{"id":50388608,"date":"2024-02-02T15:09:07","date_gmt":"2024-02-02T15:09:07","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogochino.net\/?p=388608"},"modified":"2024-06-19T14:45:58","modified_gmt":"2024-06-19T13:45:58","slug":"388413-povos-tradicionais-contra-hidreletrica-binacional-rio-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/florestas\/388413-povos-tradicionais-contra-hidreletrica-binacional-rio-madeira\/","title":{"rendered":"Povos tradicionais se articulam contra hidrel\u00e9trica binacional no rio Madeira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Na cidade de Guajar\u00e1-Mirim, em Rond\u00f4nia, mais de 140 pessoas lotaram um centro de treinamento onde seria apresentado o primeiro <a href=\"https:\/\/www.inventariobinacional.com\">estudo<\/a> da hidrel\u00e9trica binacional do rio Madeira \u2014 um projeto entre Brasil e Bol\u00edvia que reacende o debate sobre usinas na Amaz\u00f4nia \u00e0 medida que crescem preocupa\u00e7\u00f5es com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a seguran\u00e7a energ\u00e9tica e os impactos socioambientais de tais empreendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto uma porta-voz do Minist\u00e9rio de Minas e Energia do Brasil abria a apresenta\u00e7\u00e3o, no dia 8 de agosto de 2023, cerca de 40 manifestantes de organiza\u00e7\u00f5es e comunidades tradicionais protestavam. \u201cN\u00e3o \u00e0 hidrel\u00e9trica Ribeir\u00e3o! \u00c1guas para a vida, n\u00e3o para a morte!\u201d, lia-se em uma das faixas. Ribeir\u00e3o \u00e9 um dos afluentes do rio Madeira e onde ser\u00e1 instalada uma das barragens do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles queixavam-se da falta de participa\u00e7\u00e3o social e transpar\u00eancia na elabora\u00e7\u00e3o dos estudos de invent\u00e1rio \u2013 a primeira etapa de um projeto hidrel\u00e9trico. Os organizadores, ent\u00e3o, decidiram encerrar o evento<a href=\"https:\/\/www.inventariobinacional.com\/dialogo-social\/materiais-de-comunicacao\/videos.php\"> <\/a><a href=\"https:\/\/www.inventariobinacional.com\/dialogo-social\/materiais-de-comunicacao\/videos.php\">\u201cpor motivos de seguran\u00e7a\u201d<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/manifestantes_Guajara-Mirim-RO_Brasil_MAB.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/manifestantes_Guajara-Mirim-RO_Brasil_MAB-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/manifestantes_Guajara-Mirim-RO_Brasil_MAB-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/manifestantes_Guajara-Mirim-RO_Brasil_MAB.jpg 1920w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 1920px\" alt=\"Pessoas marchando com cartazes e uma grande faixa\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Manifestantes erguem uma faixa contra hidrel\u00e9trica em protesto no Dia Mundial da \u00c1gua em 2022, em Guajar\u00e1-Mirim, no estado de Rond\u00f4nia, no Brasil. O projeto proposto h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada encontra oposi\u00e7\u00e3o de comunidades (Imagem: Movimento de Atingidos por Barragens)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/manifestantes_Guajara-Mirim-RO_Brasil_MAB.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1280\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1920\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cO rapaz falou que o estudo j\u00e1 estava feito. N\u00e3o precisava da gente para aprovar nada\u201d, disse Ger\u00f4nima Costa, presidente da col\u00f4nia de pescadores Z2, que recebeu o convite no mesmo dia da reuni\u00e3o. \u201cMas que trabalho \u00e9 esse que n\u00e3o ouve a comunidade?