{"id":50379979,"date":"2023-09-21T20:58:58","date_gmt":"2023-09-21T19:58:58","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogochino.net\/?p=379979"},"modified":"2023-09-21T20:59:09","modified_gmt":"2023-09-21T19:59:09","slug":"379847-america-do-sul-silvicultura-especies-invasoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/florestas\/379847-america-do-sul-silvicultura-especies-invasoras\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 entre as l\u00edderes em plantio de \u00e1rvores \u2014 de esp\u00e9cies invasoras"},"content":{"rendered":"\n<p>O principal mantra para mitigar a crise clim\u00e1tica j\u00e1 \u00e9 bem conhecido: plantar \u00e1rvores. As florestas s\u00e3o nossos <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/3\/ca9825en\/ca9825en.pdf\">maiores<\/a> estoques terrestres de di\u00f3xido de carbono, principal g\u00e1s de efeito estufa que impulsiona o aquecimento global. Em 2018, o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da ONU <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/sr15\/\">declarou<\/a> que o reflorestamento em larga escala poderia contribuir com a meta de limitar o aumento da temperatura m\u00e9dia global a 1,5 \u00b0C. Para isso, seriam necess\u00e1rias centenas de milh\u00f5es de hectares de novas \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica do Sul \u00e9 uma das <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/forest-resources-assessment\/2020\/es\">l\u00edderes mundiais em planta\u00e7\u00f5es florestais<\/a>: o subcontinente tem 20 milh\u00f5es de hectares de \u00e1rvores plantadas, atr\u00e1s apenas da \u00c1sia. Essas \u00e1reas est\u00e3o concentradas no Brasil, na Argentina, no Chile e no Uruguai. Embora <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/forest-resources-assessment\/2020\/en\/\">15%<\/a> dos 131 milh\u00f5es de hectares de planta\u00e7\u00f5es florestais do planeta estejam na Am\u00e9rica do Sul, isso n\u00e3o tem ajudado a conter o desmatamento ou a reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50055142\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>Isso se deve ao fato de que a silvicultura (produ\u00e7\u00e3o de madeira) na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 quase toda voltada para a produ\u00e7\u00e3o industrial e, geralmente, consiste em monoculturas de pinheiros ou eucaliptos. Ou seja, s\u00f3 uma esp\u00e9cie cresce em uma extensa \u00e1rea, cultivo impulsionado pelo uso de fertilizantes e pesticidas. As monoculturas prejudicam a biodiversidade e limitam a capacidade de sequestro de carbono da atmosfera. Al\u00e9m disso, as pr\u00e1ticas promovem a degrada\u00e7\u00e3o do solo e a destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas monoculturas n\u00e3o absorvem carbono da mesma forma que as florestas secund\u00e1rias naturais\u201d, explica Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo e <a href=\"http:\/\/www.iea.usp.br\/pessoas\/pasta-pessoac\/carlos-afonso-nobre\">uma das principais autoridades<\/a> em assuntos florestais no Brasil. \u201cElas podem remover um pouco [de carbono], mas n\u00e3o promovem a biodiversidade, porque s\u00e3o esp\u00e9cies invasoras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-milh-es-de-hectares-de-esp-cies-ex-ticas\">Milh\u00f5es de hectares de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas<\/h2>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul, <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/3\/ca9825en\/ca9825en.pdf\">97%<\/a> das planta\u00e7\u00f5es florestais s\u00e3o compostas por esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, principalmente <a href=\"https:\/\/agenciatierraviva.com.ar\/monocultivo-forestal-incendios-desalojos-y-sobreconsumo-de-agua\/#:~:text=Pinos%20e%20incendios%20forestales&amp;text=Los%20pinos%20apagan%20la%20biodiversidad,parajes%20del%20bosque%20andino%2Dpatag%C3%B3nico.