{"id":60036112,"date":"2024-06-07T16:07:12","date_gmt":"2024-06-07T15:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogue.earth\/?p=60036112"},"modified":"2024-06-07T16:24:59","modified_gmt":"2024-06-07T15:24:59","slug":"enfrentando-o-desmatamento-no-comercio-brasil-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/enfrentando-o-desmatamento-no-comercio-brasil-china\/","title":{"rendered":"Enfrentando o desmatamento no com\u00e9rcio Brasil-China"},"content":{"rendered":"\n<p>Na manh\u00e3 do dia 30 de abril, empres\u00e1rios, pesquisadores, produtores rurais e representantes de associa\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio se reuniram no audit\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, em S\u00e3o Paulo, para discutir as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre o Brasil e a China. O foco do debate eram as exporta\u00e7\u00f5es de soja e carne para o gigante asi\u00e1tico e as poss\u00edveis \u2013 ou necess\u00e1rias \u2013 \u201crotas para a sustentabilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Feita a abertura do evento, apoiado pela organiza\u00e7\u00e3o The Nature Conservancy (TNC), o diretor do Centro Internacional para o Desenvolvimento Agr\u00edcola e Rural da China, Kevin Chen, foi ao p\u00falpito explicar como os chineses t\u00eam enxergado o cen\u00e1rio atual e futuro com seu maior parceiro do planeta no fornecimento de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSabemos que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 levaram a uma redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de soja no Brasil e, tamb\u00e9m, a uma diminui\u00e7\u00e3o nessas exporta\u00e7\u00f5es\u201d, disse Kevin Chen. \u201c\u00c9 preciso acabar com o desmatamento no Brasil devido \u00e0 expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de soja e carne bovina. N\u00f3s esperamos que isso ocorra, sem prejudicar a produ\u00e7\u00e3o e os meios de subsist\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Representantes do agroneg\u00f3cio \u2014 setor que, muitas vezes, <a href=\"https:\/\/lab.org.uk\/brazil-the-climate-change-disinformation-business\/\">nega<\/a> os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na produ\u00e7\u00e3o \u2014 ouviam atentos.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50376611\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>Chen afirmou ainda que o governo chin\u00eas pretende <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/alimentos\/376519-china-importacao-soja-brasil-argentina-america-do-sul\/\">reduzir a depend\u00eancia<\/a> da produ\u00e7\u00e3o brasileira para alimentar parte de seu 1,4 bilh\u00e3o de habitantes. \u201cHoje, 80% da soja consumida pela China vem de outros pa\u00edses, sendo o Brasil nosso maior fornecedor. At\u00e9 2033, por\u00e9m, mais de 30% de nossa demanda por soja dever\u00e1 ser atendida pela produ\u00e7\u00e3o interna\u201d, disse.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio (MDIC) mostram que os chineses s\u00e3o, de longe, o maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 31% de tudo que o Brasil vende para o mundo. Os Estados Unidos, que ocupam o segundo lugar, ficam com 10,9%. Sozinha, a China responde por um volume de exporta\u00e7\u00e3o superior ao dos outros nove maiores compradores do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se olha para as commodities agr\u00edcolas e minerais, o protagonismo \u00e9 ainda maior. Entre 2019 e 2023, as exporta\u00e7\u00f5es de soja brasileira para a China quase dobraram, saltando de US$ 20,5 bilh\u00f5es para US$ 39,8 bilh\u00f5es. No ano passado, os asi\u00e1ticos responderam por nada menos que 73% da soja exportada pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Wawi-Querencia-soja-indigenas-tamandua-animais_Flavia_Milhorance_Dialogue_Earth.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Wawi-Querencia-soja-indigenas-tamandua-animais_Flavia_Milhorance_Dialogue_Earth-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Wawi-Querencia-soja-indigenas-tamandua-animais_Flavia_Milhorance_Dialogue_Earth-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Wawi-Querencia-soja-indigenas-tamandua-animais_Flavia_Milhorance_Dialogue_Earth.