{"id":60058328,"date":"2024-10-30T16:43:48","date_gmt":"2024-10-30T16:43:48","guid":{"rendered":"https:\/\/dialogue.earth\/nao-categorizado\/in-argentina-lithium-mining-leaves-a-river-running-dry\/"},"modified":"2024-11-21T18:49:41","modified_gmt":"2024-11-21T18:49:41","slug":"mineracao-de-litio-seca-rio-no-norte-da-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/natureza\/mineracao-de-litio-seca-rio-no-norte-da-argentina\/","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio seca rio no norte da Argentina"},"content":{"rendered":"\n<p>Alfredo Morales vive entre o frio implac\u00e1vel e o sol forte, que pairam sobre Antofagasta de la Sierra, pequena cidade no altiplano da prov\u00edncia de Catamarca, no norte da Argentina. Aos 55 anos, o ativista da Atacame\u00f1os del Altiplano, organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena local, dirige seu caminh\u00e3o at\u00e9 o Salar del Hombre Muerto, nas proximidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1, Morales nos mostra as consequ\u00eancias de mais de 25 anos de extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio nas m\u00e3os da Livent, mineradora hoje conhecida como Arcadium Lithium: o esgotamento h\u00eddrico do rio Trapiche e o desaparecimento do ecossistema pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma equipe da rede jornal\u00edstica Ruido percorreu com Morales esse deserto de sal cercado por altas montanhas e vulc\u00f5es. O \u00fanico som que quebrava o sil\u00eancio da paisagem era o dos caminh\u00f5es que iam e voltavam dos locais de extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio. \u00c9 nesse lugar que, desde 1997, opera o projeto F\u00eanix, da Arcadium, a mais antiga mina de l\u00edtio da Argentina.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essa reportagem no Salar del Hombre Muerto faz parte de uma investiga\u00e7\u00e3o coordenada pelo Centro Latinoamericano de Investigaci\u00f3n Period\u00edstica (El Clip) em parceria com <em>Dialogue Earth<\/em>, N\u00f3madas da Bol\u00edvia, CIPER do Chile e mestrandos da Universidade Columbia, em Nova York.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_rio-Trapiche-seco-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_rio-Trapiche-seco-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_rio-Trapiche-seco-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_rio-Trapiche-seco-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg 2000w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2000px\" alt=\"Leito seco do rio Trapiche, com manchas escuras de vegeta\u00e7\u00e3o morta\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Leito seco do rio Trapiche, com manchas escuras de vegeta\u00e7\u00e3o morta. Anos atr\u00e1s, o rio mantinha ao seu redor um ecossistema de pastagens, vicunhas, pumas, gatos andinos e flamingos (Imagem: Maria Paula Gaido \/ Ruido)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_rio-Trapiche-seco-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1333\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que os projetos de l\u00edtio <a href=\"https:\/\/dialogue.earth\/pt-br\/negocios\/392580-empresas-donos-mineracao-litio-salinas-argentina\/\">se multiplicam pela Argentina<\/a> impulsionados pelo aumento da demanda global, os impactos deixados pela atividade se tornam cada vez mais profundos. Manchas escuras de vegeta\u00e7\u00e3o morta s\u00e3o o primeiro sinal preocupante em uma plan\u00edcie seca, onde, h\u00e1 poucos anos, corria o rio Trapiche. Esse antigo curso d\u2019\u00e1gua se estendia por sete quil\u00f4metros, criando um ecossistema de pastagens e animais como vicunhas, pumas, gatos andinos e tr\u00eas esp\u00e9cies de flamingos \u2014 uma biodiversidade que sumiu da \u00e1rea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Juntamente com a Bol\u00edvia e o Chile, a Argentina faz parte do chamado Tri\u00e2ngulo do L\u00edtio, \u00e1rea <a href=\"https:\/\/pubs.usgs.gov\/publication\/mcs2023\">que abriga 53%<\/a> das reservas globais de l\u00edtio. Embora a maioria dos projetos de explora\u00e7\u00e3o do mineral ainda esteja em fase de pr\u00e9-explora\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, os