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A insatisfa\u00e7\u00e3o local com a hidrel\u00e9trica binacional foi colocada em uma<a href=\"https:\/\/mab.org.br\/2023\/07\/30\/carta-aberta-aos-presidentes-da-bolivia-e-do-brasil-enfrentar-a-devastacao-da-amazonia-e-parar-projetos-que-destroem-territorios-e-a-vida\/\"> <\/a><a href=\"https:\/\/mab.org.br\/2023\/07\/30\/carta-aberta-aos-presidentes-da-bolivia-e-do-brasil-enfrentar-a-devastacao-da-amazonia-e-parar-projetos-que-destroem-territorios-e-a-vida\/\">carta aberta<\/a> de 30 de julho, destinada aos presidentes dos dois pa\u00edses, Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva e Luis Arce. \u201cConvocar comunidades para divulgar estudos sem pr\u00e9vio conhecimento da sociedade [\u2026] \u00e9 violar a participa\u00e7\u00e3o dos povos a serem afetados e esconder os impactos sin\u00e9rgicos e cumulativos que os afetar\u00e3o\u201d, escreveram 37 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00edderes ind\u00edgenas, pescadores, cientistas e aqueles que vivem da terra falaram ao ((o))eco sobre temores comuns em torno do projeto: a perda de modos de vida e o colapso dos ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-hidreletricas-amazonicas\">Hidrel\u00e9tricas amaz\u00f4nicas<\/h2>\n\n\n\n<p>O rio Madeira \u00e9 fundamental para o equil\u00edbrio da bacia hidrogr\u00e1fica amaz\u00f4nica. Estende-se por 3.315 quil\u00f4metros das nascentes na Cordilheira dos Andes, no norte da Bol\u00edvia, at\u00e9 a foz no rio Amazonas, em Itacoatiara, no Amazonas. Esse rio de \u00e1guas brancas, ou seja, com alta turbidez e nutrientes, abriga grande parte da biodiversidade aqu\u00e1tica do bioma, incluindo<a href=\"https:\/\/www.amazon-fish.com\/datavisualization\/species-richness-at-the-sub-basin-grain\"> <\/a><a href=\"https:\/\/www.amazon-fish.com\/datavisualization\/species-richness-at-the-sub-basin-grain\">60% das esp\u00e9cies de peixes<\/a>, e \u00e9 respons\u00e1vel por<a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/barragens-do-rio-madeira-sedimentos-2-o-primeiro-cenario-oficial\/\"> <\/a><a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/barragens-do-rio-madeira-sedimentos-2-o-primeiro-cenario-oficial\/\">metade dos sedimentos<\/a> que chegam ao rio Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, o Madeira vive toda sorte de impactos antr\u00f3picos \u2013 grilagem, desmatamento, agropecu\u00e1ria, garimpo ilegal e barragens.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o, uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es aconteceu no segundo semestre de 2023 para debater as consequ\u00eancias da que seria a terceira hidrel\u00e9trica no rio Madeira. As outras duas \u2014 Santo Ant\u00f4nio, em Porto Velho, e a de Jirau, no distrito de Jaci-Paran\u00e1 \u2014 j\u00e1 garantem <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ana\/pt-br\/assuntos\/noticias-e-eventos\/noticias\/ana-declara-situacao-critica-de-escassez-quantitativa-dos-recursos-hidricos-no-rio-madeira-ro-am\">6,7%<\/a> da capacidade instalada de energia do Sistema Interligado Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Jirau e Santo Ant\u00f4nio adotaram o modelo a fio d\u2019\u00e1gua, o que significa que elas dependem da energia natural do rio para mover suas turbinas, em vez da \u00e1gua retida em um reservat\u00f3rio. \u201cO efeito dessas barragens sobre o regime hidrol\u00f3gico \u00e9 m\u00ednimo\u201d, diz Javier Tomasella, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, mas essa tecnologia \u00e9 mais vulner\u00e1vel ao clima.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Hidreletrica-SantoAntonio_PortoVelho_Brasil_PAC_36221978893.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Hidreletrica-SantoAntonio_PortoVelho_Brasil_PAC_36221978893-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Hidreletrica-SantoAntonio_PortoVelho_Brasil_PAC_36221978893-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Hidreletrica-SantoAntonio_PortoVelho_Brasil_PAC_36221978893.