{"id":60043094,"date":"2024-07-18T17:11:42","date_gmt":"2024-07-18T16:11:42","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogue.earth\/nao-categorizado\/how-is-chinese-investment-in-latin-america-changing-2\/"},"modified":"2024-07-18T21:49:29","modified_gmt":"2024-07-18T20:49:29","slug":"ferrovias-veiculos-eletricos-investimento-chines-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/ferrovias-veiculos-eletricos-investimento-chines-america-latina\/","title":{"rendered":"De ferrovias a ve\u00edculos el\u00e9tricos: Como investimento chin\u00eas mudou na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, os investimentos chineses na Am\u00e9rica Latina estiveram focados em grandes projetos de infraestrutura: <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/52600-rodovia-financiada-pela-china-quer-aliviar-gargalos-de-infraestrutura-da-colombia\/\">estradas<\/a>, <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/30573-trens-chineses-enfrentam-obstaculos-na-america-latina\/\">ferrovias<\/a>, <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/energia\/49479-coca-codo-sinclair-a-mais-cara-e-controversa-usina-do-equador\/\">barragens<\/a> e <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/59714-o-impasse-da-estatal-chinesa-cccc-no-brasil\/\">portos<\/a> geralmente financiados pelo Estado e, em muitos casos, constru\u00eddos no escopo da <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/tag\/cinturao-e-rota\/\">Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota<\/a>. Por\u00e9m, nos \u00faltimos anos, a natureza desses investimentos come\u00e7ou a mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a China siga buscando mercados e mat\u00e9rias-primas importantes junto a seus parceiros latino-americanos, agora s\u00e3o as empresas chinesas \u2014 e n\u00e3o os bancos \u2014 as principais protagonistas desses investimentos, com foco nos setores de novas tecnologias.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia econ\u00f4mica da China na Am\u00e9rica Latina cresceu de forma progressiva nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Desde 2000, o com\u00e9rcio entre a na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica e a regi\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.cepal.org\/en\/publications\/68664-international-trade-outlook-latin-america-and-caribbean-2023-structural-change\">aumentou 35 vezes<\/a>, tend\u00eancia que deve continuar pelos pr\u00f3ximos anos. A China \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.wto.org\/spanish\/res_s\/statis_s\/statis_maps_s.htm\">principal destino<\/a> das exporta\u00e7\u00f5es de Brasil, Chile, Panam\u00e1, Peru e Uruguai, al\u00e9m da maior vendedora de produtos importados para Argentina, Brasil, Bol\u00edvia, Chile, Col\u00f4mbia, Equador, Paraguai e Peru.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 2010, o apoio das institui\u00e7\u00f5es financeiras chinesas para o desenvolvimento da infraestrutura na regi\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.bu.edu\/gdp\/files\/2024\/06\/GCI-CLLAC-Report-2024-FIN.pdf\">superou<\/a> a dos fornecedores tradicionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento&nbsp;\u2014&nbsp;cen\u00e1rio que, no entanto, j\u00e1 se reverteu devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do financiamento de bancos chineses na segunda metade da d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Margaret Myers, diretora do Programa para a \u00c1sia e a Am\u00e9rica Latina do Inter-American Dialogue, explicou ao<em> Dialogue Earth<\/em> que a queda nos investimentos chineses foi observada tanto em n\u00edvel regional quanto global \u2014 afetando tamb\u00e9m as fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es de empresas. Ela destaca, por\u00e9m, que houve um aumento no n\u00famero de projetos focados em tecnologia de ponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a regi\u00e3o tenta suprir suas <a href=\"https:\/\/www.energypolicy.columbia.edu\/publications\/financing-the-energy-transition-in-latin-america-and-the-caribbean-an-incomplete-puzzle\/\">necessidades de financiamento<\/a> para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, especialistas consideram que as mudan\u00e7as no perfil dos