danos ambientais causados por aqueles que j\u00e1 extraem l\u00edtio s\u00e3o bastante vis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Argentina, as margens do rio Trapiche foram as mais afetadas. No Chile, pesquisadores <a href=\"https:\/\/geologia.uchile.cl\/noticias\/219450\/salar-de-atacama-se-hunde-1-2-cm-por-ano-por-extracciones-de-litio\">registraram<\/a> um afundamento de at\u00e9 dois cent\u00edmetros em certas \u00e1reas do Salar do Atacama nos \u00faltimos anos devido ao esgotamento das \u00e1guas subterr\u00e2neas \u2014 fen\u00f4meno impulsionado pela extra\u00e7\u00e3o do mineral, que consome muitos recursos h\u00eddricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar que outros rios do norte da Argentina tivessem futuro semelhante, ativistas locais formaram a organiza\u00e7\u00e3o Atacame\u00f1os del Altiplano. H\u00e1 alguns meses, veio a primeira vit\u00f3ria do grupo: o Tribunal de Justi\u00e7a de Catamarca <a href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/720777-la-corte-de-justicia-ordeno-detener-la-explotacion-de-litio-\">entendeu que<\/a> a minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio havia afetado o rio Trapiche e suspendeu a expans\u00e3o do setor perto do rio Los Patos at\u00e9 haver garantias de que ele n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo destino.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto dirige, Morales narra a resist\u00eancia do grupo contra os projetos de l\u00edtio. \u201cNo in\u00edcio, os bloqueios de estradas eram por quest\u00f5es trabalhistas, mas tamb\u00e9m vimos que muita \u00e1gua estava sendo consumida, que o vale estava secando\u201d, diz. \u201cFalamos com o diretor, fizemos reclama\u00e7\u00f5es, mas nada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_litio-protestos-Argentina-2048x1080-1-scaled-1.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_litio-protestos-Argentina-2048x1080-1-scaled-1-768x405.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_litio-protestos-Argentina-2048x1080-1-scaled-1-1024x540.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_litio-protestos-Argentina-2048x1080-1-scaled-1.jpg 2000w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2000px\" alt=\"Bloqueio de estrada em Salinas Grandes, na prov\u00edncia de Jujuy, contra a extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Bloqueio de estrada em Salinas Grandes, na prov\u00edncia de Jujuy, contra a extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio. Segundo um ativista da organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena Atacame\u00f1os del Altiplano, os protestos come\u00e7aram por quest\u00f5es trabalhistas, mas logo se voltaram contra o consumo excessivo de \u00e1gua pelo setor (Imagem: Farn)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_litio-protestos-Argentina-2048x1080-1-scaled-1.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"223 KB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1055\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2000\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>O ativista conta o caso da fam\u00edlia Condor\u00ed, que vivia \u00e0s margens do vale, criando ovelhas e lhamas. Agora, conta, eles t\u00eam apenas oito das 300 lhamas anteriores, pela redu\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. \u201cEles v\u00e3o ser for\u00e7ados a ir embora daqui\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A tamb\u00e9m ativista Elizabeth Mamani, esposa de Morales, explica como \u201co l\u00edtio representa um progresso tecnol\u00f3gico\u201d, mas tamb\u00e9m a \u201cmorte no futuro, porque sabemos que h\u00e1 muitos desastres ambientais por tr\u00e1s dessa explora\u00e7\u00e3o, muitas secas e perdas\u201d. Mamani entende que a atividade representa uma importante fonte de renda para a popula\u00e7\u00e3o, mas para ela \u201csignifica apenas destrui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-mina-de-litio-da-livent\">Mina de l\u00edtio da Livent<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 2023, a Argentina faturou US$ 835 milh\u00f5es com as <a