\">pinus<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.abc.es\/natural\/biodiversidad\/abci-eucaliptos-disminuyen-biodiversidad-rios-201706131343_noticia.html\">eucalipto<\/a>, usadas para a produ\u00e7\u00e3o de madeira e celulose, respectivamente. O Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Chile abrigam algumas das maiores \u00e1reas plantadas da regi\u00e3o e, no s\u00e9culo passado, os quatro pa\u00edses introduziram essas esp\u00e9cies por meio de subs\u00eddios e apoio governamentais.<\/p>\n\n\n\n<iframe src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/14948447\/embed\" title=\"Interactive or visual content\" class=\"flourish-embed-iframe\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" style=\"width:100%;height:600px\" sandbox=\"allow-same-origin allow-forms allow-scripts allow-downloads allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-top-navigation-by-user-activation\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Mauricio Aguilera, engenheiro florestal do Chile, conta que a silvicultura come\u00e7ou em seu pa\u00eds como forma combater a eros\u00e3o causada pela agricultura e pela queima da vegeta\u00e7\u00e3o nativa antes de 1950. Depois, isso evoluiu para a produ\u00e7\u00e3o industrial de pinheiros e eucaliptos. Processos semelhantes ocorreram em outros pa\u00edses, com o plantio geralmente em terras degradadas, dizem especialistas consultados pelo <em>Di\u00e1logo Chino<\/em>. O setor da silvicultura cresceu rapidamente ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas \u2014 e segue em expans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, <a href=\"https:\/\/www.fao.org\/forest-resources-assessment\/2020\/es\">16,8 milh\u00f5es de hectares<\/a> de planta\u00e7\u00f5es florestais est\u00e3o espalhados por Brasil (respons\u00e1vel por 67% da \u00e1rea), Chile (19%), Argentina e Uruguai (7,1% cada). O cultivo de <em>Eucalyptus globulus<\/em>, de crescimento r\u00e1pido, espalhou-se como a principal esp\u00e9cie da regi\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de celulose \u2014 exceto no Chile, onde o pinheiro \u00e9 dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Hivy Ortiz, que desenvolve iniciativas de agricultura regional sustent\u00e1vel e resiliente para a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura, o cen\u00e1rio do setor florestal da regi\u00e3o mudou nos \u00faltimos anos. \u201cOs programas de plantio eram originalmente associados a incentivos florestais. Agora s\u00e3o, em sua maioria, investimentos privados\u201d, diz Ortiz ao <em>Di\u00e1logo Chino<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um <a href=\"https:\/\/wits.worldbank.org\/CountryProfile\/en\/Country\/LCN\/Year\/LTST\/TradeFlow\/Export\/Partner\/by-country\/Product\/44-49_Wood#:~:text=In%202020%2C%20the%20top%20partner,%2C%20Italy%2C%20Mexico%20and%20Netherlands\">relat\u00f3rio<\/a> do Banco Mundial, metade das exporta\u00e7\u00f5es florestais da Am\u00e9rica Latina em 2021 foi para os Estados Unidos (28,6%) e a China (23,2%). A outra metade est\u00e1 distribu\u00edda entre 204 na\u00e7\u00f5es. Grande parte desse setor florestal \u00e9 apoiado por uma combina\u00e7\u00e3o de capital nacional e internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm seus locais de origem, o pinheiro e o eucalipto podem levar at\u00e9 28 anos para crescer, porque est\u00e3o em locais mais \u00e1ridos ou em latitudes mais pr\u00f3ximas dos polos, mas na maior parte da Am\u00e9rica do Sul levam quatro vezes menos. \u00c9 por isso que o plantio aqui \u00e9 t\u00e3o atraente\u201d, explica M\u00f3nica Bedoya, gestora ambiental da Universidade Tecnol\u00f3gica de Pereira, na Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quais-os-impactos-da-silvicultura\">Quais os impactos da silvicultura?