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Tamandu\u00e1-bandeira atravessa cultivo de soja perto de uma aldeia ind\u00edgena\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Tamandu\u00e1-bandeira atravessa cultivo de soja perto de uma aldeia ind\u00edgena em Quer\u00eancia, Mato Grosso. O estado viu suas exporta\u00e7\u00f5es para a China mais do que triplicarem em uma d\u00e9cada, atingindo US$ 11,8 bilh\u00f5es em 2023 (Imagem: Fl\u00e1via Milhorance \/ Dialogue Earth)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Wawi-Querencia-soja-indigenas-tamandua-animais_Flavia_Milhorance_Dialogue_Earth.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"732 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1706\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>A carne bovina segue o mesmo caminho. As exporta\u00e7\u00f5es da prote\u00edna para a China aumentaram 476% entre 2009 e 2022, conforme dados compilados pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Exportadores de Carne. De cada dez quilos de carne que o Brasil vendeu para o exterior no ano passado, seis foram para a China, segundo o MDIC.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, ano passado, a China se tornou o primeiro destino de exporta\u00e7\u00f5es brasileiras a superar a marca de US$ 100 bilh\u00f5es. Mais precisamente, foram US$ 104,3 bilh\u00f5es de vendas para os chineses, mais que o dobro de sete anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se olha para o peso do Brasil entre os vendedores de produtos para a China, a situa\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m. Hoje, o Brasil responde por 60% da soja e 41% da carne bovina que a China compra do mundo. A depend\u00eancia da carne importada est\u00e1 ligada \u00e0s <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/alimentos\/380632-carne-bovina-vegetarianismo-veganismo-america-do-sul\/\">mudan\u00e7as de h\u00e1bitos<\/a> alimentares e da urbaniza\u00e7\u00e3o vivida pelo pa\u00eds asi\u00e1tico nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Em 2012, apenas 1% da carne bovina consumida pelos chineses era importada. Em 2022, esse volume j\u00e1 tinha saltado para 27%, de acordo com o Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edsticas da China.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-vetores-de-desmatamento\">Vetores de desmatamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Com a produ\u00e7\u00e3o de carne bovina e de soja entre os principais fatores para o desmatamento no Brasil, esse aumento de demanda trouxe press\u00f5es sobre as florestas. O uso intensivo da terra <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/gases-estufa-emitidos-no-ultimo-ano-de-bolsonaro-atingem-3a-maior-cifra-desde-2005\/\">representou quase 50%<\/a> das emiss\u00f5es do pa\u00eds em 2022, segundo a rede do Observat\u00f3rio do Clima.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento das exporta\u00e7\u00f5es das commodities agr\u00edcolas para a \u00c1sia foi acompanhado, ao longo dos anos, pela expans\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es nos nove estados da Amaz\u00f4nia Legal e, consequentemente, pelas regi\u00f5es mais desmatadas do pa\u00eds, como mostram os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_gado-fazenda-Cerquilho-Sao-Paulo-Brasil_Dan_Agostini_Dialogue_Earth.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_gado-fazenda-Cerquilho-Sao-Paulo-Brasil_Dan_Agostini_Dialogue_Earth-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_gado-fazenda-Cerquilho-Sao-Paulo-Brasil_Dan_Agostini_Dialogue_Earth-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_gado-fazenda-Cerquilho-Sao-Paulo-Brasil_Dan_Agostini_Dialogue_Earth.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Pastagem em Cerquilho, no interior de S\u00e3o Paulo, Brasil\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Pastagem em Cerquilho, no interior de S\u00e3o Paulo, Brasil. Quase 50% das emiss\u00f5es do pa\u00eds v\u00eam da agricultura (Imagem: Dan Agostini \/ Dialogue Earth)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_gado-fazenda-Cerquilho-Sao-Paulo-Brasil_Dan_Agostini_Dialogue_Earth.