href=\"https:\/\/www.argentina.gob.ar\/sites\/default\/files\/11_exportaciones_mineras_de_argentina.pdf\">exporta\u00e7\u00f5es de l\u00edtio<\/a>, valor que representa 15% das exporta\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, segundo dados da Secretaria de Minera\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.argentina.gob.ar\/sites\/default\/files\/informe_sectorial_litio_2024-2.pdf\">Mais de 40%<\/a> desse l\u00edtio \u00e9 vendido para a China, onde \u00e9 usado para produzir as baterias que alimentam carros el\u00e9tricos, celulares e computadores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto F\u00e9nix, no Salar del Hombre Muerto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a mais antiga, mas tamb\u00e9m a maior mina de l\u00edtio em opera\u00e7\u00e3o na Argentina. No ano passado, ela produziu 22 mil toneladas de carbonato de l\u00edtio, quase metade das 50 mil toneladas produzidas no pa\u00eds, de acordo com dados do governo. As outras tr\u00eas minas de l\u00edtio em opera\u00e7\u00e3o s\u00e3o Centenario Ratones, na prov\u00edncia de Salta, e Cauchari-Olaroz e Olaroz, na prov\u00edncia de Jujuy. Uma quinta mina, a Sal de Oro, localizada entre Catamarca e Salta, est\u00e1 prestes a iniciar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"50392671\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>O projeto Fenix era administrado pela Livent, mas a empresa norte-americana e a australiana Alkem passaram por uma fus\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.ambito.com\/energia\/litio-livent-y-allkem-formalizaron-la-fusion-y-arcadium-lithium-comenzo-cotizar-wall-street-n5913843\">no in\u00edcio do ano<\/a> para criar a Arcadium Lithium, <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/economia\/negocios\/rio-tinto-gigante-de-mineracao-fecha-compra-da-arcadium-lithium-por-us-67-bi\/\">comprada em outubro<\/a> pela gigante de minera\u00e7\u00e3o brit\u00e2nico-australiana Rio Tinto. Com a aquisi\u00e7\u00e3o, a Rio Tinto agora \u00e9 a terceira maior empresa produtora de l\u00edtio no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Argentina \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.argentina.gob.ar\/sites\/default\/files\/informe_sectorial_litio_2024-2.pdf\">quarto maior produtor global de l\u00edtio<\/a>, atr\u00e1s de Austr\u00e1lia, Chile e China, mas o potencial de suas reservas \u00e9 ainda maior. A Argentina tem cerca de 40 projetos em est\u00e1gios preliminares que podem chegar \u00e0 fase de opera\u00e7\u00e3o no curto prazo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo em dezembro de 2023, seu governo tem trabalhado em uma nova legisla\u00e7\u00e3o para atrair recursos privados para projetos de minera\u00e7\u00e3o. Ela busca oferecer benef\u00edcios fiscais, alfandeg\u00e1rios e financeiros que permitam, por exemplo, o pagamento de dividendos logo ap\u00f3s a entrada em opera\u00e7\u00e3o de um projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDesde que Milei assumiu a presid\u00eancia, temos recebido constantes consultas de mineradoras, porque elas perceberam uma mudan\u00e7a no ambiente de neg\u00f3cios\u201d, disse uma fonte da Secretaria Nacional de Minera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. \u201cEmbaixadas e governos das prov\u00edncias tamb\u00e9m ligam perguntando sobre o l\u00edtio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-decisoes-judiciais-sobre-o-litio\">Decis\u00f5es judiciais sobre o l\u00edtio<\/h2>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 2024, o Tribunal de Justi\u00e7a de Catamarca determinou que o governo provincial se abstivesse de conceder novas licen\u00e7as para atividades de minera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do rio Los Patos, pelo menos at\u00e9 que um estudo de impacto ambiental \u201ccompleto e abrangente\u201d fosse realizado. Um dos argumentos citados na decis\u00e3o judicial foi o impacto negativo da minera\u00e7\u00e3o no Vale do Trapiche. A a\u00e7\u00e3o foi movida em 2021 por Rom\u00e1n Guitian, l\u00edder da comunidade Atacame\u00f1os del Altiplano.