investimentos chineses podem apresentar novas oportunidades para os pa\u00edses latino-americanos. Ao mesmo tempo, permanecem os desafios associados aos impactos sobre o desenvolvimento econ\u00f4mico local e \u00e0 gest\u00e3o das tens\u00f5es socioambientais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-investimento-estrangeiro-direto\">Investimento estrangeiro direto<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde 2015, <a href=\"https:\/\/www.bu.edu\/gdp\/2023\/03\/21\/at-a-crossroads-chinese-development-finance-to-latin-america-and-the-caribbean-2022\/\">a Am\u00e9rica Latina vem registrando uma queda significativa<\/a> nos empr\u00e9stimos do Banco de Desenvolvimento da China (CDB) e do Banco de Exporta\u00e7\u00e3o e Importa\u00e7\u00e3o da China (Eximbank), dois dos tr\u00eas bancos do Conselho de Estado da China e historicamente as institui\u00e7\u00f5es mais ativas na concess\u00e3o de cr\u00e9dito para a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50053530\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>Entre 2019 e 2023, a regi\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.thedialogue.org\/map_list\/\">recebeu<\/a>, em m\u00e9dia, empr\u00e9stimos anuais de US$ 1,3 bilh\u00e3o do CBD e Eximbank, sendo que a maior m\u00e9dia ficou concentrada justamente nos anos de 2019 e 2023. Os bancos chineses zeraram a concess\u00e3o de cr\u00e9dito para os pa\u00edses latino-americanos em 2020, com uma lenta recupera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pandemia em 2021 e 2022. No ano passado, as \u00fanicas duas linhas de cr\u00e9dito concedidas por essas institui\u00e7\u00f5es foram para o Banco Nacional de Desenvolvimento, no intuito de apoiar a infraestrutura e a economia verde no Brasil. Enquanto isso, em 2010, o CDB emprestou quase US$ 25 bilh\u00f5es \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Rebecca Ray, pesquisadora das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre a China e a Am\u00e9rica Latina da Universidade de Boston, resumiu o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessas tend\u00eancias: \u201cVemos menos interven\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras e mais participa\u00e7\u00e3o das empresas. Na \u00faltima d\u00e9cada, a Am\u00e9rica Latina j\u00e1 viveu o auge dos investimentos de institui\u00e7\u00f5es financeiras, primeiro no setor de petr\u00f3leo e depois em infraestrutura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enrique Dussel Peters, coordenador do Centro de Estudos China-M\u00e9xico da Universidade Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (Unam), explicou que essas mudan\u00e7as refletem uma compreens\u00e3o maior entre as duas partes: \u201cElas s\u00e3o o resultado do processo de aprendizado das empresas chinesas em mais de duas d\u00e9cadas na regi\u00e3o, bem como das pr\u00f3prias autoridades e empresas latino-americanas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas apontam que o aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es entre a China e a Am\u00e9rica Latina por meio de empr\u00e9stimos para obras de infraestrutura, muitas vezes projetadas pelos pr\u00f3prios pa\u00edses interessados e implementadas em conjunto com empresas locais, permitiu que os investidores chineses aprendessem sobre quest\u00f5es regulat\u00f3rias e trabalhistas latino-americanas, assim como sobre as particularidades locais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/07\/20230904_PT_Cerro-Faro_porto_Chancay-Peru_FlorRuiz_DC.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/07\/20230904_PT_Cerro-Faro_porto_Chancay-Peru_FlorRuiz_DC-768x511.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/07\/20230904_PT_Cerro-Faro_porto_Chancay-Peru_FlorRuiz_DC-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/07\/20230904_PT_Cerro-Faro_porto_Chancay-Peru_FlorRuiz_DC.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Constru\u00e7\u00e3o do porto de Chancay, no Peru, financiado pela chinesa Cosco Shipping\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Constru\u00e7\u00e3o do porto de Chancay, no Peru, financiado pela chinesa Cosco Shipping. Projetos em grande escala com apoio chin\u00eas t\u00eam se tornado mais escassos nos \u00faltimos anos na Am\u00e9rica Latina (Imagem: Flor Ruiz \/ Dialogue Earth)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/07\/20230904_PT_Cerro-Faro_porto_Chancay-Peru_FlorRuiz_DC.