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1,005 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Mato Grosso, por exemplo, que em 2014 exportou o equivalente a US$ 3,4 bilh\u00f5es em produtos para a China, viu esse volume mais que triplicar em uma d\u00e9cada, chegando a US$ 11,8 bilh\u00f5es no ano passado. No mesmo intervalo, os embarques feitos pelo Par\u00e1 ao mercado chin\u00eas mais que dobraram, de US$ 4,7 bilh\u00f5es para 11,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, esse crescimento acarreta em custos para as florestas brasileiras. De 2014 para 2022, o desmatamento anual na Amaz\u00f4nia Legal saiu de 5.012 km\u00b2 para 11.594 km\u00b2. Na \u00faltima d\u00e9cada, s\u00f3 houve uma redu\u00e7\u00e3o do ritmo no ano passado, quando 9.064 km\u00b2 de desmatamento foram identificados na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para especialistas, por\u00e9m, a press\u00e3o que a demanda chinesa vinha exercendo, ainda que indiretamente, sobre o desmatamento da Amaz\u00f4nia est\u00e1 mudando. A seguran\u00e7a alimentar da China passou a depender, mais do que nunca, da produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa press\u00e3o pela demanda chinesa, que empurrou a expans\u00e3o da soja, do milho e outras culturas do Brasil, gerando muito desmatamento, est\u00e1 passando por um ponto de inflex\u00e3o,\u201d diz Leonardo Gava, gerente-s\u00eanior de transi\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da Climate Bonds Initiative, iniciativa especializada em certifica\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos sustent\u00e1veis no Reino Unido. \u201cA China est\u00e1 migrando do papel de um comprador que coloca mais press\u00e3o sobre o desmatamento para um comprador que pode facilitar a exist\u00eancia de cadeias de valor livres de desmatamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 saber se o produtor brasileiro estar\u00e1 preparado para essa mudan\u00e7a num futuro pr\u00f3ximo, diz Gava. \u201cO produtor brasileiro tem uma janela para se movimentar, e essa janela est\u00e1 aberta agora. Se ele falhar, ter\u00e1 de correr atr\u00e1s do preju\u00edzo\u201d, disse ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A China, via de regra, evita se posicionar de forma incisiva sobre quest\u00f5es internas de outros pa\u00edses, como legisla\u00e7\u00e3o ambiental e fiscaliza\u00e7\u00e3o. Um conjunto crescente de compromissos multilaterais assumidos pelo pa\u00eds, por\u00e9m, poder\u00e1 redundar em medidas concretas.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50381196\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Cumar\u00fa, mestrando da Universidade de Fudan, na China, destaca a crescente lideran\u00e7a chinesa na busca da chamada \u201c<a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/381104-opiniao-planos-civilizacao-ecologica-china-brasil\/\">civiliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica<\/a>\u201d e seus avan\u00e7os alcan\u00e7ados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s energias renov\u00e1veis \u200b\u200b\u2014 apesar de uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos ainda existirem para reduzir suas emiss\u00f5es e o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, como o carv\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA China est\u00e1 cada vez mais engajada internacionalmente nestas pautas ambientais, e h\u00e1 avan\u00e7os internos efetivos. Fica dif\u00edcil saber como essas a\u00e7\u00f5es se consolidar\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es externas, porque a l\u00f3gica de mercado, pre\u00e7o e volume ainda tem se imposto, al\u00e9m do discurso de n\u00e3o intervir em quest\u00f5es externas\u201d, diz Cumar\u00fa. \u201cDe qualquer forma, \u00e9 um movimento novo e que pode ter reflexos no Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do posicionamento do governo chin\u00eas, h\u00e1 sinais de que sua popula\u00e7\u00e3o come\u00e7a a mudar sua postura em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente. Uma pesquisa <a