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a \u00e1rea onde a Arcadium pretende expandir sua extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, como parte do projeto Sal de Vida, a poucos quil\u00f4metros a leste do rio Trapiche. A empresa adquiriu o projeto quando seu primeiro propriet\u00e1rio, a mineradora australiana Galaxy Lithium, se fundiu com a Allkem, que mais tarde se tornou parte da Arcadium.<\/p>\n\n\n\n<p>O tribunal <a href=\"https:\/\/tiempojudicial.com\/2024\/03\/15\/la-justicia-freno-la-explotacion-de-litio-porque-se-seco-el-rio-trapiche\/\">solicitou<\/a> que o estudo inclu\u00edsse uma avalia\u00e7\u00e3o sobre os efeitos do projeto \u201cna paisagem, fauna e flora da \u00e1rea, no clima e meio ambiente em geral e nas condi\u00e7\u00f5es de vida dos habitantes e da comunidade ind\u00edgena afetada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_barragem-rio-Trapiche_Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_barragem-rio-Trapiche_Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_barragem-rio-Trapiche_Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_barragem-rio-Trapiche_Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg 1620w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 1620px\" alt=\"Barreira constru\u00edda pela Arcadium marca o ponto em que o rio Trapiche seca\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Barreira constru\u00edda pela Arcadium marca o ponto em que o rio Trapiche seca. A \u00e1gua \u00e9 transportada por uma tubula\u00e7\u00e3o at\u00e9 a mina de l\u00edtio (Imagem: Maria Paula Gaido \/ Ruido)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_barragem-rio-Trapiche_Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"1 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1080\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"1620\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>Em nossa visita \u00e0 \u00e1rea, observamos como o trecho seco do rio Trapiche costumava atingir a mina da Arcadium, onde a \u00e1gua era usada no processo de extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio. Agora, a empresa construiu uma barreira perto do ponto em que o rio seca para facilitar o armazenamento. De l\u00e1, a \u00e1gua \u00e9 transportada por tubula\u00e7\u00f5es at\u00e9 a mina.<\/p>\n\n\n\n<p>A Livent, antecessora da Arcadium, reconheceu que suas atividades alteraram o ecossistema do Salar del Hombre Muerto, mas afirmou que elas eram revers\u00edveis. \u201cUma das conclus\u00f5es mais importantes do nosso trabalho de modelagem no aqu\u00edfero Trapiche \u00e9 que os efeitos sobre os recursos h\u00eddricos s\u00e3o revers\u00edveis e que o prazo estimado para a recupera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9-desenvolvimento \u00e9 de dez anos ap\u00f3s a interrup\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o\u201d, disse a Livent em seu <a href=\"https:\/\/arcadiumlithium.com\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Livent_2022_SustainabilityReport_Spanish.pdf\">relat\u00f3rio de sustentabilidade<\/a> de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa tamb\u00e9m argumentou \u00e0 \u00e9poca que ela oferecia a \u00fanica atividade econ\u00f4mica em uma \u00e1rea praticamente desabitada. \u201cMenos de 20 pessoas vivem em um raio de 60 quil\u00f4metros da instala\u00e7\u00e3o, e a cidade mais pr\u00f3xima fica a quase duas horas de carro. Ao contr\u00e1rio de outras salinas, n\u00e3o h\u00e1 outras ind\u00fastrias no Salar de Hombre Muerto, e o duro ambiente gerado pela elevada altitude impede a agricultura comercial e a cria\u00e7\u00e3o de gado\u201d, afirmou a mineradora no documento.