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1703\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cPara a China, o jeito de fazer neg\u00f3cios na regi\u00e3o era uma novidade e, ao longo dos anos, ela adquiriu experi\u00eancia\u201d, disse Ray. Esse aprendizado, acrescentou ela, \u201cpermitiu que as empresas chinesas pudessem participar diretamente dos investimentos\u201d sem depender do cr\u00e9dito de bancos, como ocorria anteriormente. \u201cAl\u00e9m disso, os grandes bancos p\u00fablicos da China agora est\u00e3o mais voltados para a concess\u00e3o de cr\u00e9dito internamente, para impulsionar sua pr\u00f3pria economia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda nos empr\u00e9stimos concedidos pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras chinesas foi mais representativo do que o aumento do investimento por parte das empresas privadas, o que significa que o montante de investimento chin\u00eas na regi\u00e3o \u00e9 menor hoje. Conforme <a href=\"https:\/\/www.redalc-china.org\/monitor\/images\/pdfs\/menuprincipal\/DusselPeters_MonitorOFDI_2024_Esp.pdf\">dados<\/a> da Rede Acad\u00eamica da Am\u00e9rica Latina e do Caribe sobre a China, a na\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica \u00e9 respons\u00e1vel por 10% do investimento estrangeiro direto na regi\u00e3o, com aportes de US$ 8,7 bilh\u00f5es em 2023.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-novas-prioridades-e-nova-infraestrutura\">Novas prioridades e \u2018nova infraestrutura\u2019<\/h2>\n\n\n\n<p>As prioridades do investimento chin\u00eas na regi\u00e3o tamb\u00e9m mudaram. Historicamente, a maioria dos empr\u00e9stimos <a href=\"https:\/\/www.bu.edu\/gdp\/files\/2023\/09\/GCI-Report-BRI-10-FIN.pdf\">concedidos<\/a> pelo CDB e pelo Eximbank era direcionada \u00e0 infraestrutura de setores extrativistas, como minera\u00e7\u00e3o, petr\u00f3leo, energia e ind\u00fastria. A partir dessas opera\u00e7\u00f5es, a China virou uma das principais respons\u00e1veis pelo <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/11459-infraestrutura-chinesa-na-america-latina-uma-nova-fronteira\/\">desenvolvimento<\/a> de projetos n\u00e3o s\u00f3 na Am\u00e9rica Latina, mas em todo o Sul Global.<\/p>\n\n\n\n<p>Margaret Myers, do Inter-American Dialogue, explicou que agora h\u00e1 um foco em novos setores considerados priorit\u00e1rios para o desenvolvimento da pr\u00f3pria China. \u201cA \u2018nova infraestrutura\u2019 \u00e9 como chamamos os setores de inova\u00e7\u00e3o\u201d, disse Myers. \u201cNas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o crescimento da China dependeu muito do varejo, da ind\u00fastria e da constru\u00e7\u00e3o civil, mas agora o pa\u00eds quer priorizar a inova\u00e7\u00e3o em setores de alta tecnologia para crescer e aumentar sua competitividade global\u201d.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50384860\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>\u201cVemos esfor\u00e7os massivos para desenvolver esses setores, com apoio tanto na China quanto no exterior\u201d, acrescentou Myers.<\/p>\n\n\n\n<p>Os setores da \u201cnova infraestrutura\u201d representaram 58% do investimentos estrangeiros diretos da China na Am\u00e9rica Latina e no Caribe em 2022 e mais de 60% dos projetos anunciados por empresas chinesas naquele ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Integram a lista de prioridades os ve\u00edculos el\u00e9tricos, os pain\u00e9is solares, as baterias el\u00e9tricas, a digitaliza\u00e7\u00e3o, as telecomunica\u00e7\u00f5es, a tecnologia financeira, a eletrifica\u00e7\u00e3o e a intelig\u00eancia artificial. Em alguns desses setores, empresas chinesas ocupam uma posi\u00e7\u00e3o global dominante, principalmente na produ\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares, baterias e ve\u00edculos el\u00e9tricos, seus <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/en\/business\/new-three-china-solar-cell-lithium-battery-ev\/\">novos tr\u00eas pilares no mercado internacional<\/a>. A China \u00e9 respons\u00e1vel por mais de 80% das