Energia China amplia presença no mercado de energia elétrica da América Latina Empresas estatais chinesas State Grid e Three Gorges crescem no Brasil, Chile e Peru Português Português Español English Compartilhar a matéria × Copy link to page Copy link to page × Copyright Leia nossa política de republicação para saber mais sobre esse tipo de licença. Uma linha de transmissão de energia no Brasil. Imagem Flickr Chris Hunkeler (CC BY-SA 2.0) Juan Manuel Harán, MarcosGonzálezGava Agosto 3, 2020Julho 15, 2022 Com um valor estratégico para o desenvolvimento econômico e social, o setor de transmissão e distribuição elétrica na América Latina passou por uma recente revolução com a chegada dos conglomerados estatais chineses State Grid e Three Gorges nos mercados do Chile e Peru, que continuam expandindo seus negócios no Brasil. A presença dessas empresas estatais chinesas na região responde à política de internacionalização (conhecida como “Going Out”) adotada pelo governo chinês. Seguindo essa política, a China tem se estabelecido em setores-chave nos quais tem superávit produtivo, o que a obriga a buscar novos mercados para localizar esses estoques. Nesse contexto, a China se posicionou na transmissão e distribuição de eletricidade na América Latina, priorizando as aquisições de empresas operacionais por meio de investimento direto, o que lhe permite criar fluxos de maneira imediata, sobre projetos que devem ser iniciados do zero. Não é difícil entender a presença da State Grid e da Three Gorges tanto no Brasil como no Chile e no Peru. A China e o Brasil participam do BRICS e do G-20, e em 2004 criaram juntos a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) para a coordenação de iniciativas bilaterais. Quanto ao Chile e ao Peru, ambos países assinaram Tratados de Livre Comércio (TLC) com a China e se comprometeram oficialmente a participar da Iniciativa do Cinturão e da Rota, assinando memorandos de entendimento. Um fato adicional: a China é o principal sócio comercial desses três países. A partir de 2010, a State Grid adquiriu várias empresas no Brasil, principalmente espanholas, e recebeu milhares de quilômetros em linhas de transmissão, atingindo 15.761 km até o final de 2019. Para esse grupo, que opera quase 90% da transmissão de eletricidade chinesa, o Brasil tem importância central devido às oportunidades relevantes geradas para a venda de equipamentos e tecnologia. Tanto é assim que 60% dos investimentos da State Grid fora da China foram realizados no país hoje presidido por Jair Bolsonaro, chegando a 12,4 bilhões de dólares. Esses investimentos garantiram à State Grid o controle de 10% das redes de alta tensão e 14% do segmento de distribuição no mercado brasileiro. Por sua parte, a Three Gorges possui ativos no Equador, Bolívia, Chile e Brasil, onde participa da operação de 17 centrais hidroelétricas e 11 parques eólicos. Em abril de 2020, a estatal chinesa comprou os ativos da americana Sempra Energy no Peru por um montante de 3.590 milhões de dólares, adquirindo também 83,6% da empresa Luz del Sur, que distribui eletricidade a mais de um milhão de clientes, além de uma construtora e uma geradora. Em junho, a Sempra Energy articulou sua saída definitiva da América do Sul por meio da venda da distribuidora chilena Chilquinta Energía para a State Grid, que leva energia elétrica a mais de 2 milhões de clientes na região de Valparaíso e é a terceira mais importante do país. Por um valor de 2.230 milhões de dólares, a compra incluiu também 100% de uma empresa de construção e infraestrutura elétrica e 50% de uma operadora de transmissão. A saída de capital americano, substituído por empresas chinesas, indica a disposição destas de pagar por ativos de energia em níveis que nenhum outro concorrente demonstrou querer desembolsar. Sobretudo no caso de investimentos em países política e economicamente propensos à instabilidade. A estratégia de longo prazo das empresas estatais chinesas, cujo componente geopolítico é inegável, encontra mais espaço nesse setor do que o foco puramente comercial das empresas privadas ocidentais. Além disso, essas mudanças ocorrem no contexto da guerra comercial entre a China e os Estados unidos, que representa uma estratégia de “ocupar e ceder”. Sob a liderança de Xi Jinping, a China avança em setores que os Estados Unidos subestimam e onde possui forte experiência, como o gerenciamento de energia elétrica, para então competir a partir de uma melhor posição em outros setores que Washington quer liderar, como o das telecomunicações. Continue lendo Reportagem China no mundo A iniciativa chinesa Um Cinturão, Uma Rota desembarca na América Latina Reportagem Carvão Anfitrião da COP25, o Chile avalia a descarbonização Reportagem Veículos elétricos BYD, gigante chinesa de veículos elétricos, cresce no Brasil Reportagem China no mundo Crise afeta adesão da Argentina à Iniciativa do Cinturão e da Rota Reportagem Dívida Sozinha, China não resolveria iminente crise da dívida na América Latina Reportagem Geopolítica Com seu embaixador tuiteiro, China se aproxima da Venezuela na pandemia Reportagem Energias renováveis Descarbonização traz oportunidades de emprego para América Latina Reportagem Covid-19 Coronavírus reestrutura Iniciativa Cinturão e Rota na América Latina