar o modelo econ\u00f4mico sustent\u00e1vel e prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de centros de empreendedorismo em cinco regi\u00f5es do estado, um museu da bioeconomia e uma escola sobre os saberes da floresta.&nbsp;O primeiro aporte&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.semas.pa.gov.br\/2023\/02\/06\/estado-e-bid-avancam-na-estruturacao-do-projeto-descarboniza-para\/\">vir\u00e1<\/a>&nbsp;do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que oferecer\u00e1 US$ 300 milh\u00f5es \u00e0 agenda clim\u00e1tica do estado, segundo o secret\u00e1rio. A primeira parcela est\u00e1 prevista para ser paga em outubro, mas o valor especificamente destinado ao PlanBio ainda n\u00e3o foi definido.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/viveiro_APA-triunfo-Xingu_Brasil_FlavioForner_ASLBrazil_51704831179.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/viveiro_APA-triunfo-Xingu_Brasil_FlavioForner_ASLBrazil_51704831179-768x512.jpeg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/viveiro_APA-triunfo-Xingu_Brasil_FlavioForner_ASLBrazil_51704831179-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/viveiro_APA-triunfo-Xingu_Brasil_FlavioForner_ASLBrazil_51704831179.jpeg 2048w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2048px\" alt=\"Dami\u00e3o Barborsa cuida de mudas\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Dami\u00e3o Barborsa cuida de mudas em seu viveiro na comunidade Xad\u00e1, no Par\u00e1 (Imagem:\u00a0<a href=\"https:\/\/flickr.com\/photos\/194505739@N06\/51704394318\/in\/album-72157720176297044\/\">Flavio Forner<\/a>\u00a0\/\u00a0<a href=\"https:\/\/flickr.com\/photos\/194505739@N06\/51704394318\/in\/album-72157720176297044\/\">ASL Brazil<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/2.0\/\">CC BY NC<\/a>)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/viveiro_APA-triunfo-Xingu_Brasil_FlavioForner_ASLBrazil_51704831179.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1365\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2048\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Governo do Par\u00e1 joga dos dois lados<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar da virada mais verde sinalizada em an\u00fancios recentes, o agroneg\u00f3cio provavelmente continuar\u00e1 sendo uma ind\u00fastria-chave e uma fonte vital de renda para o Par\u00e1 e seu governo \u2014 e uma poss\u00edvel fonte de tens\u00f5es com suas ousadas ambi\u00e7\u00f5es de bioeconomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, as&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciapara.com.br\/noticia\/41378\/exportacao-de-produtos-do-agronegocio-paraense-avancou-quase-70\">exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio do Par\u00e1<\/a>&nbsp;alcan\u00e7aram US$ 3 bilh\u00f5es, 70% a mais do que no ano anterior. As principais mercadorias foram soja, carne bovina e produtos florestais \u2014&nbsp;como madeira, carv\u00e3o vegetal e papel.<\/p>\n\n\n\n<p>A China foi o principal destino internacional do agroneg\u00f3cio paraense, com US$ 957,7 milh\u00f5es em valor exportado, um ter\u00e7o do total \u2014&nbsp;carne e soja representaram 92% dessa quantia, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura. Na sequ\u00eancia, est\u00e3o Estados Unidos, Holanda e Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, em abril, o governador Barbalho voltou a integrar a comitiva de Lula, desta vez com destino \u00e0 China. Na ocasi\u00e3o, foi firmado um acordo com a China Communications Construction Company, a CCCC, para a constru\u00e7\u00e3o de uma&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/helderbarbalho\/status\/1646960869832642610\">ferrovia<\/a>&nbsp;ligando munic\u00edpios do sudeste paraense ao porto de Barcarena, na costa norte do estado. O projeto,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.oliberal.com\/para\/governo-garante-inicio-de-ferrovia-que-interligara-barcarena-maraba-e-parauapebas-em-2021-1.212000\">estimado<\/a>&nbsp;em R$ 7 bilh\u00f5es, servir\u00e1 para o escoamento de commodities do Par\u00e1 aos mercados internacionais.