<\/h2>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/en\/agriculture\/374430-eu-deforestation-law-major-test-for-south-american-farmers\/\">cientistas<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.wrm.org.uy\/es\/otras-informaciones\/colombia-murmullos-entre-los-eucaliptos\">organiza\u00e7\u00f5es<\/a> alertaram sobre os problemas relacionados \u00e0s planta\u00e7\u00f5es de pinheiros e eucaliptos que pressionam florestas nativas. Algumas dessas consequ\u00eancias incluem a propens\u00e3o \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e inc\u00eandios, al\u00e9m de um grande consumo de \u00e1gua e o preju\u00edzo \u00e0 biodiversidade. A respeito do \u00faltimo ponto, Bedoya explica: \u201cNesses lotes de terra, somente [a planta\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores] cresce. Embaixo dela nada mais cresce\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/chile-pinus-arvores_DC_Jean-pierre-Degas_Alamy_CPYK4D.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/chile-pinus-arvores_DC_Jean-pierre-Degas_Alamy_CPYK4D-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/chile-pinus-arvores_DC_Jean-pierre-Degas_Alamy_CPYK4D-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/chile-pinus-arvores_DC_Jean-pierre-Degas_Alamy_CPYK4D.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Trabalhadores cultivam pinheiros em Los Angeles, prov\u00edncia de Biob\u00edo, regi\u00e3o Centro-Sul do Chile\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Trabalhadores cultivam pinheiros em Los Angeles, prov\u00edncia de Biob\u00edo, regi\u00e3o centro-sul do Chile. O pinheiro \u00e9 a esp\u00e9cie mais plantada no pa\u00eds (Imagem: Jean-Pierre Degas \/ Alamy)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/09\/chile-pinus-arvores_DC_Jean-pierre-Degas_Alamy_CPYK4D.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>A Universidade Polit\u00e9cnica Salesiana do Equador <a href=\"https:\/\/dspace.ups.edu.ec\/bitstream\/123456789\/24423\/1\/TTS1198.pdf\">destaca<\/a> que a invas\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es de pinheiros e eucaliptos pode comprometer \u00e1reas de alta biodiversidade. Isso ocorre porque elas aceleram o estresse h\u00eddrico do local e alteram os solos por meio da saliniza\u00e7\u00e3o e acidifica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, as planta\u00e7\u00f5es de eucalipto est\u00e3o intimamente associadas \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do solo no sul da Mata Atl\u00e2ntica. Paulo Amaral, engenheiro florestal da organiza\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/en\/about-us\/who-we-are\/\">Imazon<\/a>, estima que reste apenas 6% de floresta nativa desse bioma.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Aguilera, o foco do setor est\u00e1 na efici\u00eancia: reflorestar a mesma terra, plantando mais \u00e1rvores, em um ritmo mais r\u00e1pido e em espa\u00e7os menores. De acordo com ele, isso permitiu reduzir alguns dos impactos das planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores, mas ainda h\u00e1 danos \u00e0 \u00e1gua e ao solo: \u201cElas podem ter secado nascentes e a \u00e1gua pot\u00e1vel de algumas pessoas em \u00e1reas rurais \u2014 possivelmente porque foram plantadas em uma densidade muito elevada, uma vez que est\u00e3o localizadas perto de fontes de \u00e1gua\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Aguilera acrescenta que a alta densidade das planta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m pode promover inc\u00eandios florestais. Embora esse seja um processo natural para os pinheiros, essa alta densidade de \u00e1rvores pode causar estragos, conforme demonstrado pelos inc\u00eandios devastadores observados no Chile em 2017 e <a href=\"https:\/\/earthobservatory.nasa.gov\/images\/150994\/fires-scar-the-chilean-landscape\">2023<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-h-benef-cios-ambientais\">H\u00e1 benef\u00edcios ambientais?