exporta\u00e7\u00f5es de pain\u00e9is solares, 50% das baterias de l\u00edtio e mais de 20% dos ve\u00edculos el\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>No setor de ve\u00edculos el\u00e9tricos e baterias, as montadoras BYD, Foton e Chery est\u00e3o entre as principais empresas chinesas, tanto na regi\u00e3o quanto no resto do mundo. S\u00f3 a BYD <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/384578-investimento-chines-brasil-veiculos-eletricos-america-latina\/\">planeja produzir<\/a> mais de 150 mil ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos por ano em uma f\u00e1brica no Brasil; e a montadora iniciou a produ\u00e7\u00e3o de um \u00f4nibus movido a l\u00edtio na cidade de Manaus.<\/p>\n\n\n\n<p>As energias renov\u00e1veis tamb\u00e9m atraem investimentos chineses na regi\u00e3o, sobretudo a energia solar, da qual o pa\u00eds \u00e9 um fornecedor-chave. <a href=\"https:\/\/about.bnef.com\/blog\/chinas-contributions-to-latin-americas-push-to-net-zero\/\">Oito dos dez<\/a> maiores fornecedores de pain\u00e9is solares da regi\u00e3o s\u00e3o chineses, liderados pelas empresas Longi, Jinko, Trina e JA. O <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/energia\/23529-china-compra-a-maior-usina-solar-da-america-latina\/\">parque solar de Cauchari<\/a>, na prov\u00edncia argentina de Jujuy, \u00e9 um dos maiores da regi\u00e3o e obteve financiamento do CDB, al\u00e9m de ter sido constru\u00eddo por empreiteiras chinesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, alguns dos maiores neg\u00f3cios envolvendo capital chin\u00eas ocorreram no setor de l\u00edtio da Argentina. Destaca-se a compra, em 2022, da empresa argentina Lithea pela mineradora chinesa Ganfeng Lithium para desenvolver o projeto <a href=\"https:\/\/www.forbesargentina.com\/innovacion\/para-expandirse-argentina-gigante-china-litio-invierte-962-millones-dolares-n18625\">Pozuelos-Pastos Grandes<\/a> por US$ 962 milh\u00f5es. H\u00e1 ainda o acordo firmado em 2021 pelo Zijin Mining Group para comprar a canadense Neo Lithium por US$ 737 milh\u00f5es, permitindo a explora\u00e7\u00e3o da mina de <a href=\"https:\/\/www.swissinfo.ch\/spa\/la-china-zijin-compra-una-minera-canadiense-centrada-en-el-litio-en-argentina\/47017696\">Tres Quebradas<\/a>. Em 2021, outro neg\u00f3cio que ganhou destaque foi a compra, pela <a href=\"https:\/\/es.euronews.com\/next\/2021\/08\/18\/great-wall-motor-daimler-brasil\">Great Wall Motors<\/a>, de uma f\u00e1brica da Daimler para a produ\u00e7\u00e3o de carros el\u00e9tricos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/12\/salar-Olaroz_Jujuy_Argentine_2023_Google-earth-pro_airbus_maxar_technologies.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/12\/salar-Olaroz_Jujuy_Argentine_2023_Google-earth-pro_airbus_maxar_technologies-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/12\/salar-Olaroz_Jujuy_Argentine_2023_Google-earth-pro_airbus_maxar_technologies-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/12\/salar-Olaroz_Jujuy_Argentine_2023_Google-earth-pro_airbus_maxar_technologies.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Satellite photograph of lithium mining\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Imagem de sat\u00e9lite da usina de l\u00edtio Cauchari-Olaroz, da Ganfeng Lithium, na prov\u00edncia de Jujuy, Argentina. A empresa chinesa ainda comprou a argentina Lithea em 2022 para explorar o mineral na prov\u00edncia de Salta (Imagem: Airbus \/ Maxar Technologies via Google Earth)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/12\/salar-Olaroz_Jujuy_Argentine_2023_Google-earth-pro_airbus_maxar_technologies.