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50364137\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">Recommended<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>O governo estadual tamb\u00e9m \u00e9 um grande patrocinador do agroneg\u00f3cio. A pecu\u00e1ria paraense&nbsp;<a href=\"https:\/\/escolhas.org\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Sumario_Tem-recurso-para-a-bioeconomia-na-Amazonia.pdf\">recebeu<\/a>&nbsp;quase R$ 210 milh\u00f5es em ren\u00fancias fiscais em 2021. Mas a atividade, diz Leit\u00e3o, \u201crecebe muito e oferece pouco em termos de produtividade e efici\u00eancia do ponto de vista ambiental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, 85% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa do Par\u00e1 tiveram origem na mudan\u00e7a de uso do solo (desmatamento, principalmente) e 11%, na agropecu\u00e1ria,&nbsp;<a href=\"https:\/\/plataforma.seeg.eco.br\/territories\/para\/card?year=2021&amp;cities=false#\">segundo<\/a>&nbsp;dados do Observat\u00f3rio do Clima. Altamira, tamb\u00e9m no Par\u00e1, e S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu&nbsp;<a href=\"https:\/\/plataforma.seeg.eco.br\/cities\">s\u00e3o os munic\u00edpios<\/a>&nbsp;que mais geram emiss\u00f5es em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Altamira, est\u00e1 a Reserva Extrativista (Resex) Riozinho do Anfr\u00edsio, uma \u00e1rea protegida que integra o territ\u00f3rio ind\u00edgena do Xingu. Assim como as produtoras de polpas de frutas de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu, os extrativistas de Riozinho do Anfr\u00edsio s\u00e3o pressionados pelo avan\u00e7o do desmatamento,&nbsp;<a href=\"http:\/\/terrabrasilis.dpi.inpe.br\/app\/dashboard\/deforestation\/biomes\/legal_amazon\/increments\">conforme<\/a>&nbsp;dados do Inpe e relatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse avan\u00e7o rumo \u00e0s \u00e1reas de coleta de castanha da Amaz\u00f4nia, \u00f3leo de copa\u00edba e borracha j\u00e1 foi uma grande preocupa\u00e7\u00e3o do extrativista Pedro Pereira, um dos moradores da regi\u00e3o. Mas nos \u00faltimos meses, ele j\u00e1 percebe uma debandada dos invasores com a retomada do combate aos crimes ambientais pelo governo federal. Em abril, Barbalho e Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, firmaram um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/assuntos\/noticias\/mma-e-para-assinam-acordo-de-cooperacao-para-reforcar-combate-ao-desmatamento\">acordo de coopera\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;para aprimorar a fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental, a gest\u00e3o das florestas e o uso do solo no estado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/ResexRiozinhodoAnfrisio_Para_Brasil_RafaelSalazar_OrigensBrasil.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/ResexRiozinhodoAnfrisio_Para_Brasil_RafaelSalazar_OrigensBrasil-768x462.jpeg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/ResexRiozinhodoAnfrisio_Para_Brasil_RafaelSalazar_OrigensBrasil-1024x616.jpeg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/ResexRiozinhodoAnfrisio_Para_Brasil_RafaelSalazar_OrigensBrasil.jpeg 2048w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2048px\" alt=\"Barco no Xingu\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">No Xingu, quase mil produtores movimentaram R$ 9,5 milh\u00f5es com a bioeconomia desde 2016 (Imagem: Rafael Salazar \/ Origens Brasil)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/05\/ResexRiozinhodoAnfrisio_Para_Brasil_RafaelSalazar_OrigensBrasil.jpeg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"570 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1231\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2048\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Mesmo