href=\"https:\/\/valorinternational.globo.com\/agribusiness\/news\/2024\/04\/30\/chinese-consumers-willing-to-pay-more-for-deforestation-free-meat.ghtml\">realizada<\/a> este ano em Beijing e Xangai pela Academia Chinesa de Ci\u00eancias Sociais, FGV Agro e TNC mostra que parte dos consumidores chineses de carne bovina aceitaria pagar at\u00e9 20% a mais na prote\u00edna se tivesse a garantia de que o produto n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com o desmatamento da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-falta-de-transparencia-em-exportacoes-de-carne\">Falta de transpar\u00eancia em exporta\u00e7\u00f5es de carne<\/h2>\n\n\n\n<p>Um roteiro nebuloso ainda marca o caminho percorrido por boa parte do gado brasileiro, entre o local exato que o animal nasce na Amaz\u00f4nia Legal at\u00e9 sua chegada ao territ\u00f3rio chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Preocupados em n\u00e3o serem acusados de comprar carne de \u00e1rea desmatada ilegalmente, grandes compradores chineses t\u00eam procurado aprimorar o rastreamento de seus maiores fornecedores. H\u00e1 um desarranjo, por\u00e9m, quando essa cadeia envolve parceiros terceirizados, que muitas vezes compram gado criado de \u00e1reas irregulares e <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/nao-categorizado\/58442-por-que-a-pecuaria-se-tornou-a-atividade-economica-que-mais-desmata-a-amazonia\/\">\u201clavam\u201d a origem desses animais<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50378175\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>Por isso, a Associa\u00e7\u00e3o de Carne da China e a organiza\u00e7\u00e3o WWF se uniram em 2017 para criar a Declara\u00e7\u00e3o Chinesa de Carne Sustent\u00e1vel, com a miss\u00e3o de controlar o desmatamento associado \u00e0s suas importa\u00e7\u00f5es. A ideia foi buscar esfor\u00e7os para ter produ\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio e consumo sustent\u00e1veis de carne, com diretrizes para melhorar a rastreabilidade na cadeia de produ\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cForam medidas relevantes, sem d\u00favida, pelo sinal que deram ao mercado, mas o fato \u00e9 que essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o trouxeram uma data conhecida para que esses crit\u00e9rios fossem cobrados\u201d, diz Paulo Barreto, pesquisador do Instituto Imazon. \u201c\u00c9 uma postura diferente da <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/florestas\/374430-uniao-europeia-lei-desmatamento\/\">Uni\u00e3o Europeia<\/a>, por exemplo, que estabeleceu que n\u00e3o compra mais nada de \u00e1rea com desmatamento ocorrido depois de 2020 e que isso ser\u00e1 exigido a partir de janeiro de 2025. N\u00e3o encontramos nada na China que estabele\u00e7a um cronograma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Imazon e a organiza\u00e7\u00e3o O Mundo Que Queremos juntaram-se para medir o quanto as orienta\u00e7\u00f5es chinesas t\u00eam se convertido, na pr\u00e1tica, em uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel do gado. O estudo <a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/tag\/radar-verde\/\">Radar Verde<\/a> mostra que 87% dos frigor\u00edficos licenciados para exportar para a China assinaram um acordo de desmatamento zero com procuradores federais. Por\u00e9m, das 31 empresas licenciadas para exportar para a China continental (excluindo Hong Kong), 25 operam em regi\u00f5es com mais de 300 mil hectares de exposi\u00e7\u00e3o a risco de desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Marfrig-frigorifico-Tangara-da-Serra_BrazilPhotos_Alamy_D85W3G.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Marfrig-frigorifico-Tangara-da-Serra_BrazilPhotos_Alamy_D85W3G-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Marfrig-frigorifico-Tangara-da-Serra_BrazilPhotos_Alamy_D85W3G-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Marfrig-frigorifico-Tangara-da-Serra_BrazilPhotos_Alamy_D85W3G.