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, no campo das telecomunica\u00e7\u00f5es, a empresa chinesa <a href=\"https:\/\/www.bnamericas.com\/es\/noticias\/huawei-promete-nuevos-centros-de-datos-en-a-latina-ante-mayor-demanda-de-nube\">Huawei est\u00e1 se expandindo<\/a> na regi\u00e3o, especialmente na Argentina, no Brasil, no Chile, na Col\u00f4mbia, no M\u00e9xico e no Peru, por meio da instala\u00e7\u00e3o de data centers \u2014 algo que parece trazer <a href=\"https:\/\/www.usip.org\/publications\/2024\/04\/huaweis-expansion-latin-america-and-caribbean-views-region\">mais preocupa\u00e7\u00f5es aos Estados Unidos<\/a> do que aos pr\u00f3prios pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs setores ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas, como a minera\u00e7\u00e3o, ainda s\u00e3o predominantes nos investimentos da China na Am\u00e9rica Latina, com 34% dos valores investidos entre 2020 e 2023, embora bem abaixo dos 81% vistos entre 2005 e 2009\u201d, observou uma pesquisa da Unam coordenada por Enrique Dussel Peters. Ao mesmo tempo, a pesquisa notou uma mudan\u00e7a nas prioridades dos investimentos chineses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-mais-politica-mais-mercado\">Mais pol\u00edtica, mais mercado<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde 2005, a Venezuela, o Brasil, a Argentina e o Equador t\u00eam sido os <a href=\"https:\/\/www.thedialogue.org\/map_list\/?__hstc=32582177.c71476aae06802d2b70bd166eee26822.1711460011438.1719151576154.1719660780904.9&amp;__hssc=32582177.1.1719660780904&amp;__hsfp=4121350151\">principais benefici\u00e1rios<\/a> dos empr\u00e9stimos de bancos de desenvolvimento da China. Por\u00e9m, diante das cr\u00edticas sobre o uso pol\u00edtico dessas institui\u00e7\u00f5es financeiras fora do pa\u00eds, a tend\u00eancia agora \u00e9 que o financiamento seja liderado pelas pr\u00f3prias empresas chinesas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom os empr\u00e9stimos dos bancos para os pa\u00edses latino-americanos, havia tr\u00eas elementos fundamentais que a China buscava: mercado, recursos e internacionaliza\u00e7\u00e3o de seus neg\u00f3cios\u201d, explicou Myers. \u201cHoje, a China mant\u00e9m esses objetivos, principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos minerais essenciais para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e aos mercados em setores de alto valor agregado. Mas os meios mudaram\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, o envolvimento da China com a regi\u00e3o por meio de financiamento teve um impacto maior em pa\u00edses com dificuldades de acesso a cr\u00e9dito, como Venezuela, Argentina e Equador. O Brasil j\u00e1 tinha facilidade de acesso a outros tipos de financiamento e, portanto, o fluxo do capital chin\u00eas no pa\u00eds estava intimamente ligado ao petr\u00f3leo, incluindo projetos offshore em <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/energia\/384534-petrobras-brasil-china-parcerias-verdes-petroleo\/\">parceria com a Petrobras<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/11\/Brasil-Petrobas-CITIC-sign-agreement_Petrobras.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/11\/Brasil-Petrobas-CITIC-sign-agreement_Petrobras-768x494.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/11\/Brasil-Petrobas-CITIC-sign-agreement_Petrobras-1024x659.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/11\/Brasil-Petrobas-CITIC-sign-agreement_Petrobras.jpg 1600w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 1600px\" alt=\"Four people at a table, between Brasil and China flags signing documents,\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Em novembro de 2023, Jean Paul Prates (\u00e0 esquerda), ent\u00e3o presidente da Petrobras, assinou acordos com estatais chinesas para estabelecer parcerias no setor de energia, principalmente visando \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo (Imagem: Petrobras)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2023\/11\/Brasil-Petrobas-CITIC-sign-agreement_Petrobras.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"299 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1030\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1600\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cForam concedidos empr\u00e9stimos aos governos, mas com demanda por equipamentos chineses, o que tamb\u00e9m foi uma forma de abrir mercados e promover a inser\u00e7\u00e3o de empresas chinesas na regi\u00e3o\u201d, acrescentou Myers.