com as press\u00f5es, os extrativistas de Riozinho do Anfr\u00edsio mostram ser poss\u00edvel gerar renda mantendo a floresta em p\u00e9. Contando com o apoio do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.origensbrasil.org.br\/governanca\">Origens Brasil<\/a>&nbsp;\u2014 rede coordenada pelo Imaflora e o Instituto Socioambiental que estimula neg\u00f3cios sustent\u00e1veis na Amaz\u00f4nia \u2014, eles t\u00eam conseguido melhores acordos com as empresas que compram seus produtos. N\u00e3o apenas obt\u00eam valores mais justos, como as empresas arcam com os custos log\u00edsticos do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAntes, a borracha dava R$ 0,70 por um bloco, e hoje s\u00e3o R$ 13, uma mudan\u00e7a enorme e com um contrato que nos d\u00e1 seguran\u00e7a\u201d, comemora Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p>No territ\u00f3rio do Xingu, o Origens Brasil tem quase mil produtores cadastrados, que desde 2016 j\u00e1 movimentaram R$ 9,5 milh\u00f5es pelo com\u00e9rcio de produtos da biodiversidade. Apenas em 2022, foram R$ 2 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas pode ser bem maior a receita da bioeconomia, segundo um&nbsp;<a href=\"https:\/\/escolhas.org\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Sumario_BioeconomiaPobreza_Final.pdf\">estudo<\/a>&nbsp;recente do Instituto Escolhas, que avaliou a renda poss\u00edvel a partir da recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e, logo, o plantio de esp\u00e9cies nativas que poderiam ser exploradas pelos extrativistas. A pesquisa mostra que o reflorestamento de seis milh\u00f5es de hectares \u2014 uma \u00e1rea maior do que o estado da Para\u00edba \u2014 poderia criar um milh\u00e3o de empregos diretos, gerar R$ 13,6 bilh\u00f5es em receitas e reduzir o \u00edndice de pobreza no Par\u00e1 em 50%. Os empregos seriam gerados pela m\u00e3o de obra na coleta de sementes, produ\u00e7\u00e3o de mudas, plantio, manuten\u00e7\u00e3o e monitoramento da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Leit\u00e3o, um gargalo muito discutido da bioeconomia \u00e9 a baixa escala da produtividade. Mas ele ressalta que o replantio de florestas junto a outras atividades de menor impacto, como a horticultura produzida pela agricultura familiar, poderiam ampliar seu alcance. \u201cElas oferecem exatamente esse espa\u00e7o da oferta de emprego, gera\u00e7\u00e3o de renda, combate \u00e0 pobreza e d\u00e3o o tempo necess\u00e1rio para que a escala de outras atividades possa aparecer\u201d, diz Leit\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Pereira est\u00e1 animado com as perspectivas. Seu principal desafio agora n\u00e3o s\u00e3o os invasores, mas o avan\u00e7o de sua produ\u00e7\u00e3o. Ele espera que sua comunidade negocie com mais empresas para escoar a produ\u00e7\u00e3o excedente. Mas, para ele, a preserva\u00e7\u00e3o do bioma vai al\u00e9m do que uma oportunidade de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA floresta para n\u00f3s \u00e9 tudo\u201d, diz Pereira. \u201c\u00c9 de onde a gente tira o sustento da nossa fam\u00edlia, toda nossa alimenta\u00e7\u00e3o, nosso recurso de dinheiro. Ela \u00e9 a fonte de \u00e1gua. Sem a floresta, a gente n\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com press\u00f5es crescentes, governo estadual parece empenhado em dar um verniz mais verde ao estado que acumula recordes de desmatamento do bioma<\/p>\n","protected":false},"author":1072,"featured_media":50367956,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039926],"tags":[50003600,50003594,50029663],"hashtags":[],"country":[50003526],"class_list":["post-50368699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-florestas","tag-amazonia-pt-br","tag-desmatamento","tag-ecossistemas","country-brasil-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Par\u00e1: maior desmatador da Amaz\u00f4nia 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