Negócios O que os argentinos pensam da presença chinesa no país Nova pesquisa revela uma visão positiva do impacto econômico da China na Argentina, apesar de projetos controversos Português Português Español English Compartilhar a matéria × Copy link to page Copy link to page × Copyright Leia nossa política de republicação para saber mais sobre esse tipo de licença. O presidente argentino, Mauricio Macri, recebe o chinês Xi Jinping na cúpula do G20 de 2018 em Buenos Aires. Imagem: Argentina G20 Fermín Koop Julho 29, 2019Junho 4, 2023 Em meio às tensões geopolíticas causadas pela disputa comercial entre Estados Unidos e China, a maior parte dos cidadãos argentinos considera positivo o papel da China e de investimentos chineses na Argentina, segundo os resultados de uma pesquisa recente. Segundo o ArgentinaPulse, projeto da empresa de consultoria Poliarquia e do centro de pesquisa Wilson Center, 80% dos argentinos são a favor dos investimentos chineses no país, enquanto 76% têm uma imagem muito boa ou boa do país asiático. Ao mesmo tempo, a pesquisa ressaltou que 83% dos que têm uma boa opinião sobre a China são eleitores do atual presidente Mauricio Macri, que tem tentado manter simultaneamente uma boa relação com os Estados Unidos e com a China durante seu mandato. “Apesar das dúvidas iniciais sobre a relação da Argentina com a China, o presidente Mauricio Macri manteve os estreitos laços estabelecidos por sua predecessora, Cristina Fernández de Kirchner”, afirma Benjamin Gedan, diretor do Argentina Project do Wilson Center. Apenas 32% dos argentinos acham que o país deve escolher entre Washington e Beijing, segundo a pesquisa. No entanto, entre os que preveem uma ruptura com uma das duas potências mundiais, 54% prefeririam que a Argentina escolhesse a China. De qualquer maneira, os Estados Unidos encabeçam o ranking dos países considerados prioritários para a política exterior argentina, mencionado em primeiro lugar por 28% dos entrevistados. A China aparece em segundo lugar, de acordo 21% dos entrevistados. “A sociedade argentina não expressa uma clara preferência por um país acima de outro e prioriza as relações com a China e os Estados Unidos de maneira equânime”, afirmou Alejandro Catterberg, analista político e diretor da empresa de consultoria Poliarquia, ao jornal Perfil. Laços estreitos A Argentina possui uma aliança estratégica integral com a China, um tipo de vínculo que os chineses mantêm com poucos países. A relação entre ambos se aprofundou desde o governo da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, quando foram assinados mais de 20 tratados e projetos de investimento. Muitos desses tratados foram revisados durante o governo de Macri, que tem tentado aproximar-se de novos parceiros comerciais durante seu mandato. Apesar disso, os projetos chineses finalmente avançaram, como as represas em Santa Cruz ou uma central nuclear em Buenos Aires. O presidente chinês Xi Xinping visitou Buenos Aires em 2018 no marco do G20 e assinou com Macri um Plano de Ação Conjunta 2019-2023. Contudo, a adesão da Argentina à iniciativa do governo chinês do Cinturão e da Rota continua pendente. Na última década, a presença de produtos chineses nas importações da Argentina saltou de 5% para 20%. No entanto, as exportações da Argentina à China não seguiram o mesmo padrão de crescimento, mantendo-se entre 8% e 10% das exportações totais. Isso levou a um déficit recorde de mais de 5 bilhões de dólares no comércio entre os dois países. Outras conclusões Os resultados da pesquisa na Argentina seguem o cenário observado em outros países latino-americanos, onde o maior volume de investimentos chineses acompanha um olhar positivo para o país asiático. No Chile, uma pesquisa da empresa CADEM mostrou que 77% dos chilenos têm uma imagem positiva da China, 16% mais que a imagem positiva dos Estados Unidos. Além disso, 51% consideram que o Chile deveria aprofundar os laços com a China. No México, 57% dos entrevistados têm uma opinião favorável sobre a China, em comparação com 43% que têm uma opinião favorável dos Estados Unidos, segundo uma pesquisa do Latinobarómetro de 2018. Desde 2005, estima-se que a China emprestou 140 bilhões de dólares à América Latina—90% desse valor foram destinados principalmente à Venezuela, Brasil, Argentina e Equador. Contudo, a tendência hoje parece estar se revertendo. Em relação à quantidade de dinheiro emprestado à região, a China superou organizações multilaterais como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina da CAF.