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Usina hidrel\u00e9trica de Santo Ant\u00f4nio\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Hidrel\u00e9trica de Santo Ant\u00f4nio, no rio Madeira, pr\u00f3ximo a Porto Velho, Rond\u00f4nia. Especialista diz que eventos clim\u00e1ticos t\u00eam agido \u201ccomo um p\u00eandulo\u201d, provocando inunda\u00e7\u00f5es e secas extremas e impactando as opera\u00e7\u00f5es usinas no Rio Madeira (Imagem: Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Hidreletrica-SantoAntonio_PortoVelho_Brasil_PAC_36221978893.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a sucess\u00e3o de eventos clim\u00e1ticos no rio Madeira \u201cparece um p\u00eandulo\u201d, segundo Tomasella, porque vai de um extremo a outro, com cheias e estiagens intensas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses extremos, principalmente a vazante, conspiram contra as hidrel\u00e9tricas\u201d, pois elas \u201cforam desenhadas para funcionar sem grandes reservat\u00f3rios\u201d, diz Tomasella. Em outubro de 2023, houve uma<a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/resolucao-ana-n-164-de-9-outubro-de-2023-515478790\"> escassez h\u00eddrica<\/a> no rio Madeira em decorr\u00eancia do fen\u00f4meno clim\u00e1tico El Ni\u00f1o, e a usina de Santo Ant\u00f4nio teve de<a href=\"https:\/\/www.ons.org.br\/Paginas\/Noticias\/20231002-Comunica%C3%A7%C3%A3o-sobre-a-Opera%C3%A7%C3%A3o-da-Usina-Santo-Ant%C3%B4nio.aspx\"> suspender a opera\u00e7\u00e3o<\/a> por 14 dias. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs hidrel\u00e9tricas est\u00e3o cada vez menos confi\u00e1veis na regi\u00e3o Norte do pa\u00eds\u201d, observa Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, porque \u201cforam ou est\u00e3o sendo constru\u00eddas em \u00e1reas onde os sistemas de vaz\u00f5es ou o regime de chuvas mudou\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-estudos-de-inventario-da-hidreletrica\">Estudos de invent\u00e1rio da hidrel\u00e9trica<\/h2>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2016, Brasil e Bol\u00edvia firmaram um acordo para iniciar estudos do projeto hidrel\u00e9trico binacional na Bacia do Madeira, em conv\u00eanio entre a ent\u00e3o estatal Eletrobras, privatizada em 2022, a Empresa Nacional de Electricidad, estatal boliviana, e o Banco de Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina, o CAF. Os estudos prop\u00f5em a constru\u00e7\u00e3o de duas barragens. A \u00e1rea inundada prevista \u00e9 de 319 km2 \u2014 176 km2 na Bol\u00edvia e 143 km2 no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>Seriam alagadas regi\u00f5es das reservas extrativistas (resex) Rio Ouro Preto e Rio Paca\u00e1s Novos, em Rond\u00f4nia, e de \u00e1reas protegidas na Bol\u00edvia. Tamb\u00e9m seriam impactados a <a href=\"https:\/\/rondonia.ro.gov.br\/estacao-historica-da-efmm-no-distrito-de-iata-e-revitalizada-e-sera-ponto-de-atendimento-ao-turista\/\">Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria de Iata<\/a>, local hist\u00f3rico de Guajar\u00e1-Mirim, e o <a href=\"https:\/\/rsis.ramsar.org\/es\/ris\/2094\">S\u00edtio Ramsar Rio Yata<\/a>, em Guayaramer\u00edn, regi\u00e3o da bacia do Mamor\u00e9, lar de 24 esp\u00e9cies de animais amea\u00e7ados, como a ariranha.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/20240131_binational-dams-bolivia-brazil_DC_PT.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/20240131_binational-dams-bolivia-brazil_DC_PT-768x600.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/20240131_binational-dams-bolivia-brazil_DC_PT-1024x800.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/20240131_binational-dams-bolivia-brazil_DC_PT.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Mapa mostrando a localiza\u00e7\u00e3o das barragens propostas entre o Brasil e a Bol\u00edvia\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\"><\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/20240131_binational-dams-bolivia-brazil_DC_PT.