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, nossa reportagem observou outras mudan\u00e7as significativas no curso do Trapiche: em alguns trechos rio acima, o leito havia sido revestido com uma cobertura pl\u00e1stica para impedir que a \u00e1gua fosse filtrada pelo solo ou escapasse pelas margens \u2014 possivelmente para aumentar a vaz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_leito-rio-Trapiche-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_leito-rio-Trapiche-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_leito-rio-Trapiche-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_leito-rio-Trapiche-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Leito do rio Trapiche revestido com pl\u00e1stico para aumentar a vaz\u00e3o\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Leito do rio Trapiche revestido com pl\u00e1stico para aumentar a vaz\u00e3o. Especialista alerta sobre essa grave altera\u00e7\u00e3o do ecossistema e a consequente produ\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1stico (Imagem: Maria Paula Gaido \/ Ruido)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_leito-rio-Trapiche-Salar-Hombre-Muerto_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma altera\u00e7\u00e3o muito grave para o ecossistema e para a vida de peixes ou algas, essenciais para seu funcionamento\u201d, observa a bi\u00f3loga Cecilia Estrabou, diretora do Centro de Ecologia e Recursos Naturais Renov\u00e1veis da Universidade Nacional de C\u00f3rdoba. \u201cMas isso tamb\u00e9m pode levar a uma produ\u00e7\u00e3o significativa de micropl\u00e1sticos, contra os quais o mundo est\u00e1 lutando arduamente. Coloc\u00e1-los em um rio \u2014 do qual animais e plantas certamente bebem \u2014 \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o prejudicial para as redes alimentares e para o uso da \u00e1gua por organismos vivos\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A Arcadium n\u00e3o respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o uso de revestimento pl\u00e1stico no rio. Um porta-voz oficial do Minist\u00e9rio de Minera\u00e7\u00e3o de Catamarca, no entanto, diz que isso s\u00e3o \u201cobras de canaliza\u00e7\u00e3o projetadas para minimizar a infiltra\u00e7\u00e3o e a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, otimizando sua coleta e armazenamento no reservat\u00f3rio do Trapiche, permitindo um uso mais eficiente dos recursos h\u00eddricos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-los-patos-area-de-risco\">Los Patos, \u00e1rea de risco<\/h2>\n\n\n\n<p>Quil\u00f4metros a leste da mina de l\u00edtio, rebanhos de vicunhas e flamingos bebem \u00e1gua e se alimentam do rio Los Patos, com um fluxo ainda extenso e majestoso, embora tenha sido muito maior em outros tempos. Nas margens, sete cont\u00eaineres protegem os po\u00e7os e as bombas que retiram \u00e1gua da bacia, opera\u00e7\u00e3o que se estende por uma grande \u00e1rea. N\u00e3o h\u00e1 marcas que indiquem qual mineradora \u00e9 respons\u00e1vel por essa estrutura. Assim como no caso do rio Trapiche, uma das preocupa\u00e7\u00f5es de ambientalistas \u00e9 que Los Patos tamb\u00e9m seque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGostaria que registrassem o fluxo de Los Patos para manter o hist\u00f3rico disso no futuro\u201d, diz o ativista Alfredo Morales. \u201cNossa comunidade tem se manifestado contra os danos causados ao rio\u201d. Ele aponta para o grande n\u00famero de p\u00e1ssaros e animais selvagens que vivem na regi\u00e3o como um fator sens\u00edvel conforme a minera\u00e7\u00e3o avan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_vicunha-rio-Los-Patos-rio-trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_vicunha-rio-Los-Patos-rio-trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_vicunha-rio-Los-Patos-rio-trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_vicunha-rio-Los-Patos-rio-trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Vicunhas perto da margem do rio Los Patos\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Vicunhas bebem \u00e1gua no rio Los Patos, a poucos quil\u00f4metros mina da Arcadium. O Tribunal de Justi\u00e7a de Catamarca determinou a suspens\u00e3o de novas licen\u00e7as de minera\u00e7\u00e3o no entorno do rio at\u00e9 que um novo estudo de impacto ambiental seja realizado (Imagem: Maria Paula Gaido \/ Ruido)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_vicunha-rio-Los-Patos-rio-trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Ambiente e Recursos Naturais (Farn), uma das organiza\u00e7\u00f5es argentinas que promovem a\u00e7\u00f5es judiciais para defender os ecossistemas das salinas, <a