Negócios Para onde caminha a relação sino-colombiana? Mais cooperação resultará em contratos de infraestrutura e crédito Português Português Español English Compartilhar a matéria × Copy link to page Copy link to page × Republicar esta matéria Você pode republicar os textos do Dialogue Earth sob a licença Creative Commons. Por favor, confira nossa política de republicação. Paulina Garzón Dezembro 10, 2015Junho 15, 2023 Durante a reunião dos líderes da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em novembro passado, o Presidente Xi Jinping disse que as relações diplomáticas sino-colombianas melhoraram e que a cooperação em finanças, infraestrutura, manufatura, energia e agricultura chegaram ao “próximo nível”, uma das expressões favoritas dos oficiais chineses. Alguns dias antes, a Agência Nacional de Infraestrutura da Colômbia licitou o contrato para a construção de estradas e outras obras relacionadas ao consórcio sino-colombiano Autopistas Urabá, no qual participa a China Harbour Engineering Company com 30% das ações. O projeto vai exigir um investimento de U$ 423 milhões e é considerado “estratégico” para o desenvolvimento da Antioquia, já que é parte de uma rede viária que transformará a região. E o que é ainda mais importante, este projeto aparentemente abrirá as portas para mais empresas chinesas. Entretanto, diferente de seus vizinhos venezuelanos e equatorianos, os colombianos foram mais cautelosos no seu relacionamento com a China – os investimentos chineses na Colômbia alcançam apenas 0.2% dos investimentos estrangeiros diretos totais e a China só repassou um empréstimo à Colômbia que representa insignificantes 0.6% de todos os empréstimos chineses à América Latina – cujas razões foram bem entendidas. Ambiente e Sociedade, uma ONG colombiana, sustenta que há pouco conhecimento na Colômbia sobre a crescente presença da China no país e que é primordial para a sociedade civil colombiana compreender quais parâmetros têm os investimentos chineses, que interesses perseguem, como essas aplicações se traduzem em projetos concretos que possam satisfazer as necessidades de desenvolvimento, e suas implicações socioambientais. Com o propósito de contribuir para a análise, a Ambiente e Sociedade publicou em novembro o relatório: “Investimentos Chineses na Colômbia: Revisão dos Convênios de Cooperação entre Colômbia e China”. O relatório representa um esforço importante e pioneiro entre as ONGs da região; em primeiro lugar, porque fornece informação que, devendo ser pública, não é facilmente acessível; e depois, porque auxilia a aferir o financiamento chinês na Colômbia, sua história, sua estrutura e suas tendências. Segundo esse mesmo relatório, três momentos foram importantes no desenvolvimento da relação sino-colombiana: a assinatura do Tratado Bilateral de Investimentos, em 2008 (passou a vigorar em 2012); a assinatura de Acordos em 2012, durante a visita do Presidente Juan Manuel Santos à Ásia e o Acordo de Cooperação Petroleira; e os Acordos firmados em maio de 2015 durante a visita do Primeiro Ministro chinês Li Keqiang. Além disso, China e Colômbia prosseguem, com entusiasmo, nas conversas sobre a assinatura de um Tratado de Livre Comércio. O relatório assinala que a China e a Colômbia firmaram aproximadamente 20 acordos de cooperação. Mesmo que a maioria deles esteja direcionada a promover o comércio e a cooperação técnica e econômica (14 acordos), o “setor onde se concentra a maior quantidade de investimentos chineses é no setor de hidrocarbonetos, onde se busca gerar oportunidades de cooperação para que as empresa chinesas possam investir…”. Outro setor importante é o de infraestrutura (cinco acordos), entre os quais se destacam projetos como o plano de aproveitamento do Rio Madalena, o Parque Industrial de Buenaventura e o projeto da Autoestrada para o Mar. A Colômbia, assim como a Venezuela e o Equador, está sofrendo a crise da queda do preço do petróleo, que representa “54% das exportações do país, 40% do investimento estrangeiro vem da indústria petroleira e a quinta parte dos ingressos fiscais da Nação é gerada pelo setor”. Segundo alguns analistas, a construção de infraestrutura poderia ser a “tábua de salvação” para dinamizar o investimento e o emprego; para outros, a Colômbia vai preferir a contratação dos créditos, aproveitando-se do fato de que ainda inspira confiança nos mercados financeiros. Em ambas alternativas, Colômbia e China poderiam encontrar oportunidades para que a cooperação desse o “salto para o próximo nível”. Mas, antes disso, a Colômbia teria muito que aprender com seus vizinhos. Continue lendo Reportagem Geopolítica Oposição venezuelana quer revisar acordos com China Reportagem Energia hidrelétrica China agora é protagonista no setor elétrico brasileiro Reportagem Mitigação climática A mudança de imagem da China em Paris Reportagem Mitigação climática Acordo de Paris traz esperança à luta contra as mudanças climáticas Reportagem Geopolítica China questionada por duplo padrão climático Reportagem Geopolítica Tribunal ambiental questiona projetos respaldados pela China Reportagem Finanças Financiamento verde está “muito aquém do necessário” Reportagem Energias renováveis O que a Costa Rica pode ensinar sobre baixo carbono