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Dutra, membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos do Movimento dos Atingidos por Barragens, considera que os estudos foram feitos de \u201cforma unilateral\u201d. \u201cGuajar\u00e1-Mirim j\u00e1 foi considerado o munic\u00edpio mais verde do Brasil. Boa parte s\u00e3o \u00e1reas de floresta e territ\u00f3rios de comunidades tradicionais\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Guajar\u00e1-Mirim tem 90% de sua \u00e1rea coberta por florestas, concentradas principalmente em um mosaico de unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o projeto prosseguir, os estudos de invent\u00e1rio precisam da aprova\u00e7\u00e3o de Brasil e da Bol\u00edvia. Depois, ambos os pa\u00edses precisam assinar novos acordos para a etapa seguinte, que envolve estudos aprofundados de engenharia, socioambientais e econ\u00f4micos, com tempo estimado de seis anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-povos-indigenas-em-alerta\">Povos ind\u00edgenas em alerta<\/h2>\n\n\n\n<p>As terras ind\u00edgenas Igarap\u00e9 Ribeir\u00e3o e Igarap\u00e9 Lage s\u00e3o as mais pr\u00f3ximas das barragens propostas. Enquanto as empresas alegam que elas n\u00e3o ser\u00e3o inundadas, os povos origin\u00e1rios est\u00e3o em alerta. Uma an\u00e1lise constatou que as usinas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio alagaram <a href=\"https:\/\/pdf.sciencedirectassets.com\/312334\/1-s2.0-S2352938517X00037\/1-s2.0-S2352938516301069\/main.pdf?X-Amz-Security-Token=IQoJb3JpZ2luX2VjEEYaCXVzLWVhc3QtMSJHMEUCIQCZH\/e03AZwpzaVF5aTbWtBUr6lcTnmdLjNmfO4\/A0xpwIgRyT+cH36Mf5nF3Vj+mBgyVAKU2TnP1nkfWrmwEQH7IUquwUI3\/\/\/\/\/\/\/\/\/\/\/ARAFGgwwNTkwMDM1NDY4NjUiDFbuAgH72wMh0ylAWSqPBQ3oxQUYKYlSe1npgMd3WErZmZEum\/BQjqhRUMTiYDCPeGedB5EGmvGq\/gvt+q5HVEbFsqyjOfCvnJ05Zoph1DZR2xaN4gN04EPD1nbgfMjz+8mC8rT1wbI0GTdJKc0wK4IjaDQzPNVTrNq0ya5KRdnmnIfpoFB5VRjjiL99LLZ1EgsmGpJLqpcygfwCt5kJvRzfCVIuizhD22+A6SboWVGShpXXJB032P6LKMT++5XM2qlVU9PHBpmI+5RS+ZJacYxBqS5Uin5AIIQ1Nm\/utqOEvvLFzG7B4LV7Pn7a4hoha1OooHO6cUVErxo3yL9gwscBSkc3Kj9nev6cepL4a6Hpe2fvqUp84rEg2GcvsMaKMoznenpWpSlBlmgKhp3yr\/DvYUNEx20oT\/5ci0AxLYMkB5e4lcWopnQLhsiLcRToAgl7Z0FAzn9gBbrJbl8DHiASpdy8XDvaxzbguXdMnPoPAGJuzK9bK9DjOFOaGXe2Oo+7ug4t0aaCFqTojwOkH5\/+w8CTIAaVC+ZfUPCq3i8dwtYy3PupHqhLrCB0g1yjVbaUKpNbceplEoZmMtj75IE8IOkcs456EqDbjyuO0J3Ot5dUD1ZZ2k71aMQEcS2TxrPbkwehf8SFH+\/BxL5y+adUSyh8e3D0Z5firMXKVfpgmkbn\/8KYdZDgWXTjO0sjtEJLYdrk9toMqkwbhJn615WiVG1pstyK993KJVHahdnp3E0r0Pdo7HLjXGba+l37ZU1QZiO8MFFvetibB\/AYZgLj4kwBTL6iKTtUCC\/eiwQTnA4AzGaqmba9lS4tR\/wlSRdqhV7t4JkQ6JXOhOtvNfLxTmPEr3VHLYYVsvXKB7qTwQ0Aw2vbneqVqPK+8TswidzxrAY6sQGIWOufJCFuCrRPfqWQhFyX4NcG2X9GWiFsi2Juln6zIhA3DAshzm3OyQTGCvz1+pxYHkx5fN8f6rIWAR0S1P+HtqDUxBf0APycmNExfkZSTrk4A89k0Vz1PfEu8DA1L4PBru54zia7a1PYLQktM9UGDdO4ZnD4ENM3osEj+9jQQku+PHGwTWYWvX+iQCYiUJQfoU02bT3na247vBBWZOEJtGK2YD5gWHWDrzOur8c\/G58=&amp;X-Amz-Algorithm=AWS4-HMAC-SHA256&amp;X-Amz-Date=20240108T232540Z&amp;X-Amz-SignedHeaders=host&amp;X-Amz-Expires=300&amp;X-Amz-Credential=ASIAQ3PHCVTY2IWADXMD\/20240108\/us-east-1\/s3\/aws4_request&amp;X-Amz-Signature=b84b81f031249de2ad882b69626ac3b87a64acd5f43e230fb68a7539c815a30b&amp;hash=472db878789b577c2359ce3caffaabb8141f16cd2e7e2f1ade39ccdc75a72424&amp;host=68042c943591013ac2b2430a89b270f6af2c76d8dfd086a07176afe7c76c2c61&amp;pii=S2352938516301069&amp;tid=spdf-4bc918b7-a679-4add-b13c-ae5024e515e9&amp;sid=946ef5d325b3b148d7080003264c0a540191gxrqa&amp;type=client&amp;tsoh=d3d3LnNjaWVuY2VkaXJlY3QuY29t&amp;ua=07155855525e52545156&amp;rr=842833746b6f01d7&amp;cc=br\">64,5% mais \u00e1reas do que o inicialmente previsto<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos deixam muito preocupados\u201d, diz Ar\u00e3o Oro Waram Xijeim, lideran\u00e7a de Igarap\u00e9 Lage. \u201cA inunda\u00e7\u00e3o vai ser maior do que a prevista no estudo e vai atingir diretamente a organiza\u00e7\u00e3o social, alimenta\u00e7\u00e3o, cultura e sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">O Mamor\u00e9 e o Madeira s\u00e3o rios important\u00edssimos para nossa regi\u00e3o porque atrav\u00e9s deles escoamos nossa produ\u00e7\u00e3o