href=\"https:\/\/farn.org.ar\/la-corte-de-justicia-de-catamarca-ordeno-frenar-la-actividad-minera-en-el-salar-del-hombre-muerto-a-raiz-del-amparo-en-el-que-farn-se-presento-como-amicus-curiae\/\">alegou<\/a> que no Salar del Hombre Muerto, mais especificamente na \u00e1rea de Los Patos, o governo de Catamarca n\u00e3o conduziu \u201cum estudo de impacto ambiental que contemple os efeitos cumulativos dessas iniciativas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs comunidades s\u00e3o afetadas pela minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio em seu territ\u00f3rio e meio ambiente, bem como em seus direitos b\u00e1sicos \u2014 como o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, a consulta livre, pr\u00e9via e informada e o acesso \u00e0 justi\u00e7a\u201d, diz Leandro G\u00f3mez, coordenador do programa de investimentos e direitos da \u00e1rea de pol\u00edtica ambiental da Farn.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Morales n\u00e3o tem certeza se a decis\u00e3o que pro\u00edbe provisoriamente a expans\u00e3o de projetos de minera\u00e7\u00e3o no Rio Los Patos \u00e9 uma vit\u00f3ria. O ativista diz que n\u00e3o confia no sistema judici\u00e1rio e nos mais poderosos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elizabeth Mamani tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 muito otimista. \u201cA decis\u00e3o judicial \u00e9 uma grande vantagem que estabelece um precedente importante na luta pela defesa da \u00e1gua, mas, ao mesmo tempo, sinto que, com esse sistema de Justi\u00e7a e da maneira como estamos, eles continuar\u00e3o a cercar nossos territ\u00f3rios\u201d, explica Mamani.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o foram divulgados novos detalhes sobre a publica\u00e7\u00e3o do estudo solicitado pelo tribunal. O porta-voz do governo de Catamarca n\u00e3o fez coment\u00e1rios sobre o processo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-discussao-sobre-os-impactos\">Discuss\u00e3o sobre os impactos<\/h2>\n\n\n\n<p>A Farn <a href=\"https:\/\/farn.org.ar\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/FARN-Estudio-de-los-recursos-hi%CC%81dricos-y-el-impacto-por-explotacio%CC%81n-minera-de-litio_compressed.pdf\">argumenta<\/a> que a extra\u00e7\u00e3o de salmoura para a minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio pode causar um desequil\u00edbrio na hidrologia da salina: as reservas de \u00e1gua doce tornam-se salinizadas e afetam a disponibilidade e a qualidade da \u00e1gua doce na bacia. Quando isso acontece, a \u00e1gua deixa o sistema e nunca mais \u00e9 recuperada com as mesmas condi\u00e7\u00f5es e caracter\u00edsticas, explica a organiza\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1522249?origin=crossref\">estudos<\/a> focados em outros ecossistemas semelhantes, a Farn descobriu que \u201cos impactos das crises clim\u00e1ticas e ecol\u00f3gicas j\u00e1 est\u00e3o sendo vistos em \u00e1reas \u00famidas de alta altitude, agravado as condi\u00e7\u00f5es que as caracterizam naturalmente, como a aridez extrema, as altas taxas de evapora\u00e7\u00e3o e radia\u00e7\u00e3o solar e o permanente d\u00e9ficit h\u00eddrico natural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No relat\u00f3rio de sustentabilidade de 2022 da Livent, a mineradora afirmou que os efeitos da minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio s\u00e3o revers\u00edveis e que a empresa usa pouca \u00e1gua dos rios pr\u00f3ximos \u2014 apenas 2%, segundo suas pr\u00f3prias estimativas. A companhia tamb\u00e9m disse que trabalhava com especialistas independentes para garantir que \u201ca extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e salmoura seja realizada em um ritmo que mantenha o equil\u00edbrio natural desse ecossistema\u201d, com uma atividade monitorada pelo governo da prov\u00edncia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cd-article-image aligncenter block--article-image block--article-image--article\" itemscope itemtype=\"http:\/\/schema.org\/ImageObject\"><div class=\"block--article-image__column\"><div class=\"hide-expand block--article-image__image\"><img