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Funcion\u00e1rio transporta carne em frigor\u00edfico em Tangar\u00e1 da Serra, Mato Grosso\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Frigor\u00edfico em Tangar\u00e1 da Serra, Mato Grosso. Estudo do Instituto Imazon descobriu que 25 das 31 empresas brasileiras licenciadas para exportar carne \u00e0 China continental operam em regi\u00f5es com alto risco de desmatamento (Imagem: BrazilPhotos \/ Alamy)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/06\/PT_Marfrig-frigorifico-Tangara-da-Serra_BrazilPhotos_Alamy_D85W3G.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"494 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1706\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cA realidade \u00e9 que todas est\u00e3o irregulares com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s especifica\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o de Carne da China sobre divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e origem de \u00e1reas de alto risco de desmatamento\u201d, diz Alexandre Mansur, diretor de projetos do O Mundo Que Queremos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m avaliou o grau de transpar\u00eancia do conte\u00fado de acesso p\u00fablico das empresas licenciadas para exportar para a China. Das 31, apenas tr\u00eas foram consideradas como tendo um n\u00edvel \u201cintermedi\u00e1rio\u201d de transpar\u00eancia quanto \u00e0 sua pol\u00edtica de desmatamento zero \u2014 incompat\u00edvel com a orienta\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o de Carne da China sobre o controle dos fornecedores intermedi\u00e1rios. A conclus\u00e3o \u00e9 de que 90% das empresas tinham baixa ou muito baixa transpar\u00eancia em suas pol\u00edticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que a gente percebe, tamb\u00e9m, \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1 claro como a associa\u00e7\u00e3o implementar\u00e1 suas especifica\u00e7\u00f5es\u201d, diz Paulo Barreto.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 falta de transpar\u00eancia, a China segue licenciando novos frigor\u00edficos. Em mar\u00e7o, o pa\u00eds <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/planalto\/en\/latest-news\/2024\/04\/38-new-certified-meat-production-facilities-boost-brazils-exports-to-china#:~:text=As%20a%20result%20of%20this,plants%20from%20106%20to%20144.\">anunciou<\/a> a habilita\u00e7\u00e3o de 38 plantas para receber carne bovina, su\u00edna e de aves. Foi o maior n\u00famero de unidades autorizadas de uma s\u00f3 vez em rela\u00e7\u00e3o a acordos bilaterais, com proje\u00e7\u00e3o de um impacto de R$ 10 bilh\u00f5es nas vendas ao pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Minist\u00e9rio da Agricultura informou que parte dos estabelecimentos foi auditada remotamente em janeiro deste ano. Outros receberam avalia\u00e7\u00e3o presencial de t\u00e9cnicos chineses em dezembro de 2023.&nbsp;&nbsp;\u201cEste resultado hist\u00f3rico demonstra novamente o reconhecimento da qualidade, credibilidade e confian\u00e7a do trabalho da defesa agropecu\u00e1ria do Brasil\u201d, <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\/assuntos\/noticias\/mais-38-frigorificos-brasileiros-podem-exportar-carnes-para-a-china\">disse<\/a> o secret\u00e1rio de Defesa Agropecu\u00e1ria, Carlos Goulart, em pronunciamento oficial.<\/p>\n\n\n\n<p><em><em>Esta reportagem foi originalmente publicada em <\/em><a href=\"https:\/\/oeco.org.br\/reportagens\/dinastia-amazonia\/\"><em>((o))eco<\/em><\/a><em>, plataforma de jornalismo ambiental. Essa vers\u00e3o foi reduzida e levemente editada com permiss\u00e3o.<\/em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Demanda da China por agroneg\u00f3cio brasileiro pressionou a Amaz\u00f4nia, mas tamb\u00e9m pode moldar seu futuro mais verde<\/p>\n","protected":false},"author":50000570,"featured_media":60036061,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039924,50039919],"tags":[50029568,50029734,50029580,50029833,50003594,50029815],"hashtags":[],"country":[50003526,50003528],"class_list":["post-60036112","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alimentos","category-negocios","tag-agrossilvicultura","tag-carne","tag-carne-bovina","tag-comercio","tag-desmatamento","tag-soja-pt-br-2","country-brasil-pt-br","country-china-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium 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