e consumimos seus peixes<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\">Ar\u00e3o Oro Waram Xijeim, l\u00edder ind\u00edgena<\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Sua terra ind\u00edgena abriga 783 pessoas e se estende por 107 mil hectares na divisa dos munic\u00edpios de Nova Mamor\u00e9 e Guajar\u00e1-Mirim. J\u00e1 Igarap\u00e9 Ribeir\u00e3o tem 289 habitantes e 48 mil hectares no munic\u00edpio de Nova Mamor\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Mamor\u00e9 e o Madeira s\u00e3o rios important\u00edssimos para nossa regi\u00e3o, porque atrav\u00e9s deles navegamos para o escoamento da nossa produ\u00e7\u00e3o e, principalmente, [consumimos] os peixes\u201d, acrescenta Ar\u00e3o Oro.&nbsp; \u201cV\u00e3o construir aquela usina do Ribeir\u00e3o para l\u00e1, vai impactar aqui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos <a href=\"https:\/\/www.inventariobinacional.com\">reconhecem<\/a> que o impulso da migra\u00e7\u00e3o a partir das obras pode \u201cprovocar modifica\u00e7\u00f5es no modo de vida existente\u201d e o \u201caumento dos conflitos associados ao uso do solo e explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e tradicionais do Brasil\u201d, continua o texto, \u201cs\u00e3o as mais sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as nos rios e ambientes naturais e \u00e0 chegada de novas pessoas ao redor de seus territ\u00f3rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A ((o))eco, a Eletrobras diz que os estudos \u201cs\u00e3o elaborados com base em dados secund\u00e1rios e apenas apresentam uma estimativa dos prov\u00e1veis grupos humanos atingidos\u201d, defende a empresa. (<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/16gp_3p4zkgjMBThx5GDyukd-XU1JjOmkndtiypmKPEw\/edit?usp=sharing\">Leia a nota na \u00edntegra.<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa acrescenta ter havido uma \u201ccomunica\u00e7\u00e3o permanente com institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas e a popula\u00e7\u00e3o em geral dos dois pa\u00edses\u201d desde o in\u00edcio dos estudos. Um Centro de Informa\u00e7\u00e3o em Guajar\u00e1-Mirim funcionou de mar\u00e7o de 2018 a maio de 2020, al\u00e9m de serem promovidas \u201cvisitas quinzenais \u00e0s comunidades\u201d e \u201creuni\u00f5es de esclarecimento\u201d, como um semin\u00e1rio em Guayaramer\u00edn em 3 de agosto de 2023.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-seringais-alagados\">Seringais alagados<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora os estudos considerem \u201calagamentos marginais\u201d nas reservas extrativistas, lideran\u00e7as locais afirmaram que n\u00e3o foram procuradas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente sabe que teve uma empresa que se instalou e fez o estudo por dois anos, mas em nenhum momento ela sentou com os extrativistas para falar o que achava que ia acontecer com a gente\u201d, diz Ronaldo Lins, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Primavera, da resex Rio Paca\u00e1s Novos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Resex-Rio-Pacaas-Novos_Brasil_Marcela-Bonfim-CUC_Governo-de-Rondonia.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Resex-Rio-Pacaas-Novos_Brasil_Marcela-Bonfim-CUC_Governo-de-Rondonia-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Resex-Rio-Pacaas-Novos_Brasil_Marcela-Bonfim-CUC_Governo-de-Rondonia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Resex-Rio-Pacaas-Novos_Brasil_Marcela-Bonfim-CUC_Governo-de-Rondonia.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"barranco sinuoso em uma \u00e1rea de floresta\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Reserva extrativista do rio Paca\u00e1s Novos, a sudeste de Guajar\u00e1-Mirim, onde cerca de 200 fam\u00edlias vivem da produ\u00e7\u00e3o de borracha e castanha-do-par\u00e1 (Imagem: Marcela Bonfim\/Governo do Estado de Rond\u00f4nia)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Resex-Rio-Pacaas-Novos_Brasil_Marcela-Bonfim-CUC_Governo-de-Rondonia.