<\/h2>\n\n\n\n<p>No Chile, especialistas em silvicultura observam que as planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores podem reduzir a amea\u00e7a de desmatamento das florestas nativas. \u201cSe n\u00e3o fosse por essas planta\u00e7\u00f5es com esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, ter\u00edamos bem menos florestas prim\u00e1rias\u201d, defende o engenheiro florestal chileno Edison Garc\u00eda Rivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do Brasil, o territ\u00f3rio do Chile \u00e9 mais acidentado e as planta\u00e7\u00f5es est\u00e3o localizadas entre cadeias de montanhas, constituindo <a href=\"https:\/\/bibliotecadigital.infor.cl\/handle\/20.500.12220\/32501\">um quinto<\/a> da cobertura florestal do pa\u00eds. Desde que os subs\u00eddios ao setor foram <a href=\"https:\/\/www.conaf.cl\/nuestros-bosques\/plantaciones-forestales\/dl-701-y-sus-reglamentos\/#:~:text=DL701%20(1974),de%20fomento%20sobre%20la%20materia.%20%C2%BB\">eliminados<\/a> em 2012, a expans\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o a florestas nativas <a href=\"https:\/\/www.globalforestwatch.org\/dashboards\/country\/CHL\/?category=undefined&amp;map=eyJjYW5Cb3VuZCI6dHJ1ZX0%3D\">caiu<\/a> drasticamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tamb\u00e9m \u00e9 o caso do Uruguai. O diretor nacional de florestas do pa\u00eds, <a href=\"https:\/\/www.gub.uy\/ministerio-ganaderia-agricultura-pesca\/institucional\/estructura-del-organismo\/carlos-faroppa\">Carlos Faroppa<\/a>, diz que o Uruguai tem desmatamento zero \u201ch\u00e1 muitos anos\u201d. Isso se deve ao fato, diz ele, de terem uma vegeta\u00e7\u00e3o natural que nunca foi coberta por florestas tropicais. Por l\u00e1, predominam as pastagens naturais do Pampa, e h\u00e1 tamb\u00e9m uma \u201cs\u00e9rie de regulamenta\u00e7\u00f5es implementadas pelo governo h\u00e1 anos\u201d, diz Faroppa, em refer\u00eancia aos programas de rastreabilidade das commodities agr\u00edcolas que incentivam um modelo de produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">Na Argentina, assim como no resto da regi\u00e3o, \u00e9 preciso planejar o uso da terra<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\">Ana Di Pangracio, da Funda\u00e7\u00e3o para o Meio Ambiente e Recursos Naturais da Argentina<\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>No Brasil e na Argentina, a silvicultura ainda n\u00e3o desempenha um papel favor\u00e1vel \u00e0 prote\u00e7\u00e3o florestal, embora essa possibilidade n\u00e3o seja totalmente descartada por especialistas. Paulo Amaral, do Imazon, admite que a silvicultura na Amaz\u00f4nia poderia proteger os solos durante os est\u00e1gios iniciais de crescimento, \u201cmas nunca a longo prazo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/twitter.com\/adipangracio\">Ana Di Pangracio<\/a>, da Funda\u00e7\u00e3o para o Meio Ambiente e Recursos Naturais da Argentina, diz que as atividades florestais devem ser mais bem regulamentadas, e o plantio de \u00e1rvores nativas deve ser incentivado: \u201cNa Argentina, assim como no resto da regi\u00e3o, \u00e9 preciso planejar o uso da terra\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ortiz n\u00e3o acha que as planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores sejam especialmente prejudiciais ao meio ambiente. Por\u00e9m, assim como Pangracio, defende um planejamento mais cuidadoso: a silvicultura industrial, diz, \u201ctem a fun\u00e7\u00e3o principal de reduzir as amea\u00e7as \u00e0s florestas nativas, desde que bem feita, sem derrubar a floresta nativa para colocar outras planta\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-planos-de-restaura-o\">Planos de restaura\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, projetos trabalham na restaura\u00e7\u00e3o de florestas nativas na Am\u00e9rica do Sul. A maioria pede o fim dos incentivos a setores como o da silvicultura e prop\u00f5e novos marcos regulat\u00f3rios que permitam a restaura\u00e7\u00e3o. As estrat\u00e9gias comuns de restaura\u00e7\u00e3o incluem a combina\u00e7\u00e3o do plantio de \u00e1rvores com outras lavouras por meio da agroecologia, a prote\u00e7\u00e3o de \u00e1reas florestais espec\u00edficas e, em zonas mais delicadas, o replantio de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50378708\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>O Brasil, o Chile e o Uruguai n\u00e3o t\u00eam mais subs\u00eddios para o setor da silvicultura, e o Chile tamb\u00e9m caminha para uma produ\u00e7\u00e3o agroflorestal \u2014 ou seja, mista. \u201cAs planta\u00e7\u00f5es multifuncionais procuram conservar e produzir produtos florestais para al\u00e9m da madeira, como cogumelos e frutas\u201d, explica Daniela Manuschevich, chefe do Escrit\u00f3rio de Recursos Naturais e Biodiversidade do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente do Chile. Essa <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/agricultura-pt-br\/378612-brasil-alavancar-recuperacao-terras-degradadas\/\">substitui\u00e7\u00e3o de monoculturas<\/a>, ali\u00e1s, ajuda na restaura\u00e7\u00e3o do solo e aumenta a capacidade de sequestro de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s iniciativas de reflorestamento, um dos exemplos mais emblem\u00e1ticos \u00e9 o <a href=\"https:\/\/re.green\/\">Re.green<\/a> no Brasil, projeto que visa restaurar um milh\u00e3o de hectares de terras na Amaz\u00f4nia e na Mata Atl\u00e2ntica. De acordo com Rodrigo Rodrigues, pesquisador da Universidade de S\u00e3o Paulo, esse \u00e9 um dos projetos mais ambiciosos que podem contribuir para as <a href=\"https:\/\/cooperacaobrasil-alemanha.com\/Mata_Atlantica\/Planaveg_ingles.pdf\">metas<\/a> de desmatamento zero do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos esfor\u00e7os de reflorestamento da Am\u00e9rica Latina s\u00e3o iniciativas grandes, comandadas ou financiadas pelo Estado, ou ainda por fundos ambientais como o <a href=\"https:\/\/www.thegef.org\/\">Global Environment Facility<\/a> e o <a href=\"https:\/\/www.greenclimate.fund\/\">Green Climate Fund<\/a>. Brasil, Chile, Uruguai e Argentina tamb\u00e9m t\u00eam projetos de menor escala, bancados principalmente por empresas privadas. O pesquisador Carlos Nobre destaca o exemplo da Vale, empresa brasileira de minera\u00e7\u00e3o de ferro, que supostamente se comprometeu a recuperar e proteger 500 mil hectares at\u00e9 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>Daniela Manuschevich diz que as consequ\u00eancias para a vida humana podem ser \u201ccatastr\u00f3ficas\u201d caso o desmatamento continue e os solos degradados se tornem cada vez mais imperme\u00e1veis. \u201cNo contexto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, sejam elas chuvas ou secas extremas, as florestas multifuncionais e diversificadas oferecem um caminho seguro, uma possibilidade de que os impactos n\u00e3o sejam t\u00e3o graves\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Planta\u00e7\u00f5es de pinheiros e eucaliptos crescem em pa\u00edses como Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, mas especialistas alertam para amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade, aos solos e \u00e0 \u00e1gua<\/p>\n","protected":false},"author":50000479,"featured_media":50379862,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039920,50039926],"tags":[50003593,50003594,50040443],"hashtags":[],"country":[50003524,50003526,50003531,50003543],"class_list":["post-50379979","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-clima","category-florestas","tag-biodiversidade","tag-desmatamento","tag-solos","country-argentina-pt-br","country-brasil-pt-br","country-chile-pt-br","country-uruguai"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Am\u00e9rica do Sul lidera plantio de \u00e1rvores \u2014 de esp\u00e9cies invasoras<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Atr\u00e1s apenas da \u00c1sia, cultivo de pinheiros e eucaliptos cresce em pa\u00edses sul-americanos. 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