class=\"lazy\" data-src=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_Livent-Arcadium-Lithium-placa-restauracao-rio_Trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_Livent-Arcadium-Lithium-placa-restauracao-rio_Trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-768x512.jpg 768w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_Livent-Arcadium-Lithium-placa-restauracao-rio_Trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_Livent-Arcadium-Lithium-placa-restauracao-rio_Trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg 2560w\" data-sizes=\"(max-width: 600px) 768px, (max-width: 1024px) 1024px, 2560px\" alt=\"Placa de um projeto de restaura\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o da Livent (hoje Arcadium Lithium) perto do rio Trapiche\"\/><\/div><div class=\"block--article-image__content\"><div itemprop=\"caption\" class=\"block--article-image__caption\">Placa de um projeto de restaura\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o da Livent (hoje Arcadium Lithium) perto do rio Trapiche. A empresa diz que est\u00e1 realizando tarefas ambientais, como replantio de \u00e1rvores, melhoria dos sistemas de irriga\u00e7\u00e3o e monitoramento e rastreamento de esp\u00e9cies na \u00e1rea (Imagem: Maria Paula Gaido \/ Ruido)<\/div><\/div><\/div><meta itemprop=\"contentUrl\" content=\"https:\/\/dialogue.earth\/content\/uploads\/2024\/10\/PT_Livent-Arcadium-Lithium-placa-restauracao-rio_Trapiche_Catamarca_Argentina_Paula-Gaido_Ruido.jpg\"\/><meta itemprop=\"contentSize\" content=\"2 MB\"\/><meta itemprop=\"height\" content=\"1707\"\/><meta itemprop=\"width\" content=\"2560\"\/><meta itemprop=\"author\"\/><meta itemprop=\"representativeOfPage\" content=\"true\"\/><\/div>\n\n\n\n<p>A empresa disse que trabalhou junto aos moradores da regi\u00e3o e \u00e0 <a href=\"https:\/\/ecoconciencia.org\/\">Funda\u00e7\u00e3o EcoConciencia<\/a>, especializada em conflitos socioambientais, para realizar tarefas de restaura\u00e7\u00e3o ambiental, como replantio de \u00e1rvores, melhoria dos sistemas de irriga\u00e7\u00e3o e monitoramento e rastreamento de esp\u00e9cies na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodolfo Tarraubella, presidente da EcoConciencia, diz que eles s\u00f3 come\u00e7aram a trabalhar com a Livent em 2021, principalmente organizando reuni\u00f5es e ajudando a transplantar 25 mil mudas. \u201cA partir da\u00ed, ajudamos pouco. A empresa forneceu seu pr\u00f3prio pessoal para monitorar e acompanhar o trabalho\u201d. Ele tamb\u00e9m deixou claro que a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o recebe dinheiro da Arcadium.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-alternativas-economicas\">Alternativas econ\u00f4micas<\/h2>\n\n\n\n<p>Os <a href=\"https:\/\/censo.gob.ar\/\">cerca de dois mil habitantes<\/a> de Antofagasta de la Sierra vivem em condi\u00e7\u00f5es piores do que as dos trabalhadores que moram em acampamentos de minera\u00e7\u00e3o no Salar del Hombre Muerto. Boa parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso \u00e0 rede de g\u00e1s natural, sofre cortes de energia diariamente, dependendo de geradores, e a \u00e1gua \u00e9 escassa no ver\u00e3o. O prefeito da cidade, Mario Cusipuma, assumiu o cargo no in\u00edcio do ano prometendo reunir esfor\u00e7os para a cria\u00e7\u00e3o de um novo c\u00f3digo tribut\u00e1rio municipal, com o qual ele quer obrigar as mineradoras a pagar mais impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu relat\u00f3rio de sustentabilidade de 2022, a Livent registrou receitas de US$ 813,2 milh\u00f5es e lucro bruto de US$ 366,7 milh\u00f5es. A empresa afirma ter investido US$ 2,8 milh\u00f5es em programas voltados para sa\u00fade, nutri\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o profissional, qualidade de vida, a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e desenvolvimento local na prov\u00edncia e Catamarca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do ano, 2.968 trabalhadores atuavam em projetos de l\u00edtio nas prov\u00edncias de Salta, Catamarca e Jujuy, conforme dados do Minist\u00e9rio de Economia. Isso representa menos de 1,5% dos 184 mil funcion\u00e1rios p\u00fablicos nas tr\u00eas prov\u00edncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a