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Essa reserva abriga cerca de 200 fam\u00edlias que vivem do extrativismo da borracha e castanha. Nascido em 1973, Lins acompanhava ainda na inf\u00e2ncia o pai nas coletas e j\u00e1 reparava no zelo pela floresta em p\u00e9: \u201cN\u00e3o tinha muito desmatamento, n\u00e3o tinha fogo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O rio que d\u00e1 nome \u00e0 reserva \u00e9 a principal via dos extrativistas para os locais de coleta e o escoamento da produ\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe realmente acontecer essa usina em Ribeir\u00e3o, com essas duas barragens, pra gente vai ser muito preocupante. A gente \u00e9 totalmente contra\u201d, acrescenta Lins. \u201cO Paca\u00e1s \u00e9 o rio mais importante para n\u00f3s para o escoamento de produtos: borracha, castanha, farinha. \u00c9 a nossa estrada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a resex Rio Ouro Preto, criada em 1990, tem 204 mil hectares, onde 270 fam\u00edlias trabalham com a coleta de castanha, a\u00e7a\u00ed, seringa, pato\u00e1 e buriti, al\u00e9m da agricultura familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Edvaldo da Costa, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Seringueiros e Agroextrativista do Baixo Rio Ouro Preto, tamb\u00e9m critica o projeto: \u201cA gente tem o protocolo de consulta. Eles sabem onde encontram a popula\u00e7\u00e3o tradicional e de que forma a gente quer ser consultado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas duas reservas, a coleta da borracha acontece no per\u00edodo seco, de maio a novembro. Quando chegam as chuvas, de dezembro a mar\u00e7o, os extrativistas deslocam-se para a coleta de castanha e a\u00e7a\u00ed. Contudo, a cheia tem se estendido por at\u00e9 dois meses e encurtado a safra da borracha, al\u00e9m de afetar a a agricultura familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se ficarem inundados por muito tempo, as seringueiras e os a\u00e7a\u00edzeiros n\u00e3o resistiriam, como aconteceu na resex Jaci-Paran\u00e1 ap\u00f3s as inaugura\u00e7\u00f5es das usinas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/extracao-borracha_Rio-Cautario_FrankNery_Governo-de-Rondonia_Brasil.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/extracao-borracha_Rio-Cautario_FrankNery_Governo-de-Rondonia_Brasil-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/extracao-borracha_Rio-Cautario_FrankNery_Governo-de-Rondonia_Brasil-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/extracao-borracha_Rio-Cautario_FrankNery_Governo-de-Rondonia_Brasil.jpg 1280w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 1280px\" alt=\"seiva branca escorrendo pelo centro da \u00e1rvore at\u00e9 \n\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Borracha \u00e9 coletada de uma reserva extrativista em Rond\u00f4nia. As recentes inunda\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o duraram at\u00e9 dois meses e encurtaram o per\u00edodo de extra\u00e7\u00e3o da borracha (Imagem: Frank N\u00e9ry\/Governo do Estado de Rond\u00f4nia)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/extracao-borracha_Rio-Cautario_FrankNery_Governo-de-Rondonia_Brasil.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"300 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"853\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1280\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cEles perderam boa parte dos seringais, porque a \u00e1gua invadiu e demorou a secar\u201d, diz Lins. \u201cSe j\u00e1 estamos com problema quando as \u00e1guas baixam aqui em julho, imagina se constr\u00f3em outra usina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-impactos-na-pesca\">Impactos na pesca<\/h2>\n\n\n\n<p>O Alto Madeira \u00e9 uma regi\u00e3o com baixa ocupa\u00e7\u00e3o