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao destino do investimento chin\u00eas na regi\u00e3o, o Monitor de Investimentos da China observou uma diversifica\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses e setores. A ferramenta mostrou que, entre 2020 e 2023, o Brasil manteve seu lugar como o principal benefici\u00e1rio de investimentos chineses, com 34% de todos os investimentos, seguido por Argentina (22,5%), M\u00e9xico (15%), Peru (11%) e Chile (8,7%). Na Argentina e no Peru, a participa\u00e7\u00e3o chinesa na minera\u00e7\u00e3o teve como foco o l\u00edtio e o cobre, respectivamente. No Chile, al\u00e9m do l\u00edtio, tamb\u00e9m surgiram novas oportunidades de investimento chin\u00eas <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/390865-cobre-meio-ambiente-historia-relacoes-chile-china\/\">na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica do pa\u00eds<\/a>. No M\u00e9xico, <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/385130-montadoras-chinesas-carros-eletricos-eletromobilidade-mexico\/\">o setor automotivo<\/a> \u00e9 o carro-chefe.<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto not\u00f3rio do investimento chin\u00eas na regi\u00e3o \u00e9 sua alta concentra\u00e7\u00e3o em um pequeno n\u00famero de empresas. A pesquisa da Unam revelou que apenas cinco empresas chinesas \u2014 State Power Investment Corporation Limited, State Grid Corporation, Tibet Summit Resources, Jiangxi Ganfeng Lithium e Zijin Mining Group \u2014 foram respons\u00e1veis por 46% dos investimentos estrangeiros diretos chineses na Am\u00e9rica Latina e no Caribe entre 2020 e 2023.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-impactos-socioambientais-na-regiao\">Impactos socioambientais na regi\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica Latina e o Caribe <a href=\"https:\/\/www.energypolicy.columbia.edu\/publications\/financing-the-energy-transition-in-latin-america-and-the-caribbean-an-incomplete-puzzle\/\">precisam de grandes investimentos<\/a> em infraestrutura para impulsionar sua transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, o que tamb\u00e9m implica em transforma\u00e7\u00f5es importantes na ind\u00fastria, na sociedade e no uso da terra. Nesse contexto, a China pode agir tanto como investidor quanto como fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Myers, \u00e9 necess\u00e1rio olhar com cautela para a depend\u00eancia excessiva da China, sobretudo se n\u00e3o houver contrapartidas para o desenvolvimento local. \u201cA regi\u00e3o corre o risco de ficar presa a essa depend\u00eancia e deixar de desenvolver sua pr\u00f3pria competitividade\u201d, disse ela. \u201cSe n\u00e3o houver um esfor\u00e7o para exigir que os investidores ofere\u00e7am transfer\u00eancia de tecnologia e apresentem iniciativas de educa\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra local, a regi\u00e3o n\u00e3o conseguir\u00e1 acelerar seu desenvolvimento nesses setores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-pull-quote block--pull-quote\"><div class=\"block--pull-quote__wrapper\"><blockquote class=\"block--pull-quote__quote\">A regi\u00e3o corre o risco de ficar presa a essa depend\u00eancia e deixar de desenvolver sua pr\u00f3pria competitividade<\/blockquote><cite class=\"block--pull-quote__cite\">Margaret Myers, diretora do Programa para a \u00c1sia e a Am\u00e9rica Latina do Inter-American Dialogue<\/cite><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Alguns dos setores nos quais a China concentrou seus investimentos, como energia, minera\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidos por sua enorme pegada ambiental. Embora os projetos tenham uma escala menor em rela\u00e7\u00e3o aos que foram vistos nas d\u00e9cadas anteriores, e as empresas agora sejam mais experientes na negocia\u00e7\u00e3o com as partes interessadas, o grande n\u00famero de iniciativas traz riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, Myers avaliou que os investimentos chineses podem provocar novos conflitos socioambientais. \u201cEsse \u00e9 outro grande desafio para a regi\u00e3o, pois os governos, as empresas e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil devem ter condi\u00e7\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo que possibilitem a viabiliza\u00e7\u00e3o de projetos de forma sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grandes projetos de infraestrutura d\u00e3o lugar a investimentos menores e focados em setores espec\u00edficos, como energias renov\u00e1veis e tecnologia de 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