Arcadium, por meio de sua antecessora Livent, seja uma das pioneiras na minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio na Am\u00e9rica do Sul, uma nova onda de projetos chineses tem tomado conta do setor recentemente. \u201cO papel desempenhado pela China no Tri\u00e2ngulo do L\u00edtio \u00e9 cada vez mais relevante, especialmente na Argentina, e isso tem a ver com a legisla\u00e7\u00e3o nacional, mais liberal em compara\u00e7\u00e3o com o Chile e a Bol\u00edvia\u201d, explica Juliana Gonz\u00e1lez J\u00e1uregui, pesquisadora focada em investimentos chineses na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<a class=\"wp-block-cd-related-news alignright block--related-news loading\" data-post-id=\"60049370\"><div class=\"block--related-news__image\"><\/div><div class=\"block--related-news__content\"><span class=\"block--related-news__heading\">LEIA MAIS<\/span><span class=\"block--related-news__title\"><\/span><\/div><\/a>\n\n\n\n<p>O prefeito de Antofagasta de la Sierra quer que a cidade fique com uma parte das receitas da explora\u00e7\u00e3o do l\u00edtio. \u201cEstamos buscando ajustar a taxa\u00e7\u00e3o e mudar o paradigma\u201d, diz Cusipuma.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo municipal agora trabalha para melhorar a infraestrutura, a rede el\u00e9trica e o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel. A prefeitura planeja levar g\u00e1s natural \u00e0 cidade e pavimentar a rodovia Ruta 43, que chega \u00e0 prov\u00edncia de Salta. As mineradoras usam essa estrada, explica Cusipuma, porque a maior parte dos res\u00edduos da extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio \u00e9 transportada em caminh\u00f5es para as esta\u00e7\u00f5es de tratamento em Salta \u2014 uma rota que, aos olhos dele, tamb\u00e9m poderia incentivar o turismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A ativista Elizabeth Mamani tamb\u00e9m quer popularizar a luta contra o l\u00edtio entre os turistas. Para isso, usa sua loja de artesanato tamb\u00e9m como ferramenta pol\u00edtica: \u201cVendo esses produtos n\u00e3o apenas pelo dinheiro, mas tamb\u00e9m para explicar aos [visitantes] o que est\u00e1 acontecendo com o l\u00edtio, porque eles n\u00e3o sabem e ficam gratos em saber sobre isso\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel de sua comunidade diante dos interesses da minera\u00e7\u00e3o, ela diz que n\u00e3o deixaria Antofagasta de la Sierra. \u201cH\u00e1 possibilidades de crescimento, de valoriza\u00e7\u00e3o da terra, de turismo, de um futuro sustent\u00e1vel para meus filhos e para a popula\u00e7\u00e3o. Antofagasta \u00e9 mil maravilhas em uma s\u00f3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, com exce\u00e7\u00e3o de alguns visitantes intr\u00e9pidos, a beleza dessa parte de Catamarca parece estar reservada para a minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio.<br><br><em>A reportagem faz parte de uma s\u00e9rie produzida por <a href=\"https:\/\/elruido.org\/\">Ruido<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.revistanomadas.com\/\">N\u00f3madas<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.ciperchile.cl\/\">CIPER Chile<\/a>, Dialogue Earth e estudantes de mestrado da <a href=\"https:\/\/journalism.columbia.edu\/\">Escola de Jornalismo da Universidade Columbia<\/a>. O projeto \u00e9 coordenado pelo Centro Latinoamericano de Investigaci\u00f3n Period\u00edstica (<a href=\"https:\/\/www.elclip.org\/\">El Clip<\/a>).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o do Salar del Hombre Muerto transformaram paisagem local, com impactos no rio Trapiche<\/p>\n","protected":false},"author":50000644,"featured_media":60058121,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50039940,50042368],"tags":[50040160,50029739,50029795],"hashtags":[],"country":[50003524],"class_list":["post-60058328","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-natureza","category-uncategorized-zh-pt-br","tag-litio","tag-mineracao","tag-rios","country-argentina-pt-br"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.0 (Yoast SEO v26.0) - 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