humana, o que contribui para uma floresta preservada e um rio com ampla biodiversidade aqu\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs esp\u00e9cies que est\u00e3o nos [rios] Guapor\u00e9 e Mamor\u00e9 conseguem cumprir seu processo fisiol\u00f3gico de migra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem barramentos que as impe\u00e7am\u201d, observa a bi\u00f3loga Carolina Doria, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Ictiofauna e Pesca da Universidade Federal de Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com as barragens, os estudos projetaram impactos nos habitats aqu\u00e1ticos, altera\u00e7\u00e3o na din\u00e2mica de transporte de sedimentos e redu\u00e7\u00e3o da conectividade dos rios, com a forma\u00e7\u00e3o de barreiras para os fluxos biol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ger\u00f4nima Costa nasceu nos seringais do interior de Guajar\u00e1-Mirim, em 1962, em uma fam\u00edlia que vivia da borracha e da pesca. Ela diz que um transbordamento do rio Mamor\u00e9 em 2014, provocado pela opera\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica do Jirau, deixou v\u00e1rios bairros debaixo d\u2019\u00e1gua e afetou a sede da Col\u00f4nia Z2.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pescadores tiveram compensa\u00e7\u00f5es por parte da empresa que administra Jirau, mas Ger\u00f4nima n\u00e3o quer repetir a experi\u00eancia: \u201cNosso munic\u00edpio ficou tipo uma ilha. Em todo canto chegou \u00e1gua. Tinha que respeitar nossas reservas, \u00e1rea ind\u00edgena\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve ainda o rompimento de tanques de piscicultura na Bol\u00edvia, e peixes como o pirarucu se espalharam pelos rios locais, predando esp\u00e9cies importantes no com\u00e9rcio e na dieta dos moradores, como tambaqui, surubim, tucunar\u00e9 e jatuarana.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/pirarucu_Amazonia_Brasil_FAO-Americas_52722216365.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/pirarucu_Amazonia_Brasil_FAO-Americas_52722216365-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/pirarucu_Amazonia_Brasil_FAO-Americas_52722216365-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/pirarucu_Amazonia_Brasil_FAO-Americas_52722216365.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Homens transportando pirarucu do rio para um barco estreito\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Homens pescam pirarucu na Amaz\u00f4nia. Esse peixe se espalhou pelo rio Madeira, predando esp\u00e9cies importantes para o com\u00e9rcio e a dieta dos moradores locais (Imagem: Lalo de Almeida \/ FAO)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/pirarucu_Amazonia_Brasil_FAO-Americas_52722216365.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1706\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-transicao-justa\">Transi\u00e7\u00e3o justa<\/h2>\n\n\n\n<p>As duas hidrel\u00e9tricas do rio Madeira produzem eletricidade para fora de Rond\u00f4nia, enquanto nos munic\u00edpios locais a energia \u00e9 cara e, muitas vezes, de fontes sujas e intermitentes \u2013 essa foi uma queixa constante dos entrevistados desta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse conjunto hidrel\u00e9trico investido, realizado e constru\u00eddo no Brasil foi feito para o sistema nacional. Nunca foi pensado para abastecer a popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica de fato\u201d, observa Natalie Unterstell. \u201cIsso \u00e9 uma prova de racismo ambiental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sede da Col\u00f4nia Z2, a conta mensal gira em torno de R$ 1 mil. Na peixaria da col\u00f4nia, com c\u00e2mara fria e f\u00e1brica de gelo, fica em R$ 4 mil. \u201cAs hidrel\u00e9tricas n\u00e3o s\u00e3o pra n\u00f3s\u201d, diz Ger\u00f4nima Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 211 sistemas isolados na Amaz\u00f4nia Legal \u2013 isto \u00e9, que n\u00e3o est\u00e3o conectados ao sistema nacional e onde cerca de 80% da energia adv\u00e9m de t\u00e9rmicas a \u00f3leo diesel. Esses locais consumiram, em 2022, 857,9 mil metros c\u00fabicos de \u00f3leo diesel, o que produziu quase tr\u00eas milh\u00f5es de toneladas de emiss\u00f5es. Esses dados do Minist\u00e9rio de Minas e Energia foram obtidos pelo ((o))eco via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Paineiss-solares-Pacaas-Novos_Brasil_Milton-Castelo_sedam_Governo-de-Rondonia.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Paineiss-solares-Pacaas-Novos_Brasil_Milton-Castelo_sedam_Governo-de-Rondonia-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Paineiss-solares-Pacaas-Novos_Brasil_Milton-Castelo_sedam_Governo-de-Rondonia-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Paineiss-solares-Pacaas-Novos_Brasil_Milton-Castelo_sedam_Governo-de-Rondonia.jpg 1280w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 1280px\" alt=\"pessoas segurando pain\u00e9is solares em riverside\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Pain\u00e9is solares que ser\u00e3o instalados em escola da reserva extrativista do rio Paca\u00e1s Novos s\u00e3o transportados de barco, como parte do programa Luz para Todos, do governo brasileiro (Imagem: Milton Castelo\/Governo do Estado de Rond\u00f4nia)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/02\/Paineiss-solares-Pacaas-Novos_Brasil_Milton-Castelo_sedam_Governo-de-Rondonia.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"314 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"853\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1280\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Na resex Rio Paca\u00e1s Novos, cada fam\u00edlia tem seu gerador a diesel e gasta at\u00e9 R$ 400 mensais para ter energia quatro horas por dia. Quem consegue lucro nas safras j\u00e1 investe em placas solares, \u201cpara ter uma geladeira, ter energia pra pr\u00f3pria casa mesmo, para ligar uma televis\u00e3o\u201d, diz Ronaldo Lins.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso deve mudar em breve: os extrativistas esperam ser atendidos pelo programa Luz Para Todos, do governo federal, at\u00e9 mar\u00e7o de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Na resex Rio Ouro Preto, alguns pain\u00e9is fotovoltaicos j\u00e1 chegaram. Cada unidade consumidora paga uma taxa mensal de R$ 60, segundo Edvaldo da Costa. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAquelas pessoas que moram a dois, tr\u00eas dias de viagem [da cidade], agora t\u00eam sua energia, sua geladeira. Mudou demais, para melhor\u201d, conta o extrativista. \u201cNa alimenta\u00e7\u00e3o, o pessoal salgava a carne para desidratar, e agora conserva j\u00e1 no gelo. At\u00e9 pra pr\u00f3pria sa\u00fade isso ajuda bastante. Beber \u00e1gua gelada \u2013 poucas tinham esse privil\u00e9gio. A comunidade toda est\u00e1 satisfeita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Esta hist\u00f3ria foi originalmente publicada pelo <\/em><a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/povos-tradicionais-se-articulam-contra-hidreletrica-binacional-no-madeira\/\"><em>((o))eco<\/em><\/a><em>. Essa vers\u00e3o foi editada com permiss\u00e3o.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parceria entre Brasil e Bol\u00edvia, projeto pol\u00eamico reacende debate sobre viabilidade de usinas na Amaz\u00f4nia  <\/p>\n","protected":false},"author":40000263,"featured_media":50388636,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039926],"tags":[50003600,50029711,50040113],"hashtags":[],"country":[50003530,50003526],"class_list":["post-50388608","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-florestas","tag-amazonia-pt-br","tag-energia-hidreletrica","tag-transicao-energetica-pt-br","country-bolivia-pt-br","country-brasil-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Povos 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